É preciso começar por qualquer lado, o princípio, não importa muito como são as primeiras letras, o que dizem as frases iniciais. Como aparecem. O som delas. Depois o eco. E por fim o declive da sua memória.
Espantoso. Achava que já tinha passado aquele limite de idade em que já não fazia figuras como esta. Não, não é vergonha. Só o invisível empenho que demarca a nossa conduta e nos mantém aptos junto aos restantes. O Mundo. De certo modo, e mesmo com todo o meu passado, de pessoa respeitável, o que já é um feito a ter em conta, nem eu estava à espera de me comportar desta maneira. Mas aqui estou. Não consegui fugir ao inevitável. Já me tinham avisado. Por muitas vezes tinha observado o comportamento dos outros em idênticas circunstâncias. Até me tinha rido com isso e ter achado que era, sem sombra de dúvida, bastante ridículo. Agora não há muito a dizer. Nem mais nada para explicar. Aconteceu. Isso é tudo o que conta.
E como foram as primeiras frases desta minha nova vida? Nem sei. Foi como se estivesse há muito a olhar para a mesma imagem, lá ao longe, remota, desfocada, uma coisa muito minha, que a pouco e pouco se foi tornando mais nítida, a ganhar os seus contornos e a receber as suas cores, de sombras profundas. A tornar-se mais perceptível. Para no final perceber do que se tratava e reconhecer a sua forma por completo, compreendendo acima de tudo que ela me tinha acompanhado a vida inteira, e que não era mais do que a configuração absoluta do meu carácter às voltas dentro de mim. Só que até ali, todo o tempo em que a ignorei, não tinha tido capacidade para a decifrar, porque não tinha aprendido a viver. Assim. E quando isso aconteceu já era tarde demais. Já nada tinha o seu valor. Se isto é que é viver? Não quero ter uma resposta. A partir daí nem por sombras queria voltar para trás. Nunca mais. Estava a desenhar uma nova forma de escrita com uma compostura rara e desconhecida. Letras.
E já vamos longe na introdução, já passámos disso. A esta altura já estou muito mais à frente. O Era uma vez já aconteceu muitas vezes.
Foi num dia, num ciclo de cinema, eu estava ali quieto, como em todos os filmes, as mãos entrelaçadas em cima do colo, no escuro, numa das filas da frente. A sala quase cheia. O aborrecimento, lembro-me, legendava o que estava a ver, que até ali não trazia nada de extraordinário. Quando ele entrou, vindo devagarinho, passo a passo, e se pôs a cantar.
Foi um arrepio a primeira frase. Pensei que fosse do frio, do ar-condicionado, da escuridão súbita. Mas ele continuou e eu não quis acreditar. Comecei a sentir-me esmagado, numa paródia de pleno êxtase. Ele a andar, com o sol a rebentar a um fio de nascer e ainda no fim da noite, com o nó da gravata fugido da garganta, o som das cordas na voz da guitarra, tivesse continuado sem mais esperança até ao dia seguinte. Ele, sim. Pensei que tudo aquilo era saudade. Essa palavra que não colabora. Saudade do mar. Saudade a navegar na memória da cidade que me encantava. O amor por uma vida remota e desfocada, funda de sombras, que retomava ali os seus divinos contornos e encantos. Visível. Toda ela óbvia. A apertar-me contra a cadeira. Contra a minha estranha forma de vida.
E fiquei, sentando, as mãos em alvoroço, o olhar fixo naquela representação da realidade, e nas outras que se iam seguindo. Pequenino, ali, sem o conseguir encarar de frente. E a projecção do meu inevitável destino a tornar toda a minha existência perceptível. Não foi de todo medo o que senti. Apenas a exuberância de estar vivo.
Que tempos esses de puro alerta, sem horas, sem dias. Apenas o pó de frases bonitas a apertar com um nó todo o meu ser. A música. O canto. Tabefes, murros, desastres. Mas ao contrário. Sim, com as mesmas letras, mas do avesso.
Não conto o que fiz depois. Que foi tanto. É, se me tivessem explicado antes, diria, que depois dos quarenta já ia muito atrasado, para abraçar toda aquela adolescência por viver. Mas isto não tem idade. Não tem outro feitio. É alegria pura. Sempre, sempre que quiser.
Sim, tem piada só de pensar. Dá-me uma imensa vontade de rir. E isso não é bom? Não é um feito considerável? Correr atrás dele feito o maior dos palermas. Decidido. E segui-lo, para aqui e para ali, país fora. Aos gritos pela estrada, como aquelas meninocas das novelas. Cidades, vilas, aldeias. Quero lá saber. Digo quantas asneiras forem preciso. Isso faz bem. Ajuda. Faço trinta por uma linha, mas eu vou, de dentes cerrados, e amo o azul, o púrpura e o amarelo que moldam toda essa vida. Estou lá! Pouco me interessa, como já me disseram tantas vezes, que me achem, sem sombra de dúvida, bastante ridículo. A verdade é tão simples.
Fico quietinho, num lugar qualquer nas três filas da frente, e sinto. Fecho os olhos. Deliro um pouco. E é uma certa maneira de sofrer. Hmmmmm. Os arrepios de novo. Alguém consegue perceber isto? Saio fora de mim, mas ao mesmo tempo entro, por que aquilo, foi o que me contaram quando era criança, é que é o Paraíso. E eu acredito nisso. Não é uma questão religiosa. Eu sou completamente incrédulo perante essas coisas que fazem as guerras no mundo. Não ligo nem um segundo a essas histórias. E no entanto... sigo-o. Mas ele, posso dizer, é uma pessoa de carne e osso. Não é nenhuma relíquia do passado. Nenhum fantasma. Não lhe inventaram uma cruz nem uns parafusos. Ou um Black & Decker.
E agora estou aqui em cima desta árvore, no meio dos pássaros, a olhar para o palácio, que nem um burro, à espera que ele saia. Formidável. Estão cá mais. Mais mulheres do que homens, como sempre. Mas não importa. Por meu desejo basta que ele se vislumbre. Chega vê-lo de raspão. Eu que não o consigo encarar de frente. Para mim, se alguém quiser saber, esta coisa, é um amor que eu não sei explicar. Facilmente o coração me salta para as mãos, assim, alvoraçado, e fica aqui entrelaçado no colo. Não está escuro, está um sol imenso. Céu azul e tudo, gaivotas pelo ar. Muitas. Vieram também com certeza. Que figura a minha, a minha família diz o mesmo. Tão bom! Não conheço mais nada assim. Acreditem, eu nem gostava disto. Facilmente solto as lágrimas que me apetecer. E isso não é saudade, é saúde. Muita. Choro, sem ninguém dar por isso, assim que ele abre os lábios. E solta do nó da garganta a guitarra toda dobrada dentro da voz. Mas é uma coisa muito íntima, muito minha e dele. Só nossa. Só eu é que noto.
Mas é em absoluto a vida toda a voltar atrás e sou eu a voltar a vivê-la. E para isso, o fim, escreve-se com qualquer letra. O que importa, no final de tudo, são apenas os ecos da memória. Este precipício, que aqui fica.
[As Marquesas • PUBLICADO SEMANALMENTE NO HOJE MACAU E AQUI AOS DOMINGOS • #1 DE 11 ABR 2008]
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Space fuels the Earth-bound imagination with wonder and hope. Today, most of what scientist know about the universe is learned from deep-space images. Cosmos brings together more than 250 of the most important of these in a picture compendium of elegant design, dramatic scale and accessible text. From close-ups of the surface of Mars and Titan to far-flung galaxies and nebulas, the book is both visually stunning and an excellent reference resource.
Discover the beauty of the universe with this collection of more than 180 extraordinary photographs that will take your breath away, that include full scientific commentary.
Cosmos combines some of the most remarkable photographs ever taken of our universe with clear, simple text which will appeal to everyone. The book is organized thematically so that the reader can navigate easily among the stunning images of different phenomena, which are grouped into nebulas, stars, the sun, the planets, satellites, galaxies, and the origins of the universe. Each entry is given a double-page spread or more for maximum visibility and understanding. Significant facts, including the name of the space probe or telescope that captured each image and the distance of the space phenomenon from Earth, are provided in data boxes. In addition, a section at the back of the book is devoted to the spacecraft the pictures were taken by – their purpose, who built them, where they have travelled and what they have discovered.

Cosmos - Images from Here to the Edge of the Universe,
by Mary K. Baumann, Will Hopkins, Michael Soluri and Loralee Noletti
DUNCAN BAIRD PUBLISHERS • NATURE • PAPERBACK • 320 PAGES
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Do que o leitor português ainda hoje não tem uma clara consciência é de que Ballester, muito antes de ser um romancista reconhecido, já o era como crítico e ensaísta literário, com uma extensa obra publicada de cujo mérito não restam hoje dúvidas, embora no seu tempo tenha gerado muitos detractores e lhe tenha acarretado graves prejuízos pessoais, relegando para o quase anonimato a sua simultânea obra de ficção.
Exerceu a crítica dramática na rádio e nos jornais (peças que, por sinal, ainda não foram reunidas em livro), tendo-se convertido num ponto de referência incontornável no seu tempo. Paralelamente, publicou estudos e ensaios sobre literatura; e um manual (acompanhado de antologia dos autores estudados), abrangendo a literatura espanhola de fim de século (realismo, naturalismo) até aos anos 50, que é uma obra a todos os títulos indispensável e não superada.
A necessidade de ganhar a vida e o gosto que cultivara pelo jornalismo literário nos muitos anos de crítica teatral, deixaram-no sempre ligado aos periódicos como tribuna ideal para difundir as suas ideias estéticas e a sua actividade pedagógica, a que nunca renunciou e de cuja utilidadesocial nunca duvidou.
Nos tempos da maturidade intelectual, quando em paralelo com a sua profissão docente, abandonada já a crítica teatral, ia crescendo a obra de ficcionista, desenvolveu esta espantosa actividade de «colunista», de cujo acervo este livro constitui uma amostra específica. Entre 1964 e 1986 estão vinte e dois anos de colaborações semanais em três épocas distintas, cada uma delas separadas entre si por alguns anos, levada a cabo em três jornais diários espanhóis, um regional, e dois nacionais, que recolheram as crónicas de Ballester, e que completam a sua imagem de intelectual livre e lúcido, de criador comprometido com a sua arte.
Começou no Faro de Vigo (1964-67), matutino de âmbito distrital; continuou no lnformaciones (1973-79), um vespertino de Madrid; e terminou no suplemento cultural do ABC (1981-86), também de Madrid.
Os textos que aqui se apresentam resumem-se aos dois últimos, pois nas colaborações do Faro de Vigo não existem textos da índole dos aqui reunidos, à excepção de dois pequenos fragmentos.
SOBRE O AUTOR
Gonzalo Torrente Ballester nasceu em 1910, na localidade de Ferrol, na Galiza. Licenciou-se em Ciências Históricas na Universidade de Santiago de Compostela, de cuja Faculdade de Letras foi professor até 1940, altura em que integrou o quadro oficial dos liceus como professor efectivo. Leccionou em várias cidades até 1947, ano em que se instalou em Madrid.
Entre 1957 e 1962 publicou a sua famosa trilogia romanesca Os Prazeres e as Sombras, distinguida com o Prémio da Fundação March, também já editada pela DIFEL.
Em 1966 partiu para os Estados Unidos, onde ensinou Literatura Espanhola durante sete anos. Em 1975 fixou definitivamente residência em Salamanca e foi eleito para a Real Academia Espanhola das Letras.
Entre os muitos prémios com que foi distinguido, contam-se o Príncipe das Astúrias das Letras (1982) e o Cervantes (1985), os galardões máximos da literatura em língua castelhana.
O autor morreu em Salamanca, em 1999. Doménica, a sua última obra foi publicada já depois da sua morte.
Sobre a Literatura e a Arte do Romance, de Gonzalo Torrente Ballester
Tradução, Notas e Bibliografia: António Gonçalves
DIFEL • Colecção: Documento e Ensaio • 436 Páginas • 240 MOP$
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Não perca amanhã aqui o regresso de Ring Joid às páginas dos jornais, reposto na web. Todos os domingos, "dia de descanso", para quem não chega à edição em papel, pode encontrar neste espaço a recapitulação de todos os seus passos.
[IMAGEM DO HM LIGEIRAMENTE EDITADA PELO PRÓPRIO]
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Well, is about time to put some sound here. We have the pleasure to announce the opening of BLOOM RADIO today. Supported by Last•FM, the social music revolution, we bring you two channels that you can choose from, play, stop, change, fast-forward, and sing and dance. Look at the right side here at our home. Currently we are playing, on CHANNEL #1, songs from Jacques Brel and related artists and, on CHANNEL #2, Nick Cave as his deadly friends. This will change with time. We're open for requests. Take your peek now and enjoy! We don't need to say more. It's all for you.
[REMINDER]
• BLOOM RADIO #1: Jacques Brel's Similar Artists
• BLOOM RADIO #2: Nick Cave's Similar Artists
[CLICK TO OPEN IN A SMALL POP-UP WINDOW]
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Ils parlent de la mort comme tu parles d'un fruit
Ils regardent la mer comme tu regardes un puits
Les femmes sont lascives au soleil redouté
Et s'il n'y a pas d'hiver cela n'est pas l'été
La pluie est traversière elle bat de grain en grain
Quelques vieux chevaux blancs qui fredonnent Gauguin
Et par manque de brise le temps s'immobilise
Aux Marquises
Du soir montent des feux et des points de silence
Qui vont s'élargissant et la lune s'avance
Et la mer se déchire infiniment brisée
Par des rochers qui prirent des prénoms affolés
Et puis plus loin des chiens des chants de repentance
Et quelques pas de deux et quelques pas de danse
Et la nuit est soumise et l'alizé se brise
Aux Marquises
Le rire est dans le coeur le mot dans le regard
Le coeur est voyageur l'avenir est au hasard
Et passent des cocotiers qui écrivent des chants d'amour
Que les soeurs d'alentour ignorent d'ignorer
Les pirogues s'en vont les pirogues s'en viennent
Et mes souvenirs deviennent ce que les vieux en font
Veux-tu que je te dise gémir n'est pas de mise
Aux Marquises.
LES MARQUISES • JACQUES BREL • 1977
{click for song, film and english captions. And share our love with us.}
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A fighter against hypocrisy and proudly iconoclast, Belgian-born singer and songwriter Jacques Brel derided the flaws of society and left enduring masterpieces, such as 'Dans le Port d'Amterdam' (In the Port of Amsterdam), 'Le Plat Pays' (The Flat Country) and 'Les Bigotes' (The Bigots).
Wishing to escape media pressure, he set out to sail around the world on the Askoy, his private ketch, accompanied by his companion, Madly, from Guadeloupe. In November 1975 they arrived at Atuona at the Marquesas Islands and, seduced by its serenity, Brel never left. In 1976 he and Madly setup a small home on the hillside above the village. He equipped himself with Jojo, a Beechcraft airplane in which he travelled between the islands of the northern group and as far as Papeete.
Jacques Brel and Madly became involved in village life and were well-liked by the locals. From time to time the artist would perform medical evacuations to Papeete in his plane.
Jacques Brel died of cancer in October 1978 at the age of 48. His last song, 'Les Marquises' (The Marquesas), resounds as a vibrant homage to this generous place. At Calvaire Cemetery, where he rests near Paulo (as he called Gauguin), Brel's tomp is lovingly decorated with flowers.
[TAKEN FROM THE LONELY PLANET'S TRAVEL GUIDE 'TAHITI AND FRENCH POLYNESIA']
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Are you free this Saturday? If you haven't plan where to go with your friends yet, first you can go to the Underground One concert at the Inter-University Institute of Macau (IIUM) and
support Macau's original music.
The Underground Music Macau from the IIUM Centre of Arts, Technology and Education of is presenting Underground One, a music party featuring local musicians and their original music. Different bands are playing music ranging from hard rock to pop today, Saturday, from 19:00 to 23:00, aiming to create a memorable night of Macau's music. Inspired by the Underground in Hong Kong, a group promoting original music, Underground Music Macau's objective is to offer the opportunity for local musicians to perform original music and for music lovers to enjoy the talents of creative people in Macau.
Underground One is a private party, entrance is by ticket only. Tickets are available for sale at IIUM (Rua de Londres 16, Macau), and BookaChino at MOP$30 each.
Afterwards just on the next block you can go to Studio 17 and feel the beats with those special boys and girls for a biiiiiiiiiig splash and dash and get a short cut to Mars. It's Mousetrap 4. For those of you familiar with the address and ways to get inside the building after 12, "see you soon", says one of the organizers of the event. Those who don't, please call 66116664 for directions [check our map on the right side of this blog and look for The Studio]. It starts start at 11:00... and will go trough till... whenever you feel like and you have energy to stand it. It could take ages for you to go away from there. It's a mouse trap!
This is the night you can have today in Macau.
Since we opened our store we've been using an amazing application for our sales management. We started almost together as the software was very new at the time. It's called Checkout, a powerful and easy to use Point of Sale (POS) system for Mac. It's made by Sofa a design studio from the Netherlands, that builds up interfaces and user-friendly software who's giving rise to happy users. Sofa battles to delight people with beautiful and great interaction models and stunning interface design.
Now an update version 2.0 comes to light with a lot of new features. The new version introduces credit card processing, multi-user capability, and integration with popular accounting software and an even better designed platform with many more enhancements.
“Checkout 2.0 is a powerful Point of Sale system with tons of new customer-requested features, but what’s most gratifying is that we were able to improve ease-of-use even further,” says Dirk Stoop, Partner, Werck BV, a joint venture between Sofa and MYOB US famous for the award-winning small business accounting and management software. “It’s a more mature product, and we stand by our mantra that you can get a Mac, start a store, and be up and running in 15 minutes.”
Use Checkout to take orders, make sales, print invoices and accept payments. Checkout records all in-store transactions to generate a range of interactive reports. No matter what you sell, from denim to poetry, from bikes to cigars, this can make your life a little bit easier.
Don't forget to see the profiles page to read about how Checkout makes a difference for a variety of retailers all over the world. You'll get a surprise! ;-)
Checkout 2.0 is priced at 399 US$ and you if you like you can join us and test drive it at Bloom. We'll show you everything.
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Bookmarkers: English, Environment, In Bloom, Mundo / World, The Greatest
Consideram os signatários do Acordo Ortográfico aprovado em Lisboa em 1990, que tal constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestígio internacional. Parece-me que unidade essencial já existe há muito tempo. Falamos todos português e entendemo-nos. É desnecessário um acordo internacional para um corpo do português essencial. Não consta que ingleses e espanhóis tenham promovido acordos para o mesmo. Nas bases do acordo (são vinte e uma), logo na primeira em vez de se fixar o nome das letras (Base I, n§ 2), vem estipulado que “os nomes das letras acima sugeridos (do alfabeto) não excluem outros formas de as designar. Depois, fala-se do critério etimológico para manter o “h” inicial quando este não se pronuncia (homem, humor), mas o mesmo critério é utilizado para eliminar o “c” e o “p” quando este é mudo, esquecendo-se que em Portugal e nos PALOP, essas consoantes são essenciais para se assegurar uma pronúncia correcta pois abre a vogal que a antecede (Baptista/Batista, Neptuno/Netuno, adopção/adoção, etc). Na Base IV (sequências consonânticas), conservam-se ou eliminam-se facultativamente o “c” e o “b”, quando a pronúncia oscila entre a prolação e o emudecimento : aspecto/aspeto, cacto/cato, dicção/dição, caracteres/carateres, facto/fato; subtil/sutil, subdito/sudito, ou também o “g” e o “m” (da sequência mn), amígdala/amídala, amnistia/anistia, indemnizar/indenizar, o que leva a que a maneira de pronunciar de cada um é que determina a grafia, além de outras facultatividades como por exemplo, a escolha na aplicação do acento agudo em determinadas formas verbais (Base IX), e assim não se alcance unidade nenhuma.
Mas há outras coisas incompreensíveis como por exemplo na Base X, quando se diz que as palavras bainha, moinho ou rainha, não levam acento agudo e a vogal “i” forma sílaba com a consoante seguinte (in). Quanto ao prestígio internacional da língua, não é um acordo ortográfico que lhe confere prestígio internacional, mas sim a exigência do seu ensino com base nos grandes autores de língua portuguesa e nos clássicos, da excelência dos seus programas de licenciatura, mestrado e doutoramento, e na criação de condições para o aparecimento de trabalhos de tradução para as principais línguas internacionais dos autores clássicos e contemporâneos de língua portuguesa.
Mas os que estão contra este acordo ortográfico referem outras preocupações, de entre elas as de razões geoestratégicas, uma vez que os PALOP seguem a grafia portuguesa no que resulta na criação de laços estreitos a nível politico, educacional, linguístico, cultural, científico e académico; comerciais, pela perda de um grande número de exportações através da Porto e da Texto Editora, editoras responsáveis pela produção dos manuais e livros para o ensino básico e secundário desses países, as quais serão confrontadas a breve prazo com os grandes grupos editoriais brasileiros que nada têm a alterar na grafia dos seus livros, para não falar na desvantagem que agora seria de mudar programas de ensino em países que por razões políticas só recentemente começaram a ter alguma estabilidade social e daí alguma sustentabilidade na prossecução de interesses primários e secundários na educação e no ensino das populações, mas que economicamente não conseguiriam suportar prejuízos a este nível. Por outro lado, a unidade e diversidade da língua não passa pela questão ortográfica, nem a fonética diferente da grafia é razão de dificuldade de ensino da língua. O que está em causa são as relações da grafia com a etimologia e com a pronúncia. A nível nacional isso teria reflexos psicológicos e sociais, com um país a ter de aprender a escrever de novo; Na inutilização de livros e manuais escolares, legislação, papel timbrado oficial, letreiros, etc. Não vejo onde interpretar-se disto coisas como “enraizado sentimento imperial”, Estado Novo”, nacionalismos, e coisas no género. Como advoga Graça Moura, com quem estou de acordo nestas posições contra o Acordo Ortográfico, face ao presente estado de coisas, uma solução razoável seria corrigir as deficiências do texto e admitir como igualmente legítimas as grafias divergentes em todos os espaços do português falado, que passariam a figurar nos dicionários e vocabulários.
[PUBLICADO NO JTM • 8 ABR 2008]
Bookmarkers: Mundo / World, Português
Será que hoje ainda vou conseguir comprar um exemplar do Hoje Macau, que traz o regresso do Ring Joid às páginas dos jornais?
Bookmarkers: Buenos Aires, In Bloom, Jornais / Newspapers, Macau, Ring Joid
Hemingway
she said it was in Havanna in 1953
and she was visiting him
and one day she saw him
and it was in the afternoon
and he was drunk
he was stretched out on these
pillows
drunk
and she took a photo of him
and he looked up
and said, "don't you dare give
that photo to anybody."
when she came from Italy this summer
to visit me
she told me about it
and I said, "that must be some
photo."
she told me that my house was
very much like his house.
we drank, had dinner somewhere,
then she had to take a plane
out.
the photo is framed at the bottom
of my stairway now
looking north.
he was fat and he was drunk
and he's in the right
place.
CHARLES BUKOWSKI • 28 JUN 79
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Kingfish with oranges, cloves and ginger
Nothing says Zanzibar like cloves! Since the introduction of the clove tree there in the eighteenth century, the production of cloves has been one of the island's most important sources of income, and since the end of the slave trade in the mid-nineteenth century, in fact, it has been the single most important industry. For a while, at the end of the 1880s, cloves made Zanzibar one of the wealthiest countries in the region, and Stone Town was the first city in Africa to be fully electrified.
This is one of my favorite modern Zanzibari dishes, inspired by one served by Masoud Salim and Judi Palmer at Archipelago restaurant in Stone Town. Judi is from that vast continent on the other side of the Indian Ocean, Australia, and the food at Archipelago manages to combine the contemporary influences of Australian cooking with the flavors of traditional Zanzibari cooking.
It's best to use a white game fish of some kind, such as kingfish, marlin, yellowtail, or swordfish, but you can use the fillets of any white firm-fleshed fish, such as halibut. If you want the sauce to be somewhat thicker in consistency, you can add a small pinch of cornstarch at the last minute and boil just until the sauce thickens. If you would like it richer, you can whisk in a small amount of butter just before serving. I like the clear flavors of the fish, orange, and spices and leave it as it is; although the sauce then looks short of perfect, the flavor is, in my opinion, best.
Serve with a simple salad and rice.
8-ounce white-fleshed fish fillets, such as kingfish
1 teaspoon ground ginger
1/4 teaspoon freshly ground cloves, plus 2 to 3 whole cloves
1 tablespoon finely grated orange zest, or more to taste
2 to 3 tablespoons oil, such as canola, plus more for panfrying
1 small onion, finely chopped
1 cup fresh orange juice
2 teaspoons finely chopped fresh ginger, or more to taste
2 to 3 tablespoons brown sugar
Salt and freshly ground black pepper
1 teaspoon cornstarch (optional)
1 tablespoon butter (optional)
1. Wash the fillets and pat dry with a paper towel. Season with the ground ginger, ground cloves, and half the orange zest.
2. In a small pot, heat a small amount of oil and sauté the onion for 2 to 3 minutes, until soft. Add the orange juice, fresh ginger, whole cloves, 1 to 2 tablespoons sugar, and the rest of the orange zest and bring to a boil. Boil until reduced to about 1/4 cup, then reduce the heat and let simmer gently, uncovered, while you cook the fish. Taste the sauce every now and then, and remove the cloves if you feel that the clove flavor is getting too penetrating.
3. Season the fish fillets with salt and pepper and sprinkle with the remaining 1 tablespoon sugar. Heat 2 to 3 tablespoons oil in a large nonstick skillet over medium-high heat. Sauté the fish for 3 to 5 minutes until golden brown, then turn and continue cooking for 3 to 5 minutes, depending on the thickness of the fillet. To test for doneness without ruining the appearance of the fillets, stick a fork into the thickest part of one fillet and hold it there for 10 seconds: the fork should come out warm. Or, if using an instant-read thermometer, the interior temperature should be about 160 degrees F.
4. Just before serving, bring the sauce to a boil. Season with salt and pepper. If you want the sauce to be somewhat thicker, whisk in the cornstarch, return to a boil, and boil for 1 minute. If you want the sauce to be richer, whisk in the butter and remove from the heat.
5. Arrange the fillets on plates, pour the sauce over them, and serve.
SERVES 4 AS A MAIN COURSE
TAKEN FROM
Where Flavor Was Born
Recipes and Culinary Travels Along the Indian Ocean Spice Route, by Andreas Viestad
Photographs by Mette Randem
CHRONICLE BOOKS • HARDCOVER • 288 PAGES • PUBLISHED AUG 2007
Bookmarkers: English, Food, Livros / Books, Mundo / World, Taste it
HABA is focused on children.
Games, Toys, Educational Games, Furniture for Home, Furniture for Schools.
The new 2008 catalogue has just arrived and is here at Bloom. Everybody is welcome to take a peek, choose, play and enjoy! We can get it all.
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Inventors for Children.
We are a wood manufacturing company known for our high-quality baby and children's toys, as well as our children's games and furniture. We view ourselves as a "single source supplier" for children. We are expanding our product portfolio beyond wood products using the same high quality standards for which we are known. Thus, HABA also offers jewelry, porcelain dishes and textiles, for example. HABA products may be found in well-stocked toy stores around the globe.
Bookmarkers: Crianças / Children, HABA, In Bloom, Mundo / World
Um dos grandes acontecimentos desta semana, há muito esperado pela legião de fanáticos que anda por aí, é o regresso de Ring Joid às páginas dos jornais. É verdade. Vai acontecer todas as sextas-feiras, mais uma vez no jornal Hoje Macau, agora sob a renovada direcção de Carlos Morais José. E esperem de qualquer coisa, porque não vai ser simples de se fazer. Mas pelo que sabemos vai haver mesmo de tudo. Sem medo. É já daqui a dois dias. Stay tuned!
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A biografia que Maria Antónia Oliveira dedicou a Alexandre O’Neill (1924 – 1986), lê-se de um fôlego. O mérito é tanto da biógrafa como do biografado, cuja vida foi toda ela uma cinemateca de extensíssimos corredores e arquivos sem fim. O que não existiu de todo nesta leitura foram o enfado e a decepção. O’Neill não o permite, mesmo quando, vindo à superfície o seu «carácter inconstante e cruel», foi homem de fragilidades morais várias. Talvez por isso mesmo encontremos nas cartas entre Jorge de Sena e Sophia uma referência ao poeta como sendo «um homem fraco». Quando o tema é política, fracos são os espíritos independentes e críticos, os irreverentes e indisciplinados, os individualistas, como Alexandre O’Neill o era, declarada e religiosamente.
De ascendência aristocrática, Alexandre Manuel Vahia de Castro O’Neill de Bulhões, era filho de mãe católica e de pai colérico, ambos bem relacionados com o regime. Cedo o poeta reage à assoberbada burguesia familiar, inclinando-se mais para o exemplo da excêntrica avó Maria O’Neill: escritora, «sufragista, feminista, vegetariana e espírita» (p. 29). Criado no seio de uma família com tradições bibliófilas, o interesse pelos livros surge naturalmente.
Alexandre O’Neill foi um aluno cábula, reprovando por diversas vezes e nunca chegando a concluir quaisquer estudos de monta. Características “físicas” mais marcantes: miopia e asmático. Começa aqui a ironia. Reparem bem: a nenhum outro poeta português se podem gabar tanta argúcia no olhar e respirabilidade nos versos. Nestes, foi um exímio praticante da ironia, «fascinado pela banalidade, pelo lugar-comum» (p. 20), cultor do prosaico e do concreto, dono de «uma poesia dos ridículos sociais» (p. 203), «incapaz de escrever textos grandes» (p. 241) e, pasme-se!, realista: «eu entendo que a minha poesia tem sobretudo uma tendência realista» (p. 297). Digo pasme-se, pois é da mais vulgar cultura geral ter sido O’Neill, com Cesariny, um dos fundadores do Grupo Surrealista de Lisboa, em 1947. Fica, deste tempo, um episódio que diz mais do homem-poeta do que, à partida, se possa imaginar. Refiro-me ao desconforto moral causado pelo facto de, necessitado de dinheiro, ter o homem “posto no prego” uma máquina fotográfica que António Pedro lhe emprestara. Cobardia moral? Definitivamente. O’Neill era um fraco, tanto quanto o são os que vivem na corda bamba, os que optam por entregar o destino das suas vidas nas suas próprias mãos, os incurvados, os rebeldes. É histórica a sua crónica falta de dinheiro, muito associada a uma vida de «cama, copos e conversa». Mas essas fraquezas não lhe impediram a consciência cívica. Terminada a aventura surrealista, volta-se para a militância política (MUD juvenil, Movimento Nacional Democrático), acabando preso, em 1953, durante vinte e um dias. Também os seus versos nunca deixaram de exprimir essa vontade de dizer, de apontar, de denunciar. Algum livro diz mais do Portugal de Salazar do que Feira Cabisbaixa? E que dizer das provocações constantes enquanto copy-writer, uma das muitas ocupações com a qual foi safando a desregra da vida? Lembremos algumas dessas provocações: «Bosch é Brom», «Com colchões Lusospuma você dá duas que parecem uma», «Vá de metro, Satanás!». Não são apenas anedotas e trocadilhos, são provocações, tiros de uma imaginação ao serviço da liberdade num tempo em que a liberdade estava impedida de servir a imaginação. Dizem que era ateu, que conciliava um lado truculento com um outro, mais caloroso, que deixava tudo para a última hora, que não tinha feitio para trabalhos fixos e horários, que era vaidoso e angustiado, tímido, que cultivava um certo sentimento de superioridade, formal e, ao mesmo tempo, sarcástico, dizem que «não estava no seu feitio levar-se a sério» (p. 25). Excepto com as mulheres, com quem foi sempre «leviano e inconstante» (p. 193), ciumento, «machista» (p. 133).
São preciosos os testemunhos de Noémia Delgado, primeira mulher, Pamela Ineichen e Laurinda Bom. Nota-se a ausência de Teresa Patrício Gouveia, com quem esteve casado entre 1971 e 1981. Excelente, o trabalho da biógrafa, sempre muito contida nas divagações ensaísticas, privilegiando os testemunhos orais que foi registando junto de pessoas que o conheceram. Óptima, a inclusão de alguns inéditos, as notas finais, a bibliografia, o índice onomástico. E o registo narrativo, «uma curiosa mistura de narrativa ficcional e de realidade» (p. 150), em permanente e informal diálogo com o leitor, com «o leitor mais jovem», com «leitor desapetrechado», com o leitor, mais especificamente, no feminino. Um trabalho a merecer o prémio de uma leitura atenta e da sentida satisfação proporcionada pela mesma.
[POR HENRIQUE FIALHO no INSÓNIA]
Veja aqui o destaque do Público sobre a obra do autor e em partcular sobre este livro.
* frase do título deste post da autoria de Alexandre O'Neill.
Alexandre O'Neill - Uma Biografia Literária, de Maria Antónia Oliveira
PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE • DISPONÍVEL NA BLOOM
Bookmarkers: BLOOM TV, Buenos Aires, Escritores / Writers, In Bloom, Poem, Português
These are some poetry books that Bloom is keeping its eyes on and that will be available at our shelfs very soon. We praise that you can make your suggestions. Books you like, things you'd like to see here, in from of your eyes. Throw us an email or leave your comments on this post. Thank you.
From the time his first futurist poems were published in 1912 until his suicide at the age of thirty-six, Vladimir Mayakovsky made theatrical appearances in his written work and perfected an iconoclastic voice James Schuyler called “the intimate yell.” As the poet laureate of the Russian Revolution, Mayakovsky led a generation that staked everything on the notion that an artist could fuse a public and a private self. But by the time of Stalin’s terror, the contradictions of the revolution caught up with him, and he ended in despair.
A major influence on American poets of the twentieth century, Mayakovsky’s work remains fascinating and urgent. Very few English translations have come close to capturing his lyric intensity, and a comprehensive volume of his writings has not been published in the past thirty years. In Night Wraps the Sky, the acclaimed filmmaker Michael Almereyda (Hamlet, William Eggleston in the Real World) presents Mayakovsky’s key poems—translated by a new generation of Russian-American poets—alongside memoirs, artistic appreciations, and eyewitness accounts, written and pictorial, to create a full-length portrait of the man and the mythic era he came to embody.
Allen Ginsberg admired the epic sweep and social ambition of Mayakovsky's poetry, while Frank O'Hara was fascinated by Mayakovsky's unabashed intimacy with the cosmos. The barbaric-bardic energy and influence of the Russian Futurist giant have been obscured for half a century, but Michael Almereyda has recovered a living, still-breathing figure of folk majesty, a poet-declaimer whose discoveries are far from spent.Night Wraps the Sky - Writings by and about Mayakovsky
Andrei Codrescu
The poet Mayakovsky may have been a genius, a hipster, a shill, and the first and only early-Soviet rap star. Night Wraps the Sky finally does justice to one of the most fascinating and controversial literary bad boys of the 20th Century.
Gary Shteyngart
Mayakovsky read like a sailor shouting through a megaphone to another ship in a heavy sea.
John Berger
Vladimir Mayakovsky • Edited by Michael Almereyda
Farrar, Straus and Giroux • Hardcover • Published: April 2008
Now substantially revised by Edward Snow, whom Denise Levertov once called "far and away Rilke's best translator," this bilingual edition ofThe Book of Images contains a number of the great poet's previously untranslated pieces. Also included are several of Rilke's best-loved lyrics, such as "Autumn," "Childhood," "Lament," "Evening," and "Entrance.""Snow, who so insightfully translated the two volumes of Rilke's New Poems, has now turned to The Book of Images, one of the poet's most startling and diverse masterworks. Snow has rendered with great skill and accuracy a work both familiar and unknown, more complicated and more immediate than many have suspected, at once grave, mysterious, and beautiful."
Edward Hirsch
"How much setting straight Snow's new translation of The Book of Images accomplishes! With these sorrowing and luminous poems to lead up to Snow's two volumes of the New Poems, it is possible to gain, for the first time in English, a consistent perspective of Rilke's difficult canon, here restored and disclosed to stunning effect."
Richard Howard
Edward Snow has received the Harold Morton Landon Translation Award and the PEN Award for Poetry in Translation for his many renderings of Rilke. The author of A Study of Vermeer and Inside Breughel, he teaches at Rice University.
The Book of Images, by Rainer Maria Rilke • Translated by Edward Snow
North Point Press • Revised Bilingual • Paperback
Few of the World readers seem to be aware that Hermann Hesse, author of the epic novels Steppenwolf and Siddhartha, among many others, also wrote poetry, the best of which the poet James Wright has translated and included in this book. This is a special volume—filled with short, direct poems about love, death, loneliness, the seasons—that is imbued with some of the imagery and feeling of Hesse’s novels but that has a clarity and resonance all its own, a sense of longing for love and for home that is both deceptively simple and deeply moving.“Rilke, T. S. Eliot, Gide, Thomas Mann rightly called Hesse a master… His fiction achieves the glorious anachronism of art: created in the past, it speaks to us in the present. It glorifies the strategies of attempting to become a full human being and it celebrates the nobility of failure.”
Webster Schott
Herman Hesse (1877-1962) was a German poet and novelist. He received the Nobel Prize in Literature in 1962.
Poems, by Hermann Hesse
Selected, translated, and with an introduction by James Wright
Farrar, Straus and Giroux • Hardcover • Published: March 2008
Bookmarkers: English, Poem, Revolución
O que a presença dessa mulher apaziguou em mim não foi a sede carnal de um viajante, foi a minha angústia original. Nasci estrangeiro, vivi estrangeiro e morrerei estrangeiro ainda. Sou demasiado orgulhoso para falar de hostilidade, de humilhações, de rancor, de sofrimentos, mas sei reconhecer os olhares e os gestos. Há braços de mulheres que são lugares de exílio, e outros que são a terra natal.
Tendo partido pelas estradas em 1665, o narrador desta história, Baldassare Embriaco, genovês do Oriente e negociante de curiosidades, anda em busca de um livro que se supõe trazer a Salvação a um mundo desamparado. Anda sem dúvida também à procura daquilo que ainda possa dar um sentido à sua própria existência.
No decurso do seu périplo, no Mediterrâneo e para além dele, Baldassare atravessa regiões de perdição, cidades em chamas, comunidades à espera. Encontra o medo, a falsidade e a desilusão; mas também o amor, no momento em que já não o esperava
A mola da narrativa de Maalouf é uma inquietação e uma vontade de partir constantes, somada a uma sede de conhecimento que, na época, alargava as fronteiras do espírito. Dos azares, desamores, nostalgias e golpes do destino vamos tendo conta, mas é nas páginas mais pessoais do diário que se estabelece a cumplicidade entre o herói e o leitor e se recupera alento para uma fantástica jornada sem fim. Maalouf tem um excepcional conhecimento da História e um talento natural para a narrativa de aventuras.
SOBRE O AUTOR
Nascido no Líbano em 1949, Amin Maalouf vive em Paris desde 1976.
Grande repórter durante 12 anos, realizou missões em mais de 60 países. Antigo chefe de redacção do Jeune Afrique, onde também foi editorialista, consagra hoje a maior parte do tempo à preparação dos seus livros.
É autor de várias obras, entre elas a premiada: As Cruzadas Vistas Pelos Árabes (Prix des Maisons de la Presse). Na Difel, para além desta obra, estão também publicadas Samarcanda, Os Jardins de Luz, O Século Primeiro Depois de Beatriz, Escalas do Levante, As Identidades Assassinas, O Périplo de Baldassare, O Amor de Longe, Origens, um fresco histórico sobre as suas próprias origens, e mais recentemente, Adriana Mater, um libreto de ópera.
Prémios
Prémio Goncourt 1993
Prix des Maisons de la Presse 1993
O Périplo de Baldassare, de Amin Maalouf
DIFEL - Colecção: Literatura Estrangeira - 2008
Bookmarkers: Escritores / Writers, Livros / Books, Português
We need to restart our system anew. And when we say "system" we say everything. From scratch!
[WE HAVE TO IMPROVE A LOT]
Bookmarkers: Aprender / Learning, English
The notion of me?
There's no notion of me
There's nothing
There's just bullshit
The words in vain
The mesmerizing sphere
Erasing everything around
Like an infection
Yes
A bug
Or a disease
In labour
Worming its orbit
The discipline
The fucking load
The commitment
Me?
It doesn't exist
Even less the notion of me.
[OU MUN • SOMEDAY OF THE WEEKEND]
Bookmarkers: Bloom Exclusives, English, Poem, Ring Joid, Tango
Tendo como pano de fundo a cidade de Paris no rescaldo da Revolução Francesa, "O Deus da Primavera" narra a história do pintor Théodore Géricault e da criação do quadro épico que se tornou um marco fundamental do movimento romântico em pintura e um marco político de consequências imprevisíveis para o seu autor: "A Jangada da Medusa", quadro que se encontra hoje exposto no Museu do Louvre em Paris.
Ao ganhar, com apenas vinte e um anos, o mais prestigiado prémio de pintura atribuído na época - a Medalha de Ouro do Salon -, Théodore Géricault (1791-1824) procura agora um tema para a sua próxima obra-prima. Mas nem mesmo um estágio em Roma com um dos maiores mestres europeus parece tê-lo inspirado: Théodore está desesperadamente apaixonado e só consegue pensar em retratos de Alexandrine, a jovem que casou com o seu tio e de quem se tornou recentemente amante.
Mas eis que, por mero acaso, descobre num jornal uma história do naufrágio da fragata Medusa - uma catástrofe que fascinou e horrorizou o público francês com os seus relatos de traição, loucura, assassínio e canabalismo - e da qual o pintor não tomou conhecimento por se encontrar em Itália. Então, tomado de uma verdadeira obsessão, Théodore consegue encontrar o rasto a dois dos sobreviventes da tragédia e descobre finalmente o tema que procurava. Mas será que, depois dos seus relatos, conseguirá manter a sua sanidade?
Baseado em factos verídicos, assim como factos da própria vida de Géricault, Arabella Edge constrói um trama que gira em volta do célebre e estranho naufrágio da fragata Medusa ocorrida ainda no rescaldo da Revolução francesa e que, na época, fascinou e horrorizou o público francês com os relatos dos sobreviventes sobre traição, canibalismo, assassínio e incompetência dos altos comandos com a complacência do próprio rei de França.
[PHOTO: REPRESENTAÇÃO MODERNA DO QUADRO DE GÉRICAULT]
SOBRE A AUTORA
Arabella Edge foi leitora de Literatura Inglesa na Universidade de Bristol e emigrou para a Austrália em 1992. Vive com o marido entre Sydney e Bicheno, na costaoeste da Tasmânia. O seu primeiro romance, The Company, foi galardoado com o prémio para o melhor primeiro romance da região do Sudoeste Asiático e Pacífico Sul do Commonwealth Writer¼s Prize de 2001 e foi finalista do Miles Franklin Award.
"O Deus da Primavera", de Arabella Edge • QUIDNOVI
[À VENDA NA BLOOM]
Bookmarkers: Art, In Bloom, Livros / Books, Português, Vida / Life
Entrevista com Peter Greenaway (I)
0 comments Semeado por / Sowed by: Bloom * Creative Network at 15:09Peter Greenaway, o mais importante realizador inglês da sua geração, não aceita a dependência que o cinema tem do texto.
“As pessoas são visualmente iletradas”
Uma vez afirmou que as origens do cinema estavam na pintura do Renascimento e do Barroco, em Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Velazquez... Porque razão pensa assim?
Penso que um historiador convencional do cinema diria que tudo começou com os irmãos Lumière, em 1895, em Paris. Aí teria acontecido a primeira manifestação da prática cinematográfica. Mas eu digo que o cinema tem a ver com a luz artificial e estes quatro pintores foram os primeiros a usar a luz artificial. Outros poderiam dizer que os antigos gregos ou mesmo os chineses, com o seu teatro de sombras, é que foram os primeiros, com a sua manipulação da luz. Eu passei muito tempo a olhar para Rembrandt, fizemos mesmo uma instalação junto da “Ronda Nocturna”, em Amsterdão, agora fiz um filme e escrevi uma peça sobre a obsessão de Rembrandt pelo auto-retrato, chamada “O Espelho de Rembrandt” e actualmente estou a realizar um documentário sobre ele. Para responder à sua pergunta, já que o meu principal interesse não é o cinema mas a pintura, tornou-se numa oportunidade ideal para discutir estes temas. É com um ligeiro sorriso que digo que estes pintores inventaram a linguagem cinematográfica 350 anos antes dos irmãos Lumière.
Mas isso é porque pensa que a narrativa não é o mais importante no cinema.
E não é. Se pedir às pessoas para me contarem a história do “Casablanca” ou do “Homem-Aranha”, não serão capazes de o fazer. Resumiriam em uma ou duas frases, mas não se lembrariam de tudo. As pessoas vão ao cinema por coisas diferentes: pelo ambiente, pela atmosfera, pela representação, enfim por uma experiência audiovisual que tem muito pouco a ver com a narrativa. E, no entanto, o cinema perde uma quantidade enorme de energia, de paciência e de dinheiro a construir narrativas e estas pertencem às livrarias. Temos um cinema baseado no texto e não na imagem. Se chegar ao pé de um produtor com três pinturas, duas litografias e um livro de histórias, nunca vai perceber o que quero dizer e fazer porque as pessoas são visualmente iletradas, estão presas à manifestação textual. Nos últimos dez anos aconteceram o “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”, que não são filmes, mas livros. Portanto, o cinema está baseado no texto, é também um fenómeno literário. A minha tentativa, uma vez que tenho treino como pintor, é reposicionar esta questão e, devido à revolução tecnológica, estamos num momento em que é possível fazer as imagens mais espantosas e manipulá-las de modo muito livre. Logo, o que preciso de fazer é desvalorizar a presença do texto, desvalorizar a evidência da livraria e tentar fazer um cinema verdadeiramente autónomo. André Bazin, em 1923, disse que o cinema é composto por teatro, literatura e pintura. Nós ignoramos a pintura e, cem anos depois, ainda está dependente da literatura e do teatro. Acho que podíamos ter algo de muito mais vibrante. Claro, agora é demasiado tarde: o cinema está morto.
Eu ia aí chegar (esta é uma das suas afirmações mais conhecidas e polémicas). Mas antes de mais: os seus filmes utilizam muito texto e mais: sinto que o texto e as suas capacidades literárias estão muito presentes nos seus filmes.
Bem... Não sei se viu este último.
Não. Aqui, a esse respeito, estamos numa espécie de fim do mundo. Raramente cá chega cinema europeu. Temos de esperar pelo DVD.
E se estivesse em Lisboa?
É diferente, temos outro tipo de acesso ao que vai acontecendo na Europa, em termos artísticos.
Quantas pessoas falam português em Macau?
Cerca de quinze mil.
Imensa gente fala português no mundo, sobretudo se considerarmos o Brasil. Estive lá agora a organizar uma exposição e para o ano volto para realizar “Pornography”.
O que quer dizer com isso de “Pornography”?
Preciso de fazer uma peça extrema de erotismo. O que vou fazer é pegar em seis histórias eróticas da Bíblia e dramatizá-las. Abre com a primeira queca (fuck) da história da humanidade, com o Diabo a ensinar Adão e Eva a fazerem amor (how to fuck); depois vem o incesto com Lot e as filhas; a terceira é a santificação do adultério, com David e Batseba; a quarta sobre a sedutora de José, portanto sobre a sedução dos inocentes; depois vem Sansão e Dalila, a história clássica sobre a perfídia das mulheres; e na última saltamos para o Novo Testamento, para a história de João Baptista e Salomé, que é na realidade sobre necrofilia. Na verdade, são seis histórias sobre políticas sexuais. O que me interessa é a relação entre a religião e a sexualidade. Todas as religiões têm grandes problemas com a sexualidade e isto é sobre como no Antigo Testamento os judeus lidaram com o assunto, bem como nos princípios da cristandade.
Porquê o Brasil?
Principalmente, porque nos ofereceram três estúdios. Talvez saiba que há um “boom” no cinema brasileiro e queremos capitalizar nisso. E, por outro lado, gosto de argumentar que o Brasil é um país católico romano, mas também o país do Carnaval, portanto talvez aí sinta uma experiência sexo-religiosa.
Quando diz que o cinema está morto, parece referir-se mais ao aspecto sociológico, menos ao lado criativo.
Também é um problema de criatividade. Todos sabemos que, em termos de hábitos sociais, há tantas coisas para fazer no mundo que o cinema — que era uma forma barata de entreter o proletariado, uma perspectiva que se finou —, está na acabado. Prevalece o filme de género, que basta ver cinco minutos para sabermos o que vai acontecer a seguir. Visto por dentro, julgo existirem quatro tiranias que destruíram o cinema: a tirania do texto; a tirania do enquadramento (frame), porque não existe uma moldura na Natureza, enquanto nós estamos totalmente sujeitos e cercados por elas – eis uma ali (aponta para uma televisão), temos de as partir e estão a ser partidas de uma série de maneiras; depois, a mais difícil, a tirania do actor, que são muito mal utilizados no cinema, que não é o recreio da Sharon Stone – a culpa não é dela mas do modo como usamos os actores; e a tirania pior de todas, a tirania da câmara, da qual temos de nos livrar.
Isso é muito estranho...
E até parece contraditório. Mas se pensarmos em Eisenstein, o maior cineasta de sempre, e em Picasso, o maior pintor do século XX, percebemos. Picasso disse: pinto o que penso, não o que vejo. Eisenstein, quando ia a caminho do México, parou na Califórnia e encontrou-se com Walt Disney. Ele dizia que Disney era o único verdadeiro cineasta. Não se estava a referir ao sentimentalismo ou ao seu anti-semitismo, mas porque ele representava a indústria de animação e esta começa por uma folha branca, não há câmara, há vazio, há criatividade desde o princípio. O que a câmara faz é reproduzir o que é posto à sua frente e isso para mim é imitação, é mimésis, não é criatividade. Com as novas tecnologias, parece existir outra vez o conceito de criar em vez de reproduzir, uma noção nova de cinema, que começa do fundo. Temos de encontrar um novo vocabulário. Todos os media precisam de ser sempre reinventados, senão ainda estaríamos sempre a ouvir Mozart e a admirar as pinturas das cavernas. Agora temos à nossa disposição ferramentas extraordinárias e os artistas devem sempre utilizar as ferramentas do seu tempo. É importante para mim, como fazedor de imagens de cinema, utilizar as ferramentas actuais e, sobretudo, a filosofia que as acompanha.
É para escapar a essas tiranias que invoca no seu trabalho disciplinas como a arquitectura, por exemplo?
Sim. Tentei desenvolver noções de obra de arte total. A ópera foi bem sucedida porque Wagner não nos estava a dizer a verdade: só queria que todas as artes apoiassem a ópera. À medida que as ferramentas se vão sofisticando, as capacidades para realizar uma obra de arte total vão sendo cada vez mais profundas, mas agora no século XXI temos de acrescentar a interactividade e os multimédia. O cinema não tem essa interactividade porque é um fenómeno de massas não pode ser democrático. Com tanta gente que o vê, não pode interagir com todos. As experiências que procuraram um cinema igualitário e interactivo não tiveram sucesso.
[POR CARLOS MORAIS JOSÉ • JORNAL HOJE MACAU • 4 ABR 2008][PHOTO © BLOOMLAND.CN]
Peter Greenaway was born in Newport, Monmouthshire, Wales, and grew up in Essex, England. His family left South Wales when he was three years old. At an early age Greenaway decided on becoming a painter. He became interested in European cinema, focusing first on that of Bergman, and then on French Nouvelle Vague film-makers such as Godard, and most especially Resnais.
In 1962 he began studies at Walthamstow College of Art, where a fellow student was musician Ian Dury (later cast in The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover). Greenaway trained as a muralist for three years; he made his first film, Death of Sentiment, a churchyard furniture essay filmed in four large London cemeteries. In 1965, he joined the Central Office of Information (COI), working there fifteen years as a film editor and director. In that time he created a filmography of experimental films, starting with Train (1966), footage of the last steam trains at Waterloo station, (situated behind the COI), edited to a musique concrete track. Tree (1966), is an homage to the embattled tree growing in concrete outside the Royal Festival Hall on the South Bank in London. By the 1970s he was confident and ambitious and made Vertical Features Remake and A Walk Through H. The former is an examination of variations of arithmetical editing structure, and the latter is a journey through the maps of a fictitious country.
The visual hallmark of Greenaway's cinema is the heavy influence of Renaissance painting, and Flemish painting in particular, notably in scenic composition and illumination and the concomitant contrasts of costume and nudity, nature and architecture, furniture and people, sexual pleasure and painful death. Greenaway's frequent musical collaborator composer is Michael Nyman, who has scored several of his films.
In 1980, Greenaway delivered The Falls (his first feature-length film) – a mammoth, fantastical, absurdist encyclopedia of flight-associated material all relating to ninety-two victims of what is referred to as the Violent Unknown Event (VUE). In the 1980s, Greenaway's cinema flowered in his best-known films, The Draughtsman's Contract (1982), A Zed & Two Noughts (1985), The Belly of an Architect (1987), Drowning by Numbers (1988), and his most successful (and controversial) film, The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover (1989).
In 1989, he collaborated with artist Tom Phillips on a television mini-series titled A TV Dante, dramatising the first few cantos of Dante's Inferno. In the 1990s, he presented the visually spectacular Prospero's Books (1991), the controversial The Baby of Mâcon (1993), The Pillow Book (1996), and 8½ Women (1999).
In the early 1990s, Greenaway wrote ten opera libretti known as the Death of a Composer series, dealing with the commonalities of the deaths of ten composers from Anton Webern to John Lennon, however, the other composers are fictitious, and one is a character from The Falls. In 1995, Louis Andriessen completed the sixth libretto, Rosa - A Horse Drama.
Greenaway has completed the artistically ambitious, The Tulse Luper Suitcases, a multimedia project with innovative film techniques that resulted in five films. He also contributed to Visions of Europe, a short film collection by different European Union directors; his British entry, is The European Showerbath. In early 2005, he announced Nightwatching, a film about the Dutch painter Rembrandt van Rijn, slated for release in 2007.
On 17 June 2005, Peter Greenaway effected his first VJ performance during an art club evening in Amsterdam, the Netherlands, with music by DJ Serge Dodwell (aka Radar), as a backdrop, ‘VJ’ Greenaway used for his set a special system consisting of a large plasma screen with laser controlled touchscreen to project the ninety-two Tulse Luper stories on the twelve screens of "Club 11", mixing the images live.
[SOURCE WIKIPEDIA]
Romance famoso, «Pequeno Grande Homem» narra a lendária história de vida de Jack Crabb. Chegado à provecta idade de 111 anos, este conta ao leitor a sua infância passada entre os índios Cheyenne, até à altura em que assiste impotente ao massacre da sua tribo pelo exército americano. Esse episódio marcará o seu reencontro com o mundo dos brancos e o sucessivo alternar entre estas duas civilizações. Jack tem uma vida plena de aventuras: trava conhecimento com pistoleiros famosos como Wild Bill Hickok e Calamity Jane, assiste ao duelo do O. K. Curral que opõe Wyatt Earp e Doc Holliday aos Clanton, participa na caçada ao búfalo nas grandes pradarias e é o único sobrevivente branco do desastre militar de Little Big Horn onde o orgulhoso exército de Custer é massacrado pelos índios. Acontecimentos que marcaram a conquista do Oeste e a fundação da nação americana, que nos são narrados na primeira pessoa num dos épicos mais emocionantes da literatura americana.
SOBRE O AUTOR
Thomas Berger nasceu em 1924, em Cincinnati, Ohio. É um dos autores mais consagrados da literatura americana e mundial. Da sua extensa obra destacam-se, para além deste «Pequeno Grande Homem», "Meeting Evil", "Adventures of the artificial woman", entre outros.
Numa eleição feita pelos críticos do Times Literary Supplement, Thomas Berger foi considerado um dos mais importantes escritores de língua inglesa do Século XX.
Pequeno Grande Homem, de Thomas Berger
CAVALO DE FERRO • EDIÇÃO ILUSTRADA • 2008
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Jamais uma noite me pareceu tão real, tão elementar [...]. Quando vi La Notte, tive pela primeira vez uma espécie de sentimento do mundo, para lá de todos os sentimentos individuais. [...] É como se, como mero espectador, eu tivesse merecido o mundo (algo que eu só tinha conseguido sentir até então com um certo trabalho). E o mundo, sem qualquer imprevisto nocturno, estava lá, como um evento [...]
Assim descreve Peter Handke a primeira vez em que assistiu – em 1962 – ao filme "A Noite", de Antonioni, filme protagonizado por Jeanne Moreau, com quem o jovem escritor austríaco recém-estabelecido em Paris viria a ter um caso, na década de 70.É por entre a noite que se desenrola o romance de Handke, que aqui destacamos, do autor em língua alemã com uma vasta obra literária, que se desdobra na ficção, no ensaio, na poesia, no cinema, de entre os quais como argumentista do filme "Asas do Desejo" de Wim Wenders.
Ficou também marcado no seu reportório biográfico a ido ao funeral de Slobodan Milosevic, antigo prsidente Sérvio, numa atitude de protesto contra a enorme manipulação que o mundo ocidental construiu contra a Jugoslávia, da Bósnia ao Kosovo. Feito que o trouxe para os escaparates dos jornais com uma controvérsia neo-fascista mas que apenas pretendeu mostrar a quem esteja distraído que o "Império" está pronto a castigar os seus dissidentes e críticos onde quer que eles se encontrem e qualquer que seja o seu estatuto. Como exemplar é a subserviência e a cobardia de muitos intelectuais aos ditames do "Império", mesmo quando parecem saltar fora dos seus carris.
'Numa Noite Escura Saí da Minha Casa Silenciosa' é uma história misteriosa, onde o real e o imaginário se cruzam. Num dia de chuva e sem motivo aparente, o farmacêutico de Taxham, nos arredores de Salzburgo, empreende uma longa viagem em direcção ao imprevisto e à aventura, desde a Áustria até à Andaluzia. Parte com dois companheiros ocasionais, mas regressa sozinho e sereno, depois de um percurso aparentemente arbitrário.
Peter Handke aproveita os versos do poeta espanhol San Juan de la Cruz, que dão origem ao título deste romance, para nos levar numa viagem ao desconhecido. Um périplo aos medos, fantasmas e solidões que assombram os homens, numa narrativa entre o mágico e o real.
Uma viagem, afinal, ao interior de nós próprios, característica da obra de Peter Handke, um dos mais perspicazes e provocadores escritores contemporâneos.
Um romance que perturba. Porque associa realismo e onirismo até à vertigem, como um filme de Buñuel revisitado por Wim Wenders. Porque não pára de baralhar as pistas, na linha de uma demanda iniciática, no fim da qual não cintila nenhuma grande descoberta.. Perturbador porque, face a esta história sonâmbula, se confessa um herói sem nome.Um aspecto interessante na carreira de Handke enquanto narrador é que não se repete. Os seus escritos parecem avançar em direcção a um lugar oculto, talvez inexistente, o terreno pantanoso do inefável.
E como no filme de Antonioni o sentimento do mundo perde-se no limiar da noite, para lá da luz, para lá dos outros, apenas como o seu imprevisto recriando-se como um evento dramático e silencioso. Um livro a não perder, disponível na Bloom.
Numa Noite Escura Saí da Minha Casa Silenciosa, de Peter Handke • CASA DAS LETRAS
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