What our eyes will never see

IT IS ONLY WITH THE HEART THAT ONE CAN SEE CLEARLY.
WHAT IS ESSENTIAL IS INVISIBLE TO THE EYE.
Antoine de Saint-Exupery - "The Little Prince"

"Better take it outside", he said

Philip Lam • President of Macau Billiard Association
© BLOOM * CREATIVE NETWORK • SET 2007

Über den Humanismus

Der Mensh ist nicht der Herr des Seienden.
Der Mensh ist der Hirt des Seins.

O Homem não é o senhor do existente. O Homem é o Pastor do Ser.
MARTIN HEIDEGGER

Da repentina cegueira

E aqui ao lado está o Blog de Fernando Meirelles, autor de Cidade de Deus e The Constant Gardener, sobre o seu último filme: Blindness (Ensaio Sobre a Cegueira) baseado no romance homónimo de José Saramago. Tem apenas 5 entradas até ao momento, mas é de todo importante seguir os relatos que são escritos durante a realização e a produção do filme, que irá ser estreado no próximo ano.

Para meu desespero, estava enganado. Ele está interessado sim, perguntou várias vezes quando ficaria pronto ou quando poderia assistir algo. Depois do nosso encontro, me mandou um e-mail dispondo-se a colaborar caso eu precisasse e dizendo-se totalmente confiante em relação ao nosso trabalho. Antes não estivesse tão confiante assim, o risco de uma grande decepção seria menor. Sei que nenhuma projeção desse filme será tão tensa quanto a que farei para apresentá-lo ao autor da história.
em DIÁRIO DE BLINDNESS por Fernando Meirelles

On the riposte of substance

Other Publisher we are in love with since we met is REAKTION BOOKS. They stand out from the rest by their impressive collection of titles and the profound distinction on the book conception.
Reaktion Books is respected worldwide as a leading publisher of high-quality books in many fields including animal studies, architecture, art, Asian studies, cultural studies, design, film, history, photography and travel writing, producing stimulating and innovative titles for both the general and the academic reader. We would like to have them all for you on our shelves, but I guess they will come in waves, bit by bit. This is one of them.

Is a DVD freeze-frame a photo? Is a video clip that’s shot on a digital camera a movie? Until now, few writers have comprehensively examined the complex intersection between photography and film. With Photography and Cinema, a new addition to the ‘Exposures’ series, author David Campany offers an incisive study of how the overlap between the two media is forging new territory in visual studies.

The book draws on a fascinating selection of artists and works from Alfred Hitchcock to Michael Snow; from Edward Weston and Robert Frank to The Truman Show; from Leni Riefenstahl to Cindy Sherman and Jeff Wall; from Buster Keaton to Godard and many other examples together forming an unusual and unprecedented mix of art, photography and film. Campany contends that photography and cinema have constantly borrowed from each other in numerous ways, and he examines such issues as photo essays and photo novels in print, the photographer as a filmmaker, photographic and filmic stillness, and photographers on screen. Understanding this complex history is crucial to making sense of the ever closer relationship between the two in the future.

A richly illustrated and intriguing exploration, Photography and Cinema will interest readers in visual studies, film studies, contemporary art and photography.

David Campany is a writer, artist and Reader in Photography at the University of Westminster. He is the author of the anthologies Art and Photography (2003) and The Cinematic (2007).

Photography and Cinema, by David Campany
REAKTION BOOKS • ISBN: 9781861893512 • Paperback with flaps • September 2007

The rebellion of mother tongue

Gabriel Gárcia Márquez says it all: "He is the best Latin American writer in the English language."

Gregory Rabassa influence as a translator is tremendous. His translations of Gabriel García Márquez's One Hundred Years of Solitude and Julio Cortázar's Hopscotch have helped make these some of the the most widely read and respected works in world literature. (García Márquez was known to say that the English translation of One Hundred Years was better than the Spanish original.) In If This Be Treason: Translation and Its Dyscontents, Rabassa offers a coolheaded and humorous defense of translation, laying out his views on the translator's art. Anecdotal and always illuminating, Rabassa traces his career from a boyhood on a New Hampshire farm, his school days "collecting" languages, the two and a half years he spent overseas during WWII, and his South American travels, until one day "I signed a contract to do my first translation of a long work [Cortázar's Hopscotch] for a commercial publisher." Additionally, Rabassa offers us his "rap sheet," a consideration of the various authors and the over 40 works he has translated. This longawaited memoir is a joy to read, an instrumental guide to translating, and a look at the life of one of its great practitioners.

GREGORY RABASSA was born in Yonkers in 1922. He studied at Dartmouth and, in 1942, volunteered for the Army, serving in the Office of Strategic Services. When he returned home after the war, he received a Ph.D. from Columbia. His translations of works by such literary giants as Jorge Amado, Julio Cortázar, Mario Vargas Llosa, and Gabriel García Márquez have become classics. He is presently Distinguished Professor of Romance Languages and Comparative Literature at Queens College, New York.

His translations are available on New Directions Publishing, one of the best and exquisite publishers around the world and Bloom is shipping it to Macau.

A fine summing up by the translator who brought such notable Latin American authors to the attention of English-speaking readers.
Kirkus Reviews

Represents an insider's view that is available nowhere else, and everyone, neophytes as well as past or present Spanish majors, can profit from it.
Michael Henry Heim, L. A. Times Book Review
If This Be Treason: Translation and Its Dyscontents, A Memoir
by Gregory Rabassa
• NEW DIRECTIONS • 2006

Dissolving usage


The mexican designer is Victor Aleman, the concept is an adaptive floor seating that tunnels the way you want and loops into something you dreamed when you were a kid. It looks like a large chunk of orange peel you dropped to the floor. Made from a single piece of red oak, the Loopita is covered in high density foam for comfortable seating. The two opposing end points makes for a great floor level chaise. Add several Loopitas together can form interesting modular seating arrangements. Dynamic and striking.
[MORE AT YANKO DESIGN]

Uma colecção nunca antes vista

Esta publicação da OQO resulta numa interessante viagem ao mundo da arte pelas relações intertextuais – próximas do sentido original de paródia – que cada imagem (e, em certa medida, cada texto) estabelece com um quadro célebre que não é identificado, mas cuja referência emerge, de forma implícita, à superfície. História alternativa da pintura ou sua revisitação paródica, o álbum em causa pode funcionar como excelente pretexto para a descoberta das verdadeiras obras de arte que estiveram na sua origem.

Pelas páginas deste grande livro vemos retratos dos mais famosos retratistas a testemunhar como os animais foram objecto de um particular interesse em épocas e lugares diferentes. Quis o artista com estes belíssimos retratos de rãs, cabras, ovelhas, leões, e outros, alterar a perspectiva que temos da história da arte, passando a poder apreciar a história da arte dos animais.

Svjetlan Junakovic seleccionou os quadros constantes nesta obra de acordo com as exigências teóricas e práticas da época (cânone de beleza animal, costumes sociais, condições de construção da imagem no espaço...) e com uma proposta lúdica e sugestiva, avisa-nos que qualquer semelhança com alguns dos mais famosos retratos humanos é puramente casual...

Svjetlan Junakovic nasceu em Zagreb (Croácia), em 1961. Formado pela Academia de Artes Brera, em Milão, trabalha, actualmente, como pintor, designer e escultor na sua cidade natal e ainda ilustra livros que foram publicados em mais de vinte idiomas. Junaković expôs, individualmente, em Munique, Zagreb, Monza e Mantova. Nas Bienais de Pequenas Esculturas, o artista ganhou prémios em 1994, 1998, 1999, 2003 e 2004 com as suas ilustrações. Ganhou ainda o prémio especial de melhor ilustrador estrangeiro em Bari (Itália). Realizou ainda exposições e workshops em Portugal.

Porque a Bloom não se esqueceu dos leitores mais pequeninos, a nossa sugestão de hoje é para eles, para que surja o amor pela leitura e pela arte, com humor e espontaneidade.
Como este, há muitos outros livros maravilhosos, no primeiro andar da Bloom, à espera de serem levados para o mundo das crianças.

O Grande Livro dos Retratos de Animais, de Svetlan Junakovic
Editora OQO • ISBN 8496573818 • Distribuição: QUIDNOVI

Play Blog!

Blogger has introduced a new feature to its long list of innovations: the "Blogger Play".

Click on "play" and you can see the pictures from all over the blogosphere that are being updated at that moment. You can forward and rewind through the images, and if any catches your eye just click on it and follow its link. Have fun!

Uma égua pelo meio

Cristóvão tinha três filhos e uma lindíssima égua branca. Eram bens preciosos, sem dúvida, os bens mais preciosos da terra, mas Cristóvão, nos últimos tempos, perdera a alegria. Sentia-se envelhecer, queria fazer um testamento, e não sabia a quem deixar o animal. Ele gostava de todos os seus filhos, e estes também lhe queriam bem. Ainda recentemente, por ocasião do seu aniversário, nenhum deles o havia esquecido. António, o mais velho, ofereceu-lhe um capote; Joaquim, o do meio, deu-lhe um cavaquinho; João, o último que Raquel pusera no mundo, trouxe-lhe uma rosa vermelha. Mas a sua preciosa égua não sabia mesmo como lhe tecer o destino.

Próxima do universo e das referências habituais dos contos tradicionais, onde se assiste à disputa de um ser especial por três irmãos, a narrativa de Eugénio de Andrade recupera igualmente um estilo e uma linguagem próximos dos do contador de histórias, estabelecendo uma relação próxima e cúmplice com o narratário com quem partilha e comenta os pormenores da acção. Contudo, a propor um final inesperado que castiga os três irmãos, o narrador afasta-se do paradigma dos textos da tradição oral, recompensando uma personagem que não pertence ao círculo inicial das personagens. As ilustrações desta edição, assinadas por Joana Quental, trazem-nos uma proposta mais infantil que se detém à margem das referências textuais mais próximas de um conto para todas as idades, mas que no entanto propõe uma leitura que se aproxima mais do seu público e que envolve o mundo mágico das crianças.

História da Égua Branca, de Eugénio de Andrade e Joana Quental
Editora Campo das Letras Colecção Palmo e Meio • ISBN: 9726103525

Things you can do with yourself

Ron Arad [PLAY] Simonetta Capecchi [PLAY]
António Jorge Gonçalves [PLAY] Rémy Bardin [PLAY]

This is from the DETOUR project. Detour is an exhibition of illustrated Moleskines and can be seen through differente cities around the world. Click [PLAY] to unfold the pages.
In Macau there will be some news about this amazing product soon. Keep in touch. In the meantime you can come to Bloom and buy one from our shelves. They are unique and tailored made to your needs.

Deixa-te cair

A editora Assírio e Alvim, muito justamente, tem vindo a pôr à disposição do público português as obras de Paul Bowles, nome cimeiro da literatura norte-americana contemporânea. Depois da colectânea de contos A Missa do Galo (Midnight Mass and other Stories) e O Céu que Nos Protege (The Sheltering Sky, 1949), traduzidos por José Agostinho Baptista, este ano foi a vez do fabuloso Deixa a Chuva Cair (Let it Come Down, 1952) e as Memórias de um Nómada (Without Stopping, An Autobiography, 1972), traduzidos respectivamente por Ana Maria de Freitas e José Gabriel Flores.

Se Graham Greene chamava a Patricia Highsmith a poetisa da apreensão, Bowles ainda vai mais longe: é perturbante, nos dias de leitura dormimos com dificuldade. Não por terror barato, mas pelo desafio que é virarmos página a página e corajosamente caminharmos para o fim do livro assistindo ao lento suicídio dos protagonistas. Nem é preciso Bowles dar-nos a conclusão de Deixa a Chuva Cair, pois calculamos o fim de Nelson Dyar. Tentando reconciliar-se com a vida, resolve abandonar o emprego que detinha num banco em Nova Iorque e embarcar para Tânger onde Jack Wilcox, seu amigo de infância, lhe tinha prometido um lugar na sua agência de viagens, um estabelecimento comercial que servia de fachada para negócios pouco claros. Nas casas e festas que frequenta, e nas deambulações pela cidade, conhece gente de todo o tipo, a interessante Daisy Valverde, espiões, cambistas e contrabandistas. Wilcox consegue um daqueles negócios e incumbe Dyar de ir buscar nove mil libras a um cambista indiano (Ramlal) e depositá-lo até determinada hora e dia. O dinheiro acaba por não ser depositado porque o contacto no banco se recusava a receber notas de cinco libras e quando Dyar conseguiu resolver o problema, trocando-as por pesetas para de novo comprar libras junto e finalmente efectuar o depósito, a instituição já estava fechada. Ficou assim com 1260 notas de mil pesetas na mão.

Já se sabe que a ocasião faz o ladrão e Dyar decide, pagando a torto e a direito e com a ajuda de um aspirante a contrabandista fugir de barco para a Zona Espanhola. Bowles na introdução ao livro refere um aforismo de Kafka: "A partir de certo ponto, não se pode voltar atrás". É este ponto que é preciso alcançar. É assim febril e crescente a desconfiança de Dyar por todos os pormenores e sinais que o rodeiam. Cada vez tem mais visões e sonha a todo tempo com traições de Thami. Num casebre que arranjou em Agla para se esconderem a droga e o crepitar da lenha na lareira eleva na parede sombras fantasmagóricas, a conversa não tem sentido e os corpos parecem flutuar. Havia qualquer coisa que Dyar tinha de fazer, mas não consegue lembrar-se porque tinha nos bolsos um martelo e pregos. Começa a cantar uma melodia esquisita, abeira-se do corpo de Thami que está estendido e desacordado em overdose, "e enfiando a ponta do prego na orelha de Thami o mais que podia, levantou o braço direito e deu uma martelada com toda a sua força na cabeça do prego. O prego ficou bem cravado como se tivesse sido espetado num coco", pág. 334. É de engolir em seco.
Depois, Daisy Valverde, que se apaixonou por Dyar e é respeitada por quem tem poder, aparece e tenta desesperadamente convencê-lo a aceitar o seu esquema que lhe permitia assumir a responsabilidade dos actos e sofrer as mínimas mas necessárias consequências, para regressar a Tânger. Daisy, entretanto, pergunta pelo rapaz Beidaoui... é o fim.

Paul Bowles nasceu em 1910 em Jamaica na zona de Queens, no Estado de Nova Iorque. O reparo crítico da sua amiga Gertrude Stein sobre uns poemas afastou-o da escrita e levou-o a dedicar-se à composição musical. Casou com Jane Bowles e depois de muito viajar muda-se definitivamente para Tânger. Quase se perdia o escritor que hoje conhecemos não fosse o reencontro com a escrita numa colaboração com a revista View e o arranque decisivo com o magnífico conto 'A Distante Episode', que relata a história de um professor de linguística que é capturado por membros de uma tribo nómada do Norte de África que (ironicamente) lhe cortam a língua e o tranformam num palhaço e num brinquedo. Este e outros contos, com destaque para 'The Delicate Prey' e 'Pages from Cold Point', estão reunidos em 'Paul Bowles - Collected Stories, 1939-1976', edição de 1991 da Black Sparrow Press, que conta ainda com um prefácio de Gore Vidal. Da sua vasta obra constam ainda mais dois romances, textos de literatura de viagens e traduções de textos orais magrebinos.

Esperemos que a Assírio continue com o seu trabalho de divulgação da obras deste autor.

Deixa a Chuva Cair, de Paul Bowles
• ASSÍRIO E ALVIM • 2007

A 'must have'

Harpo Marx, (November 23, 1888 – September 28, 1964) was one of the Marx Brothers, a group of Vaudeville and Broadway theatre entertainers who later achieved fame as comedians in the Motion Picture industry. He was well known by his trademarks: he played the harp; he never talked during performances, although he often blew a horn or whistled to communicate with people; and he frequently used props.

In January of 1910, Harpo joined two of his brothers, Julius (later "Groucho") and Milton, to form "The Three Nightingales". Harpo was inspired to develop his "silent" routine after reading a review of one of their performances which had been largely ad-libbed. The theater critic wrote, "Adolph Marx performed beautiful pantomime which was ruined whenever he spoke."

Harpo got his stage name during a card game at the Orpheum Theatre in Galesburg, Illinois: the dealer (Art Fisher) called him "Harpo" because he played the harp. His other brothers were given names to match their personalities or hobbies; his brother Leonard became "Chicko" (Chico) because he was always chasing women ("chicks"), and his brother Milton became "Gummo" because he wore gum-soled shoes.

He taught himself to play the harp because he could not sing, or dance, and did not talk very well, so he needed something to do. Harpo learned how to hold it properly by going to a five-and-dime store where he found a picture of a girl playing a harp. No one in town knew how to play the harp, so Harpo tuned it as best he could, starting with one basic note and tuning it from there. Three years later he found out he had tuned it incorrectly, but he could not tune it properly because if he had, the strings would have broken each night. His way placed much less tension on the strings. Although he played this way for the rest of his life, he did try to learn how to play correctly, and he spent considerable money hiring the best teachers. They, however, spent their time listening to him, fascinated by the way he played. In the movies he is actually playing the harp with his own alternate tuning.
[SOURCE WIKIPEDIA]

School was all wrong. It didn't teach anybody how to exist from day to day, which was how the poor had to live. School prepared you for Life - that thing in the far-off future - but not for the World, the thing you had to face today, tonight, and when you woke up in the morning, with no idea of what the new day would bring.
When I was a kid there really was no Future. Struggling through one twenty-four-hour span was rough enough without brooding about the next one. You could laugh about the Past, because you'd been lucky enough to survive it. But mainly there was only a Present to worry about.
Another complaint I had was that school taught you about holidays you could never afford to celebrate, like Thanksgiving and Christmas. It didn't teach you about the real holidays like St. Patrick's Day, when you could watch a parade for free, or Election Day, when you could make a giant bonfire in the middle of the street and the cops wouldn't stop you. School didn't teach you what to do when you were stopped by an enemy gang - when to run, when to stand in your ground. School didn't teach you how collect tennis balls, build a scooter, ride the El trains and trolleys, hitch onto delivery wagons,own a dog, go for a swim, get a chunk of ice or a piece of fruit - all without paying a cent.
School didn't teach you which hockshops would give you dough without asking where you got your merchandise, or how to shoot pool or bet on a poker hand or well to sell junk or how to find sleeping room in a bed with four other brothers.
School simply didn't teach you how to be poor and live day to day. This I had learn for myself, the best way I could. In the streets I was, according to present-day standards, a juvenile delinquent. But by the East Side standards of 1902, I was an honors student.
[EXCERPT FROM Harpo Speaks! • ALSO AVAILABLE IN The Book of Life A COMPENDIUM OF THE BEST AUTOBIOGRAPHICAL AND MEMOIR WRITING]
FOR THE END OF THIS POST BLOOM TV BRINGS YOU HARPO MAX PLAYING THE HARP. IT STARTS WITH "SEPTEMBER SONG" AND GOES BEAUTY FOOL THROUGH SOME OTHER TUNES. IT'S ALL HERE. ENJOY!

[This song was also performed by Bryan Ferry, who turned 61 yesterday, on his album "As Time Goes By" - SEARCH FOR IT]

Crusting religion and culture

ARTUR WARDEGA • DIRECTOR OF MACAU RICCI INSTITUTE © BLOOMLAND * CREATIVE NETWORK
Normally as a photographer I never have much time to take pictures. Sometimes it's because I'm on the run and I just have to jump from one place to the other. On other occasions the situation develops into a short meeting and somehow I have to work it out like that. Nevertheless is not bad so I don't need to think too much about it and have to work on the impulse of creativity, or whatever it slips my mind. I could linger there and choose the light, the space, work with the model in different ways and then if not enough I could do it again. But that is a circular process and the final effect it's not so spontaneous as it should be.
With Artur Wardega, the new Director of Macau Ricci Institute, whom I never met before, it was very simple. While we talked I just took my camera and shoot. From his office we moved outside to the large balcony that surrounds the typical old Macau house. It's a beautiful place with its yellow walls and the wooden doors, with a little garden beyond that escapes from the city traffic that runs alongside, on the Tap Seac Square and on the border of the Lou Lim Ieoc Garden.
Mr. Wardega was clearly relaxed and enjoying what it seemed like a small fashion shooting, look there, move a little to the left and that was it. The picture above was the best of the set. Even if you cannot see the warm yellow, the black and white throws underneath all the spectre of the colors and it still gives you the ambiance and the weight of an institution that goes through the realms of history in Macau. Artur Wardega is polish, he came from Taiwan. And there he stands somehow nostalgic freezing both future and past, of personal and systematic challenges.
It was on the front page of Tai Chung Pou in Portuguese (check it here).

Soft border

After extended delays, trains on Buenos Aires’s new metro line should begin running within the next two months—and possibly even before the presidential election of October 28th. The H line, whose tunnels were completed in June, will have five stops along a north-south axis, serving neighbourhoods whose residents currently depend on buses for public transport. It will also allow riders to change lines without having to enter the city centre. The new line is expected to serve about 35,000 passengers a day as soon as it opens, and then eventually to carry more than 250,000 a day.
[SOURCE: THE ECONOMIST]

Soon in Macau


Doisneau, Paris • 2008 DIARY • TASCHEN BOOKS
[we'll tell you later where to get it... stay tuned...]

Antes que me esqueça

Depois do início em papel da versão portuguesa do Tai Chung Pou* já está no ar a sua congénere electrónica e pode ser bisbilhotada neste sítio. O eTaiChungPou é interactivo como nós e tanto lá como aqui pode - e deve! - deixar os seus comentários, a sua opinião conta e é necessária.
Dada a colaboração da Bloom * Creative Network, e minha em particular, daremos com alguma assiduidade destaque ao que acontece nesta parte da esfera jornalística local, onde as imagens se deslocam com facilidade da malha dos impressores, o que torna tudo ainda mais especial.

*
O Tai Chung Pou em Português é o suplemento em português do jornal mais antigo de Macau. Tai Chung Pou significa "Diário para Todos" e teve páginas em língua portuguesa ao longo dos 74 anos de existência. As duas línguas voltaram a juntar-se em Setembro de 2007.

Things about three magazines

We would like that our friends and customers from Macau could come to Bloom and bring and share their wisdom and their interest for unique things that perhaps we could not find anywhere else in the territory. This goes for the following three titles of magazines that we will soon bring on board. Is like placing a bet on a casino table. For us is always a win because we will breath them and we will try to go beneath the wisdom of their letterheads. It's a bit like dreaming. ;-p

PROSPECT[BRITAIN'S INTELLIGENT CONVERSATION]
Prospect was launched in October 1995 by its present editor David Goodhart, a senior correspondent for the Financial Times, and chairman Derek Coombs. The aim was to launch a monthly that was "more readable than the Economist, more relevant than the Spectator, more romantic than the New Statesman," as Sir Jeremy Isaacs subsequently described Prospect.

Prospect has acquired a reputation as the most intelligent magazine of current affairs and cultural debate in Britain. Both challenging and entertaining, the magazine seeks to make complex ideas accessible and enjoyable by commissioning the best writers, editing them vigorously and packaging their work in a well designed and illustrated monthly.

It follows that Prospect has attracted a mature, educated, affluent and discerning readership, many of whom have reached the top of their profession. Specific details can be viewed on the advertise pages. And is growing rapidly. The latest audit confirmed the circulation at 24,740 (ABC Jan-Dec 2005).
[INFO ON WIKIPEDIA]

DISSENT [INDEPENDENT SOCIAL THOUGHT]
Dissent is a quarterly magazine of politics and culture edited by Mitchell Cohen and Michael Walzer. In the words of the New York Times, Dissent "ranks among the handful of political journals read most regularly by U.S. intellectuals."

A magazine of the left, Dissent is also a magazine of independent minds. A magazine of strong opinions, Dissent is also a magazine that welcomes the clash of strong opinions.

Each issue features reflective articles about politics in the U.S., incisive social and cultural commentary, plus the most sophisticated coverage of European politics you'll find anywhere outside of Europe. As the Utne Reader says, "Politics, economics, and culture come together in every article, giving the entire publication a balance most political journals lack."
[INFO ON WIKIPEDIA]

BOOKFORUM[NATIONAL LITERARY MAGAZINE]
First and foremost, this quarterly magazine is about art. Coffee table art books finally get the space that they deserve in both the reviews and in the interviews. Next in line are novels and the best fresh fiction on shelves today. Culture, interviews and letters follow closely behind.

Though the top publishers (HarperCollins, Simon&Schuster, Knopf, etc.) get their books reviewed, it is refreshing to see the the number of "small press" and "academic press" books that are also reviewed. The reviewers are from various walks of literary life (a writer, a poet, a Sr. editor, a contributing editor, a professor etc.) and almost always the reviews are engaging as well as informative.

If you like mind engaging writers, or are a fan of art books, you will not be disappointed with this highly recommended magazine.
[INFO ON WIKIPEDIA]

...
That's it. You can also see their online editions where there's plenty of what you'll get on the printed version, so you can taste it first and buy it after. As soon has they come we'll let you know. There are also subscriptions available at Bloom at your command. Thank you!

Whould you care for this?

If you dig into Google and search for Chuck Close images you will find that famous close-up portrait of an untidy man, with glasses and a mustache, smoking a cigarette. That man is Chuck Close and the image is not a black and white photograph as it seems but an acrylic on canvas painting, it's called Big Self-Portrait and it was created in 1967 and 1968. That's his style. That's what he does with his life: painting himself out and making it as a living. I wonder if everyone could do that. Making their own portraits without the need to get any other job. But for the past decades Chuck has also painted others.

This book is the first comprehensive critical examination of one of the America's most celebrated living artists. Close reinvented portraiture almost four decades ago with a series of nine-foot-tall, black-and-white likenesses of himself and fellow artists, which astonished an art world dominated by minimalism and conceptualism. Close has since explored the possibilities implicit in his original breakthrough in an array of mediums. This lavish, large-format volume is the first to deal with all aspects of Close's career and to place them in a biographical context.
Christopher Finch's insight into Close's achievement comes by way of hundreds of studio visits and thousands of hours of conversation since he met Close in 1968. Finch provides an engaging, in-depth analysis of Close's portraits on canvas, from the continuous-tone airbrushed heads of the 1960s and '70s to the painterly "prismatic grids" of the past two decades. The more than 300 illustrations featured in the book include almost all of Close's paintings, a selection of his prints and multiples, and examples of his photographic oeuvre. Many unpublished photos from the artist's personal archive enrich the reader's understanding of his inspiring life and the fascinating processes he has invented to create his art. This beautifully designed volume reveals not only the variety of pictorial strategies Close has devised, but the extraordinary personality of the artist behind the work.

[MORE ON CHUCK AT WIKIPEDIA] + [IMAGES OF ONE OF HIS EXHIBITIONS]

And up to the end, as we sell books, the question is: Do you care for this book? Would you buy it and take it home so it could live with you for the rest of your life? If your answer is yes throw us an email. It's not an inexpensive book (+ 700 MOP$) but it's a real object of art that is worth living for.

Chuck Close: Work by Christopher Finch
PRESTEL • ISBN: 9783791336763 • Hardcover • 336 pages • 300 color / 45 b&w illustrations • 340 x 290 mm
[AVAILABLE BY DEMAND]

O meu reino por um filme

É o último lançamento da Guerra e Paz, disponível nas livrarias portuguesas a partir de amanhã, dia 25 de Setembro, e em breve em Macau, através da Bloom. É uma apologia do cinema como terapia clínica e um livro para ter sempre à mão. Já diz o ditado: "Um filme por dia sempre o médico se adia."

Já ouviu falar em filmoterapia? É isso que aqui se propõe. Este livro contém milhares de ansiolíticos e antidepressivos e ajuda a prevenir e a curar noites em branco, males do coração,
dores de espírito, ataques de preguiça e crises moderadas de parvoíce – não as temos todos?
Os medicamentos propostos são filmes – curtos ou longos, dependendo da patologia –e séries de televisão, sempre em DVD, sempre com a indicação da dosagem, dos efeitos secundários e dos efeitos de interrupção do tratamento (como sabe, o cinema é terapêutico, mas vicia). A sua farmácia é o mundo inteiro: pode alugar os DVD no seu clube de bairro, comprá-los no centro comercial ou mandá-los vir pela Internet. Há filmes maus e bons, sombrios e brilhantes, enfadonhos e enternecedores. E há filmes que ajudam a salvar vidas.
Esperamos que este livro, modestamente, ajude a tornar a sua um bocadinho melhor. Coisa mínima. Um ou dois gramas.

Pedro Marta Santos nasceu em Moçambique, sem saber como ou porquê – não conseguiu nascer no Porto, como era sua intenção. É licenciado em Relações Internacionais (embora nunca tenha tido nenhuma) e trabalhou no Ministério do Planeamento
(onde usava fato sem gravata e andava sempre cheio de sono). Jornalista de “O Independente” durante 13 anos, colaborou com vários jornais e revistas. Escreveu longas-metragens para as produtoras de Leonel Vieira e António-Pedro Vasconcelos, e é autor dos argumentos dos telefilmes Aniversário, de Mário Barroso, Cavaleiros de Água Doce, de Tiago Guedes e Oito Oito, de Edgar Pêra. Trabalha actualmente como guionista na Valentim de Carvalho Filmes. Este é o seu primeiro livro – espera que não seja o último.

Guia Terapêutico de Cinema, de Pedro Marta Santos GUERRA E PAZ • 2007

Daltonic perception

Kelvin investigates today’s evolving perception and application of colour. Structured into chapters that each focus on a single colour, the book documents some of the effects of the deliberate use of colour in recent top quality design work. Alongside images of clear and distinctive colour allocation, Kelvin also includes more intricate and playful examples that illustrate contemporary colour combinations. This ensures that the reader is introduced to the subject of colour in an instructive as well as an associative and experimental way.

Colour currently plays an increasingly significant role in global visual communication. More than ever, colour is being deliberately utilized to give design projects, campaigns and brands their own distinctive style. Astonishingly until now hardly any publications exist that investigate today’s evolving perception and application of colour.

Colour, more specifically colour temperature, is measured in a unit called the Kelvin. The book Kelvin identifies which possibilities exist for the conscious use of colour. Each chapter relates to a colour: green, red, blue, yellow and orange as well as the achromatic “colours” black and white.

This comprehensive book contains recent, top quality design as well as exciting projects from photography, illustration and product design that work with colour in remarkable ways. In addition to images of clear and distinctive colour allocation, Kelvin also includes more intricate and playful examples that illustrate contemporary colour combinations. This structure ensures that the reader is introduced to the subject of colour in an instructive but also in an associative and experimental manner.


Each chapter in Kelvin starts with an essay or interview that puts the selected works in that section into context. The book also investigates complex subject areas such as classic colour theory, the meaning of colour in various cultures and the effect of colour in brand management.

With its current examples of striking creative work and insightful analysis Kelvin offers both usability and inspiration for professionals such as graphic designers and design studios but also anyone working in the fields of fashion, interior design, lifestyle and art.

Kelvin - Colour Today • Editors: R. Klanten, B. Br
PUBLISHER dgv* • ISBN: 9783899551969 • 24 x 28 cm • 320 pages • AVAILABLE SOON


[* Die Gestalten Verlag (dgv) specializes in developing content for aficionados of cutting-edge visual culture worldwide. The company is best known for the more than two hundred fifty books we have published that document and anticipate vital design movements for our own title list as well as customer publishing projects. dgv also provides curation, art direction, consulting, production, distribution and design services to international clients such as Volkswagen and Diesel. Always working directly with talented young designers and artists, dgv brings a deep understanding of visual culture on a global level to whatever we do and remains firmly committed to presenting visual trends with timeless substance. Our name provides insight into its philosophy: "die gestalten" is a German pun meaning both "the creatures" and "they design.]

Run while you can

© 2007 Keri Smith, impermanence postcard, US

Comic Strip of the month

Comic strip by Frankfurt Book Fair.

As Crianças, o Pensamento e a Família

Nem sempre os pais são, na relação com os filhos, bem educados. Os pais fazem asneiras, têm birras, "amuam", são teimosos, mas são pais e, de forma mais ou menos equilibrada, vivem a culpabilidade por cada um dos seus actos, duma forma silenciosa (sobretudo) porque "pai é pai"... e os pais nunca se enganam!... Claro que as asneiras dos filhos têm muito a ver com as asneiras dos pais mas, como dizia um amigo meu, pegando numa ideia de um pediatra e psicanalista inglês chamado Winnicott - que, a propósito da relação empática entre a criança e a mãe, falava da necessidade duma "mãe suficientemente boa" - os pais perfeitos são..."suficientemente maus". No fundo, queria ele dizer que "o perfeito é inimigo do bom", ou seja, que os pais realmente bons são os que têm a coragem de ser como são, e que a coragem supõe que eles toleram a culpabilidade (e a dor que ela desperta).

Eduardo Sá é psicólogo clínico, psicanalista e professor de psicologia clínica na Universidade de Coimbra e no ISPA, em Lisboa. Tem uma longa experiência de acompanhamento de fetos e de bebés, de crianças, de adolescentes e das suas famílias. Presentemente, centra a sua actividade clínica no acompanhamento individual de adultos. Tem colaborado regularmente na imprensa, nomeadamente nas revistas “XIS”, do jornal Público, Adolescentes, e actualmente na “Notícias Magazine”, do Diário de Notícias. Publicou, entre outros títulos, “Manual de instruções para uma família feliz”, “Crianças para sempre” e “Tudo o que o amor não é”.

Mais uma leitura que a Bloom traz até si. Uma importante referência de apoio aos pais, para que os pequeninos de hoje sejam grandes homens e mulheres amanhã.

Más maneiras de Sermos Bons Pais, de Eduardo Sá

Fim de Século Edições • ISBN: 972754200X • 2003

Sometimes it seems like pure loneliness to me but then I realize that I am just outnumbered.

Viagem por terras desconhecidas

Marcámos a sessão de fotografias para a manhã. O Leonel Barros é um dos macaenses que faz parte do património desta comunidade em Macau e eu gostei da ideia de ir fotografá-lo. Há caras que contêm todas as linhas do universo onde vivemos. A Mariana tinha-me contado um pouco da entrevista. Ele tinha-lhe dito "não vou à Taipa e a Coloane desde que a ponte abriu". Existem três pontes em Macau, a última foi inaugurada há um ano atrás e é nessa que se pensa quando alguém faz uma afirmação deste género. "Qual ponte?", perguntou a Mariana só para ter a certeza. "A Ponte Nobre de Carvalho!", respondeu Leonel Barros.
Esta ponte foi projectada pelo engenheiro Edgar Cardoso e inaugurada em 1974. Para esta geração de macaenses, e creio que também para a maioria de toda esta comunidade, "A Ponte" é a Nobre de Carvalho, a primeira delas todas, e não há mais nenhuma assim. Leonel Barros não ia à Taipa e a Coloane há mais de 33 anos, para um território minúsculo como Macau isto é algo que não cabe na cabeça de ninguém.
"Gosto muito de estar em casa", disse-me ele, depois de o ter convidado a vir comigo ao outro lado do rio. Pensei que fosse alguma promessa ou superstição, mas quando lhe disse que o queria fotografar na Taipa ele não disse que não, ficou apenas preocupado com a quantidade de cigarros que tinha no bolso da camisa.
E fomos. Estava calor. O carro estava relativamente fresco. Fomos devagar, para ver com atenção e com calma o que passava por nós lá fora.
Apanhámos a Ponte da Amizade, inaugurada por Cavaco Silva, então Primeiro-ministro, em 1994. Leonel Barros não conhecia nenhum dos viadutos que faziam a ligação à ponte nem o resto dela e confundiu parte do Reservatório com a água do mar, do outro lado da estrada. Na Taipa o cemitério chinês pareceu-lhe enorme, no princípio dos anos 70 não tinha muitas campas, disse-me. Depois o Aeroporto. A 'roda de diversões' por cima do Hotel em frente. Quando perguntam "O que é aquilo?", só apetece responder que é um OVNI. Não se consegue explicar, como é que foi ali parar, nem sei como se pode chamar, mas tenho a certeza que não é utilizada por ninguém. Como outras coisas em Macau vale pela figura que faz, pela fachada e pela extravagância, mas não funciona.
Depois a Universidade de Tecnologia e o Venetian logo a seguir. Ficou espantado, já tinha visto na televisão e não lhe pareceu tão grande. "Tenho medo deste sítio". Eu disse-lhe que aquilo é que era Macau hoje em dia. "E isto é a Taipa?", perguntou-me. Respondi-lhe que estávamos a passar pelo antigo Istmo e que aquilo tudo, no tempo dele, era água de um lado e do outro.
O tempo estava nublado. De Macau não dá para ver a sua própria paisagem e Leonel Barros achou estranho toda aquela falta de visibilidade, a névoa. Não lhe quis explicar que os dias são assim a maior parte do tempo, e que aquela é uma das marcas do território. Quando chegámos finalmente à Ponte Nobre de Carvalho houve um reconhecimento imediato e uma espécie de segurança que lhe deu lume ao cigarro que acendeu quando saímos do carro. Estivemos cinco minutos a olhar para um lado e para o outro. Eu à procura da melhor imagem no meio daquela quantidade toda de cinzentos. Não se via o fim da ponte e Macau parecia um fantasma do outro lado do rio.
Não queria tirar-lhe muito tempo. Quando voltámos perguntei-lhe se tinha gostado. Ele disse-me que sim, que tinha sido muito bom, "mas estou cansado". No regresso ao olhar para a Torre de Macau, mais uma vez disse, "nunca estive aqui", e eu achei que aquilo era impossível.
A REPORTAGEM SAI NO TAI CHUNG POU PORTUGUÊS NOS PRÓXIMOS DIAS E É ASSINADA POR MARIANA PALAVRA. NÃO PERCA!

"Somos apenas um par de idiotas à volta do mundo"

Numa calma tarde de sábado ao debruçar-se sobre um mapa do mundo, Ewan McGregor - actor de cinema e fanático por motas - reparou que era possivel dar a volta ao mundo, atravessando o estreito de Bering e entrar no Alasca a partir da Rússia.
Assim, decidiu telefonar ao seu melhor amigo, Charley Boorman, também actor e entusiasta por motas, e convencê-lo a acompanhá-lo numa viagem inesquecível.

De Londres a Nova Iorque, Ewan e Charley, perseguiram as suas sombras nas estradas da Europa, da Ucrânia, do Cazaquistão, da Mongólia e da Rússia, atravessando o Pacífico até ao Alasca, e descendo pelo Canadá até aos Estados Unidos.
O resultado foi este fascinante livro de literatura de viagem de volta ao mundo, inteiramente documentado, com fotografias e diários escritos por dois amigos que juntos, contra todas as expectativas, realizaram o seu sonho. Um diário da viagem, realizada pelos actores à volta do mundo, em que nos é dada a conhecer um pouco mais das suas personalidades e do seu lado mais humano fora do plano de uma personagem de um filme. Pode dizer-se que por serem famosos arranjaram uma série de facilidades e patrocínios mas isso não lhes tira o mérito e os milhares de quilómetros em cima de um veículo de duas rodas, o que não é um feito que esteja ao alcance de todos. Para além de se tornar cansativo para o corpo é sobretudo, por vezes, bastante fastidioso para a mente. Mas pelo mundo fora há decerto imensas paisagens e aventuras para despertar toda imaginação que valem por tudo. Uma viagem que foi também vivida por uma produtora de televisão decidida a documentar a viagem se encarregou de pagar os custos de toda a aventura.

O livro para além das descrições das paisagens inóspitas, das diferentes pessoas e culturas que encontraram e das peripécias vividas diariamente, contém também os relatos de McGregor e Boorman, na primeira pessoa, das suas emoções a cada momento, dos conflitos e atritos gerados entre os dois, dos seus momentos de tristeza e depressão por estarem longe da família (apesar de nos tempos modernos levarem telefones Iridium, para estarem sempre contactáveis), do cansaço acumulado pelas grandes tiradas diárias e pelos momentos de descoberta pessoal pelo contacto com quem nada tem (os miúdos da UNICEF) e pela solidariedade de estranhos nas situações mais difíceis.
Um livro para ler como uma viagem e com cheiro a muita gasolina. Um vento de vez em quando surgirá também ao virar de algumas das páginas.

O Caminho mais Longo de Ewan McGregor e Charley Boorman
BERTRAND EDITORES • 2006

Chinese Poetry (one)

Down the blue mountain in the evening.
Moonlight was my homeward escort.
Looking back. I saw my path
Lie in levels of deep shadow...
I was passing the farm-house of a friend.
When his children called from a gate of thorn
And led me twining through jade bamboos
Where green vines caught and held my clothes.
And I was glad of a chance to rest
And glad of a chance to drink with my friend...
We sang to the tune of the wind in the pines;
And we finished our songs as the stars went down.
When. I being drunk and my friend more than happy.
Between us we forgot the world.

DOWN ZHONGNAN MOUNTAIN TO THE KIND PILLOW AND BOWL OF HUSI • Li Bai
AUDIO ON LIBRIVOX (IN CHINESE)Xia Zhongnan Shan Guo Husi Shan Ren Su Zhi Jiu
VERSION ONE • READING BY Zhuang Shiguang (Hokkien)
VERSION TWO • READING BY Mike Scott (Mandarin)
[YOU CAN CLICK ON THE LINK OR SIMPLY USE THE MOUSE OVER IT AND CLICK PLAY ON THE SNAPSHOTS WINDOW]

Text in chinese here. Enjoy!

Blue reminder

In their 20th year, the Hong Kong music ensemble 'the box' presents Bluebeard, a theatrical concert about desire, murder, and who's going to sleep on the sofa.

Is going to happen this weekend, Friday and Saturday, the return of 'the box' and Peter Suart to Hong Kong.
Fourteen pieces of music, one from Kung Chi Shing and Peter Suart for each of seven doors, form the skeleton and flesh of this performance. Threads of incidental music, theatrical gestures, dialogue and video imagery are sewn through this body to make a circus monster: horrific, comic and lyrical.

French poet and author Charles Perrault's Bluebeard (1697) is amongst the most horrific of folk tales. A newly-wedded young woman is granted the run of her husband's (Bluebeard) castle but is forbidden one room. He then leaves on business and his wife is consumed with curiosity. She opens the door to find a butcher's room of dismembered women: her husband's previous wives. Bluebeard returns to discover her betrayal and he is about to slaughter her too when she is rescued by her brothers. Perrault's closing moral indicts female curiosity, an outrageous position given the husband's monstrous violence.

Béla Bartók's one-act opera Duke Bluebeard's Castle (premiered in 1918, libretto by Béla Balázs) presents a much more subtle view of male/female relations. Bluebeard and Judith (the wife's name recalling the Apocryphal heroine, saviour of her people and beheader of the mighty Holofernes) love each other, but Judith's need to bring warmth and light into her husband's dark castle causes strife. Bluebeard accedes to her wishes, but finally condemns her to join his previous wives. The opera presents an unremittingly tragic view of male/female love.

In their 20th year the music ensemble 'the box' will present a theatrical concert drawing on Perrault, Bartók, Angela Carter (British author who rewrote a lot of classical fairy tales) , Pina Bausch and others.

PERFOMERS
Peter Suart and Kung Chi Shing formed 'the box' in 1987 in Hong Kong, since then they have presented a series of concerts and music theatre works (known as the 'Sides'), combining various genres, popular and serious. They have collaborated with dancers, artists and theatre people and have performed in Hong Kong, Taiwan and Cuba. Kung and Suart have also performed independently around the world.
Their major works often draw on works of literature: Side 3 - The Bridge (Kafka), Side 7 - Sleeping Beauty (Kawabata and the fairytale), Side 10 - Salome (Wilde and the Bible), Side 13 - Beauty and the Beast (the fairytale). The shows are not, however, musicals. Rather, a set of songs is presented theatrically using ideas from the text.
Kung studied composition in America. He is a performing musician, a composer for theatre and dance, and a teacher.
Suart is an illustrator, a writer, a musician and a theatrical performer.
WEBSITE: www.kungmusic.net

Organizer • Leisure and Cultural Services Department
Date21-22/9/07 (Fri-Sat) 8pm
VenueKwai Tsing Theatre (Auditorium)
Price HK$200, 160, 120
Ticket Office / Enrollment • URBTIX

SCROLL DOWN TO PETER SUART IN BLOOMLAND • IT HAPPENED ALL IN MARCH
.

"My first real home"

The Mount • The house of Edith Wharton • ALL ABOUT HER ON WIKIPEDIA

Site a não perder de vista


CASA DA LEITURA
da FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN

(E isto lembra-nos que, para além da necessidade de colocarmos uma lista de links que achamos de muito interesse na coluna da direita, há muita coisa para fazer.
Hoje tivemos uma reunião bastante auspiciosa que nos faz felizes pela possível colaboração e apoio, o que nos coloca mais responsabilidade na seriedade com que fazemos as coisas, que é sempre bom. A seu tempo falaremos desse assunto.
Algumas coisas falharam até agora. Casos particulares e outros mais gerais. Como a venda, por exemplo, dos livros escolares para as escolas de matriz portuguesa. Abrimos há pouco mais de sete meses e todo o percurso tem a sua aprendizagem. Vamos aprendendo com o caminho e nesse percurso tentar colmatar as falhas e fazer melhor.
Vamos ter novidades para breve com projectos novos na calha que anunciaremos quando acharmos que estão prontos para avançar. Mais uma vez, obrigado a todos.)

A Viagem (parte I)

A estrada ia entre campos e ao longe, às vezes, viam-se serras. Era o princípiop de Setembro e a manhã estendia-se através da terra, vasta de luz e plenitude. Todas as coisas pareciam acesas.
E, dentro do carro que os levava, a mulher disse ao homem:
- É o meio da vida.
Através dos vidros, as coisas fugiam para trás. As casas, as pontes, as serras, as aldeias, as árvores e os rios fugiam e pareciam devorados sucessivamente. Era como se a própria estrada os engolisse.
Surgiu uma encruzilhada. Aí viraram à direita. E seguiram.
- Devemos estar a chegar - disse o homem.
E continuaram.
Árvores, campos, casas, pontes, serras, rios, fugiam para trás, escorregavam para longe.
A mulher olhou inquieta em sua volta e disse:
- Devemos estar enganados. Devemos ter vindo por um caminho errado.
- Deve ter sido na encruzilhada - disse o homem, parando o carro. - Virámos para o Poente, devíamos ter virado para o Nascente. Agora temos de voltar até à encruzilhada.
A mulher inclinou a cabeça para trás e viu quanto o Sol já subira no céu e como as coisas estavam a perder devagar a sua sombra. Viu também que o orvalho já secara nas ervas à beira da estrada.
- Vamos disse ela.
O homem virou o volante, o carro deu meia volta na estrada e voltaram para trás.
in CONTOS EXEMPLARES de SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN

The end of the game dream

At the Supermarket.
- Is this fruit rotten? - Asks a man to the lady at the "Spoiled Fruit" counter.
- Yes, those mangoes are fully rotten.
- They seem so but they don't smell like they should. That's the difference.
- As far as I can see they are pretty far gone to me. And have a fairly nasty odor.
- Check this, this doesn't smell like putrid or rancid as it should be. Where's your boss? I want to make a complain. - And the man handles a fetid mango to the lady.
- Don't need to give me that. I work here. I know those fruits for a long time. Well, don't you see these worms? - Points the woman - Can't you see that this is much decomposed already? And the aroma... it stinks like dead rats. Like a dead filthy mouse found on a sewer. - The woman was wearing yellow gloves and a blue small mask. The blue mask had a translucent tag on it saying "Kiss My Ass".
- Probably they can smell like rats but they should have the scent of pig's vomit and cock's urine. And this is wrong. These mangoes should not be here. You are mishandling the clients and I want to complain about it. I should call the Consumer Committee. - The man was really angered.
- You don't need to be so hostile, we are trying the best we can.
- Oh, come on, you could do so much better. Can't you see you are being dishonest and I could prosecute you if I wanted?
- Ok, look at these apples they smell like shit. Real shit. And they taste so bad as a ten year dead corpse of an old monk. - The man's eyes suddenly looked more alive and appealing.
- Hmmm, you're right, they are really festering and putrescent. They look so nice. And see, they are full of these leggy bugs. Thank you. Please, give me half a kilo! Don't need a bag is to eat here.

On the verdict of The Crew

The Hunting of the Snark (An Agony in 8 Fits) is a nonsense poem written by Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson) in 1874, when he was 42 years old. It describes "with infinite humor the impossible voyage of an improbable crew to find an inconceivable creature". It borrows occasionally from Carroll's short poem "Jabberwocky" in Through the Looking Glass (especially the poem's creatures and portmanteau words), but it is a stand-alone work, first published in 1876 by Macmillan. The illustrations were by Henry Holiday.

You can hear it following the links at the bottom. All done thankfully by Librivox.

• The Hunting of the Snark - 00:29:24
Read by Robert Garrison
[mp3@64kb - 14.1MB] [mp3@128kb - 28.2MB]

Inside the mirror

Lewis in Wonderland by Jacqui Streeton • Age 58 • Pencil, Watercolor and Ink
ON EXPRESSIONS OF COURAGE ® • ART BY PEOPLE WITH EPILEPSY
Whenever a new idea presented itself to his mind he used to make a note of it; he even invented a system by which he could take notes in the dark, if some happy thought or ingenious problem suggested itself to him during a sleepless night. Like most men who systematically overtax their brains, he was a poor sleeper. He would sometimes go through a whole book of Euclid in bed; he was so familiar with the bookwork that he could actually see the figures before him in the dark, and did not confuse the letters, which is perhaps even more remarkable.
in THE LIFE AND LETTERS OF LEWIS CARROLL by STUART DODGSON COLLINGWOOD
A GUTENBERG
eBOOK PROJECT • ORIGINALLY PUBLISHED IN 1899
[ALL ABOUT LEWIS CARROLL HERE]

Para o Homem do Leme

O homem que viria a ser conhecido como Lewis Carroll nasceu em Daresbury, Inglaterra, no dia 27 de Janeiro de 1832. Foi matemático, lógico, fotógrafo e escritor, sendo reconhecido principalmente como o autor de Alice no País das Maravilhas.
Charles Lutwidge Dodgson, nome de baptismo de Lewis Carroll, nasceu no dia 27 de Janeiro de 1832, em Daresbury, Inglaterra, sendo o terceiro de onze filhos. Filho de um reverendo, Charles cresceu na pequena localidade onde nasceu, tendo por companheiros os seus irmãos, para quem inventava jogos. Em 1850, matricula-se no Christ Church College da Universidade de Oxford, onde o seu excelente desempenho a matemática lhe garantiu o lugar de professor. A sua capacidade e gosto em lidar com crianças devia-se ao facto de ter 8 irmãos mais novos. Charles conseguia comunicar mais naturalmente com crianças do que com adultos. Assim, não é de admirar que o famoso “Alice no País das Maravilhas” seja o resultado das histórias que o professor contava aos filhos dos seus amigos. Carroll não se limitou a escrever histórias infantis, sendo as suas fotografias, maioritariamente retratos de crianças, importantes testemunhos artísticos. O seu pseudónimo, Lewis Carroll, deriva de Charles Lutwidge traduzido para o latim (Carolus Ludovicos) e retraduzido para o inglês. Adoptando este nome para as obras literárias, reservando a sua verdadeira identidade para as obras científicas, foi autor de uma poesia plena de nonsense que fascinou a crítica e, mais tarde, viria a fazer as delícias de muitos surrealistas. Lewis Carroll conta na sua obra com várias histórias para crianças, poemas e livros de matemática. Contudo, foram as aventuras de Alice que o tornaram mundialmente conhecido. Da sua bibliografia poética destaca-se o livro A Caça ao Snark, surgido na mesma época dos Cantos de Maldoror de Isidore Ducasse e de Uma Estação no Inferno de Rimbaud. Morreu no dia 14 de Janeiro de 1898, em Guildford, Surrey.

O poema A Caça ao Snark (dividido em oito cantos) conduz-nos, pela mão do sineiro, a um mundo mágico e maravilhoso, sem destino traçado. O objectivo é a caça ao Snark, um animal fantástico existente apenas na imaginação da personagem e do autor. Mas, afinal, o que singifica esta palavra? "Segundo as interpretações mais correntes a palavra Snark seria uma das palavras-mala tão frequentes na obra de Lewis Carroll e resultaria da aglutinação de snail (caracol) ou de snake (cobra) com shark (tubarão)." (N.T.)
Autor de um dos maiores êxitos da literatura infantil, Alice no País das Maravilhas, Caroll escrevia contos para crianças como ninguém. A Caça ao Snark, escrito na maturidade dos 42 anos, é bem o testemunho dessa aptidão para comunicar com as crianças. Aqui, pela mão da tradução de Manuel Resende, navegamos pelas deliciosas aventuras de um Sineiro “que tomava as aparências muito a sério”.

E é assim que a Assirinha recebe, pela primeira vez, uma obra de um autor estrangeiro, indo ao encontro da definição de critérios estabelecida no momento do aparecimento da colecção: prioridade aos escritores e ilustradores portugueses; traduções, só quando se tratasse de grandes clássicos. Como escreveu, a este propósito, Manuel Hermínio Monteiro no editorial d' A Phalinha, e a propósito da colecção que era, então, lançada: "Ser portuguesa, ou lusófona, sem contudo recusar algumas propostas excepcionais de outras culturas."
A Colecção Assirinha é uma das apostas da BLOOOOOM nesta sua procura pelos mundos mais fantásticos.
[TEXTO RETIRADO DAQUI E DALI...]

A Caça ao Snark, de Lewis Carroll • Ilustrado por Henry Holiday
Assírio & Alvim • Colecção Assirinha • Tradução de Manuel Resende • 2003

As sete vidas de Eurico

São quase oito décadas de existência, divididas entre três continentes, com despedidas e regressos. O princípio de tudo deu-se em Lisboa, mas foi em Macau que deixou sementes, que o fizeram voltar quase meio século depois de uma partida ensombrada pelo que se passava, então, do outro lado da fronteira. Eurico Ferreira caminha com passos firmes pelas ruas de Macau que não esqueceu, aquelas que continuam iguais, quase sem tirar nem pôr, às da década de 1950.
Pioneiro do cinema de animação português e um dos responsáveis pelo primeiro filme produzido e rodado em Macau, Eurico Ferreira vive entre películas, as artérias estreitas do bazar chinês e a blogosfera. À cidade cristã também vai, essa que lembra de outros tempos, mas a nova Macau ainda não é totalmente conhecida. Vai descobrindo os novos espaços quando se aventura em passeios mais longínquos.
Chegou a Macau sargento, em 1951, a bordo do Índia, embarcação que transportou dois mil homens, ao longo de um mês. “Não imagina o que era, todos aqueles homens juntos durante tanto tempo. Atrás seguia o Timor, com outros tantos tropas. Vínhamos substituir o exército português que esteve em Macau durante a guerra.” Mobilizou-se voluntariamente, quis bater o pé, “revoltei-me em Lisboa”, cidade onde nasceu e onde deixou o mundo do cinema, que então entrava numa nova era com as inovações que chegavam do outro lado do Atlântico.

Fiz o documentário, entretanto deu-se um acontecimento em Macau, um funeral majestoso, com todas as tradições chinesas, que foi o funeral do pai do Ho Yin. Fiz esse documentário também.
Em Macau encontrou um “ambiente terrível, os japoneses não entraram cá mas as Portas do Cerco fecharam, havia muita fome e miséria”. As tropas que o Índia e o Timor vieram substituir também não deixaram a melhor imagem dos homens da então metrópole, conta, “a sensação que tive quando cheguei é que estava numa terra diferente, com uma cultura diferente e que tinha que conviver com um povo que mostrava receios, por causa do comportamento da tropa que cá tinha estado.” Mas em Macau encontrou também “a companheira de toda a vida”, um amor à primeira vista de quem teve cinco filhos, quatro nascidos em Macau, o último já num outro continente, “mas feito ainda cá”. E tropeçou, de novo, no cinema.
Dois anos feitos de Macau e de vida militar, “o Ministro do Ultramar resolveu vir cá e trouxe com ele um produtor de cinema, Ricardo Malheiros, e um operador de câmara, que vinham fazer a reportagem da viagem do ministro”. O encontro com o produtor português fez com que a vida desse nova volta, de regresso às imagens e aos sons. Foi dispensado da tropa e começou a trabalhar com Malheiros num documentário sobre os Correios de Macau. “Fiz o documentário, entretanto deu-se um acontecimento em Macau, um funeral majestoso, com todas as tradições chinesas, que foi o funeral do pai do Ho Yin. Fiz esse documentário também”.
Em meados do século passado, a colónia portuguesa não dispunha de meios técnicos de montagem e começaram os primeiros contactos profissionais com Hong Kong. A colónia britânica caracterizava-se, já na altura, por ter “uma indústria de cinema altamente eficaz”, que Eurico Ferreira queria trazer para Macau. “Porque é que Macau não podia ser uma Hollywood? Porque é que não atraímos para Macau a indústria cinematográfica?”, defendia o produtor e realizador. “A Taipa não tinha nada, podiam ter sido construídos estúdios maiores que os de Hong Kong”.
O sonho de Eurico Ferreira não era solitário mas, ainda assim, não teve pernas para andar. “Decidimos começar por fazer um filme para apresentar Macau, com histórias de Macau.” Constituiu-se uma sociedade, com várias pessoas residentes no território, “fui buscar actores a Hong Kong, outros formamos cá”. E aqui começa a história de “Caminhos Longos”. O argumento era baseado em acontecimentos reais do conflito sino-japonês.
“O filme começava com uma família de refugiados de Xangai que vinha de barco para Macau e ia adaptar-se a uma terra que não conhecia. Macau era, naquela altura, um porto de abrigo, entrava toda a gente, tinha as portas abertas”. Pelo meio, ainda a referência à vida boémia da cidade e a histórias verdadeiras de piratas de alto-mar, como a do “tancar chinês que tinha como característica um motor a diesel e que pertencia a um homem chamado Imortal, que era muito respeitado, um pirata que, durante a guerra com os japoneses, saía de noite e ia roubar os barcos que levavam os mantimentos e trazia-os para Macau, onde na altura se morria de fome.”
A meio do filme, o financiamento deixou de existir e houve necessidade de improvisar, cortar nas despesas maiores para poder levar a película à tela. “Deixámos de ter gravador de som, usei um gravador normal e sabia que ia encontrar dificuldades técnicas para poder fazer o filme. Peguei nos sons e medi as imagens, fui para Hong Kong, reproduzi o som até ficar mais ou menos com a mesma velocidade e passei para foto-sonoro. Consegui fazer uma primeira cópia do filme.” Os defeitos técnicos do filme eram bastantes, não dava para levar o filme para a Europa, mas em Macau a expectativa criada era muito grande, não fosse a cidade aparecer no cinema. “Caminhos longos” foi estreado no Vitória, que “já não existe, ficava ali quem desce a Almeida Ribeiro, logo a seguir ao Hotel Central, corria o ano de 1953 ou 54.” Foi um sucesso, garante o produtor e realizador, não obstante alguns pormenores que queria rever numa segunda montagem, a ser feita em Lisboa. “Havia uma cena em que o polícia chegava a casa de uma das protagonistas do filme, ia tocar à campainha, a mão ainda ia no ar e a campainha já fazia trimm, trimm. A malta ria-se à brava.” Estes defeitos técnicos derivados da falta de material para sincronizar imagem e som nunca chegaram a ser corrigidos, outras histórias aconteceram, zangaram-se as comadres e o filme ficou esquecido algures na metrópole. Para a história ficou a aventura, a iniciativa, as novidades. “Os diálogos em chinês tinham legendas em Português e vice-versa,” recorda Eurico Ferreira.
Poucos anos depois, os acontecimentos do outro lado das Portas do Cerco e os ecos da Revolução Cultural fizeram o então funcionário das Finanças arrumar as malas e partir com a família já numerosa para outras paragens. Moçambique foi o destino e por lá ficou vinte anos, até voltar para Portugal. O cinema continuou a fazer parte do quotidiano, a par com as várias profissões que foi tendo, das Finanças ao controlo aéreo.
Há três anos voltou para Macau, depois do maior elo à cidade do Oriente ter desaparecido, cinquenta anos passados do amor à primeira vista. “A minha mulher adoeceu e não resistiu, a minha filha vive cá e convidou-me para voltar.” Aqui sente-se bem, como acompanhou sempre o que há de mais novo publica as memórias num blogue, tem um quotidiano calmo num espaço da cidade quase esquecido. “Há pessoas que não conheço e que me sorriem,” ri-se. O “pouco de cantonense” que sabe chega para conversar, a cidade agrada-lhe, acolhe-o. “Quando vou ali na Avenida Almeida Ribeiro, quando estou ali no Leal Senado, estou a viver exactamente a cidade de Macau daquele tempo. Há coisas de Macau que estão exactamente como era. A única diferença é que, naquele tempo, eu ia à janela do quartel-general e via a ilha da Lapa mesmo em frente. Agora não vejo porque tem um grande prédio.” O crescimento da urbe não o atrapalha porque, sentencia, continua a ser espaço de “aglutinação e intercâmbio de culturas, sem as quais não existem ideias novas”.

Do desenho à cor em movimento

Eurico Ferreira nasceu em Lisboa, em 1928. Cedo, ainda nos tempos do liceu, apaixonou-se pelo desenho, quando Hergé e Walt Disney eram as principais referências em Portugal. “Criei um jornal de parede, que era uma folha grande onde desenhava as minhas histórias e colava no liceu às sextas-feiras. Ao sábado, chegava às aulas e estava toda a gente a ler o jornal”, conta.
As experiências profissionais não tardaram a chegar e começou a ilustrar livros, para a Bertrand e fez obras para crianças. Os desenhos animados em Portugal eram terreno fértil, uma vez que a oferta era praticamente inexistente. “Comecei a aprender a animar, fiz umas primeiras animações e um trailer para um filme”. Até aqui, em Portugal era tudo a preto e branco mas “os americanos já faziam a cor” e chegou o dia em que alguém levou a tecnologia para Lisboa. “Os alemães tinham desenvolvido entretanto um novo sistema de filmar a cores, por camadas, levado depois da Guerra para os Estados Unidos e que foi apresentado em Portugal por César de Sá. Fui ter com ele, que estava empenhado em montar um estúdio, uma empresa chamada Cinelândia.”
Com César de Sá aprendeu a técnica e fez a partilha das ideias sobre a importância do cinema. Para Eurico Ferreira, o cinema não é uma arte ou, pelo menos, não é “a sétima arte”, aquela etiqueta que passou a ser lugar comum. “A linguagem cinematográfica é a primeira linguagem não discursiva inventada pelo Homem, é uma linguagem cujas origens são conhecidas, bem como a sua a evolução e gramática.” Antes de arte é, portanto, forma de comunicação. “O cinema é tão arte como a literatura é arte para a língua portuguesa. Há poetas, há escritores, mas eu não tenho que saber ser Camões para poder falar ou escrever”. Por ser, sobretudo, um meio de comunicação, o cinema “deveria ser dado nas escolas, tal como se ensina a ler e a escrever, música, desenho e trabalhos manuais”, defende indignado, sem grandes esperanças de que tal se torne realidade, pelo menos num futuro próximo.
Realizadores favoritos tem muitos, ou então nenhum, que “os produtores são os pivôs do cinema”. Ver cinema “é como ir ao futebol”, por ser um espaço colectivo, ver televisão “é como jogar matraquilhos, faz-se em casa”. E se a vida de Eurico desse um filme? Nenhum, ou um só, “o filme da minha vida”. Aquele que está por fazer.
POR ISABEL CASTRO • TAI CHUNG POU PORTUGUÊS • FOTOS ANTÓNIO FALCÃO / BLOOMLAND.CN
[e aí vão três Germinators cá da casa]



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