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Did you notice?

Suddenly we're gone. We didn't announce it, didn't tell anyone, it just happened. But we're not gone for good. We're building a new spot. Ring Joid already found a new home here. We'll coming next. But this space will not die. Stay tuned!

Marinheiros

Passei os últimos dias a ouvir as entrevistas da Antena 1 sobre o estado do jornalismo em Portugal. Uma parceria entre a rádio pública e o Centro de Estudos do Século XX, a cargo do jornalista da Antena 1 Ricardo Alexandre com a colaboração de João Figueira, investigador e académico do Instituto de Estudos Jornalísticos da Universidade de Coimbra que, entre outras coisas, foi jornalista em Macau. No âmbito das comemorações do 25 de Abril a Rádio Macau levou-as para o éter.
No fim-de-semana enquanto andava de um lado para o outro, entre Macau e Coloane, apanhei parte da entrevista de Emídio Rangel, a primeira a ir para o ar; quase por completo a de Joaquim Letria, plena de vida e de tempo; e ainda, no meio da chuva de Domingo, a de Maria Elisa, à qual prestei menos atenção. Durante os dias da semana procurei as outras: Vicente Jorge Silva e Sena Santos.
O primeiro vagueia pelo seu passado numa espécie de sufoco e alude-nos aos episódios da sua vida profissional plena de paisagens. Liberta-se no fio das palavras que vai dizendo, em alívio, e agradece no final por isso, numa perspectiva assombrada de acontecimentos que nos são de todo comuns. São estas imagens tornadas imaginação que fazem a grandiosidade do mundo falado e em particular do universo da rádio, que se ouve e onde se esconde o nosso próprio sabor, na visão mental de outras vidas e outras cronologias.
Longe, tanto em distância como em tempo, no escuro da noite, enquanto enganava o sono, olhei para as histórias do Expresso, com Marcelo Rebelo de Sousa em cima da mesa, a transe da Madeira com a boçalidade de João Jardim, que aludiu um pouco ao sítio onde vivo, e as tricas do Público a terminar com o desprezo de Belmiro de Azevedo e o desejo de novos projectos.
Sena Santos alude-nos ao jornalismo como alguém que se apaga para dar luz, como um ofício de claridade, e é uma experiência ouvi-lo. Ainda não cheguei ao fim.
Cada um deles abre o seu jogo. Todos mudaram a forma de fazer jornalismo no Portugal depois de Abril e são marcos das história de um país. Estas são as primeiras cinco entrevistas de um projecto que terá outros entrevistados e que no futuro resultará também em livro. Podem ouvi-las nas ligações seguintes, aqui nas versões integrais:

Emídio RangelJoaquim Letria Maria ElisaSena SantosVicente Jorge Silva

Para nunca acabar

Olha a menina a dançar tão bela no seu saltitar. Canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar. Olha a menina a dançar quem vai com ela ficar? Canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar.

É um jogo a que não podemos jogar, um jogo de que somos os espectadores, um jogo de desconhecidos jogadores, um jogo a que nunca iremos ganhar.

Olha a menina a dançar tão bela no seu saltitar. Canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar. Olha a menina a dançar quem vai com ela ficar? Canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar.

É um jogo feito para nos comandar, um jogo de que desconhecemos as regras, xadrez de que se retiraram as negras, um jogo feito para nunca acabar.

Olha a menina a dançar tão bela no seu saltitar. Canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar. Olha a menina a dançar quem vai com ela ficar? Canta a roleta a rodar mistérios da sorte e do azar.

É a nossa a vida que está em jogo, é a nossa a vida que outros jogam.

VOLSTAD - É UM JOGO
{do Tributo aos Mão Morta "E Se Depois", disco que passou no ROOFTOP no dia 35 de Abril.}
[USAR OS AUSCULTADORES E FECHAR A LUZ...]

Mostrar línguas

Alguém pode ter ficado espantado por não ter escrito em português o anúncio da festa do 35 de Abril que teve lugar ontem no Rooftop. Foi apenas uma questão de opção na completa falta de tempo. Ao passar a informação não queremos restringi-la apenas a uma comunidade, queremos que, mesmo as nossas datas, cheguem a todos os campos. E foi isso que aconteceu. A preferência por uma divulgação mais vasta do que pela evidência da língua, se assim se pode dizer.
A festa essa foi mais uma vez um sucesso, apesar de algums contra-tempos iniciais com o sistema sonoro. Música portuguesa de todos os quadrantes, de hoje, de ontem, e algumas do tempo da minha avozinha. Fechámos com Zeca Afonso e o "Verdes Anos" do Carlos Paredes. O 35 de Abril, uma data a recordar. Sempre!

Rewriting History through Portuguese music!

"35 d'Abril"
[APRIL 25 • Saturday • Starting at 10 PM]

The 35 of April is quite a universal date in the Portuguese calendar and probably in fairy-tales, but it happens only every odd year, it means that every 35 years after the revolution the 35 of April comes. And this goes for every country.

It's a date to celebrate liberty and self-determination and most of all the joy of singing on the hope for a new future.
In this special occasion we invite you to commemorate all the steps of the art of making a song through the leaps of Portuguese music. Some would call it the April Songs. We call it Creation.
On the first light of the 25th of April, 1974, in a faraway land, some men and women composed their new destiny saying to the world that the heart and voices could never be stopped. And peacefully history changed. This was achieved through a strategy of many lines and the power of song writing helped it to the final push to what end up to be a spontaneous movement..
This was known as the "Carnation Revolution" but we think that that just happened by chance and is overrated and so any flower goes! ;-)
Well said you just need to come and feel it with your heart, while having a great time at The Rooftop!

HOPE TO SEE YOU THERE! THANK YOU!


DETAILS
Host: Corner's Club
Start Time: Saturday, April 25, 2009 at 10:00pm
Location: St. Paul's Corner • Travessa de S. Paulo • Macau

My cup of tee!

First is the whole environment where this architectonic project is build, a green area, full of trees and just the sky to watch. It moves and it's called the Sliding House. It's an amazing home created by London architects studio dRMM. The brief was simple: to build a house to retire to in order to grow food, entertain and enjoy the East Anglia landscape. The outcome was as unconventional as they come. A structure that has the ability to vary or connect the overall building's composition and character according to season, weather or simply a desire to delight. The part-prefab home consists of a glasshouse, main house, open space and annexe aligned on a track. A garage, off the track, adjoins the open space, creating a courtyard. This is a video from Wallpaper* Magazine who captured the physical phenomenon in the only medium that serves it justice - film. See by yourself and give us your opinion. We know that Macau is not the spot for these wonders but anyhow we dream with such a place.EXTRA LINKS:
dRMM Website
• Sliding House at Dezeen
• Detailed project in PDF
• At bdonline
• Stephen Bayley writes about it on The Observer
Finally another great one!
[CLICK ON THE IMAGE TO SEE THE VIDEO © WALLPAPER*][BACK TO BLOOMLAND]

Regresso em infinito

Baby, está frio lá fora!

Naquela livraria há duas longas prateleiras cheias de livros. Largas centenas, talvez milhares. Estão empilhados ao monte e arrumados sem nexo por alguém que não tem tempo ou destreza para o fazer. Os volumes, não sua maioria cópias contrafeitas na própria casa, umas copiadas à mão outras à máquina, foram ordenados arbitrariamente. E para lá ficaram sem refilar confortados no seu infortúnio. Tanto que eu mendigo por um sítio destes, onde possa comprar livros com esse peso incalculável que vive para além do conteúdo das palavras que lhes vestem as tripas. Obras impressas com paixão, sempre, sem o objectivo necessário do lucro ou a avareza mercantil do negócio puro. Um espaço onde se possa estar a decifrar as páginas que formam estes objectos únicos seguindo as letras calmamente, uma a uma, esperando que as frases se alonguem em linhas e se consagrem num mundo mágico dentro do nosso espírito, por múltiplas páginas; e no final, acariciados dentro das nossas mãos, levá-los para a caixa registadora e sair sem deixar em troca a roupa toda. É raro encontrar um sítio assim. Onde o vender por vender não é de todo o mais importante. Uma livraria é sempre um espaço de culto onde se venera essa unidade central construída pelos habitantes de todos as histórias e pelos seus autores.
Aconteceu-me há uns dias encontrar um espaço assim. Entrei e perdi-me, desaparecendo por completo. Não me lembro em que rua fica, desconheço o seu local exacto, sei que se situa no norte, na fronteira que separa a zona mais antiga da cidade dos bairros de habitação social, uma espécie de Caxemira perdida na floresta de prédios que escondem o beijar do sol. Lá estavam. Duas longas prateleiras que se olham de frente, sem pestanejar, num corredor fundo e mal iluminado. Dir-se-ia luminoso apenas pela luz que bate no pavimento da rua e que rodopia para o interior da loja. Lá dentro o pó dificulta a sua progressão, acabando num indecifrável quadro negro que seria uma parede branca se por acaso existisse o rasgar de uma lâmpada.
Peguei num livro ao acaso, um livro minuciosamente ilustrado à mão, exemplar único, disse-me o guardião daquele templo, que me vigiava os passos. Quando o inquiri acerca do título da obra, uma edição em chinês, respondeu-me que se tratava de uma versão do D. Quixote de Cervantes. Talvez alguém que leu a obra original e fascinado pelo seu enredo debitou das próprias mãos as cores do invólucro feito na memória. Qualquer coisa assim. Teria sido deixado por um viajante que o trocou num casino por quatro fichas de jogo. Abri-o, sem mais. Numa das páginas, envelhecidas com o fundir do tempo, onde três cavaleiros galopam em cima de cavalos agoniados, nenhum deles parecendo o Sancho Pança, dou com um fotografia colada do lado esquerdo. Uma polaroid! Nesse relance, ainda sem a noção imediata do reconhecimento, contemplo uma figura observada por um grupo de camponeses que me olhavam cheios de espanto. Tristes, dei comigo a pensar. Mas o que quase me fez desmaiar foi ver-me representado na clausura plana daquela imagem. Preso e cabisbaixo. Sim, lá estava eu, ao fundo, com um cartaz ao peito onde estava escrito o meu nome. Não quis acreditar no que estava a ver. Tudo aquilo era impossível. Nem um sonho poderia ser.
Constrangido fechei o livro e caminhei para o fim do corredor. Queria pensar mas não era capaz, o ar estava demasiado congestionado. Sentei-me em cima de uma resma de capas duras e onde acabava uma das estantes, à minha frente, estava uma parede de vidro fosco. Um vidro fosco que quase parecia borracha. Ou uma substância pastosa, quase líquida, dependurada na vertical sem se distrair e cair para o chão. Seduzido aproximei-me dela, tocando-lhe. O que aconteceu foi que a minha mão desapareceu lá dentro e quando a retirei, sem esforço, senti-a mais fria. Pousei no chão tudo o que trazia comigo e sem me importar com o velho dono da loja, que me puxava o ombro, dei uma grande salto para a frente.
O que se seguiu não sei bem o que representa. No instante seguinte estava no meio de uma multidão em fúria. Rapazes e raparigas de dentes mal lavados brandiam nos punhos pequenos livros vermelhos. O Livro Vermelho do Camarada Mau, reconheci prontamente. Não sei que terra era aquela, parecia-me tudo muito longe, frio e seco. Um Inverno que me saltou para cima sem qualquer aviso prévio. O meu relógio marcava a mesma hora, dez da manhã. Talvez aquilo fosse uma escola, não dava bem para ver, a profusão humana em delírio, uma matilha imberbe que saltava e gritava esgares sem nexo, ocupava todo o horizonte. Ao meu lado um grupo de homens acorrentados e deitados no chão, quatro ou cinco, comiam páginas de livros. Não era bem comer já que em frente a eles umas enormes espátulas empurravam todo aquele degusto matinal. Mais atrás o crepitar de uma enorme fogueira, onde ardia um incontável número de livros, ocupava o resto da paisagem.
A primeira coisa que me fizeram foi empurrar-me para o meio de um grupo de homens assustados, ordenando de seguida, com ajuda de uma vareta que me vincou o pescoço, que me despisse. Falavam a minha língua porque os percebia, mas tudo o que ouvia era um sibilar de sons desconhecidos. Nem tive tempo de formular qualquer tom de pânico, porque nada daquilo cabia dentro dos meus sentidos e dos meus pêsames. Obedeci. De longe choveram umas patéticas túnicas que sem pensar vesti de imediato. Os jovens enlouquecidos, com as suas pequenas armas pontiagudas, atiravam a doer sem que alguém lhes pudesse governar os ânimos. Aquilo era um joguinho. E eu compreendia o que eles estavam a fazer, porque já tinha lido sobre isso. Mas tomar parte do evento era estar com os dois pés dentro de um inferno muito particular. Aquele movimento de caça a quem ainda tinha um pensamento válido dentro da cabeça, que por alguma razão estudava, criava, ou pertencia ao mundo das artes ou do ensino – a que denominavam com o pomposo nome de contra-revolucionários – regia-se pelo livre arbítrio sem olhar a uma grande lógica, atingindo apenas o fim. Eram hordas de ultra-radicais insuflados que escovavam da face da nação tudo o que lhes fizesse frente. E o fazer frente era não fazer nada, era existir apenas, era saber, era ter um pensamento que fosse fora da ordem que moldava aquele regulamento transitório. As vítimas destes Guardas Vermelhos eram socadas e chutadas por turbas vociferantes e furiosas. Milhares com destino incerto e em certas cidades desapareciam em massa.
No meu caso, depois de me raparem o cabelo, berraram para que escrevesse o meu nome num painel branco que colocaram no chão. Não me deixaram mais espaço, não me deram mais tempo, pegaram em mim e atiraram-me para o meio da praça, para dentro de um palanque onde me deram uma enciclopédia e um pacote de manteiga. Eu deixei que tudo caísse aos meus pés, derrotado. Uma marcha de cornetas e tambores preparava-se para dar a ordem de partida. Para dar continuidade àquela paródia. Foi nesse instante de espera que apareceu alguém com uma máquina fotográfica. Uma linha de mulheres à minha frente de pronto se compuseram e um homem de vinte e poucos anos, vestido com as minhas roupas, desatou a disparar para todos os lados, eu não queria olhar, fixava apenas o chão. Disparava, disparava e disparava. E as imagens, instantâneas, a caírem para dentro de um saco. Eu, com o nome feito em letras de imprensa pendurado ao peito, numa sequela de toda aquela alucinação, dei de novo com o mesmo plasma líquido à minha frente, desta vez a mexer-se no chão, a troçar de mim. Não pensei duas vezes, debrucei-me no varandim e deixei-me cair até ser engolido por aquela pasta húmida. Soube-me bem.
Vim parar de novo ao chão da livraria repleto de pó. O velho monge, guardião do estabelecimento, morto de riso por causa da minha vestimenta, deu-me a mão e ajudou-me a pôr de pé. “Muito perigoso ali dentro”, disse, “tem monstro feio que come criancinha!”. Peguei no meu nome que ainda tinha ao peito e pendurei-o num prego por cima da parede de vidro. O homem deu-me as minhas coisas e com as duas mãos estendeu-me o livro, “oferta da casa, amigo”. Abri-o e a fotografia continuava lá, lembro-me bem, agora. Os cavaleiros a galope fugiam da revolta da cultura que dentro dos moinhos de La Mancha os perseguiam em estridentes cantorias. D. Quixote nem vê-lo.

NOTA: Este texto é uma paródia sobre a extensão do tempo. Inspirado num livro do Henry James chamado The Sense of the Past em que o protagonista se vê representado numa pintura do século anterior. Daí, fascinado pela tela, consegue transferir-se para a data em que a executaram. Entre as pessoas que encontra, figura necessariamente o pintor e este pinta-o com temor e aversão. Chama-se a isto o regressus in infinitum. A causa é posterior ao efeito, o motivo da viagem é uma consequência da viagem.
Eu queria escrever sobre a Revolução Cultural na China, que se estendeu entre 1966 e 1976, ano em que o "Grande Timoneiro" faleceu. É uma pequena escovadela à memória.
[Foi publicado no HOJE MACAU em Agosto de 2005]

Que dizer?

Chegou ao fim o enredo da Livraria Portuguesa de Macau. Instituto Português do Oriente recua na decisão de vender as actuais instalações.

Apesar do nosso nome ter aparecido referenciado em alguns momentos na imprensa escrita local, a Bloom manteve-se afastada durante toda a polémica de contestação contra a venda das actuais instalações situadas no centro da cidade, optando pelo silêncio e esperando pela conclusão de todo o processo.

Mas quem é a Bloom afinal? Talvez não seja nada que se veja. Uma malha invisível no padrão do território. Não é nenhum David contra Golias, afinal. Talvez seja apenas o desejo de duas pessoas que estavam com os sonos trocados e resolveram ficar acordados mais uns instantes e acreditar no impossível. Sonhar. E uns dias mais tarde, ou mais do que isso, criar uma livraria numa esquina da cidade em frente a um templo com mais de duzentos anos de existência. Porque havia essa necessidade e porque ainda há. Mas tudo isso é já um país distante.

Um mês após a passagem do tufão Hagupit em Macau, em Setembro passado, que destruiu todo o plano então formado, com perdas materiais e emocionais avultadas e incalculáveis, a Bloom foi contactada pelo Instituto Português do Oriente para a possibilidade de gerir a nova Livraria Portuguesa num local diverso da sua actual localização. Recebendo essa oportunidade como uma enorme surpresa prontamente se dispôs a encontrar o lugar ideal para tal encontro. Em Macau a especulação imobiliária é delicada e torna-se difícil encontrar a solução mais correcta e viável. No entanto surgiram duas hipóteses que poderiam ser a marca de uma presença condigna para o futuro de todo o traçado. Desenhámos o cenário sem estabelecer compromissos.

O Instituto Camões de Portugal, sócio maioritário do Instituto Português do Oriente, em Assembleia Geral realizada há dois dias, decidiu entretanto cancelar a venda do espaço da Livraria Portuguesa. Facto que a Bloom acabaria por saber de maneira indirecta pelos jornais e que foi consumado depois da comunidade portuguesa de Macau, em particular, se ter manifestado contra a hipótese dessa transacção. Num protesto iniciado pela mão da associação Casa de Portugal em Macau, tendo lançado para o efeito uma petição online, com resposta determinada, por esse mundo fora, de grande parte dos seus destinatários.

Não nos vamos debruçar sobre o conteúdo da petição, feita minuciosamente com um propósito. Poderíamos manifestar que não continha a exactidão dos factos em causa, mas não o vamos fazer e isso, neste momento, e em qualquer outro que possa surgir, não importa de todo. Não deixava de ser uma causa importante. Aconteceu e o que interessa é a deliberação final ao fim de de um tempo que parecia indeterminado e que acabou por ter um fim.

Não existiu um cronómetro, mas desde o contacto inicial até ao dia de hoje distam quatro meses. Tempo de incrível demora até à possível confirmação. A Bloom ficou congelada todo esse período, absorta em ideias sumptuosas. Muitas vezes recebemos aquelas propostas de correio electrónico não solicitadas “Você ganhou a Lotaria Francesa” ou ”Acabou de ganhar uma herança não reclamada de uma princesa africana”, toda esta história, nesta circunstância, nos parece uma mensagem de SPAM. E a esta distância tudo parece irreal. A livraria, o tufão, as reuniões, as luzes.

Sempre acreditámos, perante o panorama que foi levantado, que tudo poderia não acontecer. Por isso, mesmo solicitados, nunca viemos a público falar sobre o assunto. Talvez, não explicando ao que vínhamos, ao que estava do outro lado da parede, no negro do holocausto da língua portuguesa no oriente, tenha sido um equívoco. Não dizer que tínhamos um projecto de continuidade e a hipótese de um espaço honrado para a edificação de um belíssima Livraria Portuguesa nesta terra, expondo-o às pessoas. “Too late”, alguém dirá. E no fim que dizer? O que resta? Continua tudo como está. É uma repetição de outros acontecimentos também falados na mesma língua, aqui. Os portugueses de Macau ficam mais do que satisfeitos, sobretudo as casas de Portugal e as línguas portuguesas, que vencem esta batalha contra o vento da mudança, tem o deleite da missão alcançada. Será? Terá ficado a causa cumprida? E os escritores que eu gosto, onde estão?

Na razão estava a questão premente de Portugal em abdicar de um espaço físico em Macau onde passam diariamente milhares de pessoas. De abandonar todo a embarcação que já não lhe pertence desde 1999 e desamparar os portugueses que ainda cá se encontram. Um local que tem escrito nas suas paredes a essência de um país e de uma pátria e que se podia volver na possibilidade de ser transformado numa loja de candeeiros. E muito antes de 99, quando se devia ter agido a sério, o que se fez de duradouro pelo português? “A Pátria Vos Honrai que a Pátria Vos Contempla”, ainda hoje está escrito nas Portas do Cerco, na fronteira com o continente chinês. E dizem que desse lado é que se preocupam, que daí é que vem o gosto pela nossa Língua. Pois! Em causa estava a memória de outra época, o símbolo, e a possibilidade de todo o desígnio de uma nação se deslocar para uma rua secundária, sem tanta evidência, apesar de poder ter outra grandiosidade e outro sentido de estado. Isso é irrelevante. Será que não nos podemos valer por nós próprios e partir?

A Bloom nasceu no ano de 2006, abrindo as suas portas em Fevereiro do ano seguinte. Ficava perto do rio, o espaço era pequeno e por vezes deixávamos os clientes sem escolha. Éramos falíveis. No entanto fomos aprendendo a mover-nos, criando o nosso mundo e a nossa imagem, apesar do tempo faltar para uma dedicação exclusiva. Ambicionámos demais, talvez, trazer novas editoras, autores consagrados e aqueles que ficam para lá do consenso comum, os grandes clássicos e em simultâneo os escritores mais arrojados de hoje. Trouxemos pessoas de fora, plantámos um pequeno jardim. Jardim de palavras, feitas com muitas linhas e com muitas páginas. Um livro é um mundo mágico que não acaba. De criatividade, de imagens, de sonhos, de coisas que não se explicam de outra forma. A Bloom mergulhou nesse universo de olhos fechados sem pensar na possibilidade de se dissipar afogada. E no azo da transformação ampliámos o sonho e, mesmo com um túnel por acender, tivemos uma leve esperança de construir outra realidade na cidade. Uma âncora para a disseminação da cultura, a portuguesa e ainda outras, numa janela para o mundo, como um campo de leitura, um lugar para nos perdermos e deixar o tempo correr pelo universo das letras.

É verdade, não desistimos dessa ideia, de criar um espaço assim. Onde por entre um café se possa abordar o tufão da escrita e as vozes doces das palavras. Não temos nada a perder. Mas será que a cidade o merece ou deseja, criando-se assim uma alternativa? E quem somos nós na verdade para vir para aqui fazer afirmações destas? Quem é idóneo no meio de todas estas histórias, os jornais, as instituições, as capas dos livros que não suportam o peso das águas? Será que todos os que assinaram a petição sabiam verdadeiramente o que estavam a assinar? Acredito que sim, pelo nome do País em causa, que é o que importa, mas quantos deles se dedicam realmente à leitura? E em Portugal, alguém sabe hoje o que é isto, o que se passa aqui, alguém tem a noção?

E o que é no fundo a Livraria Portuguesa actual? É tudo o que existe. É o que há. Com os valores bem determinados. São três andares, não importa o elevador, numa rua onde as pessoas passam a toda a hora e que tem um nome gravado em letras grandes. Alguém disse que dava tudo por ela e é tudo o que baste, sem olhar para outro céu. A Bloom também dava tudo por ela, pela ideia de uma Livraria, inserindo no seu escaparate todos os desejos que nos atormentam, mas é preciso que se abram as janelas e deixando-a voar, deixá-la ir para o futuro, num lugar de encontro de culturas e de projecção da cultura lusófona, cá dentro e lá fora. Ali ou noutro lugar. Em todo o seu significado quase que se tornou um local assombrado. Mas somos apenas uma opinião por entre as demais. Logo se verá. Parece-nos que ainda podemos estar todos do mesmo lado.

Deixamos o nosso breve historial com as perspectivas para amanhã que, como o futuro, é sempre um dia incerto. Mas nunca se sabe...

Breve história da BLOOM [SEGUIR O LINK E CARREGAR EM FULLSCREEN] • O MESMO EM 'PDF' • EM 'DOC'
[BANDA SONORA: The Box "Autumn Yellow", projecto musical que a Bloom trouxe a Macau em Julho de 2007]

LIGAÇÕES RELATIVAS:
À DISPOSIÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES - por Alexandra Lages no Hoje Macau
CPM DISPONíVEL PARA ASSUMIR LIVRARIA - por Alexandra Lages no Hoje Macau
VENDA ADIADA - por Raquel Carvalho no JTM
IPOR SUSPENDE VENDA - por José Costa Santos na Agência LUSA
ENTREVISTA A JORGE MORBEY - por Sónia Nunes no Hoje Macau
"CASA DE PORTUGAL NÃO SERIA MÁ APOSTA" - ainda Jorge Morbey por Sónia Nunes no Hoje Macau
UMA NOVELA À PORTUGUESA - por Arnaldo Gonçalves no Hoje Macau
MACAU FICARÁ "MAIS POBRE" por José Costa Santos na Agência LUSA
DESASSOSSEGO NA LIVRARIA PORTUGUESA - por Arnaldo Gonçalves no Exílio de Andarilho
SOBRE A ENTREVISTA A AMÉLIA ANTÓNIO NA RÁDIO MACAU • no JTM
GOLPES DE MESTRES - por Rocha Dinis no JTM
PETIÇÃO SEGUE ESTA SEMANAno HOJE MACAU
A PETIÇÃO • Casa de Portugal em Macau
ENTREVISTA A CARLOS MONJARDINO por Emanuel Graça no JTM
IPOR CONFIRMA POSSIBILIDADE DE VENDA por José Costa Santos na Agência LUSA via RTP

Com este vento todo, uma das coisas que aprendemos foi que não podemos ser um dueto de Moisés' ou Maomés a remar no deserto. A montanha assim nunca chegará cá abaixo. ;-)

[DE VOLTA À BLOOMLAND]

You can rest now!

Bloom * Creative Network have just organized its second party at The Rooftop. It was a great event, everything went just wondrous. Great music, from the Grinderman to stunning Arab beats, and most of the people don't remember how it ended, which is always a good sign. A liaison with a trombone and a guitar took the last breath of the night and St. Paul himself joined us for the last round of Caipiriñas on the ladders of the most famous landmark of Macau. And, yes, we had great disguises, great masks and real homemade productions. Bloom, thankfully, gave some prizes for the best ones. Most remembered will be the prize "Who Wants This Prize?" ;-)
We'd like to thank to the Corner's Club for this unique opportunity, mainly Derek, Sam, Gigi and all the crew of the ship.
And we'll come back very soon with something completely different from a distant place in the world. Stay tuned!

A festa "Traz o Teu Melhor e Disfarce e Mostra o que Realmente És" foi um sucesso. A Bloom agradece a todos os que passaram pelo Rooftop na noite de Sábado e promete trazer muito mais para a pequena Travessa de S. Paulo onde se situa o Corner's Club. Muito obrigado a todos. Até breve!

You yourself and you

Bring Your Best Disguise and Show Who You Really Are!

After the success of the New Year's Eve wonderground party this is the second event that Bloom is organizing at the Rooftop. Carnival is gone, but we're still here for the occasion. Is not the Brazilian stuff or Halloween or whatever, it's wild! It's the show where you can bring all of you to stage and play whatever you like.

Who are you? Do you really know?
So... BRING YOUR BEST DISGUISE AND SHOW WHO YOU REALLY ARE!

This is a 'masquerade party', a different night, everybody should come with a mask or play their best character. :-There will be great music and lots of fun! Don't miss it!

WE'LL HAVE GREAT CAIPIRIÑAS and Bloom will offer some prizes for the best self-made disguises!

VENUE: ST. PAUL'S CORNER • ROOFTOP BAR
Travessa de S. Paulo • Macau
FROM 10.00 PM TO 3.00 AM [last order at 2.30 am]

Second Anniversary!

Two years ago after lunch time with nobody watching and with no special happening, we opened our doors for business. Just like that. The birds were on the trees, people were coming out of the temple, the motorbikes from the shop in the corner were all there doing their job, shinning. That was the official opening day of Bloom * Creative Network, culminating a long process of bringing up a bookshop to town. It happened near the Inner Harbour, quite near of San Ma Lou and just in front of the big hole that would come to be the Ponte 16.
Well, Ponte 16 is still there, like a wall crawling upwards from the river banks. We're not. In between these two instants, the Opening in 2007 and Today, something happened. For a while a big hand of water was in the wrong moment in the wrong place. It was on the night of the 23rd of September last year. Suddenly reality gave a jump into fiction and from then till now we still can't differ one from another.
Did we have a bookstore in Hong Kung Miu Square? Did we sell books? Are we on the book business? What's Bloom anyway? Can't we remember? These are questions we can answer easily but in a way we can always tell that random response because now it just doesn't matter. We're out of the field. What matters is what will come next and we're still on the last lines of the period of disaster drawing the scratches of the whole new scenario. Fast and furious fiction passing on into a real frame again. Like the pages of a book that were just thorned aside. By water.
"What's next for Bloom?", you might ask.
First we have to deal with what we're doing in the present time when present time doesn't exist. Are we solving things? Are we on the way up? Are we back in town? The thing is that we still have a sattelite of what was left of Bloom enterprise. It's at Old Ladies House, now renamed Albergue. We called it Bloom Yellow, because of the colour of the building, but even that we've dismissed and we're there only on weekends or when the sun shines bright. But a sattelite without a planet to orbit what is it? Could be a ship adrift on the vast ocean of stars? An orphan crying for help? Perhaps a stray dog lost in the alleys of a city when it should be on the country side. Barely, we don't know.
We're on the future already and we have to wait for the world to rejoin. We're calling our strenghts to go forward and to push everyone aboard. Things changed and we're connected now to all the Natural Causes. Big things we want to do like helping to save the Planet. To enforce the endangerous blindness of our human fellows to come across on a different path. To be conscious and endure. This is not about books, or selling them, or about beautiful stories or some sort of miraculous creativity. This is not about Chinese, about Portuguese or English speaking commuters. It's not about the form. This is about us. This is about what's underneath and what's left of the Darwin evolution. It's not the economic crisis, this is much ahead. And what's in front of our eyes is a delightful Bloomland. This is the deal of our Nature and not about the gambling of what we are. We're not impaired or alone here. It's just the same flesh and blood. The same feet where you can put a pair of shoes. Even if we pretend by repeating the same acts everyday now, we're not kids anymore, we should've been grown-ups by now and we should step at the fore and not in the back.
That's what we stand for, to make a better place to live.
Today, the day of our second anniversary, we were not open. Neither on any colour. We loosened ourselves to the greener part of this land and we're just there making time flow. No candles, no sail. No one to watch. No special happenings. Just the birds, the dogs, the trees on the wind and the power of nature showing its force. And for this instant, day after day, we think everything will go on its place, sooner or later. But what's today if tomorrow's already gone?

Apart from all we'd like to thank you for your patience and apologize for all the flaws we might sourced. As soon as we stitch all the bits of our sail, Bloom 2.0 will come soon to an harbour near you. Don't need to tune it, we'll came just like that, as a natural cause.
[ON THE PHOTO BLOOM RED ONE YEAR AGO]

Words we like #473

astray
adverb
1 the shots went astray OFF TARGET, wide of the mark, awry, off course; amiss.
2 the older boys led him astray INTO WRONGDOING, into error, into sin, into iniquity, away from the straight and narrow, off the right course.

Can we go back?

We cannot. So we're investing all our stakes straight on the future. That's where we're looking at.
- What's your business? - Someone would ask.
- Our business is the future!
That's the only way to be.

Utopia

Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?

por JOSÉ AFONSO

Creative engines raving

The Albergue opened officialy yesterday. Lights, sound, exhibitions, a fashion show, scheduled the event that started at 6 o'clock with a a mighty organization and a crowded audience. Among them many of the VIPs of Macau leaded by the Chief Executive, Edmund Ho. It was an effusive ocasion to glow a line of projects that are coming to this venue. The event marked the intention to grow to a new level. The potential is all there, we will see in the coming months what the future reserves for the whole space and for the district of St. Lazarus where creative industries pretend to flow.
For our part, Bloom is still displaced on the heart of its body. We're still walking and beating but through alleys and sideways. If there's the challenge to overcome for a new life, on a second and strong opportunity, on the same way we are faced for a huge operation that must be accomplished without scars and that needs certainty and consistency. We just want to clean everything, forget the past and start from ground zero onwards. Still today it's hard and painful to return to Bloom Red where the bones and remains of its destruction are completly visible. It's a nightmare on air going through weeks and weeks and we're tumbling down on the way to something that will come, but has time goes it gets more close to a dream then to anything else. We're hoping for the happy ending though.
Bloom Yellow is at Albergue, where the flashes went on. But even there we're faraway to engage on something solid, because we're still raining. Yellow is part of a rainbow and can't be made of shaded colors. We'll give it time. But we can't last forever on the side of un-definition.

Apart from all that, with or without us, Bloom wishes a long life and a great success to Albergue.
[PHOTO BY BLOOMLAND.CN | CLICK TO ZOOM IN]

We vote for this

MX-LIBRIS is a new kind of taxi vehicle for the Latin American region. With zero-emissions and an iconic form, it aims for a friendly urban appeal.

MX-LIBRIS is a zero-emissions vehicle incorporating a range of selected technologies from the transportation industry that are appropriate to the Latin American region. The vehicle has been specifically designed as a taxi, taking into consideration the cultural, urban transit, demographic and climate conditions of cities in Latin America. The use of technologies such as fuel cells and “drive-by-wire” make a more optimised use of space by replacing mechanical components with electronic ones and therefore providing more interior space. The vehicle is compact but high to facilitate access for passengers and driver.

The exterior design, which strictly follows its functionality, has been designed to intentionally become an icon of Latin America. Its asymmetric and sui-generis (or unique) form – moving away from typical car styling – make it a memorable object that locals and tourists will recognise as a forward-thinking icon, as opposed to a follower of car trends. The interior design, also asymmetric, responds to the functional needs of both passengers and driver. The interior layout maximises the use of space and promotes interaction between passengers by placing the fourth one facing the other three as well as leaving a central hallway for access.
In terms of sustainability, the design considers several aspects – from the no-emissions technologies to material selection and energy consumption. The aesthetic design does not follow either a sports or family car look because it deliberately aims to create a new segment of public transport with a friendly urban appeal.
[SOURCE RED-DOT]
• CREATED BY ZANIC DESIGN

Macau should just address the importance of these matters and help to create solutions to solve the serious problem of polution in the city. Build a MX-LIBRIS made in Macau, we have everything to learn with this project and use it to carry on, building a bright future. That's why BLOOM is here, to help creating better worlds. Come with us!

HAPPY NEW YEAR!

Best Year of Your Life!

Welcoming the New Year, St. Paul's Corner is joining forces with you for the best expectations of 2009. A unique and great flavour to start the year to come. Forget the troubles and embrace the next year with a big smile full of good hopes. Are not the others who make it happen, who make it good or bad, it's you, you are the one in control! So... what are you waiting for? Make it shine! Make it big! Restart if needed! And Dance all night long!
Located on the heart of the most Famous Historical Landmark of Macau, the Corners Club, in collaboration with Bloom * Creative Network, invite you for a delightful evening of fun and joy. With live music, DJ's, Stand-up mike performances and a dance floor to twinkle the best beat on you. Don't miss it!

VENUE: St. Paul's Corner - The Corner's Club Rooftop Bar
ADDRESS: Travessa de S. Paulo 3,5 & 7
ORGANIZED BY: The Corners Club and Bloom * Creative Network
WITH: Beto Ritchie, DJ Kunming and Buds
DATE: 31st of December, 2008 - 10 pm
FEE: 80 MOP (60 MOP on advanced booking*) - Entrance + Countdown Champagne
* You can book your entrance by email: cornersclub@ymail.com or root@bloomland.cn / by phone SMS: (+853) 66821066 or (+853) 66800024 - stating your name and contact.

[MORE INFO AT: www.stpaulscorner.com and www.bloomland.cn]

Num dia assim

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
O som da bigorna é como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

[JOSÉ AFONSO • 1972 - TEMA DEDICADO AO POETA JOSÉ DIAS COELHO, ASSASSINADO PELA PIDE EM 19 DEZ 1961]

Sempre por cá!

Temos estado afastados deste espaço. Atravessámos uma espécie de deserto. Um deserto de tempo onde nada mais existe. Preparamos o nosso regresso. Aqui dentro e lá fora. E as novidades vão ser boas e muitas, e vão cair como uma bomba! A bomba Bloom!

At 11.30 AM in Macau

Obama is close to a big win in USA. According to CNN's latest projections, Obama has 207 electoral votes and McCain has 135. There were projections that Obama will win Ohio, a key battleground state with 20 electoral votes. No Republican has won the White House without winning Ohio. Going into the election, polls showed Obama with a 3-point lead there. All the country is on the move and close to a state jubilation. It's all for the coutry but is also all for the world. What the admisnistration Bush did along these years will be hard to account. The damage is beyond repair and the action will start from scratch. Nothing better to start and do it neat. It's not just the President, from the Senate to the states the republicans will have a huge loss. We know that most of the time ideas drown on politics, but we're hopeful of a change. It's a revolution!
Bloom is happy for the world!



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