Carlos Monjardino em entrevista ao JTM

EVENTUAIS RECEITAS DA VENDA DA ACTUAL LOJA VÃO REVERTER PARA O IPOR
Novo modelo de Livraria Portuguesa
vai continuar a cumprir o seu papel


Parece cada vez mais certo que a actual Livraria Portuguesa tem os dias contados. Porém, o presidente da Fundação Oriente acredita que o novo modelo a criar poderá até trazer mais benefícios.

O que vai acontecer à Livraria Portuguesa?
Pode ser vendida, mas ainda não está vendida. E quando for vendida, vai para outro sítio, chama-se Livraria Portuguesa e é obrigada a comprar os livros que a outra livraria comprava ou até mais. Não há razão para se estar a fazer esta tempestade num copo de água.
António Falcão será o candidato natural?
Pode ser. É um dos candidatos certamente – é o candidato com quem nós conversámos sobre o assunto.
Qual seria o modelo a adoptar?
Seria a Livraria Portuguesa manter-se e depois juntar a vertente “Bloom”, que também faz sentido.
E manter-se no antigo albergue da Santa Casa da Misericórdia?
Não, num outro sítio. Fui ver dois edifícios agora. O local seria alugado e o IPOR ajudaria no arranque.
O IPOR contribuiria com os seus livros?
O IPOR tem um “stock” próprio grande. Poderia entrar com esse “stock” na livraria. Haveria uma concessão que se mantinha, em moldes um pouco diferentes, porque iríamos exigir da parte do futuro concessionário que também participasse no investimento. Iríamos fazer uma livraria de raiz, o que tem custos. No primeiro ano, o IPOR daria um contributo.
E o dinheiro da venda das actuais instalações?
Seria destinado ao fundo do IPOR.
Como responde a quem diz que a cultura não é como os hambúrgueres e que uma entidade como a Livraria Portuguesa tem que ter a suportá-la uma instituição sem fins lucrativos?
Há [essa instituição] e continuará a haver. Qual é a diferença entre estar ali naquele cantinho ou a cinco minutos a pé do Leal Senado, onde é um dos locais que fomos ver? É um prédio inteiro, com quatro ou cinco andares, que tem espaço que poderia servir para exposições. De resto, esse é outro ponto a que também já respondi: a Casa Garden já foi colocada à disposição para esse tipo de eventos, bem como o auditório do IPOR.
A nova livraria continuaria a cumprir o seu papel nestes moldes?
Sim, porque podemos ter a componente portuguesa – que será sempre a maior –, e depois somar-lhe a vertente inglesa e a chinesa. A Livraria Portuguesa antes era uma fonte de despesa muito grande para o IPOR e deixou de sê-lo com a actual concessão. Mas o que mais me interessava não era o capítulo financeiro: é que existisse uma livraria em Macau que tivesse os manuais escolares e as últimas obras editadas em Portugal. Julgo que isso foi conseguido, embora há quem diga que não. Isso vai continuar a ser conseguido com o novo modelo e eventualmente de forma melhor – por isso é que se muda.
[POR EMANUEL GRAÇA • JORNAL TRIBUNA DE MACAU • 11 DEZ 2008]

2 Comments:

  1. João Soares said...
    Isso é fantástico! É mesmo verdade? Se isso acontecer vocês são verdadeiramente os candidatos naturais e merecem, por tudo o que fizeram e por tudo o que se passou.
    Anonymous said...
    Como se o actual modelo estivesse a cumprir o papel....

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