Showing posts with label Pensar/Thought. Show all posts
Showing posts with label Pensar/Thought. Show all posts

Na verdade

Gostava de ficar sempre acordado!

Fatia

Não porque não quisesse.
Não porque não soubesse.

Mas se calhar,
podendo calhar bem,
no confronto com certos egoísmos
e calhava sempre bem,
podia,
esse mesmo escritor,
fazer-se valer da reabilitada desculpa escrita de que nos servimos,
em não querer, entre várias coisas, dividir
lugares pretensamente comuns,
naturalmente dissolvidos por promessas verbais,
na côdea de um silêncio destoante.

Coelhinhos

É, ontem foi dia de Harold Pinter, não sei bem porquê. Na verdade, dia de Harold Pinter é todos os dias. Ou devia ser. Pelo menos enquanto ele, e nós, estivermos vivos. Hoje continua. Mais um dia. Nós e ele. Aqui vai. É um excerto de um livro que cá temos. Fala de teatro. E ao falar de teatro, fala da vida toda. Tenham um bom dia de Páscoa.

Perguntam-me muitas vezes como nascem as minhas peças. Não sei dizer. Nem sou capaz de resumir nenhuma das minhas peças, só sei dizer: foi isto o que aconteceu. Foi isto que disseram. Foi isto o que fizeram.
A maioria das peças nasce de uma frase, uma palavra ou uma imagem. À palavra junta-se quase de seguida uma imagem. Vou dar dois exemplos de duas frases que me vieram à cabeça de forma inesperada e a que logo se seguiu uma imagem, que eu depois segui. As peças são O Regresso a Casa e Há Tanto Tempo. A primeira frase de O Regresso a Casa é: “O que é que fizeste à tesoura?”. A primeira frase de Há Tanto Tempo é “Escuro”.
Em qualquer dos casos, eu não tinha mais informações.
No primeiro, era evidente que alguém estava à procura de uma tesoura e perguntava pelo seu paradeiro a outra pessoa, de quem suspeitava tê-la roubado. Mas eu sabia, de alguma maneira, que a pessoa a quem a pergunta era feita se estava nas tintas para a tesoura e até mesmo para quem lhe fazia a pergunta.
«Escuro» achei que era a descrição do cabelo de alguém, o cabelo de uma mulher, e era a resposta a alguma pergunta. Em qualquer dos casos, senti-me obrigado a prosseguir. Isto passou-se visualmente, numa gradação muito lenta, da sombra para a luz.
Quando começo uma peça, chamo sempre A, B ou C às minhas personagens.
Na peça que viria a ser O Regresso a Casa, vi um homem entrar numa sala despojada e fazer uma pergunta a outro homem mais novo que estaria sentado num feio sofá a ler um jornal de apostas de cavalos. Tinha a ideia que A seria um pai e B seu filho, mas não tinha qualquer prova. Isso, no entanto, seria confirmado daí a nada quando B (que viria a ser Lenny) diz a A (que viria a ser Max), «Pai, importas-te que eu mude de assunto? Queria fazer-te uma pergunta. O que comemos ao jantar, como é que se chamava? Que nome é que dás àquilo? Porque é que não compras um cão? És um cozinheiro de cães. A sério. Achas que estás a cozinhar para a matilha de cães.» Ou seja, a partir do momento em que B chama «Pai» a A, pareceu-me aceitável que fossem pai e filho. Claramente, A é também o cozinheiro e a sua arte não parecia ser muito apreciada. Quereria isto dizer que não havia mãe? Não sabia. Mas, como disse para comigo na altura, os nossos princípios não sabem como serão os nossos desenlaces.
HAROLD PINTER
[Discurso de aceitação do Prémio Nobel • Várias Vozes • 2006 • Edições Quasi]

"A writing force"

Out of print for nearly a century, The World I Live In is Helen Keller's most personal and intellectually adventurous work—one that transforms our appreciation of her extraordinary achievements. Here this preternaturally gifted deaf and blind young woman closely describes her sensations and the workings of her imagination, while making the pro-vocative argument that the whole spectrum of the senses lies open to her through the medium of language. Standing in the line of the works of Emerson and Thoreau, The World I Live In is a profoundly suggestive exercise in self-invention, and a true, rediscovered classic of American literature.

This new edition of The World I Live In also includes Helen Keller's early essay "Optimism," as well as her first published work, "My Story," written when she was twelve.

The World I Live In, by Helen Keller • NEW YORK REVIEW OF BOOKS

Ontem poderia ter sido Quinta-feira. Que não foi.
Hoje poderia ter sido véspera desse dia. Que também não foi.

Mas entre nós, na duração translativa de ontem em hoje,
sonhei pela primeira vez contigo.

Definido como lúcido esse meu sonho,

explorando a própria mente e a violar as regras da minha vida desperta,
na vaga lembrança de ter superado restrições com algum sabor a felicidade.

E sei que entre ontem e hoje,
entre nós,
nunca poderei ser acusada de falta de coragem,
porque percorri com dificuldade e com os meus próprios pés
quilómetros que me levaram às portas das minhas fragilizadas emoções,

sem trazer resquícios de um sentimento que também julgo ter sido teu,

como

álbuns de fotografias por tirar,
com rostos despercebidos
que poderiam ter sido os nossos,

ou rascunhos por escrever,
de um amor vivido entre dois corpos,
debaixo das sombras quentes de Verão

ou simplesmente,
palavras rápidas e estimulantes deixadas no gravador,
que poderia muito bem ter sido o nosso.

Apesar de tudo isso,
das minhas melhores recordações,
evitei perder de vista toda a bagagem,
ou os passos demorados que poderíamos ter dado debaixo da chuva,
ou o aroma de sal dos nossos corpos se tivéssemos percorrido a areia de todas as praias.

Mas mesmo assim,
no final de todas as contas por pagar,
cravei no meu coração a ilha onde fui feliz.

Porque também sei ser feliz,
no meio de um dia qualquer, mesmo que não o de uma Quinta-feira.
E sei do
sabor da última fatia de felicidade que teria saboreado, se eventualmente estivesse estado lúcida nesse meu sonho, ao teu lado.

Triângulo das Bermudas Amoroso #3

No compasso do silêncio dos violinos,
Reformulando o tempo das notas de orações,
Há quem
Por ti reze
Linhas de partituras inacabadas
de futuros imperfeitos desejos.
E nessas madrugadas friccionadas
Há quem
Por ti reze
Desabrochados restos disfarçados do meu corpo em timbre de mil gotas de chuva.

*dedicado à T. e ao A. por transformarem os meus domingos em quintas-feiras.

Triângulo Amoroso das Bermudas #2

Quando
Se efectivamente
E quando finalmente acordares,
terás da ponta da cabeça aos teus lindos pés,
versos teus escritos por mim, declarando-te os perigos que se situam na outra margem do sabor de um beijo teu,
capaz de inundar dez mil e trezentos corpos meus.

Triângulo Amoroso das Bermudas #1

invisível és tu.
nessa tua maneira de o seres
cidade minha, onde à minha volta vejo reflexos espelhados deste mais pálido e teu desconcertante amor.

Cross process

We take the truth of coexistence as our guide and concentrate on the realization of the Pure Land, for both the sharp and the dull, the strong and the weak, hand in hand. No one exists divorced from the thoughts of those around him. All comes into existence through an assembly of causes. All things are interrelated. In accord with this principle, it is our aim to build an ideal world, step by step.
ON THE PHILOSOPHY OF SYMBIOSIS BY KISHO KUROKAWA

Loudness

Music can move us to the heights or depths of emotion. It can persuade us to buy something, or remind us of our first date. It can lift us out of depression when nothing else can. It can get us dancing to its beat. But the power of music goes much, much further. Indeed, music occupies more areas of our brain than language does—humans are a musical species.

Oliver Sacks’s compassionate, compelling tales of people struggling to adapt to different neurological conditions have fundamentally changed the way we think of our own brains, and of the human experience. In Musicophilia, he examines the powers of music through the individual experiences of patients, musicians, and everyday people—from a man who is struck by lightning and suddenly inspired to become a pianist at the age of forty-two, to an entire group of children with Williams syndrome, who are hypermusical from birth; from people with “amusia,” to whom a symphony sounds like the clattering of pots and pans, to a man whose memory spans only seven seconds—for everything but music.

Our exquisite sensitivity to music can sometimes go wrong: Sacks explores how catchy tunes can subject us to hours of mental replay, and how a surprising number of people acquire nonstop musical hallucinations that assault them night and day. Yet far more frequently, music goes right: Sacks describes how music can animate people with Parkinson’s disease who cannot otherwise move, give words to stroke patients who cannot otherwise speak, and calm and organize people whose memories are ravaged by Alzheimer’s or amnesia.

Music is irresistible, haunting, and unforgettable, and in Musicophilia, Oliver Sacks tells us why.

Oliver Sacks is a physician and the author of nine previous books, including The Man Who Mistook His Wife for a Hat and Awakenings (which inspired the Oscar-nominated film). He lives in New York City, where he is Professor of Clinical Neurology at Columbia University.

Musicophilia, by Oliver Sacks

KNOPF • HARDCOVER • OCTOBER 2007

Über den Humanismus

Der Mensh ist nicht der Herr des Seienden.
Der Mensh ist der Hirt des Seins.

O Homem não é o senhor do existente. O Homem é o Pastor do Ser.
MARTIN HEIDEGGER



Copyright 2006| Templates by GeckoandFly modified and converted to Blogger XNL by Blogcrowds and tuned by Bloom * Creative Network.
No part of the content of the blog may be reproduced without notice and the mention of its source and the associated link. Thank you.