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Ainda com o fundo da deslocação de Dalai-Lama a Portugal vem o enunciar da sua obra "O Universo num Átomo", onde que são desarmados alguns dos pontos controversos e no entanto convergentes que se formam no debate entre a ciência e a espiritualidade. Temas como a origem do universo, a natureza da consciência humana, a evolução da espécie e a engenharia genética percorrem as páginas deste livro que surpreendem tanto pelo rigor científico na busca de uma resposta às dúvidas, e aos complementos, da espiritualidade, quer como a lucidez na discussão dos mesmos, tentando modelar na mesma peça os ensinamentos budistas tradicionais com a biologia e a física modernas.
Galileu, Copérnico, Newton, Einstein, Bohr. As suas descobertas abalaram a nossa consciência de quem somos e do lugar que ocupamos no universo e deixaram, na sua senda, uma coexistência incómoda: a ciência contraposta à religião e a fé à investigação empírica. Qual delas é a detentora da verdade? Qual constitui o verdadeiro caminho para compreender a realidade?
Ao fim de quarenta anos de aprendizagem com alguns dos maiores cérebros científicos - e de uma vida de estudo meditativo, espiritual e filosófico -, o Dalai-Lama apresenta uma análise brilhante do motivo pelo qual é necessário seguir todas as vias de investigação - tanto científicas como espirituais - para chegar mais perto da imagem completa da verdade.
Um dos treinos mais básicos é o cultivo da atenção plena, em especial realizado a partir da observação da respiração. A atenção plena é essencial se nos quisermos aperceber conscientemente de uma forma disciplinada de todos os fenómenos que podem ocorrer dentro da nossa mente ou no meio imediatamente circundante. No nosso estado normal a mente permanece dispersa a maior parte do tempo e os nossos pensamentos deslocam-se de um objecto para outro de uma forma aleatória e vaga. [...]O legado desta obra é uma visão do mundo na qual as nossas diferentes abordagens do conhecimento de nós mesmos, do universo e uns dos outros podem ser postas ao serviço da humanidade.
O treino da atenção está estreitamente ligado à aprendizagem de como controlar os nossos processos mentais. [...] Quanto menos conhecermos as coisas, maior será a necessidade de esforço e de aplicação deliberada para dirigirmos a nossa atenção intencionalemnte [quando há mais do que uma coisa a acontecer] para um objecto ou tarefa escolhidos e para a mantermos. Porém, através da habituação adiquirida no treino, tornamo-nos menos dependentes desse esforço deliberado. [...]
Para mim, um dos efeitos mais notáveis e mais encorajadores do nosso conhecimento do genoma [humano] é a espantosa verdade de que as diferenças nos genomas dos diversos grupos étnicos de todo o mundo são tão pequenas que se tornam insignificantes. Sempre afirmei que as diferenças de cor, língua, religião, etnicidade, etc., entre os seres humanos, não têm substância perante a nossa igualdade básica.
Ao não receberem o Dalai-Lama, as figuras no topo do governo português, perderam uma rara oportunidade de se cultivarem e poderem usufruir de uns momentos de partilha de ideias e de aprendizagem com um dos homens mais extraordinários deste átomo azul onde todos vivemos. Só isso justificaria qualquer choque diplomático.
TENZIN GYATSO, Sua Santidade o Décimo Quarto Dalai-Lama, foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz e é o líder espiritual e temporal do povo tibetano. O Dalai-Lama percorre o mundo a falar de paz e de compreensão inter-religiosa, a ministrar ensinamentos budistas e a reunir-se com líderes políticos, num trabalho incansável em defesa do povo tibetano.
Reside em Dharamsala, na Índia, e é o chefe do governo tibetano no exílio.
O Universo num Átomo, de Sua Santidade o Dalai-Lama
QUIDNOVI • ISBN: 9789728998325 • 2006
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Afrontar os chineses é pois muito difícil, se estivermos a falar do governo da República Popular da China. Mas se os chineses em causa forem imigrantes lutando pela vida em Portugal já qualquer político de segunda categoria serve.A propósito da visita do Dalai Lama a Portugal, Rui Tavares escreve sobre o Tibete e as relações diplomáticas com as várias perspectivas que se vestem à China. Saiu no Público e pode ler-se aqui, no seu Blog pessoal.
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All over the World, kids are losing their teeth. And who is there to gather them up, leaving coins in their places? The Tooth Fairy, of course! A self-described "action kind of gal" with plenty of attitude, she reveals her secrets at last. Learn about her amazing Tooth-o-Finder. Marvel at her ingenious flying machine. Watch her in action, dodging dogs and cats and gerbils. You Think It's Easy Being the Tooth Fairy? is the essential guide for every kid about to lose a tooth.
Sheri Bell-Rehwoldt is an award-winning magazine writer and the author of two children's activity books. This is her first picture book. She lives in Buffalo, New York.
David Slonim is the author and illustrator of several children's books, including the "irresistible and infectious" He Came With the Couch. He lives in Indiana with his wife, Bonnie, and their four children.
You Think It's Easy Being the Tooth Fairy? by Sheri Bell-Rehwoldt
Illustrated by David Slonim
CHRONICLE BOOKS • ISBN13 9780811854603 • Ages 4-8 • Hardcover • Published in August, 2007
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À entrada da Discoteca dos Tugas:
- És tuga ou és macaio? - o Segurança tinha mais meio metro do que toda a gente.
- Sou tuga. - É preciso fazer um ar sério e sorrir, mas não se pode rir assim sem mais nem menos. Senão ele acha que estamos a gozar e o minuto seguinte pode correr muito mal.
- Podes entrar. Tu aí és tuga ou macaio?
- Sou tuga.
- És tuga? Tens a certeza? Hmmm, não tens nada cara de tuga.
- Mas sou tuga, a sério, sou mesmo tuga, nasci lá e tudo. Vá deixa-me entrar que a minha miúda está lá dentro à minha espera.
- Quero lá saber da tua miúda, a esta hora já deve estar com um monte de outros gajos. És Tuga ou és Macaio?
- Bem, sou um bocadinho macaio, mas nada por aí além.
- Então não entras! - A seguir a isto não havia hipótese. Mas tentava-se sempre.
- Sou também um bocado chinês. Mais chinês que macaio. Na verdade até não sou nada macaio. Sou todo chinês? Chinês, estás a ouvir? - E com isto tenta sempre fazer-se outra cara, pelo menos é o que dizem.
- Chinês? E achas que por seres chinês eu te deixo entrar? Aqui só entram tugas. Não és tuga, não entras! Já devias saber isso.
- Vá lá! Sou chinês, todo chinês, de uma ponta à outra. Tugas, macaios? Não me importam mesmo nada. Sou chinês e a minha pátria é a China. É a minha mãe! E conheço muita gente. Estás ouvir: "conheço muita gente!"
- Conheces? E por acaso conheces o Papa?
- O Papa?! Não, não conheço!
- Então não entras. E mesmo que conhecesses o Papa também não entravas, nem que ele andasse com a tua mãe. Porque aqui...
- Já sei, "só entram tugas"! E tu, já agora, és o quê? Também não tens nada ar de Tuga! És preto? - Às vezes, nunca se sabe, pode sempre apanhar-se o Segurança em falso e ele abre a porta.
- Eu? Não tens olhos? Precisas de uns óculos? Eu sou do Sri Lanka! - "Uau, Sri Lanka", é o que se pensa a seguir.
- Pois. Não podia adivinhar. E deixam-te entrar, a ti?
- Pisga-te, meu. Quem faz aqui as perguntas sou eu. Estou quase a acabar o meu turno e ainda vou lá dentro ver se a tua namorada precisa de companhia. Tu aí atrás, com cara de parvo, és tuga ou és macaio?
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Muitos pensam num poema que nunca foi escrito quando se querem referir a algo que não compreendem. A infelicidade, a tragédia, a desventura. É isso um poema, são palavras soltas que não saem de mais nenhuma forma e se juntam naqueles termos de simpatia que por breves momentos escrevem o que não se explica de nenhum outro modo, deixando apenas um travo a coisa passada, mas profundamente marcado na história: são os versos de cada um que a passo e passo se desenrolam numa vida.
É sobretudo o acaso que move toda a engrenagem apesar de todo o plano para a sua criação estar minuciosamente traçado. A criação de um ego e de uma identidade.
Em 1995, no dia 20 de Março, alguns dos comboios do metropolitano de Tóquio atrasaram-se por causa do nevoeiro sobre o Rio Toné. O senhor Ogata, por exemplo, por este motivo também se desprendeu da sua rotina e entrou na viagem para o emprego um pouco mais tarde do que lhe era habitual. O senhor Akashi, nome fictício, que se lamenta que por ter levado a irmã de carro nesse único dia até à estação de metro, a deixou em rota de colisão com a fatalidade em que se veio a transformar toda a sua vida.
Cinco outros homens, na manhã desse dia, espalharam-se pela rede que circula por baixo da terra transportando gás sarin líquido que no momento exacto perfuraram dando início ao que foi o maior ataque terrorista na história do Japão. 12 pessoas morreram e cinco mil ficaram afectadas. Algumas delas sofrem ainda hoje as sequelas desse atentado, danos cerebrais irreversíveis, problemas respiratórios e depressão.
A viúva de Yoshiko Wad crê na sua utopia de que foi a falta de preparação da polícia e a inépcia da justiça, na explicação de outros indícios, que lhe levaram o marido.
São todos estes testemunhos que passam pelas páginas de Underground, título ainda recente lançado pela editora Tinta da China. O autor é Haruki Murakami, escritor japonês com vasta obra publicada, e um dos nomes de maior evidência no panorama literário mundial da actualidade. A razão da sua escrita nasce do confronto com a realidade inexplicável, não só dos acontecimentos que marcam esse encontro com o destino mediático mas tudo o que lhe é adjacente. As questões que ficaram por responder e que tocam o centro da ferida japonesa que se prolonga por todo o seu fatalismo histórico. Como se tudo tivesse sido delineado há muito tempo como a linha de um comboio.
Murakami, há muito a viver no estrangeiro, viu-se na urgência de contar o seu país para o poder compreender, talvez em busca do seu maior poema, e poder de novo considerar-se presente nessa narrativa colectiva da qual se tinha deslocado. Durante quase um ano entrevistou alguns sobreviventes do atentado e procurou sintetizar a réplica da versão que tinha inundado as páginas das notícias. Foi evidente a incapacidade para aceitar a derrota que se abateu sem aviso e que chocou com a noção de que os ataques foram perpetrados por uma seita, de carácter humano, e que apesar de existir em pleno no Japão, foi justificada como uma coisa do mal, externa, a que todos quiseram limpar as mãos. Dando-lhe o alinhamento da inevitabilidade de uma catástrofe natural, como o terramoto de Kobe acontecido em Janeiro desse preciso ano.
O sarin deixa as pupilas contraídas, sem controle, ou cheias de claro ou cheias de escuro, estáticas. De repente, como uma fotografia que fica queimada com a exagerada exposição à luz, o mundo normal desaparece. É desse congelamento que surge esta análise de Murakami. Não só o acontecimento mas a ramificação por outros episódios particulares que levam ao mundo subterrâneo a que o pensamento japonês muitas vezes se recolhe. A imutabilidade que vive à sombra do estigma da “perda de face” e de outros fantasmas. Que justificam os mitos dos Samurais, dos Hara-kiris, dos Kamikazes e possivelmente de um copo de Sake a mais. São histórias individuais, belas, quotidianas, sentenças para o derradeiro momento com que fluem as quadras livres no ritmo cardíaco do momento. Histórias que mais do que formarem um livro são um documento de estudo de toda a sociedade japonesa. Com os seus traumas e os seus mecanismos. As suas ausências. Em que a psique colectiva se confronta pela faixa que se escondeu no reconhecimento partilhado da “Verdade Suprema” como alguém que olhava por eles e os distinguia da sombra da identidade de todas as pessoas.
“Porquê? Porquê a mim?”, perguntam os sobreviventes na voz e na narrativa de Murakami. Nada o poderá justificar à partida mas a concepção do mutismo com que enfrentam o dia-a-dia desafia o rumo de toda a História. Que se viu reflectida no espelho retorcido de uma seita religiosa. O livro é complementado ainda com uma série de entrevistas a alguns membros da Aum Shinrikyo, nome em japonês que não mais será esquecido.
Todas as pessoas já ouviram falar do metropolitano de Tóquio, a imagem que se conhece é a dos funcionários das estações que empurram impassivelmente os passageiros para dentro das carruagens. Nessas horas o metro vai sempre à cunha, e as pessoas viajam torcidas quase sem conseguir respirar. Foi assim nessa manhã, uma como as outras, em que se deu o culminar de um plano bizarro que visava a destruição do centro secular japonês como um terramoto, um processo que se escrevia sob uma crença de fim do mundo. A pouca informação e a incapacidade de reacção das autoridades e meios adequados de resposta à emergência levaram ao extremo das consequências.
Ainda hoje, 12 anos depois, os membros condenados à morte esperam o momento final, em particular o líder supremo Shoko Asahara em quem os seus fiéis depositaram todas as linhas dos seus versos.
Não se trata apenas da descrição do atentado mas a compreensão do seu significado para o futuro, monumentalmente descrito, por quem quer saber mais de si nos outros.
Como o medo ou uma sentença. Ou como um Haiku, os versos que os monges zen ditam para o papel antes de morrer e que nunca antes foram escritos.
Haruki Murakami
Underground, O atentado de Tóquio e a mentalidade japonesa
Edições Tinta da China • Dezembro 2006 • 461 páginas
Título original: “Andaguraundo” • Tradução de Susana Serras Pereira
[PUBLICADO NO TAI CHUNG POU PORTUGUÊS • HOJE • 15 SET 2007 ]
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[...] But, it’s the night life that makes Macau a sure shot topper on the fun chart. Macau comes alive with nightfall. But, all the action starts only after 10 pm!I guess Eva left from her village in northern India and for the first time came to Macau where she got her first city experience. This is an opinion for someone that was never in any other place in the world. Even a suburb in a city in Karnataka have more night life than Macau. Unless you want any red and hot stuff, if you know what I mean. Ok, there's Sky 21 now...
Its nightlife is famous for its variety, frantic pace and constant change. All you night owls can go pub-hopping along its coastal stretch.
You’ll find a great number of them along the Avenida Sun Yat Sen close to the Kum Iam Statue and the Cultural Centre. With its picturesque location, facing the outer harbour and Pearl River, you can enjoy music and the wine while watching the moonlight sea.
If you’re in mood for a midnight snack or drink, head straight to Avenida Marginal da Baia Nova, popularly known as The Docks to locals. A bunch of cool bars and restaurants line this quiet boulevard by the bay.
Want great music coupled with a spectacular view? Step into Opiarium Café. It’s a major attraction for the young and the restless 20 something crowd! [DAAAH!!]
Eva Pavithran in DNA INDIA
Numa tarde em que José Régio tinha combinado encontrar-se com Pessoa, este apareceu, como de costume, com algumas horas de atraso, declarando ser Álvaro de Campos, pedindo perdão por Pessoa não ter podido aparecer ao encontro.
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A imagem dá conta, de forma parcial, de um espaço inteligentemente pensado para os mais novos. Livros, teatrinho de marionetes, brincadeiras e brinquedos pedagógicos e gente especializada em transmitir às crianças alegria, entretenimento e alguma formação. Neste espaço a criatividade e imaginação andam soltas, as ciranças também escrevem, pintam, são estimuladas à leitura, brincam, falam e são escutadas. Esta ousadia, de aplaudir e estimular, pertence à livraria Bloom que, em tão curto tempo de existência, já se vem firmando como ponto de referência no panorama livreiro de Macau. Outras concepções, outra gestão de espaço, outras escolhas literárias, outra maneira de conviver com o livro. Na Bloom há o cheiro genuíno das palavras escritas.A Bloom agradece as palavras amigas do TENDÊNCIAS de hoje. São estas pequenas luzes que nos levam para a frente e que nos dão estímulo para continuar e recriar a situação. Tudo é feito para quem nos visita e para aqueles que ainda acreditam que Macau não é só um tabuleiro de Jogo.
[in "TENDÊNCIAS" no HOJE MACAU às Sextas]
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Is going to happen this weekend in Macau. Just in the real heart of the city, five minutes walk from the Leal Senado Square on the friendly neighborhood of Bloom. Is at LINES LAB, tomorrow, Saturday the 15th at 6 PM, "SUN SET LOUNGING" a multidisciplinary event on the statement "THIS IS MY CITY". Don't miss it. 
• SOUNDS, BEATS & GROVES by DJ BISMARK
• VIDEO LOOPS by FUSA MIRACLE
• And presenting X NECKLACE by LINES LAB
A co-organization of LINES LAB and CULTURAL ASSOCIATION +853
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E se uma pulga, vinda do nada, se alojasse no cérebro de um indivíduo falhado, comandando a partir daí os seus actos rumo à glória absoluta? É esta a estimulante premissa de "Criaturas da noite", "conto moral sem moral" com o qual Lázaro Covadlo argentino radicado em Espanha há mais de três décadas - se apresenta ao público português.
Kafka, Poe, Lovecraft e um punhado de outros ilustres também obcecados pela "glória dos vencidos" - um tema só por si inesgotável na literatura - pairam sobre esta prosa eficaz, que, sob a sua aparente despretensão, revela inventividade e brilho narrativo em doses raras.
O absurdo e o fantástico em que se move a absorvente história encontram a antítese exemplar na figura do protagonista Dionísio Kauffman, um trintão derrotado pela vida que, qual Midas sem fortuna e virado do avesso, consegue transformar em latão (leia-se fracasso) tudo aquilo em que toca.
O errático percurso de vida da personagem começa a mudar no dia em que uma voz lhe interrompe a tranquilidade do sono. O que parecia ser uma alucinação auditiva ou um sintoma de demência revela-se, afinal, bem mais perturbador quando uma pulga propõe ao até aí infausto Kauffman tornar-se a sua consciência - abrindo-lhe de par em par as portas da felicidade terrena -, se, em troca, este lhe permitir uma existência pacífica, devidamente alimentada a sangue, no interior do seu ouvido.
Nesta reflexão sobre a natureza do mal, Covadlo evita habilmente uma tentação frequente em narrativas similares o moralismo. Só assim se explica que Kauffman, ao desviar-se dos rígidos códigos de conduta iniciais, comece a acumular sucessos, mesmo que para tal deixe atrás de si um rastro de atitudes impróprias.
Enquanto cidadão exemplar, embora com uma irreprimível tendência para proferir disparates nas ocasiões mais impróprias, o anti-herói limitou-se a acumular frustrações. A partir do momento em que resolve colocar de lado o altruísmo e centrar-se unicamente no 'eu', a sua sorte muda de rumo. Fama e fortuna passam a ser presenças indissociáveis da sua vida.
Com esta perspectiva arrojada, Lázaro Covadlo ascende ao terreno da amoralidade, ao expor uma visão do mundo que não se confina à redutora visão do bem e do mal, esses opostos tão próximos.
Voz da consciência privada de consciência, a insólita pulga é a personagem-chave de toda a história e, por paradoxal que pareça, a mais real de todas, pois revemos nas suas tomadas de posição os constantes dilemas que atravessam a vida.
A glória sobre a qual Covadlo disserta admiravelmente acabou por atingi-lo quando menos esperava. Depois de um percurso literário marcada pela discrição, o autor argentino obteve com "Criaturas da noite" o reconhecimento de que há largos anos era credor. Além de ter ganho o prémio Café Gijón, mereceu o aplauso unânime de figuras como Enrique Vila-Matas e Luis Sepúlveda. Um êxito improvável que, apesar de só ter chegado quando se aproximava dos 70 anos, ainda nos permite descobrir a sua obra e esperar novas incursões ficcionais em breve.
[SÉRGIO ALMEIDA • JN]
O argentino Lázaro Covadlo (n. 1937) vive desde 1975 em Espanha, para onde veio depois do golpe militar que instaurou no seu país uma das ditaduras mais cruéis da América Latina. Começou a publicar tarde, mas a sua obra, original e cheia de humor negro, depressa conquistou leitores. Este livro é bem um exemplo do estilo ácido e desconcertante com que brinda quem tem a ventura de o abrir. Pode pensar-se em Kafka, claro, mas pouco importa. Nunca a expressão «ter uma pulga atrás da orelha» teve tão brilhante interpretação. Enrique Vila-Matas não lhe poupa elogios: «Trágico e precioso.» A história tem tanto de inverosímil como de verdadeira, num registo burlesco e cómico. Uma surpresa superlativa.
Criaturas da Noite, de Lázaro Covadlo
LIVROS DE AREIA • ISBN:9789899517851 • 2007
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PS 5
Depois de ter regressado a Portugal, e fundado a QUINECOR, voltei a encontrar o meu amigo Brum Morgado que entretanto também tinha desistido de Moçambique, tendo o seu Avenida sido nacionalizado. Por essa altura eu fizera boas relações de amizade com o Vitoriano Rosa que era Director da revista Plateia e através dele conheci uma produtora espanhola de Barcelona as PRODUCCIONES BALCÁZAR que estava interessado na produção de um filme de longa metragem passado em Portugal. O Brum Morgado associou-se ao projecto e partimos para uma co-produção entre a Quinecor e as Producciones Balcázar. O filme - A Destruição de Marta Hyman - contava uma história rocambolesca toda passada no Algarve, de um vigarista que se fazia passar por pintor e acabava por casar com a filha de um rico industrial português. Assim, toda a equipa de filmagem e artistas espanhóis e portugueses, foi viver para o Hotel Montechoro na Praia da Rocha que nos acolheu a todos graciosamente na condição de fazermos a promoção do Hotel no filme. Foi um encanto. O Algarve e a Praia da Rocha contribuíram para o filme com cenários de uma beleza indescritível. Demo-nos todos maravilhosamente, portugueses e espanhóis. E até eu, co-produtor do filme, desempenhei um pequeno papel de comandante da marinha numa cena logo no principio do filme em que um barco da Polícia Marítima do Algarve procurava o cadáver de Marta, supostamente assassinada pelo marido, tendo encontrado apenas restos da suas roupas o que no dizer do comandante não eram suficientes para sustentar uma acusação de crime.
Achei muita graça porque depois de ter desempenhado o meu papel o realizador espanhol virou-se para mim e disse: - Ombre...Tu és un actor mui natural...
Ora acontece que eu havia feito um contrato com as Producciones Balcázar segundo o qual as receitas do filme em Portugal seriam nossas, as receitas em Espanha seriam deles e as receitas no resto do mundo seriam divididas em partes iguais pelos dois. Estas foram as únicas receitas que tivemos com o filme porque os distribuidores em Portugal recusaram-se a exibi-lo porque era falado em espanhol, apesar de termos feito uma cópia com legendas em português.
Fui assistir à estreia do filme em Barcelona e foi um sucesso.
Também adorei Barcelona e estive muito perto de me transferir para aquela cidade com armas e bagagens. Não o fiz mas ainda hoje não estou absolutamente certo de ter tomado a melhor decisão.
O meu amigo Brum Morgado, depois desta experiência, virou-se para a construção civil com a certeza de que essa actividade seria muito mais compensadora. E sabendo como sabemos a pouca compreensão e conhecimento dos poderes responsáveis em Portugal relativamente ao que verdadeiramente é o Cinema, acho que ele fez muito bem.
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YOU MUST HEAR THIS THREE RECORDS:


They are all Roxy Music albuns, launched between July 1972 and December 1973, more than 30 years ago. If you think these are oldies from your parents you are pretty wrong, I can say clearly they are still new, ahead of time, and unbeatable. Click the images to buy them or, just to taste it, you can search for them at Google on the following links:
• ROXY MUSIC [info on WIKIPEDIA]
• FOR YOUR PLEASURE [info on WIKIPEDIA]
• STRANDED [info on WIKIPEDIA]
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This time we asked how many books you read per year? There is still a good hope most of the readers say they assimilate around 30 books along one year. It's not bad. It means that slightly every 2 weeks you start a new book. Is it true? Is a good average, but is not for all.
Sometimes we read 3 books at the same time. Some we don't like. We pass our fingers from page to page and then we drop them off in anger or boredom and seek for another dip. Anyway, these are the results - [CLICK THE IMAGE FOR MORE]:
• I DON'T READ AT ALL
• ONE OR TWO BOOKS
• 10 AT LEAST
• AROUND 30
•I READ A LOT! HUNDREDS.
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Na BLITZ de Setembro pode ler toda a história dos Police, a banda formada por Andy Summers, Stewart Copeland e Sting. E, isto é a sério, venha depressa porque temos poucas, na compra da revista fica com a permissão de fazer o download grátis de 4 músicas da Loja iTunes. Precisa que lhe diga mais?
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PAULINA CHIZIANE E ONDJAKIAuditório do Consulado de Portugal em Macau • 20 de Junho de 2006
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Ondjaki foi convidado - com Paulina Chiziane e outros autores lusófonos - a participar no colóquio organizado pelo IPOR denominado "Lusofonia: Os Caminhos da Escrita", aconteceu em Junho de 2006, ainda na sequela de mais um 10 de Junho, Dia de Portugal.
O autor angolano era para mim uma novidade. Despertou-me sobretudo a simplicidade como pegava nas palavras e as enchia com o seu calor. Claro, sincero, alegre, mas também cheio de ironia e de dúvida. Nunca antes tinha passado pelos escritos de Ondjaki, e ao ouvi-lo mergulhei imediatamente para o seu mundo, para o mundo quente e doce de Angola - acre, também - ao sabor dos diversos dialectos vi-me em Luanda e nas outras cidades, tanto das outras cidades e aldeias, e das suas pequenas narrativas. Caras depuseram-se à minha frente, mulheres, grandes, com os seus vestidos coloridos e o andar bamboleante, onde nos mercados feitos de terra passeavam com as suas crianças, que como os cães se divertiam em pura alegria. Ou os restos de um conflito, com os homens, sempre em chama, sempre a avizinhar-se grande, na guerra, mas também indiferente de tão queimado. E havia também um chiar dos automóveis, ou outros instrumentos de viagem, aqui e ali, que deixavam as suas cordas nos meus ouvidos e a beira da estrada escura, que os separava do vasto arvoredo seco que ocupava a vista toda. Isto tudo num auditório, ao vivo, a flutuar a sintonia da minha imaginação.
Paulina Chiziane, do mesmo modo, levou-me consigo pela mão e deixou-me pregado numa árvore de Moçambique.
É esta a beleza dos livros. Dos contadores de histórias, das coisas que ficam. Sonhos, vidas e memórias. É isso que nos leva e que nos deixa ficar, que nos faz imortais mesmo depois da nossa passagem pela terra. Nesta estrada com bermas escuras, feitas de pós e sobras das árvores. É assim a obra de Ondjaki, abre-se e vemo-la cair a enfiar-se por dentro de nós:
Era uma tarde quase bonita numa cor amarela e castanha que o sol tinha posto dentro do apartamento pequeno deles. Serviram chá para nós, um chá aguado mas doce, cheio de ternura. Quase ninguém tinha palavras de falar - nem eles, nem nós. Depois o camarada professor Ángel explicou-nos, com palavras um bocadinho difíceis, que a missão deles em Angola tinha terminado e que se iam embora muito em breve. O Bruno coçava a garganta e olhava para a janela, também impressionado com as cores daquele amarelo-sol. A Petra, a Romina e eu vimos a camarada professora María chorar escondida na cozinha e tivemos de fazer força para parar as lágrimas. O camarada professor Ángel continuava a falar e, sem querer, dizia coisas que nos emocionavam muito. Nas despedidas acontece isso: a ternura toca a alegria, a alegria traz uma saudade quase triste, a saudade semeia lágrimas, e nós, as crianças, não sabemos arrumar essas coisas dentro do nosso coração.Bom Dia Camaradas foi a primeira obra com que inundou o mundo literário lusófono, publicada aos 23 anos, em 2003. Este excerto é no entanto do seu último livro, Os da Minha Rua, onde Ondjaki desperta essa saudade do mundo de criança que vive em sono leve dentro do seu corpo. São histórias como as nossas, as que temos também da nossa rua, que cantam de viva alma memórias quentes e urbanas, mais uma vez de Angola. Coisas que se ouvem e vêm a rebolar lá de cima, como a música que salta do colo de uma mãe. Ou um jogo de futebol, a câmara muito lenta, os passos que se enchem das suas pessoas e o repente da imaginação, com um toque de lágrimas, sempre a rolar.
Quando alguém me tocava no ombro, as imagens todas desapareciam, o mundo ganhava cores reais, sons fortes e a poeira também.Ondjaki nasceu em Luanda em 1977. Prosador. Às vezes poeta. Escreve para cinema e co-realizou um documentário sobre a cidade de Luanda (Oxalá Cresçam Pitangas - Histórias de Luanda). É membro da União dos Escritores Angolanos. É licenciado em Sociologia.
A sua obra está disponível, quase na totalidade, na Bloom. Que mais razões precisa para ir até lá?
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"Volver", o último filme de Pedro Almodóvar, foi alvo de uma grande receptividade internacional e arrecadou inúmeros galardões de prestígio. Contudo, esta reacção, muito excessiva, não esconde a modéstia do filme. Uma certa renovação temática surge como o seu principal mérito, desmentindo a sensação de profundo esgotamento criativo do título anterior: "Má Educação". Mas, mesmo que o melhor da sua obra pertença ao passado, Almodóvar mantém-se - comparável em certa medida ao génio de Luís Buñuel - como um dos mais importantes e influentes cineastas espanhóis. Este livro de entrevistas, que cobre toda a sua carreira, evoca a sua infância, a relação privilegiada com a mãe ou a ligação pessoal e profissional com Agustín, seu produtor e irmão. E centra-se nos seus filmes, crónicas impiedosas do desejo sexual: na influência do teatro de Tennesse Williams e de Cocteau, da comédia americana de Tashlin, Blake Edwards ou Billy Wilder, da Nouvelle Vague Francesa e do Neo-Realismo Italiano; do gosto pela moda («“Funny Face" de Stanley Donen é uma enciclopédia para mim»); da permanência do kitsh, da ironia e da crítica à religião católica; da eterna sedução pelo universo feminino; da descoberta de Antonio Banderas ou Rossy de Palma.
À pergunta: "Que conselhos daria hoje a alguém que queira tornar-se cineasta?", Pedro Almodóvar responde: "Em primeiro lugar, é preciso que seja simpático, porque tem que pedir favores e conseguir que vinte pessoas aceitem trabalhar gratuitamente para poder filmar uma primeira curta-metragem. Depois, tem que convencer os que vão pagar o negativo. Tem que ser simpático, optimista, e se for sexy será melhor ainda. Para realizar uma segunda curta-metragem tem que ser persistente, cínico e atrevido, e frequentar um ginásio, porque entretanto envelheceu. Tem que ser maquiavélico, porque da segunda vez tem que enganar a pessoa que da primeira vez seduziu."
Tudo começou com um pequeno diálogo... um trocar de perguntas e respostas sobre a vida do cineasta. Um diálogo que a Bloom traz até si, novamente pela mão da Editora 90 Graus.
Conversas com Pedro Almodovar, de Frédéric Strauss
Editora 90 Graus • ISBN: 972896403X • 2007
[FONTE DESTE TEXTO AQUI]
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Saiu hoje a nova edição do Tai Chung Pou, jornal de cariz e de língua chinesa, que a partir deste número terá um suplemento em língua portuguesa.
São quatro páginas em tamanho broadsheet com histórias do território e um exercício complementar aos três outros diários portugueses já existentes. Uma pequena equipa de jornalistas e diversos colaboradores formam o grupo que irá durante os sete dias da semana construir este suplemento do Tai Chung Pou, o jornal mais antigo em actividade no território.
Luís Ortet, o coordenador do projecto, avançou à Lusa que «vamos ter reportagens e análises a temas variados incluindo da própria imprensa chinesa».
O regresso às aulas e uma entrevista com o ex-deputado da Assembleia Legislativa Jorge Fão fazem a manchete da primeira edição, que conta ainda com outras reportagens locais e sobre a China Continental. "Um carácter por dia" é mais um dos pontos de ligação à língua chinesa que será mais um dos interessantes detalhes deste jornal.
Luís Ortet refere ainda no seu primeiro editorial que não existem dúvidas quanto à presença de mais uma publicação em língua portuguesa, já de si sobrelotada, visto tratar-se de «uma puplicação pre-existente, que pretende abordar de uma maneira mais abrangente a sua relação com as comunidades de Macau».
Impresso na tipografia do próprio jornal, qualidade que procurará desenvolver e melhorar num futuro próximo, é um investimento puro na presença do português no território que vem demonstrar em paralelo todo o interesse já despertado pelas autoridades do Governo Central no mundo lusófono.
«Os leitores, esperamos, serão os principais beneficiados, ganhando em variedade de leitura, e esperamos estabelecer com eles uma relação duradoura, personalizada e criativa. A Cidade e as pessoas que a habitam estarão no centro das nossas preocupações», são os votos de Luís Ortet
no lançamento do Tai Chung Pou em Português.
Da redacção fazem parte Isabel Castro, como editora, e Alexandra Lages. Que conta ainda com a colaboração de Alice Kok, António Lei, Ina Chiu, Joyce Pina, Manuel Correia da Silva, Mariana Palavra, Rui Rasquinho (nas ilustrações) e Swallow Xu. O grafismo é da autoria de José Manuel Cardoso, já responsável pela imagem da Revista Macau.
A Bloom * Creative Network vai prestar um serviço de fotografia e colaborar também com este diário dando o seu melhor.
[NA FOTO ALEXANDRA LAGES, ISABEL CASTRO E LUÍS ORTET]
AINDA ESTA NOTÍCIA NOUTRAS FONTES:
• LUSA
• JORNAL TRIBUNA DE MACAU
• BLOG MACAULOGIA [via Diário Digital]
• BLOG LEOCARDO
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Georges BatailleAbrindo um rato ao meio não encontrarás uma biblioteca. Mas abrindo um homem ao meio também não encontrarás uma biblioteca.
Pode enojar-te o organismo, as fezes e líquidos viscosos, mas é na lama que se fazem filhos e por vezes combates de galos.
Os pequenos porcos são ainda bébés.
A inteligência não é o segundo lado da felicidade, mas também não é o segundo lado da tristeza. Em termos de alegria e tristeza a inteligência é o terceiro absolutamente excluído.
GONÇALO M. TAVARES in Biblioteca
• MAIS SOBRE GEORGE BATAILLE NA WIKIPEDIA
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O que dizer da obra de Gonçalo M. Tavares?
Podia falar-se que toda a sua carreira, a pouco e pouco, se foi tranformando num sepulcro onde a obra de outros autores se deitou. Ou um bairro onde se levantaram casas, construídas pela sua própria mão, tijolo a tijolo, que os escritores do mundo inteiro e de todas as eras distraídos começaram a habitar. Será Gonçalo M. Tavares apenas um veículo por onde as palavras dos outros passam? Será que ele existe? Alguém o viu verdadeiramente? Nós temos a certeza de nunca o termos visto. Mesmo em terras ermas como o Oriente nunca por cá foi encontrado.
Mas o que consta das páginas da História é que Gonçalo M. Tavares recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca da Fundação Calouste Gulbenkian e do jornal Expresso, com a obra O Senhor Valéry (Caminho), o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, com Investigações. Novalis. (Difel) e o Prémio Prémio José Saramago 2005 e Prémio Ler/Millenium-BCP com Jerusalém (Campo dasLetras).
E dizem dele: “Gonçalo Tavares representa um novo paradigma na literatura portuguesa: um autor cerebral, preocupado com o método e com a lógica literária do jogo, um escritor com preparação filosófica, notória em aforismos e frases por vezes brilhantes.”
[Pedro Mexia, Diário de Notícias, Março 2003]
"A aparição de Gonçalo M. Tavares no panorama literário português, há pouco mais de um ano, foi no mínimo invulgar, para não dizer atípica. Em vez de apresentar o tradicional primeiro livro, este autor surgiu de repente com uma estruturadíssima série de obras (escritas ao longo de dez anos) e que foi publicando, com um intervalo de poucos meses, em editoras de cariz diverso.”
[José Mário Silva, DN, 10 Julho 2003]
Poderá dizer-se isto de alguém que não existe? Achamos que não, mas como o mundo é feito todo ele de ficção e de ironia temos cá as nossas dúvidas. Falemos então do que aqui nos traz.
A Biblioteca, obra em que o ponto de partida é a escrita dos autores e nunca a ilação de um facto das suas vidas. Parte do eco da leitura, de uma palavra que salta fora das outras e daí em associações livres desprendidas de qualquer conceito o texto vai ganhando a sua forma. Trata-se de um livro em que variados escritores dão a mão à pena amiga e alheia de outro criador tornando-se o foco da sua inspiração que de maneira sepulcral se põem a cantar as suas dores e a abrir as portas das suas habitações no Bairro M. Tavares.
É notória a influência de cada um nas palavras que correm da imaginação deste premiado escritor português, note-se o exemplo de Malcom Lowry, que diz assim:
Se quiseres permanecer debaixo de uma árvore não necessitas de passaporte."[Biblioteca] é uma anotação do leitor que tanto viveu por dentro dos livros, que escreveu os seus braços com frases e os seus corpos invisíveis na sua própria língua. Como uma recordação que forma um ser, depois da morte, e é a sua única realidade. Escritores, livros, todos vivem não dos seus mesmos excertos, mas do que os seus livros fizeram num leitor que viveu neles e os escreveu na sua própria língua e na sua mesma realidade"
Se quiseres permanecer fiel à tua mulher não precisas de uma amante.
Nenhum bêbado "desde o início do mundo" urinou sozinho. Um bêbado urina sempre com companhia (nem que seja de uma canção).
[Pedro Sena-Lino, Público, Jan 2005]
Biblioteca de Gonçalo M. Tavares • CAMPO DAS LETRAS • ISBN: 9726107997
[NA BLOOM PODE TAMBÉM ENCONTRAR A MAIORIA DOS TÍTULOS PUBLICADOS ATÉ AGORA POR ESTE AUTOR]
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You know what I'm going to do?
You won't believe it. I will match a handful of winners and spread them through town. Towards the sin city of gambling. That's right, simple as that. I will find one just to start. After I will step through another one and the following day maybe I will meet one more. They will team up and share their expertise and knowledge. And then, if you still want to hear what their going to do, they will win!
They will win loads of money from the casinos. They will not steal or scam, they will just calmly play their hands and slowly fill their pockets with that sort of gold made of plastic everyone can find at a casino table. Chips that's what they call it. Not the ones that go with the fish on some kind of fast-food restaurants. Here they are used in games to represent money.
And that's it, my friends the winners will build towers of chips that later, when they get a little bored, they will change for 1000$ bills. Having a good rest, a good healthy life, and a huge bank account they will teach others how to win money, how to not loose.
And step by step we'll clean all the money from the Venetians, from the Grand Lisboas, from the Wynn Resorts, from the hell out of it.
Do you get this picture? A battalion of winners that will crowd this mad territory. Yeah, like an earthquake. Fast as Fish & Chips.
Where would you go after that?
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ON MACAU CLOSER
After crossing the world from “Pole to Pole” with Michael Palin, Basil Pao felt the urge to look back and to turn every bit of his art to the vast land that flows on his veins: The mystic river of millenary China. He wanted to breathe every aspect of dust and scent on a profound rediscovery brought from the genuine concern on China’s future.
From the "enchanting countryside” to the bleak of urban landscape and from the Himalaya to Macau, he overlooked and shot a nation in transition, as a testimony to pass on a universal language that is only read by the eye. But words drop from the images and China Revealed is also a book to read.
Basil Pao is a Hong-Kong based, internationally celebrated photographer and writer.
Basil Pao • China Revealed, Portrait Of The Rising Dragon
Orion Books • ISBN: 9780297844181 • May 2007
At a certain age the world becomes meaningless and yet never so desirable. This is the last book of the world acclaimed writer J. M. Coetzee, who puts his hands on top of an old and famous essayist who was commissioned to write his strongest opinions. It’s the right opportunity to mix fiction with real data where the Nobel prized winner tells a story of misshaped passion and impulse love.
Everything starts on the laundry-room of his condo where he meets Anya, a captivating young woman. As tide burst into flames he invites her to type his manuscript. In between monographs on Machievelli, on Al-Qaida, on the nature of citizen and state, Alan, the boyfriend of Anya, comes into the narrative and, having his own reservations on this relationship, begins to trace a plan.
J. M. Coetzee • Diary of a Bad Year
Harvill Secker • ISBN: 9781846551208 • September 2007
We are in Lisbon in 1875. Carlos da Maia is rich, young, handsome and full of ideas. Returning with a medical degree to his longing hometown he craves to do something for his country. Something big and unique, he thinks, that would make his beloved grandfather proud, with whom he’s going to live. But soon he discovers a frantic social existence and engages on a life full of delights that puts him in a motion train of coincidences and disruption.
“The Maias” is one of the most impressive European novels of the nineteenth century, fully comparable to the most inspired novels of the Great Russian, French and English masters of prose fiction. A family chronicle of intense historical insight and narrative power in a new and beautiful English version, translated by Jull Costa, the esteemed translator of Saramago's Blindness. "The greatest book by Portugal's greatest novelist”, said José Saramago about “The Maias” and Eça de Queirós.
Published by New Directions - one of the best publishers in the world.
Eça de Queirós • The Maias
New Directions Publishing • ISBN: 9780811216494 • July 2007
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We want to apologize for not being here so much. We are now starting the new season, where there will be plenty of new things at Bloom and in this lounge of the Blogosphere.
Bloomland Creative Network is now present in four Macau publications.
At Macau Talk Magazine, where we are very honored to be shown in an encouraging highlight, who talks about Bloom and the book we have launched previously: Strolling in Macau.
At Macau Closer where we will from now on recommend three books, starting a monthly collaboration.
Besides literature Bloom Photography is also on the run. We are at the last issue of Revista Macau, the portuguese magazine from the Government Information Bureau, and from tomorrow onwards we will be at the new project from the chinese newspaper Tai Chung Pou, a portuguese section, where we will post images from Macau's daily thrills. Both publications produced by Delta Edições.
We want to thank everyone for the support, including Hoje Macau newspaper who is there since our beginning.
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Um bom jornalista deveria ser capaz de descrever o fabrico de um lápis de modo apaixonante sem contar uma piada. Mas se ele tivesse esse talento, bem lá no fundo, por que razão seria jornalista?
Boris Vian na Jazz Hot
[faz parte da compilação "Boris Vian por Boris Vian" da FENDA EDIÇÕES, outro dos livros novos na Bloom]
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Quando estiveres na cama e ouvires o uivar dos cães no campo, esconde-te debaixo dos cobertores, não te rias do que eles fazem; eles têm sede insaciável de infinito, como tu, como eu, como os restantes humanos, de rosto pálido e comprido.
Whenever you are in bed and hear the dogs' howling in the fields, hide under the bedclothes, don't deride what they do: they thirst insatiably for the infinite, like you, me, and the rest of us humans, of pale and long faces.
in Cantos de Maldoror/Les Chants de Maldoror - Isidore Ducasse
[uma novidade na BLLLLOOOMM]
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PS 4
Não posso também deixar de recordar a minha aventura em Moçambique com o cinema Avenida.
Este cinema foi construído por um actor que passou por Moçambique numa digressão artística e que resolveu ficar. Era um cinema com pouco mais de duzentos lugares e ficava numa das principais avenidas da baixa de Lourenço Marques. Contudo nunca teve grande afluência de espectadores que rondavam em média os seis ou sete lugares por sessão.
Ora acontece que após o Vinte e Cinco de Abril e durante aquele período de transição em que o objectivo era correr com todos os portugueses de Moçambique, o cinema Avenida foi vendido a um cauteleiro que era um homem muito conhecido e que tinha ganho muito dinheiro a vender cautelas da Santa Casa da Misericórdia.
O cauteleiro, consciente das suas limitações, pediu ao meu amigos Brum Morgado que o ajudasse na exploração do Avenida. O Brum Morgado por sua vez veio pedir a minha ajuda e eu disse que colaborava numa condição: a de ele fazer tudo o que eu pedisse. Ele concordou e assim a primeira coisa que eu pedi foi que retirassem os dois painéis laterais que ladeavam o ecrã de projecção do cinema e que eram duas obras do conhecido pintor Garizo do Carmo. O Brum Morgado estranhou o meu pedido mas eu expliquei-lhe que as pessoas iam ao cinema para ver um filme e quando queriam ver pinturas de grandes artistas iam aos museus.
Assim os painéis foram retirados e eu alarguei o ecrã de projecção para toda a largura do cinema de parede a parede.
Em seguida aumentei a amperagem dos projectores por forma a obter uma projecção brilhante e nítida.
Depois instalei na entrada do cinema que tinha agregado um pequeno café, dois altifalantes de alta fidelidade que davam música ambiente com um som cheio de realismo.
Por fim no exterior, pintei um grande painel com uma imagem da Brigitte Bardot numa cena do filme que íamos estrear.
No dia da inauguração, uma bicha para comprar bilhetes dava a volta ao quarteirão.
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Este é o grande livro de referência, jamais escrito, sobre a vida de Mao Tsé-tung. Foi elaborado depois de uma década de trabalho de pesquisa, e também a partir das entrevistas com muitos dos que mais privaram com Mao na China, mas nunca falaram disso, como com virtualmente todos os que tiveram encontros relevantes com ele fora da China.
É uma biografia cheia de revelações surpreendentes, que estilhaçam o mito da Longa Marcha. Estamos perante um Mao desconhecido, que não era conduzido apenas pelos ideias e pela ideologia. A biografia mostra-nos ainda como a sua relação com Estaline, muito próxima e de grande complexidade, reportando aos anos 20, acaba por o levar ao poder; como foram bem recebidos por ele os japoneses que ocuparam grande parte da China; e como intrigou, envenenou e chantageou para conseguir os seus objectivos. Depois de ter conquistado a China em 1949, o objectivo secreto de Mao era dominar o mundo. Ao perseguir este sonho, fez morrer 38 milhões de pessoas na maior fome da História. Ao todo, mais de 70 milhões de chineses morreram durante o período de governação de Mao - e em tempo de paz.
Combinando uma história meticulosa com o estilo de romance de Cisnes Selvagens esta biografia transforma de imediato a vida de Mao num turbilhão de emoções, à medida que ele, a cada passo, intriga e luta, abrindo caminho à força para as suas decisões impopulares. O leitor entra nas antecâmaras sombrias da corte de Mao, e apercebe-se dos dramas que se desenrolam nos cantos mais obscuros. A personalidade de Mao e o seu inacreditável comportamento em relação às mulheres, amantes e filhos são agora tornados públicos.
Trata-se de um livro absolutamente inovador, tanto no conteúdo como na forma de abordagem. É espantoso tanto para os leitores comuns como para os historiadores.
Fomos movidos por um fascínio por este homem. Queríamos estar dentro da cabeça dele e desconstruir todos os mitos que o sustentam. Ele é o grande tema do século XX - uma figura desconhecida. Decidi escrever sobre Mao porque me interessei profundamente por este homem, que dominou a minha vida na China e que destruiu as vidas dos meus compatriotas - um quarto da população mundial. Ele era tão nocivo como Hitler ou Estaline e provocou tantos danos à Humanidade como eles.Críticas de imprensa:
Nota da autora, Jung Chang
“Este livro vai abalar o mundo.”
The Guardian
“Um estudo emocionante do Imperador Vermelho da China expõe a verdadeira escala das sua obsessões e manias genocidas.”
The Observer
“A obra de Jung Chang, autora de Cisnes Selvagens, e do seu marido, o historiador Jon Halliday, é um triunfo. É um retrato da tirania, da degenerescência, do assassínio em massa e da promiscuidade, e um soberbo trabalho de investigação. Esta é a primeira biografia, íntima e política, do maior monstro de todos – o Imperador Vermelho da China.”
The Sunday Times (Culture)
“70 milhões de mortos, uma nação conduzida de volta à idade da Pedra... Num século de déspotas, Mao é um caso único, como Jung Chang nos revela. Chris Patten saúda o seu bombástico livro.”
The Times
Uma semana de vidas neste jornal que comemora o seu sexto aniversário. Parabéns Hoje Macau. São os votos e a sugestão da Bloom!
Mao - A História Desconhecida, de Jon Halliday e Jung Chang
Bertrand Editora • ISBN: 9722514520
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The Box, Side 14 Bluebeard
In their 20th year, the Hong Kong music ensemble 'the box' presents Bluebeard, a theatrical concert about desire, murder, and who's going to sleep on the sofa.
French poet and author Charles Perrault's Bluebeard (1697) is amongst the most horrific of folk tales. A newly-wedded young woman is granted the run of her husband's (Bluebeard) castle but is forbidden one room. He then leaves on business and his wife is consumed with curiosity. She opens the door to find a butcher's room of dismembered women: her husband's previous wives. Bluebeard returns to discover her betrayal and he is about to slaughter her too when she is rescued by her brothers. Perrault's closing moral indicts female curiosity, an outrageous position given the husband's monstrous violence.
Béla Bartók's one-act opera Duke Bluebeard's Castle (premiered in 1918, libretto by Béla Balázs) presents a much more subtle view of male/female relations. Bluebeard and Judith (the wife's name recalling the Apocryphal heroine, saviour of her people and beheader of the mighty Holofernes) love each other, but Judith's need to bring warmth and light into her husband's dark castle causes strife. Bluebeard accedes to her wishes, but finally condemns her to join his previous wives. The opera presents an unremittingly tragic view of male/female love.
In their 20th year the music ensemble 'the box' will present a theatrical concert drawing on Perrault, Bartók, Angela Carter (British author who rewrote a lot of classical fairy tales) , Pina Bausch and others. Fourteen pieces of music, one from Kung and Suart for each of seven doors, form the skeleton and flesh of this performance. Threads of incidental music, theatrical gestures, dialogue and video imagery are sewn through this body to make a circus monster: horrific, comic and lyrical.
Performers
Kung Chi Shing and Peter Suart formed 'the box' in 1987 in Hong Kong, since then they have presented a series of concerts and music theatre works (known as the 'Sides'), combining various genres, popular and serious. They have collaborated with dancers, artists and theatre people and have performed in Hong Kong, Taiwan and Cuba. Kung and Suart have also performed independently around the world.
Their major works often draw on works of literature: Side 3 - The Bridge (Kafka), Side 7 - Sleeping Beauty (Kawabata and the fairytale), Side 10 - Salome (Wilde and the Bible), Side 13 - Beauty and the Beast (the fairytale). The shows are not, however, musicals. Rather, a set of songs is presented theatrically using ideas from the text.
Kung studied composition in America. He is a performing musician, a composer for theatre and dance, and a teacher.Suart is an illustrator, a writer, a musician and a theatrical performer.
Website of 'the box': http://www.kungmusic.net/
Cast list
Kung Chi Shing – violin, computer, winds
Peter Suart – voice, keyboards, percussion
Chau Chin Tung – percussion
Cheung Yee Sik - percussion
Eli Fung – voice, keyboards
Rob Lamont – guitar, bass, keyboards, voice
Veegay Lee – keyboards, accordion
Ogawa Mariko – movement, voice
Lo Yin Shan – video design
Billy Chan – lighting design
Lee Man Sang – props design
Programme
21 – 22 September 2007 (Fri - Sat) 8pm
Auditorium, Kwai Tsing Theatre
$200, $160, $120
(all info from here)
Bloom suggests to our Macau citizens a different program in Hong Kong, with Peter Suart. And why not stay for the night and enjoy the evening lights of Lan Kwai Fong, for a change?
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Great news! Peter Suart is back in Hong Kong! Remember Tik and Tok and the Black Book of Falling?
Tik and Tok are back too, and now in Chinese language, edited by MCCM, of course!
Peter has announced a new blog: "A Tik and Tok Adventure by Peter Suart" with activities, games, amazing encrypted puzzles and what has Peter been up to lately!
Welcome back Peter, hope that you can come and visit us at Bloom again!
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A extraordinária história do ditador soviético e dos homens e mulheres que o mantiveram no poder por quase trinta anos, numa obra vencedora do History Book of the Year Award, atribuído pela British Book Awards, em 2004.
Esta é a verdadeira história de Estaline, vista de dentro, cheia de revelações. Que nos relata como a morte da mulher do ditador foi disfarçada – terá sido suicídio? Ou como os líderes soviéticos e as suas famílias viveram dentro das paredes do Kremlin. Ou, ainda, o relato detalhado do encontro entre Estaline, Roosevelt e Churchill. E como de facto morreram dez milhões de pessoas.
Informações baseadas em novos materiais dos arquivos de Estaline, tornados públicos em 2000, em entrevistas com testemunhas e numa profunda pesquisa de Moscovo ao Mar Negro.
Mais que um monstro ou um louco, Estaline foi um homem comum, com as suas forças e fraquezas. É esse o enfoque de Estaline, A Corte do Czar Vermelho, do historiador britânico Simon Sebag Montefiore. O livro revela aspectos surpreendentes desta figura tão polémica quanto fascinante. Numa entrevista ao semanário português SOL, da qual transcrevemos uma pequena parte, o autor diz que o mundo está preparado para mergulhar na humanidade dos grandes ditadores do século XX:
À semelhança do que acontece em algumas obras recentes sobre AdolfÀ semelhança das personagens dos grandes romances, Estaline foi maior do que a vida, mas não pôde escapar aos afectos, desgostos e contradições que afligem o comum dos mortais. Mais uma personagem histórica revelada num extraordinário livro, de tirar o fôlego desde a primeira página, que pode encontrar entre as muitas vidas da Bloom.
Hitler e Mao Tsé-Tung, o seu livro incide mais sobre o lado humano de Estaline em vez de, pura e simplesmente, retratá-lo como um monstro. Por que razão demorou a historiografia tanto tempo a humanizar os grandes ditadores do século XX?
Acho que isso demonstra uma maior sofisticação dos leitores. Na escola, diziam-nos que Estaline era um louco e um monstro. Na verdade, essas palavras não têm qualquer significado. As pessoas querem saber o que fazia esses sistemas funcionar, como esses homens realmente actuavam e como ascenderam ao poder. Mas, em relação a Estaline, até 1999, não havia acesso aos arquivos. Tive muita sorte em ter tropeçado nesses materiais: eram tão poderosos que me permitiram escrever, pela primeira vez, sobre o verdadeiro Estaline.
O seu livro não apresenta Estaline como um controlador isolado, mas como maestro de um sistema mais amplo. Essa percepção surpreendeu-o?
Acho que o livro o retrata como alguém que interferia em tudo e controlava em absoluto cada detalhe que considerasse político – da esfera militar à científica, passando pela literária. Mas, por outro lado, não era sempre a figura de medo que toda gente pensava. Um dos aspectos interessantes no livro é o de revelar que, até ao Grande Terror, as pessoas não tinham assim tanto medo dele, ou pelo menos não temiam pelas suas vidas. Quem o conhecia bem era muito informal com ele. O melhor exemplo deu-se em 1935, quando convidou o cunhado e a mulher para jantar. Eles esqueceram-se e chegaram com horas de atraso. Este é o tipo de facto que não podia ter constado de nenhuma biografia anterior, porque essas coisas não se sabiam. As antigas biografias repetiam uma e outra vez que Estaline era aterrador, um monstro. A vida é muito mais complexa do que isso. Ele ascendeu ao poder recorrendo ao charme e à capacidade de lidar com as pessoas, não ao medo. O medo veio depois.
Optou por iniciar o livro com o suicídio de Nádia, a segunda mulher de Estaline. Porquê?
Antes de mais, em termos dramáticos, é uma cena maravilhosa e era possível reconstituí-la em grande detalhe, porque tinha os materiais, pequenos relatos de muitas pessoas. O suicídio, o colapso de Estaline a seguir, a personalidade de Nádia, tudo isso é fascinante em termos pessoais. Em segundo lugar, é também uma forma arrebatadora de introduzir a descrição de como os líderes viviam todos juntos num pequeno círculo íntimo, virtualmente em cima uns dos outros, porta com porta, no mesmo edifício. Não acredito que o suicídio da mulher tenha tornado Estaline um monstro assassino, mas fez parte de algo muito mais importante. Naquela altura, uma série de coisas – a guerra com o campesinato, a traição de Estaline por muitos dos seus camaradas e o suicídio de Nádia – conjugou-se para fazer de 1932 um ano decisivo, em que Estaline decidiu que não podia confiar nas pessoas e que teria de matar muita gente.
Estaline, de Simon Sebag Montefiore • Alethêia Editores • ISBN: 9896220247
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Um romance fascinante onde os segredos da família imperial russa são finalmente revelados.
A 16 de Julho de 1918, o curso da história da Rússia mudou para sempre. Nessa noite, o czar Nicolau II e a sua família foram brutalmente executados pelos bolcheviques. Houve apenas uma testemunha - o ajudante de cozinha. Ele é a única pessoa viva que realmente sabe o que se passou. Que segredos nos serão revelados sobre os últimos dias dos czares? É que, apesar de já ter passado quase um século, a prisão e execução do czar Nicolau e da sua família continuam envoltas em mistério e fascínio.
Numa prosa absorvente e elegante, combinando factos e ficção, Robert Alexander reconta a história através de Leonka, em tempos ajudante de cozinha dos Romanov, que afirma ser a "última testemunha viva" da brutal execução da família imperial.
É um livro arrebatador, com uma prosa eloquente e absorvente, com descrições das marés sangrentas provocadas pelos fiéis aos czares e aos bolcheviques.
Estamos pois perante um livro baseado em acontecimentos reais que o autor recria, quer no que foram os últimos dias da vida desta família como a sua trágica morte.
Afinal quem foi realmente Nicolau Alexandrovitch Romanov -Nicolau II, um homem delicado, terno, gentil, pai extremoso, ou o czar que tem historicamente, como legado, o mais sangrento reinado da história dos czares? Quem foi afinal a sua esposa, Alexandra Fiodorovna? Que veracidade existe, e em que medida, no seu "envolvimento" com Rapustine - bruxo e louco para o povo da época ? Foi aquela ou a mulher estóica que esteve sempre na retaguarda do seu czar e das grã duquesas, qual esposa fiel e mãe dedicada? Como viveram estes últimos dias aquelas quatro meninas, educadas na grande côrte dos czares?
Durante aproximadamente trinta anos, o autor, Robert Alexander, viajou pelas terras russas, onde frequentou a "Leningrad State University" e trabalhou para o governo Norte-Americano. Actualmente reside em Minneapolis, nos Estados Unidos.
Para quem já leu outras obras sobre a revolução russa, este episódio da história, em forma de romance, será certamente um contributo imprescindível, que a Bloom não quer deixar de partilhar com os seus leitores.
The Kitchen Boy, de Robert Alexander • Casa das Letras • ISBN: 9724616045 • 2005
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Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez
dois em mil.
Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se do velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já
foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um
corrimão providencial.
Esta antologia foi preparada com o objectivo de dar a conhecer a obra dos dois mais importantes nomes da literatura polaca da actualidade. Trata-se de uma antologia bilingue que compreende trinta e cinco poemas de Czeslaw Milosz (Nobel 1980) e outros tantos de Wislawa Szymborska (Nobel de 1996).Dois poetas aparentemente diferentes, Milosz tem vivido desde há longos anos fora do seu país, Szymborska, pelo contrário, poucas vezes saiu de Cracóvia. Contudo as suas poesias têm traços culturais comuns e reagem aos mesmos acontecimentos.
Esta edição é precedida de uma «Introdução» que contextualiza os dois autores e as suas obras dando linhas de leitura possíveis, quer comuns quer antagónicas, entre as duas obras.
Czeslaw Milosz (1911-2004) Prémio Nobel de Literatura 1980
Poeta, ensaísta, romancista, tradutor e historiador de literaura, nasceu na lituânia onde se formou em direito pela Universidade de Vilnius. Durante a II Guerra Mundial foi um dos animadores da actividade cultural clandestina polaca. Depois da guerra foi embaixador da Polónia em Washington e Paris, onde em 1951 ficou como exilado político. Em 1960 regressou aos Estados Unidos como professor de literaturas eslavas na Universidade de Berckeley. É autor de uma extensa obra, onde se destacam os vários volumes de poesia e os romances, O vale de Issa e A tomada do poder.A sua poesia tem um carácter reflexivo e discursivo, destacando-se pela sua disciplina clássica, objectivação da emoção lírica, bem como pela ironia e a linguagem simples, oral, procurando-se sintetizar a experiência humana através do recurso ao diálogo interior e desmascarar os mecanismos da manipulação política.
Wislawa Szymborska (1923 - ) Prémio Nobel da Literatura 1996Poetisa, crítica literária e tradutora, vive em Cracóvia, onde se formou em Filologia Polaca e Sociologia pela Universidade Jaguellonica. A sua extensa obra, traduzida em 36 línguas, foi caracterizada pela Academia de Estocolmo como «uma poesia que, com precisão irónica, permite que o contexto histórico e biológico se manifeste em fragmentos da realidade humana.» tendo sido a poetisa definida, ela própria, como «o Mozart da poesia».
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"As palavras têm para mim uma extrema importância. Que elas possuam uma vida própria, portanto, sejam mortais, é uma evidência para quem não reivindica um pensamento definitivo e uma visão edificante. Como é o meu caso. Existe na temporalidade das palavras um jogo quase poético de morte e renascimento: as sucessivas metaforizações fazem com que uma ideia se torne noutra coisa para lá dela mesma - uma 'forma de pensamento'. Porque a linguagem pensa, pensa-nos e pensa por nós, pelo menos enquanto nós pensamos através dela. Trata-se aqui de uma troca, que pode ser simbólica, entre palavras e ideias."
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And for tomorrow night as well
As a matter of fact
I know of no better topic
For us to discuss
Until we all
die!
To Persians, the fourteenth-century poems of Hafiz are not classical literature from a remote past, but cherished love, wisdom, and humor from a dear and intimate friend. Perhaps more than any other Persian poet, it is Hafiz who most fully accesses the mystical, healing dimensions of poetry, earning him the name "The Tongue of the Invisible" .Bookmarkers: English, Escritores / Writers, In Bloom, Livros / Books, Poem

