Paul Klee's epitaph

Here lies the painter Paul Klee, somewhat closer to
the heart of creation, but far from close enough.

Schosshalde Friedhof • Bern • Switzerland

Eleven Executioners

And the first he kills only the wicked
And the second kills only the good
And the third he kills people more handsome than him
And the fourth kills the misunderstood
And the fifth kills the women who've loved him
And the sixth kills the couldn't-care-less
The seventh kills people who fill questionnaires in
The eighth kills the deeply depressed
And the ninth kills the twentieth century
And the tenth waits to kill you and me
The eleventh kills only our fear of the tenth
The best executioner he

MOMUS • THE POISON BOYFRIEND • 1987

Compadre?!

Um livro de histórias do Alentejo. Do Alentejo profundo. Do Alentejo rural. Nesta hipótese de História, o que se pode encontrar são relatos de acontecimentos individuais, singulares, únicos. Quase sempre esquisitos. Extravagantes. Isolados e excêntricos, porém, apenas na aparência. No seu conjunto, na relação que entre si se propõe, formam tais episódios um curioso corpo. Perfazem um todo do qual sobressaem as mais poderosas dicotomias que enraízam uma certa portugalidade. A revolta e a resignação. A indignação e a indiferença. A fé e a incerteza. O subtítulo lança o aviso: Crença e insubmissão no Alentejo do século XX. Sendo que esta «crença» tanto se pode materializar na devoção religiosa propriamente dita como na ilusão, na alucinação, ou no logro que sempre acontece quando é farta a abundância de utopias políticas ou de prodígios sobrenaturais e, até, extraterrestres. Resta referir que estas são reportagens históricas, umas vezes mais lúdicas, outras mais etnográficas, outras mais documentais. São artigos que, no seu todo, consubstanciam uma grande reportagem sobre uma certa «História do Alentejo rural».

SOBRE O AUTOR
Jornalista free-lancer, Paulo Barriga nasceu em Beja em 1968. Começou a carreira nas rádios locais. Trabalhou nas redacções do Diário do Alentejo, O Independente, Correio da Manhã e Visão. Foi fundador das revistas Imenso Sul, Alentejo Terra Mãe e A Outra Margem, da qual foi director. Entre 1995 e 1998, participou no projecto EXPO’98, primeiro como redactor do Expo Informação (do Público) e depois enquanto redactor do Diário da Expo (Diário de Notícias) e da Agência Expo de Informação. Publicou reportagens em órgãos como o Expresso, o Sol, a Grande Reportagem ou a Focus. É crítico literário do Diário do Alentejo e cronista do Correio Alentejo. Publicou livros no campo da reportagem histórica e da etnografia, entre os quais Castro Verde 20 Anos – A Revolução Transparente (1997) ou Campos de Concentração – O Envolvimento Português na Guerra Civil de Espanha (1999).

Terra Vermelha — Crença e Insubmissão no Alentejo do Século XX,
de Paulo Barriga •
Prefácio de Francisco Camacho
GUERRA E PAZ • 112 PÁGINAS • COLECÇÃO O Passado e o Presente • EM BREVE DISPONÍVEL EM MACAU

To keep in record after cleaning the mess

• Film a memory. Film the empty space of memory. Film nothing.
• There is no difference in art.
• Loneliness comes from one (1).
• There was Cliff. And there was Samuel. They never met.
• Memory, travel, love, accident, chance.
• Do they resell your work? Do they try to be like you?
• Love map. Infinite cities. All together.
• All I have is everything I own inside of me.
FROM A WHITE PAPER FOUND IN A DRAWER AND SENT TO THE TRASH BIN.

Às mulheres, às suas filhas e netas

O que estará
por detrás
de cada chador?

… sei que todas são diferentes!

Fernando Sales Lopes • Pulau Penang • 17 de Agosto de 1991

Apresenta São

JO E ZO. UMA SALA/QUARTO SEM KITCHENET. PAREDES COLORIDAS. UM DELES ESTÁ NO PARAPEITO DA JANELA COM UM LIVRO NA MÃO, QUE ABRE NO PRIMEIRO CAPÍTULO.
- "No primeiro dia do Ano Novo ninguém morreu..."
- Quando? A sério?
- Sim, ninguém morreu. Mas como é que sabes?
- Estás agarrado a esse livro e eu ouvi.
- Ouviste? Eu não disse nada. Só estou aqui a ler. Estou a ler baixinho, dentro da minha cabeça.
- Está enganado. Porque eu ouvi. Disseste: "no primeiro dia do Novo Ano ninguém morreu..."
- Não, não disse! Li! É o livro do Saramago em que ninguém morre durante uma data de dias. E nem foi isso!
- Eu conheço esse livro. Não o li todo, não me apeteceu. Cansei-me. Preferia que ninguém tivesse morrido para sempre. E não começa assim, pois não? Começava: "No dia seguinte ninguém morreu."
- Sim, era o que estava a dizer, não foi bem isso.
- Mas foi o que disseste. Ouvi a tua voz. Mas agora não quero de todo ouvir um livro-falado.
- Deixa-me continuar. Deves estar a precisar de ir ao médico. "No primeiro dia do Ano Novo ninguém morreu..."
- Vês. Não sabes estar calado?
ANTES DESTE DIÁLOGO NINGUÉM ESTAVA NA VERDADE A FALAR. TRATA-SE PORVENTURA DE UM CASO DE TELEPATIA QUE POSSO AVERIGUAR SE ESTIVER PARA ISSO.

Entre Pessoa

Com apresentação de Henrique Sá Pessoa e produção da Gill & Miller, o programa Entre Pratos foi a rubrica de culinária mais vista em Portugal. Transmitido aos domingos, no prime-time da RTP2, e mais tarde na RTPi, apresentou-se invariavelmente com originalidade e irreverência, de forma a aproximar o público dos segredos e da riqueza da gastronomia, tendo sido cada episódio subordinado a um tema; um jantar de amigos, uma reunião de família ou um jantar romântico. E foi ao final de duas séries que a equipa do Entre Pratos, a convite da Editorial Presença, pensou em registar em formato livro o conceito do próprio programa, nascendo desta parceria uma obra que se inicia como um verdadeiro apelo aos sentidos e acaba na celebração de uma festa de paladares. Aqui poderá encontrar compiladas todas as receitas da primeira série do programa, com mais alguns extras, acrescentados pelo chefe, sendo as iguarias preparadas de acordo com assuntos específicos: O patrão em sua casa; a invasão das crianças; bolsos vazios; o primeiro encontro; Hip-Hop; as coisas básicas; família, havendo ainda lugar para amigos vegetarianos e jantares de arrependimento, entre outras surpresas. Um livro que decerto vai revolucionar a maneira como olha para a sua cozinha.
Um título que a Bloom recomenda e que estará em breve em Macau. Enquanto isso pode deliciar-se pelo site to programa e desfrutar das suas exibições na RTPi.

O AUTOR

Henrique Sá Pessoa nasceu em Oeiras em 1976. É casado com a australiana Natalie Sá Pessoa e têm uma filha chamada Inês. Estudou no Pennsylvania Institute of Culinary Arts, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, onde obteve um Associate Degree in Specialized Technology. Como Chefe começou a trabalhar no prestigiado Sheraton Park Lane, em Londres. Desde então passou pelo Sheraton on the Park, em Sidney, na Austrália, pelo Hotel da Lapa, em Lisboa, pelo restaurante Xarope, em Cascais, pelo restaurante La Villa, no Estoril, e pelo Bairro Alto Hotel, em Lisboa. Actualmente Henrique Sá Pessoa é chefe de cozinha do restaurante Panorama, no 27º andar do Hotel Sheraton Lisboa e Spa, onde delicia diariamente uma clientela variada.

Entre Pratos, de Henrique Sá Pessoa
• EDITORIAL PRESENÇA • 2007
[EM BREVE NA BLOOM]

Film seen and recommended

Eastern Promises is a 2007 Canadian drama/thriller feature film directed by David Cronenberg. The screenplay was by writer Steven Knight. The film tells of a British midwife's interactions with the Russian mafia in London and stars Viggo Mortensen and Naomi Watts. The film has been noted for its unexpected plot twist and for its violence and realistic depiction of the Russian criminal underworld, including its use of tattoos.
On January 31, 2008, the film has grossed 51 million US$ worldwide and has received a positive critical reception, appearing on several U.S. critics' "top ten films" lists for 2007, winning several awards, including the Audience Prize for best film at the Toronto International Film Festival and the Best Actor award for Mortensen at the 2007 British Independent Film Awards. The film received twelve Genie Award nominations, three Golden Globe Award nominations, and Mortensen was nominated for Best Actor at the 80th Academy Awards, losing to Daniel Day Lewis.

PLOT
The mysterious and charismatic Russian-born Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen) is a driver for one of London's most notorious organized crime families of Eastern European origin. The family itself is part of the Vory V Zakone (Thieves in Law) criminal brotherhood. Headed by Semyon (Armin Mueller-Stahl), whose courtly charm as the welcoming proprietor of the plush Trans-Siberian restaurant impeccably masks a cold and brutal core, the family's fortunes are tested by Semyon's volatile son and enforcer, Kirill (Vincent Cassel), who is more tightly bound to Nikolai than to his own father. But Nikolai's carefully maintained existence is jarred once he crosses paths at Christmas time with Anna Khitrova (Naomi Watts), a midwife at a North London hospital. Anna is deeply affected by the desperate situation of a young teenager who dies while giving birth to a baby. Anna resolves to try to trace the baby's lineage and relatives. The girl's personal diary also survives her; it is written in Russian, and Anna seeks answers in it. Anna's mother Helen does not discourage her, but Anna's irascible Russian-born uncle Stepan urges caution. He is right to do so; by delving into the diary, Anna has accidentally unleashed the full fury of the Vory. With Semyon and Kirill closing ranks and Anna pressing her inquiries, Nikolai unexpectedly finds his loyalties divided. The family tightens its grip on him; who can, or should, he trust? Several lives - including his own - hang in the balance as a harrowing chain of murder, deceit, and retribution reverberates through the darkest corners of both the family and London itself.
To prepare for his role, Viggo Mortensen traveled alone to Moscow, St. Petersburg and the Ural Mountain region of Siberia, spending weeks driving around without a translator. He studied the gangs of the Vory V Zakone, read books on Russian prison culture and the importance of prison tattoos as criminal resumés, and perfected his character's Siberian accent and learned lines in Russian, Ukrainian and English. During filming, he used worry beads made in prison from melted-down plastic cigarette lighters and decorated his trailer with copies of Russian icons. And that's what makes a great actor from the rest of the field.
[TRAILER]

O velho contador de histórias

"Memória das Minhas Putas Tristes" conta a história de um velho jornalista de noventa anos que deseja festejar a sua longa existência de prostitutas, livros e crónicas com uma noite de amor com uma jovem virgem. Inspirado no romance "A Casa das Belas Adormecidas" do Nobel japonês Yasunari Kawabata, o consagrado escritor colombiano submerge-nos, num texto pleno de metáforas, nos amores e desamores de um solitário e sonhador ancião que nunca se deitou com uma mulher sem lhe pagar e nunca imaginou que encontraria assim o verdadeiro amor. Rosa Cabarcas, a dona de um prostíbulo, conduzi-lo-á à adolescente com quem aprenderá que para o amor não há tempo nem idade e que um velho pode morrer de amor em vez de velhice. A escrita incomparável de Gabriel García Márquez num romance que é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a velhice e a celebração das alegrias da paixão.

Gabriel García Márquez (Aracataca, Magdalena, 6 de março de 1928) é um importante escritor colombiano, jornalista, editor e activista político e pémio Nobel da Literatura em 1982. Foi responsável por criar o realismo mágico na literatura latino-americana.
Como nunca é demais ler e reler García Márquez, a Bloom lembra o seu 80º aniversário, no passado dia 6 de Março, com esta sua última publicação, onde se fala de desejo de viver e do desejo de morrer de amor e não de velhice.
A grande maioria dos títulos que compõem a obra deste grande autor encontram-se na Bloom.

Memória das Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez
Publicações Dom Quixote • 2007

Triângulo Amoroso das Bermudas # 6

Olhaste para ela, e ela para ti, e nesse momento o tempo congelou.
Tarde de mais, embora eu tivesse implorado para que não fosse…
Nem as minhas lágrimas, nem a evocação de saborosos momentos
Impediram a deserção e o fechar dessas páginas.

No nosso fogo sentimos prazeres inigualáveis que não mais partilharemos,
No desabrochar de um morango saboreámos as felizes cores do mundo,
E na candura do vapor provámos o doce mel dos deuses,
que transformámos em alimento do nosso amor!

Assim, entre a frieza das especiarias insípidas,
Sobrevivendo na nata do teu abandono,
Procurando-te nos despojos do nosso desejo,
Senti a condenação do meu corpo ao vazio e na pele o lento chegar da morte.

Não estava certo.
Não como nos fatais desencontros.
Não como Romeu e Julieta,
Nem como amores de perdição.

Na inanição de te ver doutra e não mais meu,
Alimentar-me-ei do vosso amor,
Provarei os frutos dessa união,
E nessa felicidade encontrarei o meu esplendor
E a razão do meu viver.
*À F. e ao Jamie, e à espera de um convite ;-)

O melhor cumprimento de onda

A agitação e o ruído ficaram lá fora. O corpo estende-se e, à medida que as mãos da terapeuta nos massajam a cabeça e o pescoço, as tensões apagam-se. Um shot de massagem. Um shot de bem-estar. É com este mimo que o Soma Space recebe os clientes, entre o champô e o amaciador, antes do corte ou brushing.
Neste espaço, as cadeiras tradicionalmente rígidas dão lugar a confortáveis poltronas (chegadas do Japão), numa área recolhida, a média luz, animada por música chill-out – a zona lounge. Com a técnica Thai, aperfeiçoada pela tailandesa Nicole (que executa as massagens mais prolongadas), breves minutos são suficientes para relaxar. Mas vale a pena ir além destes shots e deixar-se levar pelos dedos treinados de Nicole numa terapia de 15/30 minutos, que então se estende a ombros e costas. O resultado é relaxante, num primeiro momento, e revitalizante para o resto do dia.
Antes de propor uma mudança de imagem, Peewee, hair designer, observa o nosso estilo de vestir, feitio do rosto e, claro, o tipo de cabelo. Natural de Londres, fez carreira no Oriente e hoje vive em Lisboa. Prefere cortes práticos e de fácil manutenção, que cria de forma meticulosa e perfeccionista.
Aqui respira-se design, em todas as dimensões. Sandi ( a criadora do logotipo da Bloom) desenvolve trabalhos na área do design gráfico (e webdesign). Formada em Londres, adquiriu experiência em Macau e integra a equipa euro-asiática do Soma Space.
Situado num antigo armazém do Depósito da Marinha Grande, o Soma combina a traça antiga do prédio lisboeta onde está instalado com uma decoração de inspiração oriental, porém minimalista.
O atendimento é personalizado – há sempre um sorriso genuíno e um chá de Jasmim à nossa espera. Como se, por um momento, tivéssemos tomado uma pílula de 'Soma', o passaporte para a felicidade criado por Aldous Huxley que animava os cidadãos do Admirável Mundo Novo.
"Um Shot de Bem-estar" por Ana Abrunhosa • TIMEOUT LISBOA

O SOMA SPACE fica na Rua de S. Bento, nº 424-426 - R/C • www.somaspace.biz • NÃO DEIXE DE LÁ IR!

As dreadful as anything you might

how come you're not unlisted?

the men phone and ask me that.


are you really Charles Bukowski
the writer? they ask.

I'm sometimes a writer, I say.
most often I don't do anything.

listen, they ask, I like your
stuff – do you mind if I come
over and bring a couple of 6
packs?

you can bring them, I say
if you don't come in...


when the women phone, I say,
o yes, I write, I'm a writer
only I'm not writing right now.

I feel foolish phoning you,
they say, and I was surprised
to find you listed in the phone book.

I have reasons, I say,
by the way why don't you come over
for a beer?

you wouldn't mind?

and they arrive
handsome women
good of mind and body and eye.

often there isn't sex
but I'm used to that
yes it's good
very good just to look at them –
and some rare times
I have unexpected good luck
otherwise.

for a man of 55 who didn't get laid
until he was 23
and not very often until he was 50
I think that I would stay listed
until I get as much as
the average man has had.

of course, I'll have to keep
writing immortal poems
but the inspiration is there.
CHARLES BUKOWSKI in 'LOVE IS A DOG FROM HELL' • only at Bloom

Watch out!

A big night is coming to town. A first timer. It's not a religious event whatsoever, no. It's beyond that. It's experimental and raw. And it gets even better when it gulps against our throats. Yeah, all the way down. We're sure it doesn't come benched on the touristic class. Probably will be under that, aside the trash can or so, close enough to the bar and to a pack of beer. Word to mouth. A whiskey doll. A piano play.
Like a bird will bend its wings and will slightly whisper its lungs out. With smoke. With anger. Quietly. Deep. Vanishing inside our minds, step by step, jump by jump, in crescendo. Have you seen it? Have you heard of it before? In your dreams, perhaps, into your lonely dreams, hanging the words together. The words you hear. The words you see.
Well, you still have to wait. We'll give you the time to prepare yourself. To be at ease. Burning. So you can fight back. So you can drink and swallow. Mouthful. But not more than that. Not a day more. And one more thing. Forget the luxury. Forget your best dress. Forget your wealth. This is all about disturbance and it will get worst while the night falls. But then again everything it's simple. Plain natural. Like the tip of your tongue when it touches the first bottle.
[STAY TUNED]

Existiu sim senhora

Escrito em 2007 e pensado numa perspectiva mais europeia do que apenas portuguesa, «O Socialismo Nunca Existiu?» compõe-se de quatro capítulos: o primeiro, sobre o que é o socialismo, diferenciado de comunismo; o segundo, sobre as origens liberais do pensamento político de Esquerda e o rumo que, desde o século XIX, o liberalismo tomou junto da opinião pública, que hoje o confunde com apenas uma corrente económica de Direita; o terceiro capítulo é um comentário a um caso recente (Verão de 2007, destruição de um milheiral no Algarve por «anarquistas»), que ilustra o tipo de socialismo extremista que não pode ser confundido com o socialismo democrático; por fim, o quarto e último capítulo é dedicado a uma proposta positiva para o futuro do socialismo, que mantenha a tradição política descrita no primeiro capítulo e a integre na actualidade.
Apesar de poder ser objecto de uma leitura imediatista e circunstancial, este pequeno ensaio pretende ser pertinente como interpretação de fenómenos políticos e culturais mais vastos. Na «Nota Prévia» do autor pode ler-se: «O livro é uma crítica a uma perversão em curso do legado histórico da esquerda, que, após o fim do comunismo e com o sucesso do modelo reformista do socialismo democrático, ou social democracia, retoma uma tradição de esquerda pré-marxista, o utopismo, para a perverter numa distopia generalizada. Como crítica em sentido próprio, faz-se uma história, ainda que breve, dos termos do problema, e apresenta-se uma descrição, baseada em acontecimentos, do presente; isso serve de fundamento para terminar com uma proposta positiva, aquilo a que chamo tolerância activa.»

SOBRE O AUTOR
Carlos Leone (n. 1973) publicou o seu primeiro livro em 1999 («Dez Críticas», Colibri, Lisboa). Desde 2004 que publica regularmente na INCM, tanto obras suas como estudos relativos a autores portugueses dos séculos XIX e XX.
O seu trabalho de maior fôlego, baseado na tese de doutoramento em História das Ideias, é o estudo sobre o discurso crítico «Portugal Extemporâneo» (2 vols., INCM, 2005). Sobre o seu tema de investigação actual, publicou também «O Essencial sobre Estrangeirados no Século XX» (INCM, 2005), dedicando-se desde então ao estudo dos «estrangeirados», o que já o levou às universidades de Brown, Cambridge, Rutgers-Newark e a várias outras instituições. Dirige ainda a revista cultural «Prelo» (INCM, Lisboa, quadrimestral). Organizou, com Manuela Rêgo, o volume colectivo «Liberdade sem Dogma. Homenagem a Sottomayor Cardia», publicado pela tinta-da-china em 2007. Em 2008, publicará, também na tinta-da-china, o seu estudo sobre estrangeirados e, em simultâneo com o ensaio «O Socialismo Nunca Existiu?», publicará ainda na INCM «O Essencial sobre Democracia».

O Socialismo Nunca Existiu?, de Carlos Leone • TINTA DA CHINA • 2008
[BREVEMENTE NA BLOOM]

That's what you have been missing

MOUSETRAP 2 • SUBWAY ON THE 17TH FLOOR • PHOTO © BLOOMLAND * CREATIVE NETWORK

Triângulo Amoroso das Bermudas #5

METADE DE UMA CONVERSA. NA COZINHA. FIM DA TARDE. LUZ ARTIFICIAL.
- Mas é ou não é verdade?
- O quê?
- Que meteste um boi lá em casa?
- Um quê?
- Um boi...
- Hmmm... não sei. Talvez. Pensando bem, é capaz de ter sido verdade, sim. Mas não interessa.
- Não interessa? E... e... o cheiro?
- Sim, não interessa. Nada disso é importante. Agora.
- E o que as pessoas dizem, os vizinhos?
- Sim? O que tem? Queres saber o que as pessoas dizem? Dás-lhes ouvidos?
- Não, não dou.
- Então cala-te.
- Mas queres saber? Queres saber o que dizem?
- Não, não quero!
- Dizem...
- Cala-te!
- Dizem que devo ser paneleiro por andar com uma gaja como tu. Sim, é isso que eles dizem.
CAI O PANO. A LUZ APAGA-SE.

Fond of the original

AND THAT'S WHY I LOVE THE NEW YORKER *
On the morning of July 8, 1980, Raymond Carver wrote an impassioned letter to Gordon Lish, his friend and editor at Alfred A. Knopf, begging his forgiveness but insisting that Lish “stop production” of Carver’s forthcoming collection of stories, “What We Talk About When We Talk About Love.” Carver had been up all night reviewing Lish’s severe editorial cuts––two stories had been slashed by nearly seventy per cent, many by almost half; many descriptions and digressions were gone; endings had been truncated or rewritten––and he was unnerved to the point of desperation. A recovering alcoholic and a fragile spirit, Carver wrote that he was “confused, tired, paranoid, and afraid.” He feared exposure before his friends, who had read many of the stories in their earlier versions. If the book went forward, he said, he feared he might never write again; if he stopped it, he feared losing Lish’s love and friendship. And he feared, above all, a return to “those dark days,” not long before, when he was broken, defeated. “I’ll tell you the truth, my very sanity is on the line here,” he wrote to Lish.
[FOLLOW THE FULL TEXT AND ITS CONSEQUENCES HERE]
* If you like we borrow you this edition of the magazine, but you have to promise that you'll bring it back.

Ontem poderia ter sido Quinta-feira. Que não foi.
Hoje poderia ter sido véspera desse dia. Que também não foi.

Mas entre nós, na duração translativa de ontem em hoje,
sonhei pela primeira vez contigo.

Definido como lúcido esse meu sonho,

explorando a própria mente e a violar as regras da minha vida desperta,
na vaga lembrança de ter superado restrições com algum sabor a felicidade.

E sei que entre ontem e hoje,
entre nós,
nunca poderei ser acusada de falta de coragem,
porque percorri com dificuldade e com os meus próprios pés
quilómetros que me levaram às portas das minhas fragilizadas emoções,

sem trazer resquícios de um sentimento que também julgo ter sido teu,

como

álbuns de fotografias por tirar,
com rostos despercebidos
que poderiam ter sido os nossos,

ou rascunhos por escrever,
de um amor vivido entre dois corpos,
debaixo das sombras quentes de Verão

ou simplesmente,
palavras rápidas e estimulantes deixadas no gravador,
que poderia muito bem ter sido o nosso.

Apesar de tudo isso,
das minhas melhores recordações,
evitei perder de vista toda a bagagem,
ou os passos demorados que poderíamos ter dado debaixo da chuva,
ou o aroma de sal dos nossos corpos se tivéssemos percorrido a areia de todas as praias.

Mas mesmo assim,
no final de todas as contas por pagar,
cravei no meu coração a ilha onde fui feliz.

Porque também sei ser feliz,
no meio de um dia qualquer, mesmo que não o de uma Quinta-feira.
E sei do
sabor da última fatia de felicidade que teria saboreado, se eventualmente estivesse estado lúcida nesse meu sonho, ao teu lado.

A few left

We still have some copies of the successful title This Diary Will Change Your Life 2008. Follow it this year, and you will get to interact with terrorists, traffic wardens and the Dalai Lama. This year's edition also features a red and yellow sticker, hand-attached by the nimble fingers of underage workers in the world's poorest regions. Peel it off after purchase to reveal a) your secret instructions and b) a stunning cover, full of unreadably small Swedish witticisms. It makes a timeless present of taste, and is suitable for relatives and friends of all ages and IQ levels. You may buy it with a 30% discount and move your life with this weekly task's advisor.

This Diary Will Change Your Life 2008
Benrik Ltd

By means of a trick

MOUSETRAP 2. It will happen tonight. A bunch of rock 'n' dolls. DJ's, live painting, videos and slide guitars. Lots of noise with body jam. It's all underground on the 17th floor.
Saturday, March 8, 2008 at 11:00pm • STUDIO • Macau
[CHECK OUR MAP ON THE RIGHT TO SEE WHERE THE STUDIO IS]



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