Sobre o vazio

O ESPAÇO VAZIO foi o primeiro livro sobre teatro escrito por Peter Brook. Redigido a partir de conferências ministradas pelo autor, divide o panorama teatral em quatro tipos diferentes: o Teatro do Aborrecimento Mortal, o Teatro Sagrado, o Teatro Bruto e, por último, o Teatro Imediato, a partir do qual Brook sugere uma arte dramática depurada, sem ornamento, baseada no triângulo actor-espectador-espaço vazio.
Publicado em 1968, a revista Time descreveu-o como uma obra que interessaria a todos os espectadores que se preocupam com a natureza e o destino do teatro contemporâneo. Quarenta anos depois, esta descrição conserva toda a sua pertinência, pois O Espaço Vazio tornou-se uma referência incontornável para aqueles que acompanham as artes performativas, tendo atingido o estatuto de verdadeiro clássico.
Esta edição é complementada com excertos de uma conversa com o actor e encenador João Mota e ainda uma listagem dos trabalhos de Peter Brook.

SOBRE O AUTOR
Peter Brook é actualmente um dos encenadores mais respeitados e influentes do mundo. Inglês radicado em França, o seu trabalho tem-se distinguido nas áreas artísticas do teatro, da ópera, do cinema e da escrita. Célebre pelas encenações dos textos de Shakespeare na Royal Shakespeare Company, Peter Brook dirige actualmente o Centro Internacional de Criação Teatral no Théâtre des Bouffes du Nord, em Paris. Entre os seus muitos espectáculos contam-se Marat/Sade, Le Mahabharata, La Tragédie d’Hamlet e Sizwe Banzi est Mort.

O Espaço Vazio, de Peter Brook • ORFEU NEGRO • MARÇO 2008
[EM BREVE DISPONÍVEL NA BLOOM]

Next week!

Bloom is organizing its first event at St. Lazarus district, in the old Old Ladie's House, now renamed and remodel as a new flux of cultural activity to Albergue. This will be our place of blooming. In short term we'll have a space where you can also buy books and beauty fool things for your SOUL in full power. For now we'll going to put the lights on and going on first gear. Brakes loose.
STAY TUNED!

I could tell you that was me
I could even tell you that it could not be anyone else
But
I've looked at the trees
Outside
Through out the window

There's this light wind
That blows them apart
So much

Just like me

So very much

And I keep hearing myself
Yes, there's someone there
There's someone under the trees
Shaking them off with both hands
One and another

You're not alone!

So why telling that was only I
If there's someone else
Blowing all winds away

[OUMUN • 2008 © BLOOMLAND.CN]

Coelhinhos

É, ontem foi dia de Harold Pinter, não sei bem porquê. Na verdade, dia de Harold Pinter é todos os dias. Ou devia ser. Pelo menos enquanto ele, e nós, estivermos vivos. Hoje continua. Mais um dia. Nós e ele. Aqui vai. É um excerto de um livro que cá temos. Fala de teatro. E ao falar de teatro, fala da vida toda. Tenham um bom dia de Páscoa.

Perguntam-me muitas vezes como nascem as minhas peças. Não sei dizer. Nem sou capaz de resumir nenhuma das minhas peças, só sei dizer: foi isto o que aconteceu. Foi isto que disseram. Foi isto o que fizeram.
A maioria das peças nasce de uma frase, uma palavra ou uma imagem. À palavra junta-se quase de seguida uma imagem. Vou dar dois exemplos de duas frases que me vieram à cabeça de forma inesperada e a que logo se seguiu uma imagem, que eu depois segui. As peças são O Regresso a Casa e Há Tanto Tempo. A primeira frase de O Regresso a Casa é: “O que é que fizeste à tesoura?”. A primeira frase de Há Tanto Tempo é “Escuro”.
Em qualquer dos casos, eu não tinha mais informações.
No primeiro, era evidente que alguém estava à procura de uma tesoura e perguntava pelo seu paradeiro a outra pessoa, de quem suspeitava tê-la roubado. Mas eu sabia, de alguma maneira, que a pessoa a quem a pergunta era feita se estava nas tintas para a tesoura e até mesmo para quem lhe fazia a pergunta.
«Escuro» achei que era a descrição do cabelo de alguém, o cabelo de uma mulher, e era a resposta a alguma pergunta. Em qualquer dos casos, senti-me obrigado a prosseguir. Isto passou-se visualmente, numa gradação muito lenta, da sombra para a luz.
Quando começo uma peça, chamo sempre A, B ou C às minhas personagens.
Na peça que viria a ser O Regresso a Casa, vi um homem entrar numa sala despojada e fazer uma pergunta a outro homem mais novo que estaria sentado num feio sofá a ler um jornal de apostas de cavalos. Tinha a ideia que A seria um pai e B seu filho, mas não tinha qualquer prova. Isso, no entanto, seria confirmado daí a nada quando B (que viria a ser Lenny) diz a A (que viria a ser Max), «Pai, importas-te que eu mude de assunto? Queria fazer-te uma pergunta. O que comemos ao jantar, como é que se chamava? Que nome é que dás àquilo? Porque é que não compras um cão? És um cozinheiro de cães. A sério. Achas que estás a cozinhar para a matilha de cães.» Ou seja, a partir do momento em que B chama «Pai» a A, pareceu-me aceitável que fossem pai e filho. Claramente, A é também o cozinheiro e a sua arte não parecia ser muito apreciada. Quereria isto dizer que não havia mãe? Não sabia. Mas, como disse para comigo na altura, os nossos princípios não sabem como serão os nossos desenlaces.
HAROLD PINTER
[Discurso de aceitação do Prémio Nobel • Várias Vozes • 2006 • Edições Quasi]

1000th birthpost

As time passed by we missed the first anniversary of our blog. It went on last Saturday - Oh dear we left the bottle of champagne on the freezer! - and we didn't notice it. Yes, one year after we got to this humble stage and now we sail. Lights on. Clear throat. And we sing. "Happy birthday to you, happy birthday to you..."
But that's not all. The best of it, if we were kind of fundamentalist we would get drunk tonight just for that, it's that this post is the thousandth time we bother to come here write something. Yes, 1000! Fuck, that's a lot!
[SIM, NO DIA 15 DE MARÇO ESTE ESPAÇO FEZ UM ANO DE VIDA.]

Do you dare to ask?

In 1958 I wrote the following:
'There are no hard distinctions between what is real and what is unreal, nor between what is true and what is false. A thing is not necessarily either true or false; it can be both true and false.'
I believe that these assertions still make sense and do still apply to the exploration of reality through art. So as a writer I stand by them but as a citizen I cannot. As a citizen I must ask: What is true? What is false?

Art, Truth and Politics: The Nobel Lecture, by Harold Pinter • FABER AND FABER • 2006
Great interview with Harold Pinter by Kirsty Wark on BBC Newsnight / June 23, 2006: PART 1 • PART 2 • PART 3

Knocking on Hell's door

MEG. Is that you, Petey?
[PAUSE]
Petey, is that you?
[PAUSE]
Petey?
PETEY. What?
MEG. Is that you?
PETEY. Yes, it's me.
MEG. What? [HER FACE APPEARS AT THE HATCH] Are you back?
PETEY. Yes.
MEG. I've got your cornflakes ready. [SHE DISAPPEARS AND REAPPEARS] Here's your cornflakes.
[HE RISES AND TAKES THE PLATE FROM HER. SITS AT THE TABLE, PROPS UP THE PAPER AND BEGINS TO EAT. MEG ENTERS BY THE KITCHEN DOOR]
Are they nice?
PETEY. Very nice.
MEG. I thought that they'b nice. [SHE SITS AT THE TABLE] You got your paper?
PETEY. Yes.
MEG. Is it good?
PETEY. Not bad.
MEG. What does it say?
PETEY. Nothing much.
MEG. You read me out some nice bits yesterday.
PETEY. Yes, well, I haven't finished this one yet.
MEG. Will you tell me when you come to something good?
PETEY. Yes.
HAROLD PINTER • THE BIRTHDAY PARTY • 1957
The Birthday Party is the first full-length play by Harold Pinter. Although it is now one of Pinter's best-known plays, The Birthday Party was a commercial and mostly critical failure when originally performed at the Lyric Theatre, Hammersmith, in 1958. After the play closed, however, Harold Hobson's review rescued its critical reputation, and it went on to become one of the classics of the modern stage and one of the most-frequently produced of Pinter's plays.
Stanley Webber, a failed piano player, lives in a boarding house run by Meg and Petey. On a day claimed to be Stanley's birthday by Meg, the boarding house is visited by two men, Goldberg and McCann. They throw a birthday party for Stanley through which Goldberg and McCann torture him psychologically and what seemed an innocent birthday party turns into a nightmare.
From this highlight shown above - it's the beginning of Act 1 - you can feel the ambiance of the whole play and notice that someone that enters, causing a flush of apprehension and doubt, with the use of small pauses and later characterized by the visitors, will be crucial for the drama. On these short lines you can almost touch the tension coming up.
[FAST FORWARD IT HERE • Robert Shaw, Patrick Magee, Dandy Nichols and Moultriie Kelsall in William Friekin's 1968 film of Pinter's play • BROUGHT BY BLOOM TV]

Did you know?

Harold Pinter was born in East London in 1930. He lives in London and is married to Antonia Fraser. In 1995 he won the David Cohen British Literature Prize for a lifetime's achievement in literature; in 1996 he was awarded the Laurence Olivier Award for a lifetime's achievement in theatre; and in 1997 he was named as the Sunday Times Writer of the Year. In 2002 Harold Pinter was made a Companion of Honour in the Queen's Birthday Honours List for services to literature. In 2005 he was awarded with the Nobel Prize of Literature. He is the author of numerous plays and screenplays, and has written poetry and fiction. In 2006 he performed Samuel Beckett's Krapp's Last Tape in a limited run at the Royal Court Theatre to sold-out audiences and "ecstatic" critical reviews.

AT BLOOM YOU CAN FIND
Celebration & The Room • Old Times • The Birthday Party • The Caretaker • The Dwarfs • The Homecoming • War
AS WELL AS SOME TITLES IN PORTUGUESE

Did you know that we had them at Bloom? Well, at least you already got a good news today. It's always a pleasure to make you happy.


Expiação no Jetfoil

Num dia de mercado, Iruki o cesteiro escoou o seu lote de cestos mais rapidamente do que era costume. Passeava-se um pouco ocioso entre os vendedores, quando reparou num mercador chinês, que com frequência tinha estranhos objectos para vender:
"Aproxima-te, Iruki, disse o mercador, tenho aqui uma coisa extraordinária." E, com um ar de mistério, retirou duma caixa um objecto redondo e plano, coberto por um pano de veludo azul. Colocou-o nas mãos de Iruki e, com precaução, fez deslizar o tecido. Iruki debruçou-se sobre uma superfície polida e brilhante. Aí reconheceu a imagem do pai, tal como tinha sido no tempo da sua juventude. Emocionado, exclamou:
"Este objecto é mágico! - Sim, disse o mercador, chama-se a isto um espelho, e é de grande valor!"
Mas a febre tinha-se apossado de Iruki: "Ofereço-te tudo o que tenho, disse ele. Quero este "espelho mágico" para levar para casa a imagem do meu bem amado pai."
Depois de longa negociação, Iruku entregou ao mercador toda a sua receita da manhã.
Logo ao regressar a casa, Iruki dirigiu-se ao sotão e escondeu a imagem do pai num baú. Nos dias seguintes, eclipsava-se, subia ao sotão, retirava o "espelho mágico" do baú; ficava longos momentos a comtemplara imagem venerada, e era feliz. A sua mulher não tardou a notar o estranho comportamento.
Uma tarde, quando abandonou um cesto a meio entraçar, ela seguiu-o. Viu-o subir ao sotão, rebuscar num baú, tirar de lá um objecto desconhecido, olhá-lo longamente com um misterioso semblante de prazer. Voltou depois a tapar o objecto com um pano de veludo azul e guardou-o com gestos carinhosos. Intrigada, ela esperou que ele fosse embora, abriu por sua vez o baú, descobriu o objecto, retirou o pano de veludo azul, olhou e viu: "Uma mulher!" Furiosa, desceu e apostrofou o marido:
"Com que então, atraiçoas-me indo contemplar uma mulher dez vezes por dia!
- Claro que não! exclamou Iruki, não te quis falar nisso poeque tu não gostavas nada do meu pai, mas é a imagem dele que vou ver, e isso acalma o meu coração.
- Miserável mentiroso!, vociferou a mulher. Eu vi o que vi! Foi uma mulher que tu escondeste no sotão!
- Asseguro-te..."
A discussão azedava, estava infernal, quando um sacerdote mendicamente apareceu à porta. O casal solicitou o seu arbítrio. O sacerdote subiu ao sotão, voltou:
"É um sacerdote, um representante de Deus!", disse.
Os Melhores Contos Zen • EDITORIAL TEOREMA • GABINETE DE CURIOSIDADES

Contos originários do Japão, da Índia e do Tibete. São contos que transmitem um pensamento milenário que perturba a nossa tradicional forma de pensar e nos faz esquecer muitos dos nossos preconceitos.

Matter of life

Give books, not toys. Open your mind. Learn a magic trick and entertain every kid you meet. Question your assumptions. Master a tune on a musical instrument. Hug someone. Let someone beat you in an argument. Daydream. Wear bright colors. Hold your temper. Enjoy life, a happier you is better for everyone else. Go for a swim. Give a stray animal a home. Volunteer for something. Give someone hope. Learn all about an historical era. Learn a dance. Compliment the next child you meet. Recycle. Try a drink you never had before. Indulge yourself. Don't worry, be happy. Inspire someone. Climb a mountain (or even a hill). Make someone laugh. Scare yourself. Right out of the blue, tell someone you love them. Remember the meaning of life (make others happy). Set a goal. Give someone a break. Learn a song in foreign language. Take the long way around. Stand up to a bully. Grow a herb garden. Read a children's book. Attempt something incredibly difficult. Look for the best in someone you dislike. Develop an outlandish philosophy. Buy a puzzle toy and figure it out. Watch the sun rise. Get a complete health check-up. Ride a bicycle. Get a pen pal. Buy someone a non-birthday present. Be you!

Keep it up

For everyday reading you should head to Arts & Letters Daily. It gives you everything you need to know about what really matters, selecting the best around the world on arts and letters. Books, opinions, essays, plus a million of links to other spots. New material is added to Arts & Letters Daily everyday of the week and they keep an archive that goes on its 10th anniversary. Don't miss it and bookmark it now.
[LOG ON HERE]

Duas

[1] És Sempre Assim

A setecentos pés de altitude, merda, seiscentos pés. As asas em chamas, o piloto automático a ejectar-se com o único páraquedas. O vento a entrar pelas frinchas da despressurização. Quinhentos pés, agarro-me aos comandos com todas as dores que tenho. Puxo. Puxo. Não mexe. Não vira. Não gane. Puxo. Os pés a fingir que estão nuns travões imaginários que abrandam quedas. O vazio. Fumo negro a coçar a carlinga. Faíscas por todo o lado. Quatrocentos pés. As mãos. As minhas mãos que seguram o braço do joystick que de repente se desprende do resto do cockpit, que me vomita um enjoo de fios no colo. Nada. Trezentos pés. O chão a um palmo do nariz. Chego as mãos ao cabelo não vá ficar mal quando os meus dentes tocarem os estilhaços do vidro do avião. E a explosão. Será que explode? Queda a pique. Queda com o fim à vista. Duzentos. Cento e noventa e nove. Cento e noventa e oitro. Cento e noventa e sete. Porra. Não fui feito para morrer assim. O que há a fazer? Rosnar? Transformar-me em folha? Desaparecer? Cento e cinquenta. As minhas unhas a afagar o resto do meu corpo. Não grito, não falo. Não me mexo. Abro os olhos que se arregalam com os cem pés de altitude. Oh. Noventa e nove. Ah. Noventa e tal. Quantos mais que me pisam. Noventa? Oitenta? A minha vida toda a passar-me à frente e ainda não bati em nada. O espaço. É isto o espaço. É isto estar no sítio errado à hora errada. É isto um beco sem saída. Cinquenta. Não quero saber. Acabou-se. Será que explode? E me fura os tímpanos? Oh. Trinta mãos de atitude. É agora ou nunca a altura de desaparecer. A folha. Vinte dedos. Dezanove. Dezoito. Todos eles a saltarem-me dos membros. Um a um. O pé esquerdo primeiro, já se foi. O outro logo no que pareceu ser o mesmo instante. E agora um calor. Um uivar. Um rasgão a acolher-me o peito. Dez, nove, oito. E o paraíso celeste. O estrondo. O carbono a entrar-me pela goela. A comer-me o esófago e as paredes do estômago. Ainda sinto o coração que se despedaça. Ainda vejo o meu céu. Ainda sinto um útlimo desejo. Ainda estou vivo no último momento. E de seguida...
Nada.


[2] Céu Limpo

Encontrei-te no cimo das escadas. Ficámos ali os dois, a olhar-nos. Parecíamos dois cães que se cheiram por curiosidade, um pouco cegos. Não me lembro quem deu o primeiro passo, acho que foi em simultâneo. E no desespero de um desejo sem fim matamo-nos um ao outro, à queima roupa. Os jornais no outro dia falavam em duplo suicídio. Eu cá tenho as minhas dúvidas. Morremos apenas um pelo outro. O outro que éramos nós.

As bigger as the world can be

HELLEN KELLER • June 27, 1880 - June 1, 1968

L. & P. once again

- Fala-se tanto na China, tu sabes alguma coisa da China?
- Eu? Sim, sei, sei alguma coisa.
- O que é que sabes?
- Sei que na China vivem os chineses.
- Pois vivem, mas isso não quer dizer nada. Há muitos outros países onde também vivem chineses.
- Ah sim? Quais? Quais países?
- Ora. Por exemplo, Portugal. Em Portugal vivem muitos chineses.
- Está bem, mas não são chineses da China. Ai é que está.
- Pois não, não são, mas não é por isso que deixam de ser chineses.
- Sim, mas eu estava só a dizer que na China há chineses. Que é lá que eles vivem. Foi isso que me perguntaste.
- O que eu te perguntei foi se sabias alguma coisa sobre a China. É bem diferente...
- Diferente de quê? Já é qualquer coisa. Porquê, tu não sabes nada sobre a China?
- Sei, sim, sei muita coisa.
- Ah sabes? Então diz lá o que é que sabes?
- Agora não interessa, ainda para mais, fui eu que perguntei primeiro, por isso vamos lá a abrir essa boca.
- Aaaaaaaah...
Lime abre a boca e Purple espreita lá para dentro, cheio de minúncia. Por fim diz:
- Não vejo nada.
- Não vês o quê? O que querias ver tu dentro da minha boca?
- Ora, tu tens com cada uma, queria ver a China...

DAQUI

"A writing force"

Out of print for nearly a century, The World I Live In is Helen Keller's most personal and intellectually adventurous work—one that transforms our appreciation of her extraordinary achievements. Here this preternaturally gifted deaf and blind young woman closely describes her sensations and the workings of her imagination, while making the pro-vocative argument that the whole spectrum of the senses lies open to her through the medium of language. Standing in the line of the works of Emerson and Thoreau, The World I Live In is a profoundly suggestive exercise in self-invention, and a true, rediscovered classic of American literature.

This new edition of The World I Live In also includes Helen Keller's early essay "Optimism," as well as her first published work, "My Story," written when she was twelve.

The World I Live In, by Helen Keller • NEW YORK REVIEW OF BOOKS

Mulheres nas estrelas

Sofisticado e desinibido, Sextrologia descreve de maneira simples cada um dos signos do Zodíaco através de uma filosofia astrológica totalmente original. Elucidativos e descomplexados, os autores Stella Starsky e Quinn Cox põem a nu a verdade que existe por detrás de cada um dos signos.
A obra mostra como são as mulheres de cada signo e as respectivas compatibilidades sexuais, quer com homens, quer com outras mulheres. Com uma argumentação inteligente, os autores analisam o perfil sexual de cada um dos signos com delicioso pormenor - seja ele heterossexual ou homossexual.
Das fantasias às posições sexuais favoritas, das zonas erógenas às necessidades emocionais, Sextrologia ajuda cada um a compreender melhor o seu próprio carácter sexual e o dos outros aumentando a compreensão sobre o relacionamento a dois, antecipando o que se pode esperar de uma nova pessoa que entra na vida de cada um de nós, de acordo com o seu signo.

Os homens fortes e viris são o ideal da mulher Carneiro. A mulher Touro tem na cama o seu elemento preferido, enquanto a mulher Gémeos, a mais nervosa do Zodíaco, pensa pouco no parceiro. A mulher Caranguejo inclina-se para o primeiro que repare nela, ao passo que a mulher Leão é uma predadora natural: centra-se num único homem, marcando-o como seu território exclusivo. A mulher Virgem é senhora de uma atracção sexual que perdura durante muito tempo. De todas as mulheres, Balança é a mais bela e justa, faltando-lhe, no entanto, sensualidade. Se há mulher que sabe de que é feita a sexualidade, essa é a Escorpião. Mais, mais e mais é o lema da mulher Sagitário. A mulher Capricórnio é a menos exibicionista do Zodíaco, enquanto a mulher Aquário vê sempre o lado bom das situações. A mulher Peixes é a mais ousada do Zodíaco.
OS AUTORES
Stella Starsky e Quinn Cox são astrólogos e escritores que, ao longo de "várias encarnações", têm assinado textos da especialidade em publicações de grande prestígio e tão diversificadas, como New York Times, New York Observer, Boston Globe, InStyle, Wallpaper, Detour, Avenue, Cosmopolitan, YM, Teen People, Paper, French Glamour e Distinction. Com diferentes nomes artísticos, têm desempenhado papéis, quer em filmes, quer no teatro, designadamente na Broadway. Vivem em Nova Iorque, onde têm um consultório astrológico, frequentado por inúmeras figuras públicas.

Sextrologia, de Stella Starsky e Quinn Cox • CASA DAS LETRAS • 372 PÁGINAS

Pain and laughter peppered with irony

The moral core of Robert Walser's art is the refusal of power; of domination...Walser's virtues are those of the most mature, most civilized art. He is a truly wonderful, heartbreaking writer.
SUSAN SONTAG
The Swiss writer Robert Walser is one of the quiet geniuses of twentieth-century literature. Largely self-taught and altogether indifferent to worldly success, Walser wrote a range of short stories, essays, as well as four novels, of which Jakob von Gunten is widely recognized as the finest. The book is a young man's inquisitive and irreverent account of life in what turns out to be the most uncanny of schools, whose beautiful sentences have the simplicity and strangeness of a painting by Henri Rousseau. It is the work of an outsider artist, a writer of uncompromising originality and disconcerting humor.
Jakob von Gunten is a seventeen-year-old runaway who enrolls in a school for servants. The Institute is a deeply mysterious place: the faculty lies asleep in a single room; the students, though subject to fierce discipline, come and go at will. Jakob, a spirited and subversive presence, keeps a journal in which he records his quirky impressions of the school, as well as his own enthusiasms and uncertainties, deliberations and dreams. And in the end, as the Institute itself dissolves around him like a dream, he steps out boldly to explore still-unimagined worlds.
If he had a hundred thousand readers, the world would be a better place.
HERMAN HESSE
Jakob Von Gunten, by Rober Walser
Translated and with an introduction by Christopher Middleton • Foreword by Susan Sontag
NEW YORK REVIEW OF BOOKS • 200 PAGES • 1999

Before it goes off

«They seem to be pleasant people. Actually, people who make efforts to be successful are terribly alike each other. They all have the same face. Not really, and yet they do. They're all alike in their rapid kindness, which just comes and goes. I think this is because of the fear which these people feel. They deal with persons and objects, one after the other, only so that they can cope again with some new thing that also seems to be demanding attention. They don't despise anyone, these good people, and yet perhaps they despise everything but they aren't allowed to show it because they're frightened of being suddenly incautious...»
Robert Walser in "Jakob von Guten"

Maurício?! Estás aí?

As pessoas apreciam ou detestam o calão porque acham que calão significa ordinarice. Mas o calão não é necessariamente ordinário também inclui linguagens coloquiais ou léxicos de comunidades estanques. O calão é muitíssimo valioso porque representa um alargamento do idioma. É um extraordinário elemento para a vitalidade e expressividade de uma língua. Digam o que disserem, há palavras de calão que não têm nenhum termo socialmente aceitável que seja mais adequado, mais colado ao sentimento da palavra e da situação que descreve. Digam o que disserem, "fornicar" é que é uma palavra inaceitável, e não as suas muitas e excelentes alternativas.
Miguel Esteves Cardoso escreveu uma vez (cito de memória) que um estrangeiro bem pode procurar num dicionário português entre as palavras "caralete" e "caramanchão", entre as palavras "comutável" e "conação", que não encontra nadinha. Não encontra a linguagem que ouve nas nossas ruas, ao anoitecer. É que os nossos dicionários são puritanos e exercem uma estúpida censura moral sobre certas palavras. É também por isso que os dicionários de calão são preciosos porque registam etimologias e significados e ainda nos fazem descobrir termos arcaicos, restritos, deliciosos, alguns dos quais têm ainda uso corrente no Brasil. E há também regionalismos, adolescentismos, neologismos e linguagens marginais.
É o que acontece no Novo Dicionário do Calão de Afonso Praça (Casa das Letras). Praça morreu em 2001, pouco depois da 1ª edição deste dicionário, que agora aparece em terceira edição, actualizada, pela mão de Cláudia Almeida, Pedro Dias de Almeida e Rodrigo Dias. Este não é o único dicionário do género disponível nas livrarias (há o de Eurico Nobre, entre outros), mas é talvez o mais ágil e atento, e o que tem abonações mais inteligentes. De coisas inócuas a grandes javardices, o Dicionário é uma lição de língua portuguesa. Enumera quinhentas palavras e expressões que conhecemos mas também tem achados como "maurício" (regionalismo para pénis), "pantafaçudo" (indivíduo muito importante), "laustíbia" (bofetada), "trungalhona" (mulher desajeitada), "indrósmina" (bebedeira) e "bandeira inglesa" (menstruação). Essencial.
[POR PEDRO MEXIA NO DN]

Novo Dicionário do Calão de Afonso Praça
• CASA DAS LETRAS

Extreme enhancement

Since 1994, Chinese artist Liu Zheng has been working on his ambitious photographic project The Chinese. Inspired by the examples of August Sander and Diane Arbus, he has captured a people and country in a unique time of great flux. Liu seeks out moments in which archetypal Chinese characters are encountered in extreme and unexpected situations. His photographs are divided among a number of topics which betray a dark vision, albeit one that is laced with mordant humor. His main subjects to date have included street eccentrics, homeless children, transvestite performers, provincial drug traffickers, coal miners, Buddhist monks, prison inmates, Taoist priests, waxwork figures in historical museums, and the dead and dying. This is the first monograph of his work to appear outside China.

ABOUT THE AUTHOR
One of China's most widely exhibited contemporary artists, Liu Zheng was born in 1969 in Wuqiang Hsien in Hebei province and grew up in Datong, a mining town in Shanxi province. After studying optical engineering at Beijing Technology Institute, he served as a professional photojournalist for Workers’ Daily from 1991 to 1997. Liu Zheng’s work has been included in such major presentations as the Venice Biennial, the Rencontres d’Arles photography festival, and Strangers: The First ICP Triennial of Photography and Video.


The Chinese, by Liu Zheng
With an introduction by Christopher Phillips, an essay by Gu Zheng and an interview with the artist.
• STEIDL • 120 TRITONE PLATES • HARDCOVER WITH DUST JACKET • 176 PAGES • PUBLICATION DATE: APRIL 2004



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