Uma estranha teia

As Ligações Perigosas (Les Liaisons Dangereuses) é um romance epistolar do século XVIII, da autoria de Choderlos de Laclos e publicado em 1782.
A obra retrata as relações de um grupo de aristocratas através das cartas trocadas entre si, na época imediatamente anterior à Revolução Francesa, —os nobres ociosos e sem escrúpulos dedicam-se com prazer a destruir as reputações de seus pares. O enredo tem como foco o Visconde de Valmont e da Marquesa de Merteuil, que manipulam e humilham as restantes personagens através de intrigas e jogos de sedução. Quando lançado, o livro foi considerado uma blasfémia, pois tratava de outro modo a burguesia francesa, mostrando a história de personagens vis, uma fiel retratação da realidade, muito além do até então pouco retratado género humano. Mais do que uma crítica à burguesia francesa, o livro é considerado uma obra-prima do género, pois penetrou muito a fundo a mente dos personagens, mostrando seus temores, desejos e malícias. Muito peculiar é a maneira como o autor, nas cartas, conseguiu criar uma personalidade a cada pergonagem, visto primeiramente pela sua maneira de escrever, e posteriormente pelas suas atitudes.
No decorrer do livro, ficam claras as más intenções dos protagonistas, e, ao mesmo tempo são retratadas as suas fraquezas, como o inesperado amor do Visconde de valmont pela Presidenta de Tourvel e a carta que retrata a vida da Marquesa de Merteuil mostra os motivos pelos quais ela se tornou tão vil.

O seu autor, Choderlos de Laclos, nasceu em Amiens, em Outubro de 1741. Foi militar de carreira e atingiu o posto de general pouco antes de morrer, em 1800. Escreveu As Ligações Perigosas quando estava aquartelado na Ilha de Ré e decidiu contar uma história que «ressoasse ainda na terra depois de por ela ter passado». Os privilegiados, disse Vailland, «não lhe perdoaram ter sido um revolucionário e os revolucionários inquietaram-se ao vê-lo tão bem informado dos prazeres dos privilegiados».

As Ligações Perigosas, de Choderlos de Laclos Editora Relógio d'Água

De humor refinado e implacável

"Os contos anexados, apesar de curtos, são textos com valor. Têm a vantagem de nos poupar tempo, pois não exigem uma atenção prolongada durante semanas ou meses.
Enquanto esperamos que o ovo esteja cozido ou que o número de telefone que marcámos fique desimpedido, podemos ler um conto de um minuto.
Se alguém não compreender alguma coisa, volte a ler o texto. Se continuar a não o entender, então o defeito está no conto. Não há gente estúpida, só há contos de um minuto mal escritos.”

[in Histórias de 1 Minuto]

Histórias de 1 Minuto, tratam-se de textos breves, que deixam ao leitor múltiplas interpretações sobre o seu sentido, e onde quase sempre se evocam situações banais fazendo uso de um humor fortemente satírico, procurando a crítica social e política."


István Örkény (1912 - 1979), nasceu em Budapeste, onde se formou em engenharia química e fármácia. Publica os seus primeiros escritos na década de 30, mas a sua carreira literária é interrompida pela II Grande Guerra, onde combate na frente soviética e, mais tarde, é feito prisioneiro. Em 1946 regressa à Hungria, profundamente marcado pelas experiências que viveu, que irão afectar todo o seu percurso pessoal e literário. Publica romances, reportagens e contos. Após um período em que a sua escrita é elogiada pelo regime comunista em vigor, torna-se dissidente e é proibido de publicar. A sua carreira literária e editorial retoma na década de 60, altura que coincide com a autenticidade e maturidade do seu estilo de escrita. É neste período que começa a compilar volumes de contos curtos que o próprio intitula de Contos de um minuto, que lhe granjeiam ampla notoriedade crítica e sucesso junto do público. Tratam-se de textos breves, que deixam ao leitor múltiplas interpretações sobre o seu sentido, e onde quase sempre se evocam situações banais fazendo uso de um humor fortemente satírico, procurando a crítica social e política. Para além destes Contos de 1 Minuto, e de alguns romances, Örkeny foi também uma das figuras mais importantes da dramaturgia moderna húngara. István Örkeny é um dos nomes mais célebres da literatura húngara no estrangeiro, estando traduzido em diversos idiomas.

A não perder, estas pequenas histórias carregadas de um delicioso humor sobre as banalidades do dia-a-dia, e que se podem ler num qualquer instante de espera, e que pacientemente aguardam, numa das estantes da Bloom, o momento de serem finalmente lidas.

Histórias de 1 Minuto, Vol. 1, de István Örkény
Tradutor: Piroska Felkai • Editora Cavalo de Ferro

Loucura, genialidade e non-sense

«Levar uma pancada na cabeça não é nada. Ser drogado duas vezes seguidas na mesma noite é desagradável mas vá lá... Mas sair para apanhar ar e acordar num quarto desconhecido com uma mulher, os dois com a roupa de Adão e Eva, isso é que já é um bocado forte de mais. Quanto ao que me aconteceu a seguir...»

Assim começa "Morte aos Feios" , por Boris Vian.

Boémio
Boris Vian nasceu em Ville d'Avray, em 1920. Aos 8 anos, lia Corneille, Racine
, Molière e Maupassant. Aos 12, sofreu de complicações cardíacas. Era um boémio: festas-surpresa, altas-velocidades e trocadilhos em rima eram os passatempos. Interessou-se por jazz e em 1937 entrou no Hot Club de França (tocava trompete).

Engenheiro mecânico
Estudou engenharia mecânica. Em 1942 começou a trabalhar na fábrica AFNOR. Entrou em conflito com a administração por estar sempre a corrigir erros ortográficos dos superiores. Publicou os primeiros escritos sob os pseudónimos Bison Ravi e Hugo Hachebuisson em 1944-45. Escreveu "Vercoquin et le plancton" (publicado em 1947) para onde transfere o clima de absurdo organizacional da fábrica. Foi despedido em 1946. O livro fê-lo conhecer Raymond Queneau, escritor, na altura editor da Gallimard. Começou a trabalhar na Office du Papier.

Escritor apaixonado por jazz
Escreveu em três meses "A Espuma dos dias", com que concorreu ao prémio da Pléiade, que não recebeu, apesar dos apoios de Queneau, Beauvoir e Sartre, com quem convivia. Escreveu em 1946 "Chronique du menteur" em vários números do "Temps Modernes". Publicou também "J'irai cracher sur vos tombes" sob pseudónimo de Vernon Sullivan, um "best-seller" censurado em 1949. Trabalhou na orquestra de jazz de Claude Abadie. Foi também trompetista e animador no bar "Le Tabou" em Saint-Germain, onde se reuniam artistas. Escreveu "L'Equarrissage pour tous", que adaptou para teatro: um fracasso. Em 1948 conheceu Duke Ellington, de visita a Paris. As edições Toutain publicaram "A erva ver
melha" (1950), recusado pela Gallimard.

"Matador"...
Foi nomeado "matador de primeira classe" no Colégio dos Patafísicos. A Patafísica é a ciência das soluções imaginárias: a missão era "explorar os campos negligenciados pela física e metafísica". O grupo tinha um pai espiritual (Alfred Jarry, escritor, morreu em 1907) e reunia o barão Mollé (amigo de Jarry e de Apollinaire), Michel Leiris, Ionesco, Henri Robillot, Pascal Pic, Jacques Prévert.

...e "déspota"
Dias antes de morrer, deu uma festa na "varanda dos três déspotas" - Vian, Prévert e Ergé - em honra do barão Mollé, recém-eleito curador dos Patafísicos. Foi a mais bela reunião, o apogeu do grupo, com Henri Salvador, Noël Arnaud, Pierre Kast ou René Clair. O "déspota" Latis pronunciou o elogio fúnebre de Vian, que sofria já de complicações cardíacas. "Morrerei antes dos 40", disse. Os médicos obrigaram-no a deixar o trompete. Morreu de ataque cardíaco, em 1959. Tinha 39 anos.
[in publico.pt]

Morte aos Feios, de Boris Vian * Relógio d'Água * A ferver na Bloom

Será que mata os teus medos?

A história contada em A Criatura Medonha tem lugar na Mata dos Medos, um cenário fantástico no qual as histórias e aventuras dos ouriços, coelhos, chapins e todos os outros bichos e plantas que ali habitam acontecem. Acontecem repetidas vezes, a várias horas do dia.
Em A Criatura Medonha, Álvaro Magalhães recupera os personagens de Contos da Mata dos Medos e prolonga as aventuras do Ouriço e seus amigos num estilo ainda mais depurado e criativo. Com uma escrita simultaneamente mágica e sensorial, o autor reafirma-se nesta obra como um verdadeiro mestre da imaginação e da arte de contar histórias.
Esta obra é ilustrada pelo lápis de Cristina Valadas, cujos desenhos nos levam a mergulhar, quase inconscientemente, no universo dos personagens retratados.
A história contada em A Criatura Medonha acontece na floresta que se estende ao longo de parte do litoral do Conselho de Almada, cobrindo as dunas e os medos que encimam a arriba fóssil da Costa da Caparica. Estes novos contos da Mata dos Medos lembram-nos que devemos usufruir dela com todo o cuidado e respeito.
Lançado pela Texto Editora em Dezembro passado, este livro teve a particularidade de ser um dos primeiros acontecimentos do grande aglomerado editorial Leya.

Álvaro Magalhães tem uma obra que se caracteriza por uma grande originalidade e invenção. Foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e Ministério da Cultura. Em 2002, o seu livro O Limpa-Palavras foi integrado na "Honour List " do Prémio Hans Cristian Anderson. Também em 2002, o seu livro Hipopóptimos recebeu o Grande Prémio Gulbenkian. Parte da sua obra está traduzida em Espanha e França. A sua colecção "Triângulo J", foi alvo de adaptação televisiva, sendo transmitida pela RTP1.

A Criatura Medonha, de Álvaro Magalhães
• LEYA / TEXTO EDITORA • DEZ 2007

A Obra verdadeira

O Idiota (em russo org: Идиот) é um livro escrito em Florença entre 1867 e 1868, durante quatro meses, por Fiódor Dostoiévski.
Após uma longa ausência de São Petersburgo, o príncipe Míchkin retorna ao seu país.
Oficialmente sofre de um estado de depressão nervosa, o que serve para evitar equívocos quando à real condição do príncipe: este padece de uma forma totalmente idiota de ser, que se torna visível na mais pequena demonstração da vontade que carece ter. Consequentemente à falta de decisão e vontade própria, Míchkin tem uma confiança ilimitada naqueles que o rodeiam. No decorrer da sua viagem conhece Rogójin, um exuberante e abastado jovem de quem se faz amigo. Rogójin entretém o príncipe com o desenvolver da sua ardente paixão por uma certa Nastássia Filíppovna, mulher bela e generosa, mas de reputação duvidosa. Ao chegar a casa do general Epantchin, Míchkin ouve falar nova-mente de Nastássia e apercebe-se que Gánia, o jovem secretário do general, pretende desposá-la pelo seu dote. O príncipe sente o desejo irresistível de a encontrar, o que acontece na casa de Gánia. Segundo o seu entender, Nastássia não merece casar com um homem que não a ame, que queira apenas o seu dinheiro, como é a intenção de Gánia. Entretanto um embriagado Rogójin oferece a Filíppovna uma enorme quantia de dinheiro para que ela fique com ele. Míchkin percebe o desespero em que a jovem mulher se encontra e pede-a em casamento para a salvar da perdição total, mas Nastássia acaba por se render e fugir com o rico mercador. Os dois homens, anteriormente unidos por uma cúmplice amizade, tornam-se temíveis rivais. Rogójin tenta mesmo assassinar Míchkin. Entretanto, Aglaia, a filha mais nova do general Epantchin, declara o seu amor a Míchkin. O príncipe não fica indiferente a tamanha manifestação, e chega mesmo a acreditar que se encontra apaixonado por ela. Mas Nastássia não suporta a ideia de ter uma rival no coração de Míchkin e aceita desposá-lo. Rapidamente Míchkin renuncia do seu amor por Aglaia para salvar Nastássia. No dia do casamento, a noiva foge novamente com Rogójin, que acaba por matá-la. A história iniciada com o encontro de Míchkin e Rogójin desfecha-se com um reencontro dos mesmos junto do corpo inerte de Nastássia. O príncipe, que encontra Rogójin banhado em lágrimas de arrependimento, acaba por soçobrar num estado de demência total. Ao fazer de Míchkin uma espécie de encarnação ideal da bondade e da humildade, um héroi entre as figuras de D. Quixote e Jesus Cristo, Dostoiévski demonstra o que pode suceder a um homem genuinamente bom quando posto em confronto directo com a pérfida realidade envolvente. Publicado em 1869, «O Idiota» é, dos cinco grandes romances de Dostoiévski, o mais perfeito a nível estilístico e de construção dos personagens, mas também o mais incompreendido na sua época. «O Idiota» retrata o conflito sentimental sem resposta entre o bem, o belo, o mal, o ódio, a aversão e o rancor, que, com o seu génio, Dostoiévski trata de uma forma única e intemporal.

Por um tempo amaciado, de degelo, de fins de Novembro, cerca das nove da manhã, o comboio de caminho-de-ferro Petersburgo-Varsóvia aproximava-se a todo o vapor de S. Petersburgo. Estava tão húmido e havia tanto nevoeiro quer amanhecia a custo; era difícil distinguir alguma coisa das janelas da carruagem a mais de dez passos à esquerda e à direita da linha. Entre os passageiros, alguns voltavam do estrangeiro; mas o grosso dos viajantes, gente simples e de trabalho, enchia a terceira classe e viajava em lugares não muito distantes. Como de costume, toda a gente estava cansada, de olhos pesados ao fim da noite, com frio, todos os rostos de um pálido amarelado, da mesma cor da neblina.
Numa das carruagens de terceira classe calhou ficarem frente a frente do lado da janela, desde o amanhecer, dois passageiros - ambos jovens, ambos quase sem bagagem, ambos com roupa longe de ser elegante, ambos dotados de notáveis fisionomias e ambos com vontade de, finalmente, meterem conversa um com o outro. Se soubessem um do outro o que sobretudo os tornava dignos de nota neste momento, decerto se espantariam que, de modo estranho, o acaso os tivesse sentado frente a frente numa carruagem de terceira classe do comboio Varsóvia-Petersburgo. Um era baixo, de uns vinte e sete anos, cabelo encaracolado, quase preto, olhos cinzentos pequenos mas flamejantes. Tinha o nariz largo e achatado, as maçãs-do-rosto salientes; os seus lábios finos formavam a cada instante um sorriso descarado, sarcástico, mesmo malvado; mas a fronte era alta e bem desenhada, compensando a rudeza da parte inferior do rosto. Era sobretudo notório neste rosto uma palidez mortal que dava ao jovem um aspecto extenuado apesar da sua compleição bastante sólida e, ao mesmo tempo, uma espécie de paixão próxima do sofrimento, em desarmonia com o seu sorriso atrevido e bruto e com o olhar brusco e presunçoso. Estava bem agasalhado numa peliça larga de pele de carneiro preto e não passara frio à noite, ao passo que o vizinho experimentara nas costas toda a doçura da húmida noite russa de Novembro, para a qual, pelos vistos, não estava preparado. Trazia uma capa sem mangas bastante grossa e larga, com um capuz enorme, como a usada pelos viajantes invernais algures no estrangeiro longínquo, na Suiça ou, digamos, no Norte de Itália, sem ter, evidentemente, em conta distâncias como a de Eidkunen a Petersburgo. O que era útil e satisfatório em Itália tornava-se pouco adequado na Rússia. O proprietário da capa com capuz era um jovem, também de vinte e seis ou vinte e sete anos, de estatura um pouco superior à média, muito loiro, de cabelo espesso, faces cavadas e uma barbicha muito leve, pontiaguda, quase branca. Tinha uns grandes olhos azuis e atentos. Havia naqueles olhos uma grande clama, embora pesada, e algo carregado daquela expressão estranaha que leva algumas pessoas a detectar nela epilepsia. O rosto jovem, porém, era simpático, fino, seco, mas descorado, de momento ainda azulado de frio. Das mãos pendia-lhe uma pobre trouxa de pano desbotado que, pelos vistos, continha todos os seus haveres de viagem. Calçava sapatos de sola grossa com polainas - tudo à moda estrangeira. O vizinho de cabelo preto e peliça examinou-lhe o equipamento, em parte por não ter mais nada que fazer, e perguntou com aquele risinho pouco delicado com que às vezes se exprime descuidadamente e sem cerimónias o prazer das pessoas à vista dos azares do próximo:
- Tem frio?
E encolheu os ombros.
- Muito frio - respondeu o vizinho com grande prontidão - e repare: o tempo degelou. E se estivesse gelo? Não pensava que fizesse tanto frio na nossa terra, já estava desabituado.
- Vem do estrangeiro?
- Sim, da Suiça.
- Irra, onde se foi meter!
O do cabelo preto assobiou e riu-se.
Dostoiévski é um dos escritores preferidos da Bloom, será sempre uma presença habitual enquanto existirmos. Aqui ele será sempre imortal. Será sempre de hoje.

O Idiota, de Fiódor Dostoiévski • PODIA ATÉ SER OUTRO • PUBLICADO PELA PRESENÇA

squalor • noun
they lived in squalor DIRT, filth, grubbiness, grime, muck, foulness, vileness, poverty, wretchedness, meanness, seediness, shabbiness, sordidness, sleaziness, NEGLECT, decay, dilapidation; informal scruffiness, crumminess, grunge, rattiness. ANTONYM cleanliness, pleasantness, smartness.
[SEARCH IT HERE IF YOU STILL DIDN'T GET IT!]

Sabes o que uma parede diz para a outra?

A arte de contar a vida banal, fazendo luzir o que no banal quotidiano há sempre de excepcional, o dom da agilidade narrativa, a capacidade de muito rapidamente sugerir o mais profundo de uma personagem apenas esboçada fazem de J.D. Salinger um dos mais fascinantes, porventura o mais talentoso dos contistas norte-americanos do nosso tempo.
Este seu livro já antigo, mas sempre actual, agora reeditado em português, Nove contos, é disso exemplo. Salinger, esse homem quase bisonho e misterioso, que foge a toda e qualquer publicidade, escondendo-se nos confins dos Estados Unidos, é o escritor moderno que melhor alia uma profunda humanidade a um constante humor. E sabe dialogar com um raríssimo instinto do verosimil insólito, como no primeiro e prodigioso conto, tão simples, , do volume, Um Dia Ideal para o Peixe-Banana. Em poucas páginas assistimos às conversas telefónicas da um pouco frívola Muriel num hotel da Flórida, sobre o seu esquisóide marido, que veio da guerra transtornado, enquanto ele, na praia, conversa com grande doçura e inventividade com uma menina pequenina e caprichosa, a quem ensina a pescar o imaginário peixe-banana. Depois sobe até ao quarto e, muito tranquilo, mete uma bala na própria cabeça, enquanto olha para Muriel, que nem o vê.
Todos os contos são verdadeiras preciosidades e a tradução de José Lima é correcta e fluente.
[URBANO TAVARES RODRIGUES]

A escrita de Salinger é magnífica, original, séria e profundamente bela. Aqui estão nove dos seus contos, e a razão pela qual são tão interessantes, e tão poderosos lidos em conjunto, é porque são paradoxais. Por fora, são frequentemente divertidos, por dentro, são de quebrar o coração. Eles podem fazer isso porque são puros.
[The New York Times Book Review]

Um livro a não perder que pode encontrar na Bloom e que o pode surpreender ao virar de cada página. Como quem vira uma esquina e dá com a pessoa certa. Com o tempo certo. Com a vida certa. Mesmo que não seja a certa é qualquer coisa de muito boa, a vida. É assim a escrita de Salinger. Ele e mais uns poucos fazem tudo o que há para ler.

Nove Contos, J. D. Salinger • DIFEL • UMA DATA DE PÁGINAS

We want to share dozens of it

One of the last additions to Bloom. This is the best-selling cookbook in Spain for the last thirty years and since its publication almost forty years ago. Now in English on the good eyes of Phaidon Press.

Following close on the heels of the public’s love of Italian food, Spanish food is fast growing in popularity with more and more Spanish restaurants emerging all over the world and a tapas-style revolution happening in the way we eat out.
1080 Recetas de Cocina is a comprehensive collection of traditional and authentic Spanish recipes, covering everything from tortilla to bacalao. This title has been a bestseller in Spain since it was first published, and with over 2 million copies sold it can be found in most kitchens across the country. The book’s author, Simone Ortega is considered to be the doyen of cooking in Spain and has written about food for numerous years, including for magazines and in books.
Since its first publication, over 35 years ago, 1080 has undergone several updates to keep it relevant to modern living while still preserving the integrity of the original book. For the English and American editions, the recipes have been adapted to suit readers in these countries and their kitchens, and include alternatives for local ingredients where necessary, but the authenticity of the original recipes has been carefully maintained.
Divided into 14 chapters, and including menu plans from celebrated Spanish chefs, cooking tips and a glossary of terms and ingredients, 1080 is presented in an approachable and user-friendly format. In addition, the no-fuss, encouraging style of the recipes makes this a book for everyone who has ever wanted to cook authentic Spanish food. 1080 offers readers the opportunity to take their first steps in Spanish cooking, or expand their repertoire of recipes, with one of Spain’s best loved cooks.

COME FOR A GOOD TASTE AT BLOOM!
[SMELL THE SPECIAL WEBSITE HERE]

1080 Recipes, by Simone and Inés Ortega
1080 Spanish recipes, the bible of authentic Spanish cookery.
PHAIDON PRESS • 2007 • UK EDITION • 500 COLOUR ILLUSTRATIONS • 104 COLOUR PHOTOS • 976 PAGES

For Semra, with Martial Vigor

How much do writers make? she said
first off
she’d never met a writer
before
Not much I said
they have to do other things as well
Like what? she said
Like working in mills I said
sweeping floors teaching school
picking fruit
whatnot
all kinds I said
In my country she said
someone who has been to college
would never sweep floors
Well that’s just when they’re starting out I said
all writers make lots of money
Write me a poem she said
a love poem
All poems are love poems I said
I don’t understand she said
It’s hard to explain I said
Write it for me now she said
All right I said
a napkin/a pencil
for Semra I wrote
Not now silly she said
nibbling my shoulder
I just wanted to see
Later ? I said
putting my hand on her thigh
Later she said

O Semra Semra
Next to Paris she said
Istanbul is the loveliest city
Have you read Omar Khayyam? she said
Yes yes I said
a loaf of bread a flask of wine
I know Omar backwards
& forwards
Kahlil Gibran? she said
Who? I said
Gibran she said
Not exactly I said
What do you think of the military? she said
have you been in the military?
No I said
I don’t think much of the military
Why not? she said
goddamn don’t you think men
should go in the military
Well of course I said
they should
I lived with a man once she said
a real man a captain
in the army
but he was killed
Well hell I said
looking around for a saber
drunk as a post
damn their eyes retreat hell
I just got here
the teapot flying across the table
I’m sorry I said
to the teapot
Semra I mean
Hell she said
I don’t know why the hell
I let you pick me up

"Ya nada Ahora"

YA NADA AHORA
Largo es el arte; la vida en cambio corta como un cuchillo
Pero nada ya ahora

—ni siquiera la muerte, por su parte inmensa—

podrá evitarlo: exento, libre,
como la niebla que al romper el día los hondos valles del invierno exhalan,
creciente en un espacio sin fronteras,
este amor ya sin mí te amará siempre.

O poeta espanhol Angel Gonzalez faleceu na madrugada do passado dia 12 de Janeiro aos 82 anos, em Madrid. O autor, laureado com o prémio Príncipe das Astúrias em 1985, e com o prémio Rainha Sofia de poesia hispano-americana em 1996, vivia nos Estados Unidos desde 1993.

Angel Gonzalez, nascido em 1925 em Oviedo, Astúrias, leccionava actualmente na Universidade de Albuquerque, no Novo México, sul dos EUA.

Entre a sua vasta obra, o autor deixa "Áspero mundo" (1956), "Grado elemental" (1962), "A todo amor" (1988), e as antologias "Lecciones de cosas y otros poemas" (1998), e "Otoño y otras luces" (2001).
Um poeta sem fronteiras que desaparece, mas cujos poemas ficarão para sempre entre os que vivem.

A dificuldade da absolvição

No dia mais quente do Verão de 1935, Briony Tallis, de 13 anos, vê a irmã Cecilia despir-se e mergulhar na fonte que existe no jardim da sua casa.
É também observada por Robbie Turner, um amigo de infância que, à semelhança de Cecilia, voltou há pouco tempo de Cambridge. Depois desse dia, a vida das três personagens terá mudado para sempre. Robbie e Cecilia terão ultrapassado uma fronteira que, à partida, nem sequer imaginavam e tornar-se-ão vítimas da imaginação da irmã mais nova. Briony terá presenciado mistérios e cometido um crime que procurará expiar ao longo de toda a sua vida.
A partir desses acontecimentos que vê mas que não entende, ela torna-se responsável pela prisão de um homem inocente, (Robbie, o namorado da sua irmã mais velha).
Anos mais tarde, durante a Segunda Guerra Mundial, Briony tenta expiar a sua culpa trabalhando como enfermeira, cuidando das pilhas de homens feridos que chegam de Dunquerque, onde o próprio Robbie se encontra.
Expiação é, porventura, a melhor obra de Ian McEwan. Descrevendo de forma brilhante e cativante a infância, o amor e a guerra, a Inglaterra e a situação de classes, contém no seu âmago uma exploração profunda – e muito comovente – da vergonha, do perdão, da expiação e da dificuldade da absolvição.
Prémio para o Melhor Livro de Ficção de 2002 atribuído pelo The National Book Critics Circle, a associação americana de críticos literários. Foi nomeado para o Booker Prize e para o Whitbread Award 2001.

Um livro para ler e depois complementar com a versão cinematográfica que foi premiado com o Globo de Ouro para Melhor Filme.
Disponível na Bloom em Português e também na sua versão original em Inglês, "Atonement".

Expiação, de Ian McEwan • Gradiva • ISBN: 9726628229 • 2005

Forever breathes the lonely word

Lawrence Hayward (born August 12, 1961, also known as Larry, Jon Lawrence or simply Lawrence) is best known as the enigmatic singer, songwriter and guitarist of seminal British indie band Felt. He is often described as being eccentric.
Felt released ten albums in the 1980s, and Lawrence was the only constant member of the band from its inception in 1979 to its dissolution in 1989, though he doesn't appear at all on the band's penultimate album, Train Above The City. During his time in the band, he served as lyricist and primary songwriter, though early on he shared songwriting credits with then-lead guitarist Maurice Deebank, who left the band in 1986.
Very little is known about Lawrence's background or personal life - even his last name has never been verified, since in official songwriting credits, only his first name is given. It is sometimes reported that he is from Water Orton, a suburb on the outskirts of Birmingham (where Felt formed), though at times Birmingham itself is reported as his place of birth. Early on he was heavily influenced by Tom Verlaine of Television in both his guitar-playing and his idiosyncratic vocals.
After the dissolution of Felt, Lawrence formed Denim. Influenced by 1970s glam rock, Denim released two albums in the 1990s, plus a compilation of B-sides and extra tracks, but mainstream success continued to elude Lawrence. A third album, Denim Take Over, was shelved indefinitely.
1999 saw the full-length debut of Lawrence's current project, Go Kart Mozart, released through his personal imprint, West Midlands Records and distributed by Cherry Red. The 2005 follow-up was titled Tearing Up The Album Charts – a wry comment on his failure to achieve commercial success, a habit the album itself did nothing to break. UNCUT awarded Lawrence the dubious honour of being "one of the stars fame forgot".
Since August 2006, Lawrence has been working on a new Go Kart Mozart album. Additionally, filmmaker Paul Kelly has worked on a documentary centred around Lawrence, titled Lawrence of Belgravia (a reference both to the Englishman who led the Arab Revolt and the district of Central London in which Lawrence resides), which was set to premiere at the London Film Festival in either October or November 2006, but failed to be ready.
Updated info on the Unofficial Felt site.
[SOURCE WIKIPEDIA] [MORE HERE] [ONE OF THEIR SONGS] [AND ANOTHER ONE]

Lá fora cá dentro

Agora que os cigarros se tornaram proibidos dentro da maioria dos espaços públicos em Portugal, surge a necessidade, para quem fuma e para quem quer continuar a fumar, nos cafés, nas discotecas, nas boutiques, de criar soluções que contornem esta norma, e assim ficam todos contentes.
O Smoker Bell é uma das alternativas para continuar a fumar enquanto se bebe uma cerveja sem necessidade de evasão para um espaço ao ar livre. É um projecto da designer Florian Brillet e pode ser encontrado aqui. Fica de certeza muito bem na Ginginha do Rossio.

Sem nada pelo meio

Escritos entre 1955 e 1963, estes ensaios revelam a evolução temática que conduziu o autor às suas formulações posteriores, à noção de «obra aberta», à investigação sobre os problemas da comunicação, que ainda se encontram no centro dos seus interesses. Na primeira parte desta obra, estão reunidos textos históricos e teóricos. Através de um exame de diversas posições contemporâneas acerca de estética, Umberto Eco procede à discussão do conceito de arte. Todavia, na segunda parte (onde, em geral, se debate o conceito de «forma» nas poéticas contemporâneas), o autor volta ao problema da definição da arte, com uma tentativa de mostrar como os instrumentos produzidos pela estética especulativa podem servir ainda para dar corpo às manifestações mais extremas da arte experimental da actualidade. A última parte («Problemas de método») reúne dois textos que, para além do mais, podem ser lidos como uma introdução ao trabalho posteriormente desenvolvido por Eco, desembocando numa obra como La Struttura Assente (A Estrutura Ausente), em 1968. Aliás, no seu conjunto, A Definição da Arte é um livro que se articula estreitamente com as três obras centrais de Umberto Eco: Opera Aberta; Apocalittici e Integrati e La Struttura Assente.

A Definição da Arte, de Umberto Eco • EDIÇÕES 70

Chronicle Green

How to Reduce Your Carbon Footprint is the world citizen's guide to pushing back the advance of global warming. This colorful handbook offers 500 practical, easily achievable ideas that conserve energy, prevent pollution, and save money. Did you know that unplugging appliances and cell phone chargers when not in use can reduce electricity bills by 10 percent? Or that recycling just one glass bottle saves enough power to run a computer for 30 minutes? Whether the subject is jet travel, dishwashing, or any of the 50 topics in the book, surprising statistics and innovative graphics will inspire action and demonstrate that simple habits can lead to big results.

Joanna Yarrow is a United Kingdom-based expert on sustainable living and the author of 1,001 Ways to Save the Earth. She is a frequent media commentator on environmental issues.

How to Reduce Your Carbon Footprint
500 Simple Ways to Save Energy, Resources and Money, by Joanna Yarrow
CHRONICLE BOOKS • 128 PAGES • PAPERBACK


The world is changing, and along with it, so must our eating habits. Author and restaurateur Jesse Ziff Cool has compiled over 30 years of knowledge about organic, local, and sustainable food into one magnificent cookbook. With 150 enticing recipes, Simply Organic encourages home cooks to embrace organics as a lifestyle rather than a fad. Cool organizes her chapters seasonally to ensure that the freshest, ripest ingredients enhance the flavors of dishes like Filet Mignon with mashed Potatoes and Leek Sauce in early spring to Pumpkin Raisin Bread Pudding in autumn. Inspiring profiles on farmers and producers reveal how these individuals are working to create a sustainable future every day.

Jesse Ziff Cool is dedicated to sustainable agriculture as a writer, spokesperson, and restaurateur. Her books include The Really, Truly, Honest-to-Goodness One-Pot Cookbook.
France Ruffenach is a San Francisco-based photographer whose work includes Tartine.

Simply Organic A Cookbook for Sustainable, Seasonal, and Local Ingredients, by Jesse Ziff Cool • Photographs by France Ruffenach
CHRONICLE BOOKS • 248 PAGES • PAPERBACK


When Adam Lowry and Eric Ryan founded Method, the environmentally friendly brand of cleaning products, they used packaging stylish enough to showcase on the countertop and pleasant aromas such as green tea and cucumber to transform household products into must-have lifestyle accessories. And when they coined the phrase "People Against Dirty," they weren't just talking about the stuff you track in on your shoes—they also meant the toxic chemicals that make up many household detergents. Packed with helpful tips and surprising facts, their first book, Squeaky Green, is a totally informative and completely entertaining room-by-room guide to giving dirty the boot. Squeaky Green is rehab for chemically dependant homes.

Chemical engineer Adam Lowry and marketing guru Eric Ryan are the founders of Method, the innovative manufacturer of consumer goods sold in over 25,000 retail locations in the U.S., Canada, and the U.K. They live in San Francisco with their families.

Squeaky Green The Method Guide to Detoxing Your Home, by Adam Lowry and Eric Ryan
CHRONICLE BOOKS • 158 PAGES • CONCEALED WIRE-O BINDING • PAPERBACK


Record numbers of parents are choosing organic foods and non-toxic products that are healthier for their children and gentler on the planet—to the tune of $50 billion dollars spent worldwide last year. Now it's easier than ever to create an eco-friendly environment for little ones without sacrificing comfort and style. Author of The Healthy Home Workbook, interior designer and new mother Kimberly Rider offers parents dozens of solutions that fit their priorities and their lifestyle—and their budget. From cribs to bubble bath to baby's first foods, Rider highlights health concerns, navigates the range of available products, and guides the way to safe and appealing choices. Colorful photos, smart tips and guidelines, and tabbed sections make this an inspirational and practical handbook. In Organic Baby, Mother Nature truly knows best.

Kimberly Rider is a frequent guest on HGTV's Curb Appeal and a host of its 100 Sizzling Summer Ideas. She lives in Marin County, California, with her family.
Thayer Allyson Gowdy is a San Francisco-based photographer.

Organic Baby Simple Steps for Healthy Living, by Kimberly Rider • Photographs by Thayer Allyson Gowdy
CHRONICLE BOOKS • 176 PAGES • CONCEALED WIRE-O BINDING • TABBED PAGES • HARDCOVER

The New York Times 10 Best Books of 2007


FICTION
Man Gone Down
By Michael Thomas. Black Cat/Grove/Atlantic, paper.
This first novel explores the fragmented personal histories behind four desperate days in a black writer’s life.

Out Stealing Horses
By Per Petterson. Translated by Anne Born. Graywolf Press. In this short yet spacious Norwegian novel, an Oslo professional hopes to cure his loneliness with a plunge into solitude.

The Savage Detectives
By Roberto Bolaño. Translated by Natasha Wimmer. Farrar, Straus & Giroux. A craftily autobiographical novel about a band of literary guerrillas.

Then We Came to the End
By Joshua Ferris. Little, Brown & Company. Layoff notices fly in Ferris’s acidly funny first novel, set in a white-collar office in the wake of the dot-com debacle.

Tree of Smoke
By Denis Johnson. Farrar, Straus & Giroux. The author of “Jesus’ Son” offers a soulful novel about the travails of a large cast of characters during the Vietnam War.

NON FICTION
Imperial Life in the Emerald City: Inside Iraq's Green Zone
By Rajiv Chandrasekaran. Alfred A. Knopf; Vintage, paper.
The author, a Washington Post journalist, catalogs the arrogance and ineptitude that marked America’s governance of Iraq.

Little Heathens: Hard Times and High Spirits on an Iowa Farm During the Great Depression
By Mildred Armstrong Kalish. Bantam Books. Kalish’s soaring love for her childhood memories saturates this memoir, which coaxes the reader into joy, wonder and even envy.

The Nine: Inside the Secret World of the Supreme Court
By Jeffrey Toobin. Doubleday. An erudite outsider’s account of the cloistered court’s inner workings.

The Ordeal of Elizabeth Marsh: A Woman in World History
By Linda Colley. Pantheon Books. Colley tracks the “compulsively itinerant” Marsh across the 18th century and several continents.

The Rest is Noise: Listening to the Twentieth Century
By Alex Ross. Farrar, Straus & Giroux. In his own feat of orchestration, The New Yorker’s music critic presents a history of the last century as refracted through its classical music.

Nesta mão que te dizia adeus

Em Lisboa, sua terra natal. Sombria e solitária. Ernesto Sampaio, poeta, tradutor, pensador, bibliotecário, jornalista, morreu esta semana, junto dos seus livros e das suas memórias. Em sua casa. A casa que, para este poeta, passou a ser "lá longe onde nascem os lobos".
A morte arrancou-o subitamente, assim como o fizera, no ano anterior, à actriz Fernanda Alves, sua mulher. O seu último livro, "Fernanda" (Fenda, 2000) , a que ele chamava "o seu coração empalhado", é o testemunho dessa morte e de um amor decisivo que foi, do lado dos grandes afectos, o sustentáculo de uma vida: "Estar vivo é acordar todas as manhãs no inferno. A recordação de um só dia contigo torna inúteis o labor e o prazer de todos os dias que me restam viver". A morte dela não pode deixar de estar associada a este final de vida de Ernesto.
Ernesto Sampaio foi um dos grandes teóricos do surrealismo, embora a sua obra seja curta e o seu temperamento tenha sido discreto. Disse ele, numa entrevista ao PÚBLICO (12-10-93): "Dá-me um certo prazer ser esquecido, assistir às coisas como se não existisse, como se não tivesse uma presença real, estar e não estar".
Este desejo de estar à parte, numa espécie de não visibilidade, tornou-o pouco conhecido dos leitores, mas um nome indispensável para o conhecimento das margens da literatura portuguesa contemporânea, ao lado, por exemplo, de Cesariny, Herberto Helder, Ângelo de Lima ou António Maria Lisboa. O próprio Herberto antologiou-o na sua obra "Edoi Lelia Douro" (Assírio e Alvim, 1985) e escreveu sobre ele: "As reflexões sensíveis deste autor, os seus poemas - meditações ou como se lhes queira chamar - são dos textos mais agudos e corajosos que entre nós se escreveram, na modernidade, dentro da e sobre a 'experiência poética'".
O que disse Ernesto, de Fernanda, pode ser dito agora dele, pela suas próprias palavras: "É uma planta que continua a florescer depois de ter sido arrancada".

SOBRE O AUTOR
Ernesto Sampaio nasceu em Lisboa em 1935. Considera a sua terra natal horrível, infestada de provincianos, de bimbos criminosos, mas mesmo assim, pelo menos a Ocidente, nunca viu outra melhor.Infância e adolescência um tanto pasmadas: foi quase sempre último da classe até que de repente passou a ser o primeiro. Nesse mesmo ano abandonou os estudos e partiu à aventura. Voltou arrependido. Depois como toda a gente, aceitou a canga do trabalho e deixou-se esticar pela roda infatigável do hábito e da rotina: foi actor, bibliotecário, jornalista [&ETC, DN, DL, Público], professor do ensino secundário, entre outras desvairadas profissões [foi tradutor de Artaud, Breton, Péret, Arrabal, Ionesco, Thomas Bernhard, Arthur Adamov, Walter Benjamin, Oscar Wilde, Eliot, etc] mas agora deixou-se disso. "Ninguém sabe de que vive, nem sequer ele próprio, embora viva bem …
[in Feriados Nacionais, Fenda, 1999]

Fernanda, de Ernesto Sampaio • FENDA • À VENDA NA BLOOM

On book hunger (part VI)

«I would like you to imagine yourselves, somewhere in Southern Africa, standing in an Indian store, in a poor area, in a time of bad drought. There is a line of people, mostly women, with every kind of container for water. This store gets a bowser of water every afternoon from the town and the people are waiting for this precious water.
The Indian is standing with the heels of his hands pressed down on the counter, and he is watching a black woman, who is bending over a wadge of paper that looks as if it has been torn out of a book. She is reading Anna Karenin.
She is reading slowly, mouthing the words. It looks a difficult book. This is a young woman with two little children clutching at her legs. She is pregnant. The Indian is distressed, because the young woman's headscarf, which should be white, is yellow with dust. Dust lies between her breasts and on her arms. This man is distressed because of the lines of people, all thirsty, but he doesn't have enough water for them. He is angry because he knows there are people dying out there, beyond the dust clouds. His brother, older, had been here holding the fort, but he had said he needed a break, had gone into town, really rather ill, because of the drought.
This man is curious. He says to the young woman. "What are you reading?"
"It is about Russia," says the girl.
"Do you know where Russia is?" He hardly knows himself.
The young woman looks straight at him, full of dignity though her eyes are red from dust, "I was best in the class. My teacher said, I was best."
The young woman resumes her reading: she wants to get to the end of the paragraph.
The Indian looks at the two little children and reaches for some Fanta, but the mother says "Fanta makes them thirsty."
The Indian knows he shouldn't do this but he reaches down to a great plastic container beside him, behind the counter and pours out two plastic mugs of water, which he hands to the children. He watches while the girl looks at her children drinking, her mouth moving. He gives her a mug of water. It hurts him to see her drinking it, so painfully thirsty is she.
Now she hands over to him a plastic water container, which he fills. The young woman and the children, watch him closely so that he doesn't spill any.
She is bending again over the book. She reads slowly but the paragraph fascinates her and she reads it again.

"Varenka, with her white kerchief over her black hair, surrounded by the children and gaily and good-humouredly busy with them, and at the same visibly excited at the possibility of an offer of marriage from a man she cared for, looked very attractive. Koznyshev walked by her side and kept casting admiring glances at her. Looking at her, he recalled all the delightful things he had heard from her lips, all the good he knew about her, and became more and more conscious that the feeling he had for her was something rare, something he had felt but once before, long, long ago, in his early youth. The joy of being near her increased step by step, and at last reached such a point that, as he put a huge birch mushroom with a slender stalk and up-curling top into her basket, he looked into her eyes and, noting the flush of glad and frightened agitation that suffused her face, he was confused himself, and in silence gave her a smile that said too much."
This lump of print is lying on the counter, together with some old copies of magazines, some pages of newspapers, girls in bikinis.
It is time for her to leave the haven of the Indian store, and set off back along the four miles to her village. It is time... outside the lines of waiting women clamour and complain. But still the Indian lingers. He knows what it will cost this girl – going back home, with the two clinging children. He would give her the piece of prose that so fascinates her, but he cannot really believe this splinter of a girl with her great belly can really understand it.»
[DORIS LESSING ON THE NOBEL ACCEPTANCE SPEECH] [PHOTO OF GRETA GARBO ON THE ROLE OF ANNA KARENIN]
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No espaço de uma língua

A ideia de lusofonia identifica uma área cultural cheia de possibilidades, mas não desprovida de equívocos. Diante do imparável processo de globalização da economia, que se ergue diante de nós pela força da tecnologia, a ideia de espaço lusófono identifica uma área cultural de solidariedades horizontais, que decorrem da partilha de uma mesma língua e da miscigenação de memórias e tradições.
Este livro interroga a permanente reconstrução do conceito de lusofonia, bem como o papel da comunicação e dos media nessa reconstrução. Interroga, também, as políticas da língua no contexto do desenvolvimento da área cultural e comunicacional lusófona. Identifica e debate as principais estruturas de comunicação, nacionais e supranacionais, desta área cultural. Debruça-se, ainda, sobre a importância das representações e dos estereótipos sociais veiculados pelos media no desenvolvimento e na reconfiguração da identidade lusófona.
Uma parceria entre a editora Campo das Letras e o Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. Obra organizada por três docentes do Departamento de Ciências da Comunicação (Moisés de Lemos Martins, Helena Sousa e Rosa Cabecinhas), na sequência da I.ª Conferência Internacional sobre Comunicação e Lusofonia, que teve lugar, em Outubro de 2005, na Universidade do Minho.

Comunicação e Lusofonia - Para uma abordagem crítica da cultura e dos media
Moisés de Lemos Martins, Helena Sousa e Rosa Cabecinhas (eds.)
CAMPO DAS LETRAS • 2006

The world of children

Since last month we're having the great german HABA brand in store. They have an amazing catalog, for children of all age and for all the family, from tiny tin games to furniture sets. Check them at WWW.HABA.DE, we can bring to you everything you like. Come to Bloom and ask for a catalog or send us a special inquiry through our main email address. From time to time we'll show you here what makes HABA an amazing trade name.
Thank you! And again: HAPPY NEW YEAR!

Snow White and the Seven Dwarfs

A cheeky die game for 2 dwarfs ages 5-99
Authors: Wolfgang Dirscherl and Markus Nikisch
Illustrations: Stefan Fischer


Contents
7 dwarfs
1 die
Set of game instructions


Preparation of the Game
Spread the seven dwarfs in the center of the table and get the die ready.

How to Play

Play alternately. Who has seen a dwarf most recently? You may start first. If you cannot agree, the younger player starts and rolls the die.

On the die thereappears:

A Colored Dwarf's Cap? - Take a dwarf of this color from the center and place it in front of you.If there is no dwarf of this color left in the center you can steal it from the other player. Nothing happens if you already have all the dwarfs of that color.
Beautiful Snow White? -The dwarfs love Snow White! Take any of the dwarfs from the center or from the other player and put it in front of you.
The Wicked Witch? - Oh dear! The witch has thought of something mean! Choose a color.Both players must then return all the dwarfs of this color to the center. Then it's the turn of the other player to roll the die.

End of the Game
The game ends when there is no dwarf left in the center.The players count their dwarfs. Whoever has the most, wins the game.

Os outros

É pá! Nem me digas isso, pá, o Namora é abaixo de cão, nem é abaixo de Namora, é abaixo de cão, isso eu escrevi! E, aliás, ainda por cima é gatuno, roubou lá umas coisas ao Vergílio Ferreira. Nesse ponto o Vergílio Ferreira tinha uma posição de grande valor intelectual e bagagem ensaística. Agora foi ultrapassado por este, o Saramago, que é muito mais novo. É inteiramente justo. Eu comprei o Evangelho, ele costumava-me mandar, mas eu comprei: li duas páginas e depois fui ver que faltavam ainda 500 ou 400 e não li mais nada.
[Luiz Pacheco entrevistado pela K em 1992, os entrevistadores eram Carlos Quevedo e Rui Zink]

Bate sempre ;-p

Luiz Pacheco de certo modo não desapareceu. Há qualquer coisa dele que vai ficar sempre no ar. A voz? O cheiro da voz? A cor do cheiro da voz misturada e trocada por palavras. Sim, as palavras de Pacheco vão ficar sempre no ar, coladas às paredes de todas Santas Terrinhas, em altares. Isso. Dia 1 DP (Depois de Pacheco). Começa aqui uma nova civilização.
Na Bloom os livros de Luiz Pacheco já se foram, esperamos mais para breve. Temos cá uma ideia de atulhar a estantes com livros dele e já agora, na Praça, fazer uma estátua em tamanho real para as crianças e os velh0tes fazerem perguntas. Sim. Isso. Luiz Pacheco para sempre. Até já.

"E a Admirável Droga?", perguntaram-lhe.
Ele respondeu. quase de seguida, com o seu olhar de garrafa. Ninguém disse como estava vestido, às vezes Luiz Pacheco vestia-se apenas com advérbios de modo e pontos de exclamação. Não tinha queda para as reticências, era tudo directo. E isto foi o que saiu, o entrevistador era o seu biógrafo, João Pedro George:

A carta que tu me escreveste, quando aquilo saiu, foi a 1ª opinião que me chega sobre a Admirável Droga. Gostava que tivesses sido mais agreste. Não por masoquismo mas porque entendo que o teu adjectivo despudorado é ao mesmo tempo bastante pudico... discreto... delicado... Não estamos em tempos de PIDE, Censura, Clero da Inquisição. Dá-me vontade de rir estas coisas. Eu nem sei o que escrevi. Li agora aquilo como o livro de um outro. Quando revi, em Janeiro de 2001, as provas (ampliadas) escrevi no fundo da página três desabafos, que saíram colados ao texto. Que fazer? Nada. Autorizei a Senhora a fazer o que quisesse… e ela fez bastante, caramba! As pessoas, o que eu tenho visto, prendem-se ao escandaloso, ao insólito, falando vulgarmente, ao espectacular. É com elas. Tá bem, é assim. Não havia, creio que ainda não há, em português, originalmente, relatos com homossexualidade, pedofilia e por aí. Não vai tardar muito, creio! Nem eu me arrogo o Vasco da Gama, o Colombo, o Cabral desses “descobrimentos”. Nem está aí o meu objectivo. O Libertino é uma reportagem, escrita de jacto, no dia seguinte aos eventos relatados. Estes casos, dos marujos e da Emília, chegam-me de longe e já têm meio século.
Um livro de inéditos de Luiz Pacheco, autor "maldito" de "O Libertino Passeia em Braga a Idolátrica, o Seu Esplendor", breves textos que há uns anos estavam perdidos na gaveta de um editor. O título, como explica o próprio Luiz Pacheco, é inspirado numa frase de Hemingway, os textos na própria vida, em particular algumas maldições, o envelhecimento, a doença.
Em Luiz Pacheco, maldito renitente (nunca mal escrito), libertino confesso, autor de algumas das páginas mais "comestíveis" da nossa literatura dos últimos cinquenta anos (...) somos confrontados com a velha questão do relacionamento entre vida e literatura. Numa perspectiva algo romântica que mantém o seu encantamento até hoje, o escritor da linhagem dos aventureiros ou libertinos, tipo Benvenuto Celini ou Casanova, tem a própria vida como matéria prima inesgotável da sua escrita...
António Brás / Público
E nós perguntamos, perde-se Luiz Pacheco e quem é que se ganha em troca? Há sempre uma troca nisto de quando morre alguém, não é?

Uma Admirável Droga, de Luiz Pacheco
QUARTETO EDITORA • 54 PÁGINAS • 2001
[FOTO: LITTLE PEOPLE - A TINY STREET ART PROJECT]

FELIZ 2008

Impact of visual performance


A visual exploration into the grandeur, beauty and power of “shared experiences” across the globe. A dynamic visual essay that celebrates public performance worldwide.

In Spectacle, the architect David Rockwell, in collaboration with designer Bruce Mau, explores the allure of larger-than-life events that take place around the globe. From the running of the bulls in Pamplonato the Holi Festival in India to deafening - and dangerous - NASCAR races, Spectacle considers what it is about these "shared, live experiences" that transforms not only the way we see the world, but also how we connect with each other.Illustrated with over 200 color photographs, the dynamic visual essay highlights the power of real-time, real-space events in today's highly mediated world.
The book features a collection of photographs and interviews with award-winning authors, producers, directors, and performers. These contributors have documented, participated in, or produced large events and bring a fascinating behind-the-scenes and in front-of-the footlights perspective on "spectacles" today. Interviews include: Muhammad Ali, champion boxer; Kurt Anderson, novelist and essayist; Simon Doonan, author and creative director;Dave Hickey, art critic; Quincy Jones, legendary music and event producer; Guy Lalibert,founder of Cirque du Soleil; Julie Taymor, film and theater director; Robert Venturi and Denise Scott Brown, architects; John Waters, filmmaker;and Steve Wynn, Las Vegas mega-developer, with a concluding essay by critic Herbert Muschamp.
The book offers readers an unprecedented tour of over 60 far-flung and fleeting, beautiful and bizarre man made events around the world. An in-depth selection of "spectacles" are presented thematically in six chapters that focus on various characteristics and unique cultural attributes that connect or distinguish each of the events.
Spectacle
offers statistics and sidebars on the history of featured events,providing layers of information that add depth and context. Further, a reference section called "Getting There" contains a monthly calendar listing more global spectacles throughout the year, maps and insider tips you should know before you go."An empty stadium, an open field or a busy urban thoroughfare, each - when transformed by spectacle - undergoes an alchemic process," says David Rockwell. "A group of strangers fuses into an instant community. As an architect I strive to make environments where people connect. This is rooted in vivid recollections of my childhood--from amateur theater on the Jersey shore to the open air markets of Guadalajara Mexico--that have made me deeply aware of the power of shared experience. By physically attending an event, you declare yourself; you become something greater than you."From the glitzy appeal of Las Vegas to the historical reenactment of the Calcio Storico in Florence, Spectacle presents an extraordinary collection of images and text that convey the palpable buzz, sheer beauty and unusual fascination of public performance around the globe.If you are an armchair traveler or spontaneous jet setter, David Rockwell and Bruce Mau offer a mesmerizing, thought-provoking journey into the world of spectacle that is bound to encourage not only conversation but also participation.

ABOUT THE AUTHORS

David Rockwell is the founder and CEO of Rockwell Group in New York, an internationally acclaimed architecture, planning, and design firm specializing in restaurant, cultural, educational, theatre and film design.

Bruce Mau is the Chairman and Creative Directer of Bruce Mau Design, which has gained international recognition for innovative multidisciplinary work. He is the author of Life Style and Massive Change, both published by Phaidon, and designed and conceived the award-winning book S, M, L, XL with Rem Koolhaas.

Spectacle, by David Rockwell and Bruce Mau PHAIDON PRESS • 256 PAGES
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On book hunger (part V)

Books, literally wrested from rubbish heaps and the detritus of the white man's world. But a sheaf of paper is one thing, a published book quite another. I have had several accounts sent to me of the publishing scene for Africa. Even in more privileged places like North Africa, with its different tradition, to talk of a publishing scene is a dream of possibilities.
Here I am talking about books never written, writers that could not make it because the publishers are not there. Voices unheard. It is not possible to estimate this great waste of talent, of potential. But even before that stage of a book's creation which demands a publisher, an advance, encouragement, there is something else lacking.

Writers are often asked, How do you write? With a processor? An electric typewriter? A quill? Longhand? But the essential question is, "Have you found a space, that empty space, which should surround you when you write? Into that space, which is like a form of listening, of attention, will come the words, the words your characters will speak, ideas – inspiration.

If this writer cannot find this space, then poems and stories may be stillborn.
When writers talk to each other, what they ask each other is always to do with this space, this other time. "Have you found it? Are you holding it fast?"
Let us jump to an apparently very different scene. We are in London, one of the big cities. There is a new writer. We, cynically enquire, How are her boobs? Is she good-looking? If this is a man, Charismatic? Handsome? We joke but it is not a joke.
This new find is acclaimed, possibly given a lot of money. The buzzing of paparazzi begins in their poor ears. They are feted, lauded, whisked about the world. Us old ones, who have seen it all, are sorry for this neophyte, who has no idea of what is really happening.

He, she is flattered, pleased.

But ask in a year's time what he or she is thinking: I've heard them: "This is the worst thing that could have happened to me.

Some much publicised new writers haven't written again, or haven't written what they wanted to, meant to.
And we, the old ones, want to whisper into those innocent ears. "Have you still got your space? Your sole, your own and necessary place where your own voices may speak to you, you alone, where you may dream. Oh, hold onto it, don't let it go".
There must be some kind of education.
My mind is full of splendid memories of Africa which I can revive and look at when I want. How about those sunsets, gold and purple and orange, spreading across the sky at evening. How about butterflies and moths and bees on the aromatic bushes of the Kalahari? Or, sitting on the banks of the Zambesi, where it rolls between pale grassy banks, it being the dry season, dark-green and glossy, with all the birds of Africa around its banks. Yes, elephants, giraffes, lions and the rest, there were plenty of those, but how about the sky at night, still unpolluted, black and wonderful, full of restless stars.
But there are other memories. A young man, eighteen perhaps, is in tears, standing in his "library." A visiting American seeing a library without books, sent a crate, but this young man took each one out, reverently, and wrapped them in plastic. "But," we say, "these books were sent to be read, surely?" and he replied, "No, they will get dirty, and where will I get anymore?"
He wants us to send him books from England to teach him to teach. "I only did four years in the senior school" he begs, "But they never taught me to teach."
I have seen a Teacher in a school where there was no textbooks, not even a bit of chalk for the blackboard – it was stolen – teach his class of six to eighteen year olds by moving stones in the dust, chanting "Two times two is....." and so on. I have seen a girl, perhaps not more than twenty, similarly lacking textbooks, exercise books, biros – anything, teach the A, B, C in the dust with a stick, while the sun beat down and the dust swirled.
We are seeing here that great hunger for education in Africa, anywhere in the Third World, or whatever we call parts of the world where parents long to get an education for their children which will take them from poverty, to the advantage of an education.
Our education which is so threatened now.
[DORIS LESSING ON THE NOBEL ACCEPTANCE SPEECH] [PHOTO BY ANSEL ADAMS] previous partnext part

Em meditação profunda

Segundo Oscar Wilde, ninguém tinha reparado no nevoeiro de Londres antes de Whistler o pintar. Além de Whistler, foi Sherlock Holmes que o tornou visível, ao caminhar nas ruas da cidade ou cada vez que se chegava à sua janela no 221-B de Baker Street.
Onze Aventuras de Sherlock
Holmes é uma colectânea da Relógio d'Água, que assinala o nascimento do enigmático detective de Arthur Conan Doyle, há 120 anos, em A Study in Scarlet (1887). Este volume reúne onze dos seus contos, escolhidos por Ana Teresa Pereira, ilustrado por Sidney Paget, que criou as imagens que ainda hoje associamos a Sherlock Holmes e ao seu amigo e ajudante Dr. Watson.
Cada uma destas aventuras mostra-nos as qualidades que tornaram Sherlock Holmes o mais conhecido detective de todos os tempos: a capacidade de observação, o raciocínio dedutivo e a argúcia, que são afinal os elementos essenciais do método de investigação.
Sir Arthur Conan Doyle nasceu em Edimburgo, em 1859. Foi médico, escritor e destacado membro dos círculos de espiritismo ingleses. Embora seja sobretudo conhecido pelas suas obras sobre Sherlock Holmes, escreveu também romances históricos e peças de teatro. Faleceu em Crowborough, em 1930.

Onze Aventuras de Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle
• RELÓGIO D'ÁGUA

The dictionary instructor

Affluenza [,æflu'enza]
NAME
• a contagious middle class virus causing depression, anxiety, addiction and ennui.
• an extreme form of materialism in which consumers overwork and accumulate high levels of debt to purchase more goods.
• a global tour of infected minds by renowned psychologist in search of the secret of being successful and staying sane.
• the tittle of a book written by Oliver James.
[MORE INFO ON WIKIPEDIA]



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