Independent bookstore is a term used in to identify bookstores that are primarily owned and operated by local people. They tend to have strong ties to the community and are frequently involved in non-profit community events as well as in cultivating the work of young writers. Independent bookstore selection tends to be more esoteric and less mainstream than chain bookstores.
Independent bookstores are under considerable financial pressure due to competition from amazon.com and other online sellers, chain bookstores, mass market sellers, and even publishers themselves. Thousands of bookstores have closed in the past decade and there have been recent high-profile independent bookstore closures. In some cases, the community has risen up to save an independent bookstore that threatened to close.
Independent bookstores have historically supported and cultivated the work of young authors and poets, often acting as literary salons. This sometimes includes promoting or publishing works that might have otherwise not been published including works without ISBN numbers, which are not accepted for distribution by larger bookstores.
[LIST OF INDEPENDENT BOOKSTORES AROUND THE WORLD]
Bookmarkers: English, In Bloom, Mundo / World, Noise, Tango, Vida / Life
Yesterday we published the headline about the Ancient Greek Art from the Louvre to be shown in Macau, at the Macau Museum of Art, next year. Today the newspapers picked it up and have release the information, making full pages features. We even had a reference in Hoje Macau as the main source of the article.
This means that we are being read!
Bookmarkers: Bloom Exclusives, English, Jornais / Newspapers, Macau
Posso dizer que foi uma surpresa a reacção do pessoal do Instituto. Revoltaram-se e obrigaram o Ministro a vir a uma reunião com todos em que pediam explicações para a minha demissão.
O curioso é que começaram por pôr um gravador em cima da secretária do Ministro que perguntou: - Para que é isto? - Então um dos trabalhadores explicou: - Bem, desta reunião muito possivelmente o Senhor Ministro irá ditar normas de conduta e possivelmente conselhos que nós depois gostaríamos de ter uma gravação para estudarmos aquilo que nos foi dito.
E o Ministro disse: - Está bem. E nessa mesma noite estava um grupo de trabalhadores em minha casa com um gravador e a fita para eu ouvir tudo o que tinha sido dito.
Uma das coisas que recordo é a certa altura o Senhor Ministro dizer: - Mas o que é que vocês querem? Que vá pedir ao Senhor Ferreira para ele voltar por favor ?
A partir dessa altura afastei-me do Instituto e de tudo o que a ele estava ligado e passado algum tempo, por insistência de um amigo cineasta, o Lopes Barbosa, que se fora embora e vivia no Porto, deu-me na cabeça, meti-me num avião e parti sozinho para o Porto, ficando em casa do Lopes Barbosa e começando a trabalhar como operador de câmara na Agência de Publicidade onde ele trabalhava e que pertencia ao Senhor Sério Fernandes.
Aí, a certa altura, apareceu uma encomenda de uma filmagem de uma fábrica de roupas para criança. O dono da fábrica pretendia algumas imagens da fábrica para mostrar a possíveis clientes e pediu que fizéssemos as filmagens que quisessemos e ele depois escolheria aquelas com que queria ficar e pagaria essas filmagens.
Eu fui e filmei a fábrica toda. Era fascinante, porque a maior parte das operações eram feitas por robots e máquinas automáticas que cortavam o pano, cosiam, pregavam os botões, abriam as casas e enfim faziam com rigor todas as operações de fabrico. As operárias eram só para prestar assistência às máquinas e vigiá-las.
Combinámos com um cinema de manhã para projectar o material e o dono da fábrica de confecções ficou com tudo. Pagou integralmente todo o material que havíamos filmado e que eu montara numa sequência lógica. O Senhor Sério Fernandes fez um excelente negócio mas não quis participar comigo para além do meu ordenado . E eu resolvi que era a altura de voltar para Lisboa. A minha mulher entretanto tinha-se vindo juntar a mim e em Lisboa fomos viver para casa do Isaías Duarte, que tinha uma magnifica vivenda com piscina em Cascais e um filho pequeno de quem a minha mulher ajudava a tomar conta.
O Isaías tinha uma empresa em Lisboa para onde fui trabalhar para o ajudar e nessa altura reencontrei o Manuel Figueiredo, que também tinha uma Agência de Publicidade - A Agência Europa - e que eu já conhecia de Moçambique onde tinha tido a Agência África e para a qual tinha produzido imensos filmes.
O Manuel Figueiredo tinha um armazém onde guardava inúmeras garrafas de vinho produto de um negócio anterior que ele abandonara.
Fizemos uma sociedade produtora de filmes, a QUINECOR *, despachámos as garrafas de vinho e utilizámos o armazém que ficava numa cave em Lisboa para montar um estúdio.
Enquanto durou fiz inúmeros filmes para cinema e para a televisão ao serviço da Agência Europa de Publicidade. Até que um dia a Agência Europa do Manuel Figueiredo entrou em conflito com as finanças e foi alvo de uma penhora em que entrou também a Quinecor. Então fiz uma proposta que foi aceite cpagava às finanças o valor da quota dele que tinha sido penhorada e ele vendia a sua quota parte da Quinecor à minha mulher que assim passava a ser a minha sócia naquela empresa.
E foi o que aconteceu.
* QUINECOR porque não me deixaram registar o nome com K, da palavra grega Kine, a origem etimológica de Cinema.
Bookmarkers: Bloom Exclusives, Cinema, Português, Vida / Life
This book is the follow up to the previous volume On Beauty. Apparently beauty and ugliness are concepts that imply each other, and by ugliness we usually mean the opposite of beauty, so all we need do is define the first to understand the nature of the second. But the various manifestations of ugliness over the centuries are richer and more unpredictable than is commonly thought.
The anthological quotations and the extraordinary illustrations in this book lead us on a surprising journey among the nightmares, terrors, and loves of almost three thousand years, where acts of rejection go hand in hand with touching gestures of compassion, and the rejection of deformity is accompanied by decadent ecstasies over the most seductive violations of all classical canons.
Among demons, madmen, horrible enemies, and disquieting presences, among horrid abysses and deformities that verge on the sublime, among freaks and the living dead, we discover a vast and often unsuspected iconographic vein. So much so that, on gradually encountering in these pages the ugliness of nature, spiritual ugliness, asymmetry, disharmony, disfigurement, and the succession of things sordid, weak, vile, banal, random, arbitrary, coarse, repugnant, clumsy, horrendous, vacuous, nauseating, criminal, spectral, witchlike, satanic, repellent, disgusting, unpleasant, grotesque, abominable, odious, crude, foul, dirty, obscene, frightening, abject, monstrous, hair-raising, ugly, terrible, terrifying, revolting, repulsive, loathsome, fetid, ignoble, awkward, ghastly and indecent, the first foreign publisher to see this book exclaimed: ‘How beautiful ugliness is!’
On Ugliness by Umberto Eco
Harvill Secker • Publication date: 25/10/2007 • 456 pages • SOON AT BLOOM
Bookmarkers: Art, English, Escritores / Writers, Livros / Books
Low-cost airline Viva Macau has cancelled its first flight into Australia after failing to receive regulatory approval.
The proposed flights, the first of which was due to land in Sydney at 10am today, could still be delayed for weeks as the Civil Aviation Safety Authority processes its application for an Air Operators Certificate.
Chief executive Con Korfiatis said several alternatives were available to affected passengers including Viva Macau arranging for a flight with another airline, a full refund or the option of rebooking on a future Viva Macau flight. The company released a statement yesterday apologising for the inconvenience. Mr Korfiatis, founding chief executive of Jetstar Asia, said Viva Macau would provide a free return ticket, redeemable within a year, to any of its scheduled destinations .
"We expect only a small number of flights will be affected until we have received the final approval," Mr Korfiatis said.
CASA spokesman Peter Gibson said the delay was because Viva Macau had not provided information that the regulator had requested months ago.
"The airline only gave us the full package of information we needed about two weeks ago, so we really hadn't been able to start proper assessment until then," he said.
The event is a major embarrassment for Viva Macau, which hopes to increase its flights into Sydney from three a week into a daily service and to expand into other Australian cities.
[SOURCE: THE AGE] [RELATED LINKS]
Francis-Marie Martinez Picabia (January 28, 1879 - November 30, 1953) was a well-known painter and poet born of a French mother and a Spanish-Cuban father who was an attaché at the Cuban legation in Paris, France.
Born in Paris, he studied at École des Beaux-Arts and École des Arts Decoratifs. In the beginning of his career, from 1903 to 1908, he was influenced by the impressionist painting of Alfred Sisley. From 1909, he came under the influence of the cubists and the Golden Section (Section d'Or).
Around 1911 he joined the Puteaux Group, which met at the studio of Jacques Villon in the village of Puteaux. There he became friends with artist Marcel Duchamp. Some of the group's members were, Apollinaire, Albert Gleizes, Roger de La Fresnaye, Fernand Leger and Jean Metzinger.
From 1913 to 1915 Picabia traveled to New York City several times and took active part in the avant-garde movements, introducing modern art to America. These years can be characterized as Picabia's proto-Dada period, consisting mainly of his portraits mécaniques.
Later, in 1916, while in Barcelona he started his well-known Dada periodical 391, in which he published his first mechanical drawings. He continued the periodical with the help of Duchamp in America.
Picabia continued his involvement in the Dada movement through 1919 in Zürich and Paris, before breaking away from it after developing an interest in Surrealist art. (See Cannibale, 1921.) Again he changed his style in 1925, when he returned to figurative painting.
During the 1930s, he became a close friend of Gertrude Stein. In the early 1940s he moved to the south of France, where his work took a surprising turn - he produced a series of paintings based on the nude and glamour photos in French "Girlie" magazines, in a garish style which appears to subvert traditional, academic nude painting.
Before the end of World War II, he returned to Paris where he resumed abstract painting and writing poetry.
He had love affairs with dancers whom he painted. "I see again in my memory my dear udnie" for example, is a painting and an ode to a dancer he was involved with.
A large amount of his work involves the mechanical representation of people.
A large retrospective of his work was held at the Galerie René Drouin in Paris in the spring of 1949.
Picabia loved fast automobiles and is said to have owned as many as one hundred and fifty of them.
Francis Picabia died in Paris in 1953 and was interred in the Cimetière de Montmartre.
In recent years, a Picabia painting has sold for as much as 1.6 million US Dollars.
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The word ‘Dada’ was chosen at random by a group of young artists and writers from a dictionary in the Cabaret Voltaire in 1916; it soon came to represent a cause taken up by young utopians who were trying to counter the madness of the tumultuous years of the First World War.
From 1915 to 1925 the movement became international, with Dadaists in Zurich, Berlin, New York, Barcelona and Paris. Dada poets, painters, photographers and theorists – including Jean Arp, Johannes Bader, Hugo Ball, Marcel Duchamp, Raoul Hausmann, Marcel Janco, Man Ray, Francis Picabia and Tristan Tzara – overturned the prevailing aesthetic, changed art and redefined the relationship between the individual and society.
In this pocket-sized, profusely illustrated book, Marc Dachy sets out with passion to retrace the history of this infamous movement, which demanded works that were ‘strong, honest, precise and forever uncompromised.’
Dadaism is one of those movements in modern art which had an amazingly short life but a lasting influence. It flourished for not much more than the decade between 1915 and 1925, yet some of its legacy is still with us.
It's amazing to think that this very influential movement sprang up in the middle of the first world war - though there were pre-echoes of it in the work of abstract expressionism and Russian futurism which just preceded it. Tristan Tzara might have thought up the name Dada, but I doubt that anyone reads a word of what he wrote these days. However, the work of visual artists such as Jean Arp and Sophie Taeuber still speaks as something of lasting value, almost one hundred years later.
Dadaism was certainly what we would now call a multimedia phenomenon. It involved painting and sculpture, poetry, typography, theatre, and performance art. At one point it even included a boxing match between Jack Johnson - first black world champion - and Arthur Cravan, a poet-boxer Dadist who was the nephew of Oscar Wilde.
What came out of it that will be of enduring value? Well, certainly the use of montage in graphic design is still with us, as is production in what we now call 'mixed media'. The work of Raoul Hausmann, Georg Groz, John Heartfield, and Kurt Schwitters still seems fresh today - though Schwitters was actually refused membership of the 'official' Dada group, to which he responded by setting up his own one-man movement, called Merz.
As a 'movement' (though it was never coherent) it spread quickly from its birthplace in Zurich to Berlin, Paris, and even New York. But its principal adherents were forever disagreeing with each other or even repudiating their own former beliefs. By the early 1920s Dada was ready to be swept up by the much stronger forces of surrealism.
This monograph is beautifully illustrated and it ends with a collection of the key declarations and manifestos of the period for those who want a taste of what was thought to be radical protest in art at the time. There's also a very good bibliography. Pocket size in format and price, it's an excellent introduction to the subject.
[Roy Johnson / MANTEX]
Dada: The Revolt of Art, by Marc Dachy
Thames and Hudson • ISBN 0500301190 • 2006 • 115 MOP$
Bookmarkers: Art, Buenos Aires, English, Revolución
Distinguido com o Prémio PEN Clube Português de Ensaio de 2006 e tese de doutoramento de Pedro Eiras, este estudo procura observar os modos como quatro textos – “Húmus” de Raul Brandão, “Livro do Desassossego” de Fernando Pessoa, “Photomaton & Vox” de Herberto Helder e “Lisboaleipzig” de Maria Gabriela Llansol – propõem a constituição do sujeito enunciador, observando a relação entre subjectividade e modelos de totalidade (a narrativa moral, o Livro) ou de fragmentação (a ironia, a metamorfose).
O sujeito é entendido como o resultado de um compromisso entre o anúncio ou o abandono do texto holístico, o reconhecimento ou a denegação da impossibilidade de exaustividade, e a final sobrevivência do eu como sujeito impotente ou a exaltação de um despojamento que o abre a novas experiências de si. Esta abordagem permite, enfim, considerar diálogos entre os quatro autores em estudo e repensar uma autoconsciência narcísica do eu para além do trabalho de luto de modelos modernos.
Pedro Eiras nasceu no Porto em 1975. Doutorou-se em Literatura Portuguesa em 2004, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo sido bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia entre 1998 e 2002. Actualmente é Professor Auxiliar na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, leccionando disciplinas de Literatura no âmbito de licenciaturas e mestrado.
Tem publicação dispersa de ensaios sobre autores dos séculos XIX a XXI: Eça de Queirós, Raul Brandão, Mário de Sá-Carneiro, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Fiama Hasse Pais Brandão, Maria Velho da Costa, Maria Gabriela Llansol, António Franco Alexandre, Luís Miguel Nava…
Desde 2001, publicou ainda teatro e ficção. Teve diversas peças encenadas ou lidas no Porto, em Lisboa, Coimbra, Paris, Nice, Bratislava, Salónica. A peça Um Forte Cheiro a Maçã foi editada em França por Les Solitaires Intempestifs e lida numa emissão da rádio France Culture.
Esquecer Fausto, de Pedro Eiras • CAMPO DAS LETRAS • 2006
Bookmarkers: Escritores / Writers, In Bloom, Livros / Books, Português
More than 130 Ancient Greek Art from the Louvre Museum will be presented in Macau next year.
Currently on show in Beijing's Capital Museum the items are taken from the Louvre's Greek, Etruscan, and Roman collection. The exhibits cover life, religion, and the celebrities of Ancient Greece. Well-known items like statues of Aphrodite and Aries are also on display. Most of the pieces, including a selection of ancient Greek vases, sculptures and terra-cotta figurines, left the Paris museum for the first time.
"It's a very great chance for Chinese people to know about another great ancient culture - this time from Greece. The Louvre usually lends less than twenty items at a time. But, for this exhibition, we have secured more than 130 front-line items, presenting an all-round view of ancient Greece." remarked Guo Xiaoling, the curator of the Beijing Capital Museum.
The exhibition is touring Asia since last year and was previously exhibited in Tokyo and Kyoto in Japan. From Beijing, which opened this month and will run until early November, will move to Singapore, from 12 of December to 16 of March, and the whole set will make its last stage in Macau Art Museum from Apil 2008 on. While the Classical Greek and Hellenistic Art rooms at Paris's Louvre Museum are being refurbished.
"While ancient Greek art sometimes seems to have been deified, and while scholars obsess about minute questions of style, this exhibition is an attempt to draw a bigger picture of the period from a broader point of view", said Jean-Luc Martinez, during the Japanese exhibition, the Chief Curator at the Department of the Greek, Etruscan and Roman antiquities at the Louvre, which holds 45,000 items.
The exhibition is divided into four sections: Classic-period Athens, life in ancient Greece, sporting spirit in ancient Greece, and gods and religion. Also featuring a new take on the depiction of women in Greek myth. Exhibits include painted pottery that depicts a weaving woman in a section on ancient Greek life, and various Aphrodite sculptures in the gods and religion section. Aphrodite was a goddess whom the Romans later called Venus. According to Martinez, the ancient Greeks believed that she dated from the creation of the universe, her role being to connect the different parts of the cosmos.Other items on show include a wide variety of pieces, from masterpieces such as the Venus of Arles, a sculpture once displayed at the Versailles Palace, and the Ares Borghese, which Napoleon purchased, to unique items such as a pitcher illustrated with images of owls, a symbol of Athena, goddess of wisdom. The lineup also includes works made in ancient Rome that imitate Greek art.
After the introduction of Greek Mythology two years ago in a themed Casino the real Greek art can be finally seen in Macau.
RELATED LINKS:
• NATIONAL MUSEUM OF SINGAPORE
• CAPITAL MUSEUM IN BEIJING [with pictures but only in chinese]
• THE UNIVERSITY ART MUSEUM IN TOKYO
• KYOTO MUNICIPAL MUSEUM OF ARTS
• LOUVRE MUSEUM
• MACAU MUSEUM OF ART
Bookmarkers: Art, Bloom Exclusives, China, English, Macau
Como eu já previra comecei a ter problemas. Para além do Américo havia o Fernando Silva, também muito de esquerda, operador de câmara que nunca fez nada para ajudar o Instituto, mas que se julgava com direitos especiais. E havia ainda o Patraquim, jornalista, também muito de esquerda, que fazia também parte daquele grupo de amigalhaços. Um dia quando eu lhes dizia que não havia cinema africano eles contrapuseram que havia sim senhor. O Senegal tinha produzido filmes. Então pedi para me mostrar esse tal filme Senegalês. Eles assim fizeram, só que o filme que me mostraram não era um filme senegalês. Era sim um filme francês feito no Senegal com africanos. O que é uma coisa muito diferente.
O Américo até chegara ao ponto de um dia me chamar e pedir para eu ir a Vila Pery porque a máquina de projecção do Cinema estava com um problema técnico qualquer. Eu fui, fiz o que tinha fazer e quando voltei percebi. Precisamente naquele dia o Presidente Samora Machel tinha ido visitar o Instituto. O funcionário já idoso que eu colocara na entrada do Instituto para fazer a triagem, que tinha uma secretária com telefones e intercomunicadores e orientava todos os visitantes para as respectivas secções, quando me viu veio a correr dizer-me que o presidente Samora Machel tinha ido visitar o Instituto. Contou-me então, que depois da visita o Presidente na entrada olhara em volta e dissera: -Sim Senhor! Isto está mais limpo do que o Hospital.
Ora como eu já previra os amigos Américo, Patraquim e Fernando Silva tinham começado a manobrar.
Então veio um soldado armado buscar-me para me levar ao Gabinete do Ministro da Informação.
Fui recebido e logo de entrada o Ministro atirou-me com esta: - Vieram dizer-me que o Senhor ainda para aí a propalar pelos cafés que eu no meu cargo ando a fazer o jogo dos interesses ingleses porque a minha mulher é inglesa.
Numa fracção de segundo percebi toda a tramóia e disse: -Senhor Ministro, muito estúpido seria eu se andasse a acusar um ministro de uma Nação recentemente independente de andar a traír o seu país. E ninguém acredita que eu andasse para aqui a defender os interesses da China só porque a minha mulher é chinesa.
E, a partir daí, explanei os objectivos na construção do Instituto. Uma escola e um veículo de expressão cultural para o povo de Moçambique. Tivemos uma longa conversa sobre esses objectivos e por fim despedimos-nos cordialmente. À saída o Secretário disse-me: - Aguarde um pouco.
Ali fiquei vigiado pela sentinela armada e quando o secretário voltou disse-me que podia ir.
Quase à saída ainda me chamou eu voltei-me e disse-me: - O nosso chefe ficou muito bem impressionado consigo.
Até àquela data o Ministro não havia nomeado Director para o Instituto. O Américo estava convencido que seria ele. Depois desta reunião eu fiquei convencido que seria eu.
Passei uma noite sem dormir a pensar no assunto.
Eu sabia que as coisas não ficariam por aqui. Se eu fosse nomeado Director do Instituto teria três inimigos mortais à perna para o resto da minha vida, e só me restaria arrasá-los ou eles me arrasariam a mim.
No dia seguinte apresentei a minha demissão no Instituto.
Bookmarkers: Bloom Exclusives, Cinema, Português, Vida / Life
Masterpieces Up Close and Art Up Close will introduce readers to the world's most famous artwork from the Middle Ages to the twentieth century. They will see some familiar faces, like Leonardo's Mona Lisa and Warhol's Marilyn, and meet some that may be new to them, like the princess in Velázquez's Las Meninas and the mysterious little girl in Rembrandt's Night Watch. Send children on a search for tiny details hidden in full-color reproductions of some of the world's most celebrated works of art. Lift-the-flap keys at the end of the books reveal the solutions to each puzzle, and informative text helps children learn why these paintings have intrigued us for centuries. With the Up Close Pack, young artists will discover just what makes each work a masterpiece.
Following up to the successful Art Up Close is this new title focused on the masterpieces of Paris's renown Louvre Museum. An engaging find-the-detail game draws children into 24 works of art while lift-the-flap keys reveal the solutions.
Less a museum tour than an exercise in looking closely at art, this oversized gallery presents the artworks by European artists from the Louvre, each bordered by a dozen or so enlarged details that viewers are invited to spot. Each spread includes magnified details, which readers can attempt to locate within the entire piece (answers are provided in the back, along with further information about the artist or artistic media).
The Up Close collection is published by Chronicle Books and soon will be available at BLOOM.
Depois da chamada Independência, começaram a acontecer coisas. Lourenço Maarques passou a chamar-se Maputo. A Joana Simião que tinha acreditado na democracia, foi enviada para um chamado Campo de Reeducação, nunca mais de lá saiu e nunca mais se ouviu falar dela. O Almeida Santos foi-se embora para Portugal e começaram a aparecer os chamados cooperantes e as nacionalizações. A principal credencial naquela altura, para se ir para Moçambique como cooperante, era ter sido perseguido pela PIDE. De vez em quando íam chegando notícias de Portugal mas para quem agora ali vivia, pouco interessavam.
O que eu não sabia, e vim a descobrir depois, era que o Senhor Américo tinha acesso directo ao Ministro da Informação Jorge Rebelo e levava-lhe estas reflexões como sendo suas até que um dia ele me pergunta: - Ouça lá. Acha que a antiga Casa das Beiras (uma casa regional de dois andares com um bom terreno anexo e mesmo ao lado de um cinema - O Nacional), seriviria para se montar esse tal Instituto de Cinema de que você tanto fala ?
Respondi-lhe que certamente que sim, dado que pudéssemos dispôr da colaboração de um arquitecto e de um empreiteiro para alterar a estrutura do edifício e adaptá-lo às suas novas funções. Nesta obra eu via acima de tudo a possibilidade de salvar e dar utilidade aos diversos equipamentos de cinema que havíamos conseguido adquirir ao longo dos tempos e que agora estavam acumulados inutilmente: As máquinas de revelar da Filmlab, do Melo Pereira, as minhas, as do Courinha Ramos...
Fui então apresentado ao arquitecto Forjaz, um cooperante indigitado pela Unesco e que se revelou um excelente colaborador. Na entrada criou um "hall" de recepção, rasgado até ao tecto que substituiu por placas de vidro que deixavam entrar a luz. Deste espaço amplo partiam corredores para as diversas secções: Salas de montagem, laboratório de análises, salas de revelação, sala de projecção (um pequeno anfiteatro para cinquenta lugares), cabine de projecção, estúdio de gravação de som, escritórios de produção, de distribuição, armazéns, arquivos, etc.
No primeiro andar ficaram os escritórios da direcção, as salas de reunião, a contabilidade, a
secretaria e algumas salas de aula.
Este foi o grande projecto do Instituto Nacional de Cinema de Moçambique a que deitei mãos.
A certa altura, quando as infraetruturas estavam quase prontas, o Senhor Américo diz-me assim: - Ferreira!... Existe um grupo de antigos criados das casas regionais que estão desocupados e aquilo que lhe pergunto é se os aceita como colaboradores do Instituto para lhes dar emprego.
Eu respondi afirmativamente porque de qualquer forma eu teria de lhes dar formação para o desempenho das suas funções e assim um dia cheguei ao Instituto e estavam à minha espera cerca de duzentos africanos que eu teria como função ocupar.
Comecei por lhes dar uma ideia de qual era a nossa missão e objectivos e depois a pouco e pouco fui formando grupos aos quais atribui um lugar no conjunto das diversas secções.
Assim, seis foram escalados para a secção de revelação. Com esses seis procedemos ao desmantelamento total das máquinas de revelar de que dispúnhamos, uma para revelar filmes a cores que fôra da Filmlab, outra para revelar filmes a preto e branco, outra ainda para revelar som (fotosonoro) e assim por diante. Depois cada peça foi limpa ou pintada, remontada e assim refeita a máquina como se fosse nova. Eu só dirigia e mostrava como se fazia e durante a montagem ia explicando a função de cada peça da máquina que era adicionada. Quando chegámos ao fim cada um daqueles seis homens conhecia as suas máquinas como as suas mãos.
Passou-se o mesmo com todas as outras secções e aos poucos cada um daqueles trabalhadores foi ficando integrado no Instituto.
Não que não tenha tido alguns problemas ao longo do percurso. Entre eles havia alguns amigos da pinga e outros com a mão muito leve. Um dia montei uma unidade que consistia num armário baixo com rodas, com um altifalante, um amplificador e um gira-discos no tampo. Destinava-se a circular entre as diversas salas de montagem para que os montadores pudessem ouvir discos e seleccionar músicas de fundo para aquilo que estavam a montar.
No dia seguinte o aparelho tinha desaparecido
Fiz uma reunião com todos e expliquei o alcance e a finalidade do cinema na sociedade. Falei-lhes que eram agora cidadãos de um país independente que seria grande se os seus cidadãos fossem grandes, mas pequeno se fossem pequenos. Aquele que levou a máquina vai beneficiar dela. Mas é só um. No Instituto a máquina beneficiaria muitos, numa força de todos de que ele afinal também faria parte.
No dia seguinte a máquina de tocar discos estava de volta no Instituto.
Levámos dois anos a trabalhar para pôr o Instituto de pé e quando apareceram as primeira imagens, filmadas, reveladas, copiadas e projectadas integralmente feitas por pessoal do Instituto, no dia seguinte entra pela porta dentro acompanhado de uns quantos amigos, o Senhor Rui Guerra, conhecido realizador brasileiro, muito de esquerda e que me diz: - Sabe eu venho para fazer um filme sobre o massacre de Uyriamu aqui em Moçambique, ao que eu respondi: - Deve estar enganado. Eu não montei o Instituto para fazer massacres... Então fazia os meus, porque eu tamcbém sei fazer massacres. O Institutio foi montado como Escola e centro de produção para Moçambicanos fazerem cinema.
O Senhor Rui Guerra saiu disparado e eu previ que ia ter chatices.
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Querido Leitor:
São horas de te receber no portaló da minha pequena Arca de Noé. Tens sido de uma constância tão espontânea e tão pura a visitá-la, que é preciso que me liberte do medo de parecer ufano da obra, e venha delicadamente cumprimentar-te uma vez ao menos. Não se pagam gentilezas com descortesias, e eu sou instintivamente grato e correcto. Este livro teve a boa fortuna de te agradar, e isso encheu-me sempre de júbilo. Escrevo para ti desde que comecei, sem te lisonjear, evidentemente, mas tanbém sem ser insensível às tuas reacções. Fazemos parte do mesmo presente temporal e, quer queiras, quer não, do mesmo futuro intemporal. Agora, sofremos as vicissitudes que o momento nos impõe, companheiros na premente realidade quotidiana; mais tarde, seremos o pó da história, o exemplo promissor ou maldito, o pretérito que se cumpriu bem ou mal. Se eu hoje me esquecesse das tuas angústias e das minhas, seríamos ambos traidores a uma solidariedade de berço, umbilical e cósmica; se amanhã não estivéssemos unidos nos factos fundamentais que a posteridade há-de considerar, estes anos decorridos ficariam sem qualquer significação, porque onde está ou tenha estado um homem é preciso que esteja ou tenha estado toda a humanidade. Ligados assim para a vida e para a morte, bom foi o acaso te fizesse gostar destes Bichos. Apostar literariamente no provir é um belo jogo, mas é um jogo de quem já se resignou a perder o presente. Ora eu sou teu irmão, nasci quando tu nasceste, e prefiro chegar ao juízo final contigo ao lado, na paz de uma fraternidade de raiz, a ter de entrar lá solitário como um lobo tresmalhado.Ninguém é feliz sozinho, nem mesmo na eternidade. De resto, um conto que te agradou, tem algumas probabilidades de agradar aos teus netos. Porque não hão-de eles tirar ninhos quando forem crianças? E, se tal não acontecer, paciência: ficarei um pouco triste, mas sempre junto a ti, firme, na consolação simples e honrada de ter sido ao menos homem do meu tempo.És, pois, dono como eu deste livro, e, ao cumprimentar-te à entrada dele, nem pretendo sugerir-te que o leias com a luz da imaginação acesa, nem atrair o teu olhar para a penumbra da sua simbologia. Isso não é comigo, porque nenhuma árvore explica os seus frutos, embora goste que lhos comam. Saúdo-te apenas nesta alegria natural, contente por ter construído uma barcaça onde a nossa condição se encontrou, e onde poderemos um dia, se quiseres, atravessar juntos o Letes, que é, como sabes, um dos cinco rios do inferno, cujas águas bebem as sombras, fazendo-as esquecer o passado.
Teu,
Miguel Torga
Publicado em 1940, Bichos é o primeiro livro de contos de Miguel Torga, um dos mais originais da literatura portuguesa no género, de tal modo que se afirmou como o maior êxito literário do autor e como um dos clássicos da nossa literatura.Esta obra é um testemunho singular da união natural entre homens e bichos – animais com um sentir humano que se igualam ao homem na mesma luta pela sobrevivência, e seres humanos que se transfiguram em animais. Ao mesmo tempo, é um retrato fiel do rude viver transmontano e da fusão entre homem e terra.
O cão Nero, o galo Tenório, o Morgado, o Ladino, o Ramiro e a Madalena reportam-nos a uma vida em total comunhão com a natureza, com todas as alegrias e agruras que isso implica.
Bichos, de Miguel Torga • PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE • ISBN: 9789722021944
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Last Sunday, August 12th, we celebrated the birth anniversary of Miguel Torga, poet and diarist whose forceful and highly individual literary style and treatment of universal themes make him one of the most important writers in 20th-century Portuguese literature. He would be 100 years old.
Miguel Torga, pseudonym of Adolfo Correia da Rocha (São Martinho de Anta, Portugal, August 12, 1907- Coimbra, January 17, 1995) was one of the greatest Portuguese writers of the 20th century. He wrote poetry, short stories, theater and a 16 volume diary.
He was born in the village of São Martinho de Anta in Trás-os-Montes, northern Portugal, to small-time farmer parents. After a short spell as student in a catholic seminary in Lamego, Trás-os-Montes, in 1920 his father sent him to Brazil where he worked on the coffee plantation of an uncle who, finding him to be a clever student, paid his high school there and afterwards his medicine graduation (1933) at the University of Coimbra, in Coimbra, Portugal (to where he returns in 1925 to complete his secondary education). After graduation he worked in his village of São Martinho de Anta and in other places in the country, publishing his books from his own pocket for a number of years. In 1941, he established himself as an otolaryngologist physician in Coimbra.
He decides to adopt the pseudonym of Torga. He chooses it carefully. Torga means heather, a wild, low-growing shrub, that grows spontaneously in dry rural areas throughout Portugal, but especially in the mountainous regions in the north. It is the sturdiness of this plant that will characterize the poet and the writer of prose. Miguel is a praise to Cervantes and Unamuno.
He was a member of the literary movement Presença for a short period before founding two cultural magazines in the 1930s. After the publication of the book O Quarto Dia da Criação do Mundo he was arrested for two months, between December of 1939 and February of 1940.
After the value of his work was being recognized, he went on to receive several awards, as the Prémio Camões in 1989 and the Montaigne award in 1981. He was several times nominated for the Nobel Prize of Literature, being the last one in 1994, but he never won.
His agnostic beliefs seems to reflect in his work, that deals mainly with the nobility of the human condition in a beautiful but ruthless world where God is absent or is nothing but a passive and silent, indifferent creator.
Torga's work has been translated into many languages.
In Rebellious Orpheus (1958), he wrote:
I sing as one who uses verses as a means of self-defenseThe centenary of his birth was celebrated all over Portugal, and in his beloved Coimbra, where he lived and where he died, a monument was built to honor the life of the poet, the physician and the writer.
I sing, and
never ask the Muses
If it is terror or beauty what I sense
[...]
I was born a subversive.
Starting with subversive feelings about
myself – the main reason
for my dissatisfaction.
Find out more about Torga's life in here.
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Depois deste jantar de apresentação, uns dias depois, foram-me buscar para um jantar no palácio do Julius Nyerere, Presidente da Tanzânia. Logo à chegada fiquei impressionado com o ar britânico de toda a recepção. O Palácio fazia-me lembrar o Palácio de Buckhingam com os embaixadores e os seus fatos de gala, as suas faixas coloridas, as suas damas em vestidos de soirée. A sala de jantar era um salão enorme com um palco ao fundo onde uma banda militar ia executando as suas marchas. As mesas para quatro lugares preenchiam integralmente todo aquele espaço e estavam todas cheias. Não se via um lugar vago e para além de mim não se via um branco. Devia haver mais algum, pois que havia na caravana do Samora Machel pelo menos dois jugoslavos cooperantes que também traziam uma máquina de filmar e deviam andar por ali.
Assim fiquei sentado na mesa com mais três africanos que se apresentaram e o que estava à minha esquerda disse-me que tinha acabado de chegar do Canadá onde fôra tirar um curso de radialista. Vinha agora para Dar Es Salam, tomar conta da rádio nacional.
Como não podia deixar de ser, a conversa a certa altura recaiu sobre colonialismo, racismo e questões afins.
E, no meio dessa troca de impressões controversas, o meu companheiro de repente toma uma atitude agressiva, foca-me olhos nos olhos e diz-me: - SIM! Porque os seus antepassados fizeram escravos os meus antepassados.
Eu baixei a cabeça, fiz um sorriso ligeiro e com a maior das calmas respondi-lhe: - Meu caro amigo, eu se quiser também faço uma cara de muito zangado, também o encaro olhos nos olhos, e com grande fúria também posso gritar: - SIM ! Porque muitos dos seus antepassados COMERAM antepassados meus...
E você não vai gostar de me ouvir dizer isso.
Repare bem. A Grande Muralha da China, as Pirâmides do Egipto, os castelos da Europa foram todos feitos por escravos. Não hav ia lá um único preto. Era a forma de organização social da época. Só quando nós ultrapassámos essa fase e deixámos de ser escravos é que vocês começaram. Vocês estão é atrasados em relação à evolução da sociedade humana. Dêem um salto em frente e apanhem a frente da evolução social.
Depois disto o meu parceiro não piou mais. Deve ter ficado a pensar no que eu lhe disse.
Partimos depois de avião de Dar Es Salam e fomos aterrar em Mueda no meio de Moçamique.
Começámos a viagem deslocando-nos em jeeps, acampando no meio do mato para passar as noites, comendo no acampamento e por vezes dando alguns saltos de avião. Passámos por Tete e por Cabora Bassa, que eu já tinha filmado, onde descobrira que havia um projecto para fazer mais duas barragens naquele rio, ainda maiores, capazes de dar energia eléctrica para toda a África até ao Egipto.
Visitámos alguns quartéis dispersos do exército português prontos para serem entregues e onde em conversa com soldados me disseram que não havia guerra nenhuma com a Frelimo, que ali perto, dizia um deles, até havia um acampamento da Frelimo, mas davam-se todos bem.
Quando chegámos a Porto Amélia a população foi convocada para um comício no Estádio Municipal, mas à noite não apareceu ninguém. Então foi proclamado no dia seguinte, um festival musical com a participação de várias orquestras e conjuntos musicais que encheu o Estádio. Depois da festa da música o exército fechou as portas do Estádio e tiveram todos de assistir ao comício em que o Samora Machel falou à multidão (e nisso ele era bom).
E uma coisa que não posso esquecer é a beleza espantosa da Baía de Porto Amélia que faz lembrar a Baía do Rio de Janeiro.
Desta viagem de um mês em que várias vezes jantei com o Samora Machel fiquei com a sensação de que era um bom homem, com uma capacidade especial para falar às multidões e que desempenhava um papel orientado por forças que o ultrapassavam e em que figuravam alguns oficiais portugueses.
Também não posso esquecer a Ilha de Moçambique, que me faz lembrar uma vila portuguesa da Idade Média, com um jardim e uma estátua do Vasco da Gama, preservada como se de uma relíquia se tratasse.
Por fim a cerimónia da Independência levada a cabo no Estádio Nacional, onde filmei com emoção a descida da bandeira portuguesa e o levantar da bandeira da Frelimo no mastro principal.
A propósito compete-me referir que a tribuna onde estavam as autoridades com o Samora Machel, foi iluminada por dois projectores meus porque para filmar a luz existente não era suficiente.
E desta viagem toda ficou-me também um grande amigo, um africano que era também amigo do Samora Machel, o seu fotógrafo, o Comandante Soares. O Comandante Soares dizia-me: - Sabe Ferreira, eu fui da Mocidade Portuguesa. Nasci na Beira e estudei no Liceu daquela cidade. Mas um dia senti a ânsia de Indepndência e juntei-me à Frelimo.
Por fim mandaram-me entregar todo o material que eu havia feito aos jugoslavos que o levaram para fazer um documentário que tempos depois foi exibido em Moçambique.
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Como foram realmente construídas as Pirâmides - e Stonehenge? Serão os russos capazes de provocar terramotos nos Estados Unidos? Os alquimistas transmutavam de facto chumbo em ouro? Viajar no tempo será mesmo possível?
Em Como Construir um Disco Voador, o "amador vitalício" T. B. Pawlicki revela as tecnologias conhecidas e as descobertas esquecidas que permitiram que muitas invenções "impossíveis" fossem realizadas no presente. Inspirado nas tradições do "Colégio Invísivel", Pawlicki apresenta planos de guindastes capazes de terem transportado as pedras das Pirâmides até Gizé, expõe métodos para extrair energia do espaço vazio e divulga os princípios para viajar nas correntes do tempo; no mesmo fôlego, demonstra a Teoria da Relatividade com uma pitada de sal e desenvolve um cenário herético sobre a formação do Sistema Solar. Copiosamente ilustrado com diagramas detalhados, este livro constitui um exemplo prático de como os maiores mistérios da vida se encontram ao alcance de todos, qualquer que seja a sua educação formal, equipamento laboratorial ou subsídios de pesquisa.
Como Construir um Disco Voador é um livro obrigatório para físicos de sofá, engenheiros de fim-de-semana, fanáticos de ficção científica - e todos quantos vibram com especulação bem informada. O autor diverte-se, e diverte-nos, com com soluções alternativas para problemas aparentemente insolúveis, sem por isso deixarem de ser menos sérias ou válidas do que a verdade oficial da "ciência sindicalizada". Não há mistérios; a verdade está lá fora, e pendurada com fita cola às nossas próprias costas.
SOBRE O AUTOR
Artífice, desenhador gráfico reformado e inventor nato, T. B. Pawlicki publicou artigos em revistas e jornais de todo o mundo. Vivendo reclusivamente em Victoria, no estado canadiano da Colúmbia Britânica, Pawlicki é autor ainda de "How You Can Explore Higher Dimensions of Space and Time" (1984).
Como Construir um Disco Voador de T. B. Pawlicki • EDITORA VIA ÓPTIMA • 2000
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Tinha acabado de chegar de Salisbury, capital da Rodésia, onde agora me deslocava com frequência para revelar, copiar e fazer as cópias finais dos meus filmes a cores (em Moçambique ainda não tinha capacidade para trabalhar a cores) quando alguém me disse que tinha havido uma revolução em Portugal. Ao princípio não dei grande importância a essa notícia mas depois começaram a acontecer coisas. Apareciam nas ruas grupos de africanos e não só, mandando parar os carros para fazer revistas. Eu fui apanhado por uma dessas patrulhas e um indiano ou goês perguntou-me: - Tens armas?
E eu respondi: - Tenho!... Tenho uma pistola. - Para quê? - perguntou ele. - Para te defender a ti e aos teus companheiros se for preciso - respondi eu.
Pareceu ficar um pouco embaraçado com a minha resposta e de repente disse-me: - Vai- te lá embora. E deixou-me seguir sem mais contratempos. Essa pistola que já tinha dos meus tempos de fiscal do selo, uma ponto vinte e dois, só fez fogo uma vez contra uma árvore para experimentar a pontaria e foi pouco depois apreendida pela polícia numa outra rusga em que fui apanhado. Vivia-se agora um ambiente de tensão e de boatos. Dizia-se que Moçambique ia ser independente e uma democracia. Outros falavam de que o poder ia ser entregue à Frelimo. Surgiu a Renamo que se opunha à Frelimo que, dizia-se, era comunista. A Joana Simião fundou um partido para disputar as tais eleições que resultariam da tal democracia.
O Dr. Almeida Santos, com as suas acções e declarações contribuía poderosamente para a desconfiança e medo que se gerava em volta do futuro de Moçambique. A população de origem portuguesa entretranto começava a ser intimidada e empurrada para fora de Moçambique. Apareciam grupos de africanos racistas (pela primeira vez) que provocavam e intimidavam.
Um grupo de moçambicanos de origem portuguesa resolveu tomar de assalto o Rádio Clube.
Pretendiam nomear um Governo provisório até ao estabelecimento de uma democracia em Moçambique. Tinham escolhido o Dr. Velez Grilo, um conhecido intelectual de tendências esquerdistas, mas um homem razoável para esse Governo provisório. Eu soube de tudo isto através do meu amigo Isaías Duarte, dono da Cave, um dos mais populares nightclubs de Moçambique, quando estava em sua casa, uma vivenda encantadora com piscina, pouco antes dele me convidar para participar na revolta. Eu disse-lhe que não acreditava muito nos bons resultados dessa acção e a verdade é que dois dias depois de tomarem o Rádio Clube e fazer montes de proclamações, o exército português atacou-os em força e despejou-os de lá.
Muitos foram logo dali recambiados para as origens (isto é para Portugal).
Seguiu-se um período em que tudo valeu para assustar e fazer os portugueses fugirem de Moçambique. O Isaías Duarte que além da Cave tinha também uma série de prédios num bairro moderno de Lourenço Marques, não teve outro remédio. Pegou na Marcel, a sua esposa sul africana, e no seu filho e pirou-se para Portugal.
Um dia ia pela estrada fora quando de repente vejo uma multidão de africanos numa frente que quase cobria o horizonte, de catanas e pedras na mão correndo em direcção ao meu carro. Parei rapidamente na berma da estrada e sai. Tinha na minha frente uma multidão aos gritos correndo para mim de forma ameaçadora. Eu reparei contudo que na frente de todos eles vinha um homem de catana na mão destacado, com o se fosse uma espécie de líder e gritei para ele:
Eu gritava furiosamente e isso pareceu abalá-lo um poouco e fê-lo abrandar a corrida. Entertanto ouvi no meio daquela multidão alguém que gritou: - LARGA O HOMEM...
Por sorte neste momento veio ouro carro pela estrada e o tal líder virou-se para o carro que vinha e começou a atirar-lhe pedras. Aquela multidão começou toda a fazer o mesmo e a certa altura o condutor puxa de uma pistola e desata aos tiros contra a multidão.
Eu aproveitei para correr para o meu carro, entrar, pôr o motor a trabalhar e seguir pela estrada fora na perseguição do outro carro que estava todo amassado. Vi-o pouco depois mais à frente parado em frente a uma esquadra da Polícia, com uma mulher e uma criança ao colo sujos de sangue a dirigirem-se para a esquadra.
Uns dias depois calhou ser chamado à Polícia Judiciária para prestar declarações como testemunha de um caso qualquer que já não recordo. Mas recordo muito bem que quando ia a entrar e a subir umas escadas para o primeiro andar, vinha a descer um polícia preto, fardado, que deu de caras comigo e baixou os olhos passando por mim cabisbaixo. Era o tal líder da multidão que eu enfrentara. Mais tarde ouvi dizer que nesse dia tinham morto mais de duzentos brancos.
E então comecei a perceber.
Fui chamado por um respresentante da Frelimo em Moçambique (que por sinal também era português) e me disse de caras. Você parte amanhã para Dar Es Salam onde vai conhecer o nosso presidente Samora Machel (na altura ainda não era Presidente) e depois vai acompanhá-lo numa viagem de um mês que ele vai fazer através de Moçambique para visitar os campos de guerrilheiros da Frelimo e terminar em Lourenço Marques com a cerimónia da Independência. O seu papel é filmar tudo isso.
E assim foi. Dei por mim a viajar para Dar Es Salam onde me hospedaram num hotel muito curioso, que segundo me disseram tinha sido construído pelos judeus.
Era constituído pela cobertura de uma imensa palhota, um teto rondável de colmo com uma árvore gigantesca no centro a servir-lhe de suporte. E descia lá do alto até a um muro branco que formava uma enorme roda com uma abertura que dava para uma série de divisões como a recepção, as salas de estar, o restaurante, etc. Tudo isto sem tecto porque a imensa coberta de colmo lhes servia de protecção contra o sol e a chuva.
Os quartos eram uma infinidade de rondáveis, como se fossem palhotas de uma aldeia mas com paredes de betão. Portanto os quartos era redondos. Fiquei num deles uma semana até que apareceu uma jovem africana, segundo me disseram filha do Eduardo Mondlane, que me levou por volta das sete da tarde até a uma vivenda com um grande quintal e muita gente de prato na mão a comer. Disseram-me: - Pegue num prato de sopa e vá para a bicha. Assim fiz e quando chegou a minha vez de receber a sopa que alguém punha nos pratos vi que era o Samora Machel que estava procedendo à distribuição da mesma. Quando me viu disse: - Ahhhh!...Vocês já chegaram?
E eu respondi: - Sim... Há quase uma semana.
- Muito bem... Coma... coma ! - Disse-me ele.
E foi o que fiz.
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• 47 •Testing, testing. One, two, three. Testing, testing. One, two, three.
Maybe this is working. I don't know. If you can even hear me, I don't know.
But if you can hear me, listen. And if you're listening, then what you've found is the story of everything that went wrong. This is what you'd call the flight recorder of Flight 2039. The black box, people call it, even though it's orange, and on the inside is a loop of wire that's the permanent record of all that's left. What you've found is the story of what happened.
And go ahead.
You can heat this wire to white-hot, and it will still tell you the exact same story.
Testing, testing. One, two, three.
And if you're listening, you should know right off the bat the passengers are at home, safe. The passengers, they did what you'd call their deplaning in the New Hebrides Islands. Then, after it was just him and me back in the air, the pilot parachuted out over somewhere. Some kind of water. What you'd call an ocean.
I'm going to keep saying it, but it's true. I'm not a murderer.
And I'm alone up here.
The Flying Dutchman.
And if you're listening to this, you should know that I'm alone in the cockpit of Flight 2039 with a whole crowd of those little childsized bottles of mostly dead vodka and gin lined up on the place you sit at against the front windows, the instrument panel. In the cabin, the little trays of everybody's Chicken Kiev or Beef Stroganoff entrees are half eaten with the air conditioner cleaning up any leftover food smell. Magazines are still open to where people were reading. With all the seats empty, you could pretend everyone's just gone to the bathroom. Out of the plastic stereo headsets you can hear a little hum of prerecorded music.
Up here above the weather, it's just me in a Boeing 747-400 time capsule with two hundred leftover chocolate cake desserts and an upstairs piano bar which I can just walk up to on the spiral staircase and mix myself another little drink.
Survivor by Chuck Palahniuk • VINTAGE / RANDOM HOUSE • AVAILABLE AT BLOOM
[DISPONÍVEL TAMBÉM EM PORTUGUÊS: O Sobrevivente • CASA DAS LETRAS • 2006]
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No intervalo, no espaço publicitário de 10 ou mais minutos, estivemos a beber vinho. Um amigo meu que tem um restaurante, o Sebastian, tinha-me dado uma garrafa de Beaujolais, já andava com ela no bolso há uns dias, até parecia mal. Não era Nouveau, era um Cru Beaujolais de Côte de Brouilly. Eu que não percebo nada de vinhos. A produção arranjou mais duas garrafas. Ficámos por ali a encher copos e a dizer parvoeiras. A fazer tchin-tchin.
Quando voltámos para o Directo já estávamos todos meio tortos. Isto porque tínhamos de beber depressa. O produtor estava sempre a dizer-nos os minutos que faltavam e depois os segundos. Cinco, quatro, três, dois, um. E nós a beber aquilo tudo de golo. Até as senhoras. Entrámos no ar e retiraram as garrafas da nossa frente assim por milagre, parece-me que não sobrou uma gota, pelo meio compuseram-nos a roupa e a cara, com umas pinceladas de maquilhagem. A rapariga do meu lado direito estava menos pálida e muito mais sorridente.
- Senhor Joid... - disse o moderador. - mudemos de assunto.
Já quase que éramos amigos. Até me confessou, enquanto os nossos copos se tocavam, que tinha escrito uns livros, e isso não se diz assim do pé para a mão.
- Ring... - intervim. Era eu a mudar de assunto. - deixe lá o Senhor, já somos gente crescida, andamos nisto há muito tempo. Mas já agora gostava de lhe dizer mais umas coisas. Não é que não admire o seu esforço por tentar levar o programa para a frente, mas a verdade é que já não me apetece estar aqui. Sei que anda nisto há mais de sei lá quantos anos, a apresentar "Esta Noite", desde que eu me lembro de olhar para a televisão, e não percebo como pode ter paciência para aturar esta gente toda. As câmaras, as luzes, as pessoas lá em casa.
E ele:
- Ring, é verdade, tem toda a razão. Já estamos para lá do prazo. Terá sido do vinho que me apercebi disso? Nunca tinha bebido álcool aqui nos estúdios, e estas luzes... - e levantou-se. Os espectadores não sabiam nada do que se tinha passado no intervalo, por isso aquela conversa toda vinha a despropósito. Com um aceno de cabeça sugeriu que me sentasse na cadeira dele. Era isto que, ao estarmos a beber vinho, tínhamos combinado, de modo implícito, e eu percebi.
Sentei-me.
Continuávamos com a emissão toda "No Ar" e sem ordens do Realizador, que tenho a certeza tinha ido procurar mais uma ou duas garrafas, os cameramen esforçavam-se por nos acompanhar. Isto tudo passou-se em três segundos.
- "Esta Noite" - era um zoom in, muito suave, por cima de mim - será diferente...
E ia ser. As luzes ficaram mais escuras, todo o ambiente ficou mais íntimo. E eu disse para porem a música a tocar.
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