People ask the question, 'What's a RocknRolla?' and I tell 'em, we all like a bit of the good life; some of the money or the fame, but a real RocknRolla wants the whole lot.'The thing with the films of Guy Ritchie is that, apart from all, everyone seems real. They're some real bastards pretending they are actors behaving like actors who pretend to be bad guys. RocknRolla (2008) is cool as Snatch was, a crime film full of shitheads, loaded with excitment and filled with great truculent dialogs. In the way you can travel to London and make as if you were there. And because in Macau you can never get the chance to choose a movie on the cinema, you just get what they give you, go and see it now! You can find it on DVD.
RocknRolla feels as if Ritchie is imitating his favourite director here, and that director is Guy Ritchie.
Sydney Morning Herald
Beyond Zhang Yimou's Generation: Nostalgia, Humanism and Survival of the Silent Majority in Chinese Cinema since 1997, by Mao Sihui
The Macau Ricci Institute (MRI) is glad to invite you to its September "MRI Forum", a monthly seminar on Greater China related topics.
The forum will be chaired by 徐浩均 Choi Hou Kuan, Chris, Executive Assistant of the Macau Ricci Institute. It will be followed by a small cocktail party during which participants will have the opportunity to meet the speaker.
Under this topic, the speaker will be using film clips of his own choice such as scenes from Jia Zhangke's "Xiaowu" (1997), "Platform" (2000), "Still Life" (2006), Wang Xiaoshuai's "Beijing Bicycle" (2001) and "Shanghai Dreams" (2005), Li Yang's "Blind Shaft" (2003), Yang Yazhou's "Loach is Fish too" (2004), Qi Jian's "The Forest Ranger" (2006) and Zhang Yang's "Going Home" (2007). These films represent the real truth-seeking spirit of these "younger" directors which is extremely valuable in contemporary China and can be a very good channel to explore the deep social, psychological and cultural implications of a fast rising China in the age of "glocalisation" (the dual process of globalisation and localisation).
Mao Sihui is Professor of English and Comparative Cultural Studies, Chairman of English Language Teaching and Research Committee, Director of MPI-Bell Centre of English, Macao Polytechnic Institute and Vice President of Sino-American Cultural Studies Association of China. He is also Honorary Professor of Comparative Literature of Hong Kong University and PhD supervisor for Guangdong University of Foreign Studies. He received his M.A. from Department of English, University of Lancaster, and his PhD (Comparative Literature – Film Culture) from the University of Hong Kong. He taught for many years at Guangdong University of Foreign Studies and then at Lingnan University, Hong Kong. His publications include Technologising the Male Body: British Cinema 1957-1987 (1999), New Perspectives: Contemporary Literary and Cultural Studies (2000), Decoding Contemporary Britain (2003), and Literature, Culture and Postmodern Transformations: 8 Case Studies from William Shakespeare to James Bond (forthcoming) and also over 50 journal papers/ book chapters in language and translation studies, literary and cultural studies. He is editor-in-chief of New Topics in Contemporary Cultural Studies Series (6 books) published by Sun Yat-sen University Press (2007-2008) He is currently working on the project Representations of Macao in Contemporary Cinema.
Due to limited space, interested persons should reserve their seat on a "first come, first serve" basis. Your contact details, especially e-mail address, will allow us to keep you informed of forthcoming MRI Forums and other MRI activities. At the occasion, a selection of the Institute’s publications will be offered at a discount price (please, see below).
To reserve your seat, please click on the following this link or send an E-mail to forums@riccimac.org or call (853) 2853 2536.
Date & Time: Wednesday, September 17th 2008, at 6:30PM
Venue: Macau Ricci Institute, Av. Cons. Ferreira de Almeida, No. 95-E • MAP
Language: English
Bookmarkers: Aprender / Learning, Cinema, English, Macau
Pistas para a sua identificação - O cinéfilo tem sempre tempo para ir ao cinema.
- É muito chato e refere repetidamente aos amigos, e outras vítimas, cenas preferidas, actores, filmes, bandas sonoras e alguma trivia.
- Sabe a data de nascimento da Asta Nielsen.
- Não viu, inexplicavelmente, alguns filmes que toda a gente viu, como Música no Coração ou Os Canhões de Navarone.
- Viu filmes que mais ninguém viu, como La Petite Fée de Solbaken, e é especialista em géneros obscuros, como Bergfilms germânicos.
- Sabe nomes de directores de fotografia e as características gerais do seu trabalho.
- Desvaloriza Sundance em favor do Festival de Cinema de Telluride.
- Sorri, iluminado, quando alguém sai do cinema a dizer que o filme tem uma grande fotografia.
- Sabe de cor bocados de filmes obscuros, como O Coronel Wolodyjowski, e encontra meios de incluir nas conversas, mesmo a despropósito, referências a esses filmes.
- Vai ao cinema sozinho.
- Consegue lançar numa conversa, com uma certeza imune ao mais leve pestanejar, nomes difíceis, como Adoor Gopalakrishnan, Apichatpong Weerasethakul, ou mesmo, prova máxima, nomes de realizadores coreanos.
- Sabe que o último filme do Wong Kar Wai é uma merda.
- Usou gabardina e, a dada altura, cachecol à nouvelle vague.
- Vai às sessões das 14:00 e recorda que a certa altura havia sessões às 11 da manhã.
- Lembra, saudoso, ciclos de cinema a que assistiu há mais de 20 anos, e onde, invariavelmente, se passaram episódios inesquecíveis.
- Tem opiniões firmes sobre o cinema mudo dinamarquês.
- Sabe de cor títulos de filmes na língua original, preferindo dizer Neokonchenaya Piesa dlya Mekhanicheskogo Pianino a Peça Inacabada para Piano Mecânico.
- Também sabe títulos de filmes em bengali, ladaque, azeri, além de japonês ou russo.
- Por vezes finge não saber a tradução de títulos de alguns filmes.
- Teve/tem paixões fortes por actores ou actrizes. Uma vez jantou num restaurante em Carcassone onde estava, a 18 mesas de distância, a Catherine Deneuve.
- Odeia militantemente alguns géneros (como o musical – exemplo : Les Parapluies de Cherburg), alguns actores (Anthony Quinn), ou alguns filmes (Il Postino).
- Detestava, até à altura em que passou apenas a responder com um sorriso trocista, que alguém que não considera um “gajo do cinema“ lhe sugerisse ver este ou aquele filme, vivendo no terror de ouvir a frase : “ó pá, se és meu amigo tens de ir ver isto”.
- Passou horas em bichas para comprar bilhetes para ciclos, onde fez amizades para a vida. Conclui lembrando que: “ainda tenho lá em casa os bilhetes de...”.
- Abusa de frases superlativas começadas por Nunca, como: “nunca a Garbo esteve tão sublime como em...”, que faz acompanhar de um gesto de mão, abrangente e nostálgico.
- Vê filmes sem legendas em línguas que não domina.
- Insiste que os filmes do Syberberg: “até se vêem bem, é uma questão de entrar neles“.
- Só em casos excepcionais vê filmes dobrados, quando não há outra cópia de um filme dificílimo de encontrar, e envolvendo uma língua que não entende, como por exemplo um filme em dinamarquês dobrado para italiano.
[POR BOI LUXO em Luz de Inverno, no Hoje Macau da passada Terça-feira]
Bookmarkers: Cinema, Jornais / Newspapers, Português, Taste it, Vida / Life, Vision
The 4th edition of the Pocket Films Festival has taken place at the Pompidou Centre in Paris, from June 13 - 15, 2008. 140 films made with mobile telephones were presented on the cinema screen, and 150 mobile videos were presented on mobile telephone screens. One hundred of filmmakers, artists, producers, from all over the world including international guests such as Isabella Rossellini, Stephen Dwoskin, and Masaki Fujihata, presented their works in the field of mobile video creation. More than 7,000 spectators visited the festival experiencing a myriad of propositions this year: films presented on multiple screen sizes, the possibility to “Take home” with them video creations designed for wireless diffusion, mobile filmmaking workshops and video-walks throughout the center of Paris.
The jury members, headed by the graphic novel artist and filmmaker Enki Bilal, have chosen The Champion, by the portuguese Rui Avelans Coelho. It's an extraordinary 1 minute 'documentary'. No words needed to describe it. Just see it here and clap your hands.
The 1st prize was 1,500 € and a 3G+ mobile telephone, which he really needed. ;-)
[FROM HERE WE SEND OUR BEST WISHES TO RUI]
Bookmarkers: BLOOM TV, Buenos Aires, Cinema, Contos/ Short Stories, English, Mundo / World, Português
Entrevista com Peter Greenaway (I)
0 comments Semeado por / Sowed by: Bloom * Creative Network at 15:09Peter Greenaway, o mais importante realizador inglês da sua geração, não aceita a dependência que o cinema tem do texto.
“As pessoas são visualmente iletradas”
Uma vez afirmou que as origens do cinema estavam na pintura do Renascimento e do Barroco, em Caravaggio, Rembrandt, Rubens, Velazquez... Porque razão pensa assim?
Penso que um historiador convencional do cinema diria que tudo começou com os irmãos Lumière, em 1895, em Paris. Aí teria acontecido a primeira manifestação da prática cinematográfica. Mas eu digo que o cinema tem a ver com a luz artificial e estes quatro pintores foram os primeiros a usar a luz artificial. Outros poderiam dizer que os antigos gregos ou mesmo os chineses, com o seu teatro de sombras, é que foram os primeiros, com a sua manipulação da luz. Eu passei muito tempo a olhar para Rembrandt, fizemos mesmo uma instalação junto da “Ronda Nocturna”, em Amsterdão, agora fiz um filme e escrevi uma peça sobre a obsessão de Rembrandt pelo auto-retrato, chamada “O Espelho de Rembrandt” e actualmente estou a realizar um documentário sobre ele. Para responder à sua pergunta, já que o meu principal interesse não é o cinema mas a pintura, tornou-se numa oportunidade ideal para discutir estes temas. É com um ligeiro sorriso que digo que estes pintores inventaram a linguagem cinematográfica 350 anos antes dos irmãos Lumière.
Mas isso é porque pensa que a narrativa não é o mais importante no cinema.
E não é. Se pedir às pessoas para me contarem a história do “Casablanca” ou do “Homem-Aranha”, não serão capazes de o fazer. Resumiriam em uma ou duas frases, mas não se lembrariam de tudo. As pessoas vão ao cinema por coisas diferentes: pelo ambiente, pela atmosfera, pela representação, enfim por uma experiência audiovisual que tem muito pouco a ver com a narrativa. E, no entanto, o cinema perde uma quantidade enorme de energia, de paciência e de dinheiro a construir narrativas e estas pertencem às livrarias. Temos um cinema baseado no texto e não na imagem. Se chegar ao pé de um produtor com três pinturas, duas litografias e um livro de histórias, nunca vai perceber o que quero dizer e fazer porque as pessoas são visualmente iletradas, estão presas à manifestação textual. Nos últimos dez anos aconteceram o “Harry Potter” e “O Senhor dos Anéis”, que não são filmes, mas livros. Portanto, o cinema está baseado no texto, é também um fenómeno literário. A minha tentativa, uma vez que tenho treino como pintor, é reposicionar esta questão e, devido à revolução tecnológica, estamos num momento em que é possível fazer as imagens mais espantosas e manipulá-las de modo muito livre. Logo, o que preciso de fazer é desvalorizar a presença do texto, desvalorizar a evidência da livraria e tentar fazer um cinema verdadeiramente autónomo. André Bazin, em 1923, disse que o cinema é composto por teatro, literatura e pintura. Nós ignoramos a pintura e, cem anos depois, ainda está dependente da literatura e do teatro. Acho que podíamos ter algo de muito mais vibrante. Claro, agora é demasiado tarde: o cinema está morto.
Eu ia aí chegar (esta é uma das suas afirmações mais conhecidas e polémicas). Mas antes de mais: os seus filmes utilizam muito texto e mais: sinto que o texto e as suas capacidades literárias estão muito presentes nos seus filmes.
Bem... Não sei se viu este último.
Não. Aqui, a esse respeito, estamos numa espécie de fim do mundo. Raramente cá chega cinema europeu. Temos de esperar pelo DVD.
E se estivesse em Lisboa?
É diferente, temos outro tipo de acesso ao que vai acontecendo na Europa, em termos artísticos.
Quantas pessoas falam português em Macau?
Cerca de quinze mil.
Imensa gente fala português no mundo, sobretudo se considerarmos o Brasil. Estive lá agora a organizar uma exposição e para o ano volto para realizar “Pornography”.
O que quer dizer com isso de “Pornography”?
Preciso de fazer uma peça extrema de erotismo. O que vou fazer é pegar em seis histórias eróticas da Bíblia e dramatizá-las. Abre com a primeira queca (fuck) da história da humanidade, com o Diabo a ensinar Adão e Eva a fazerem amor (how to fuck); depois vem o incesto com Lot e as filhas; a terceira é a santificação do adultério, com David e Batseba; a quarta sobre a sedutora de José, portanto sobre a sedução dos inocentes; depois vem Sansão e Dalila, a história clássica sobre a perfídia das mulheres; e na última saltamos para o Novo Testamento, para a história de João Baptista e Salomé, que é na realidade sobre necrofilia. Na verdade, são seis histórias sobre políticas sexuais. O que me interessa é a relação entre a religião e a sexualidade. Todas as religiões têm grandes problemas com a sexualidade e isto é sobre como no Antigo Testamento os judeus lidaram com o assunto, bem como nos princípios da cristandade.
Porquê o Brasil?
Principalmente, porque nos ofereceram três estúdios. Talvez saiba que há um “boom” no cinema brasileiro e queremos capitalizar nisso. E, por outro lado, gosto de argumentar que o Brasil é um país católico romano, mas também o país do Carnaval, portanto talvez aí sinta uma experiência sexo-religiosa.
Quando diz que o cinema está morto, parece referir-se mais ao aspecto sociológico, menos ao lado criativo.
Também é um problema de criatividade. Todos sabemos que, em termos de hábitos sociais, há tantas coisas para fazer no mundo que o cinema — que era uma forma barata de entreter o proletariado, uma perspectiva que se finou —, está na acabado. Prevalece o filme de género, que basta ver cinco minutos para sabermos o que vai acontecer a seguir. Visto por dentro, julgo existirem quatro tiranias que destruíram o cinema: a tirania do texto; a tirania do enquadramento (frame), porque não existe uma moldura na Natureza, enquanto nós estamos totalmente sujeitos e cercados por elas – eis uma ali (aponta para uma televisão), temos de as partir e estão a ser partidas de uma série de maneiras; depois, a mais difícil, a tirania do actor, que são muito mal utilizados no cinema, que não é o recreio da Sharon Stone – a culpa não é dela mas do modo como usamos os actores; e a tirania pior de todas, a tirania da câmara, da qual temos de nos livrar.
Isso é muito estranho...
E até parece contraditório. Mas se pensarmos em Eisenstein, o maior cineasta de sempre, e em Picasso, o maior pintor do século XX, percebemos. Picasso disse: pinto o que penso, não o que vejo. Eisenstein, quando ia a caminho do México, parou na Califórnia e encontrou-se com Walt Disney. Ele dizia que Disney era o único verdadeiro cineasta. Não se estava a referir ao sentimentalismo ou ao seu anti-semitismo, mas porque ele representava a indústria de animação e esta começa por uma folha branca, não há câmara, há vazio, há criatividade desde o princípio. O que a câmara faz é reproduzir o que é posto à sua frente e isso para mim é imitação, é mimésis, não é criatividade. Com as novas tecnologias, parece existir outra vez o conceito de criar em vez de reproduzir, uma noção nova de cinema, que começa do fundo. Temos de encontrar um novo vocabulário. Todos os media precisam de ser sempre reinventados, senão ainda estaríamos sempre a ouvir Mozart e a admirar as pinturas das cavernas. Agora temos à nossa disposição ferramentas extraordinárias e os artistas devem sempre utilizar as ferramentas do seu tempo. É importante para mim, como fazedor de imagens de cinema, utilizar as ferramentas actuais e, sobretudo, a filosofia que as acompanha.
É para escapar a essas tiranias que invoca no seu trabalho disciplinas como a arquitectura, por exemplo?
Sim. Tentei desenvolver noções de obra de arte total. A ópera foi bem sucedida porque Wagner não nos estava a dizer a verdade: só queria que todas as artes apoiassem a ópera. À medida que as ferramentas se vão sofisticando, as capacidades para realizar uma obra de arte total vão sendo cada vez mais profundas, mas agora no século XXI temos de acrescentar a interactividade e os multimédia. O cinema não tem essa interactividade porque é um fenómeno de massas não pode ser democrático. Com tanta gente que o vê, não pode interagir com todos. As experiências que procuraram um cinema igualitário e interactivo não tiveram sucesso.
[POR CARLOS MORAIS JOSÉ • JORNAL HOJE MACAU • 4 ABR 2008][PHOTO © BLOOMLAND.CN]
Peter Greenaway was born in Newport, Monmouthshire, Wales, and grew up in Essex, England. His family left South Wales when he was three years old. At an early age Greenaway decided on becoming a painter. He became interested in European cinema, focusing first on that of Bergman, and then on French Nouvelle Vague film-makers such as Godard, and most especially Resnais.
In 1962 he began studies at Walthamstow College of Art, where a fellow student was musician Ian Dury (later cast in The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover). Greenaway trained as a muralist for three years; he made his first film, Death of Sentiment, a churchyard furniture essay filmed in four large London cemeteries. In 1965, he joined the Central Office of Information (COI), working there fifteen years as a film editor and director. In that time he created a filmography of experimental films, starting with Train (1966), footage of the last steam trains at Waterloo station, (situated behind the COI), edited to a musique concrete track. Tree (1966), is an homage to the embattled tree growing in concrete outside the Royal Festival Hall on the South Bank in London. By the 1970s he was confident and ambitious and made Vertical Features Remake and A Walk Through H. The former is an examination of variations of arithmetical editing structure, and the latter is a journey through the maps of a fictitious country.
The visual hallmark of Greenaway's cinema is the heavy influence of Renaissance painting, and Flemish painting in particular, notably in scenic composition and illumination and the concomitant contrasts of costume and nudity, nature and architecture, furniture and people, sexual pleasure and painful death. Greenaway's frequent musical collaborator composer is Michael Nyman, who has scored several of his films.
In 1980, Greenaway delivered The Falls (his first feature-length film) – a mammoth, fantastical, absurdist encyclopedia of flight-associated material all relating to ninety-two victims of what is referred to as the Violent Unknown Event (VUE). In the 1980s, Greenaway's cinema flowered in his best-known films, The Draughtsman's Contract (1982), A Zed & Two Noughts (1985), The Belly of an Architect (1987), Drowning by Numbers (1988), and his most successful (and controversial) film, The Cook, the Thief, His Wife & Her Lover (1989).
In 1989, he collaborated with artist Tom Phillips on a television mini-series titled A TV Dante, dramatising the first few cantos of Dante's Inferno. In the 1990s, he presented the visually spectacular Prospero's Books (1991), the controversial The Baby of Mâcon (1993), The Pillow Book (1996), and 8½ Women (1999).
In the early 1990s, Greenaway wrote ten opera libretti known as the Death of a Composer series, dealing with the commonalities of the deaths of ten composers from Anton Webern to John Lennon, however, the other composers are fictitious, and one is a character from The Falls. In 1995, Louis Andriessen completed the sixth libretto, Rosa - A Horse Drama.
Greenaway has completed the artistically ambitious, The Tulse Luper Suitcases, a multimedia project with innovative film techniques that resulted in five films. He also contributed to Visions of Europe, a short film collection by different European Union directors; his British entry, is The European Showerbath. In early 2005, he announced Nightwatching, a film about the Dutch painter Rembrandt van Rijn, slated for release in 2007.
On 17 June 2005, Peter Greenaway effected his first VJ performance during an art club evening in Amsterdam, the Netherlands, with music by DJ Serge Dodwell (aka Radar), as a backdrop, ‘VJ’ Greenaway used for his set a special system consisting of a large plasma screen with laser controlled touchscreen to project the ninety-two Tulse Luper stories on the twelve screens of "Club 11", mixing the images live.
[SOURCE WIKIPEDIA]
«In 1992 rented a bike in Rome and spent two days running the city with this soundtrack blasting in my old walkman it was like living all those "travelling shots."»
Peter Greenaway will be in Macau this Friday for the presentation of his last film.
[STAY TUNED FOR ALL ON THIS EVENT]
Eastern Promises is a 2007 Canadian drama/thriller feature film directed by David Cronenberg. The screenplay was by writer Steven Knight. The film tells of a British midwife's interactions with the Russian mafia in London and stars Viggo Mortensen and Naomi Watts. The film has been noted for its unexpected plot twist and for its violence and realistic depiction of the Russian criminal underworld, including its use of tattoos.
On January 31, 2008, the film has grossed 51 million US$ worldwide and has received a positive critical reception, appearing on several U.S. critics' "top ten films" lists for 2007, winning several awards, including the Audience Prize for best film at the Toronto International Film Festival and the Best Actor award for Mortensen at the 2007 British Independent Film Awards. The film received twelve Genie Award nominations, three Golden Globe Award nominations, and Mortensen was nominated for Best Actor at the 80th Academy Awards, losing to Daniel Day Lewis.
PLOT
The mysterious and charismatic Russian-born Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen) is a driver for one of London's most notorious organized crime families of Eastern European origin. The family itself is part of the Vory V Zakone (Thieves in Law) criminal brotherhood. Headed by Semyon (Armin Mueller-Stahl), whose courtly charm as the welcoming proprietor of the plush Trans-Siberian restaurant impeccably masks a cold and brutal core, the family's fortunes are tested by Semyon's volatile son and enforcer, Kirill (Vincent Cassel), who is more tightly bound to Nikolai than to his own father. But Nikolai's carefully maintained existence is jarred once he crosses paths at Christmas time with Anna Khitrova (Naomi Watts), a midwife at a North London hospital. Anna is deeply affected by the desperate situation of a young teenager who dies while giving birth to a baby. Anna resolves to try to trace the baby's lineage and relatives. The girl's personal diary also survives her; it is written in Russian, and Anna seeks answers in it. Anna's mother Helen does not discourage her, but Anna's irascible Russian-born uncle Stepan urges caution. He is right to do so; by delving into the diary, Anna has accidentally unleashed the full fury of the Vory. With Semyon and Kirill closing ranks and Anna pressing her inquiries, Nikolai unexpectedly finds his loyalties divided. The family tightens its grip on him; who can, or should, he trust? Several lives - including his own - hang in the balance as a harrowing chain of murder, deceit, and retribution reverberates through the darkest corners of both the family and London itself.
To prepare for his role, Viggo Mortensen traveled alone to Moscow, St. Petersburg and the Ural Mountain region of Siberia, spending weeks driving around without a translator. He studied the gangs of the Vory V Zakone, read books on Russian prison culture and the importance of prison tattoos as criminal resumés, and perfected his character's Siberian accent and learned lines in Russian, Ukrainian and English. During filming, he used worry beads made in prison from melted-down plastic cigarette lighters and decorated his trailer with copies of Russian icons. And that's what makes a great actor from the rest of the field.
[TRAILER]
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Wong Kar-wai was broken hearted when he completed and abandoned is lovelife project "2046". For that he had to travel to USA, from New York to Vegas, and make a road movie. Much in the way of Jim Jarmusch, much like Wim Wenders experienced before, giving hands with Ry Cooder on the same way. If you could hear the silence from the remains of that bitten heart that would be what My Blueberry Nights sung to us through a process of reflections and deep feelings. An observation deck. Along, he picked up Jude Law and the singer Norah Jones and made a perfect clash. A long way to cross the road to the other side and explain what is love about. Simple and daring. Captured with special tenacity where his camera lost half of the frames to create and extend a punch of soft and great emotions. I could be there forever and never come back.
[SEE THE TRAILER HERE] [AND ENJOY THE MAIN SONG BY CAT POWER HERE] [PUT IT LOUD AND COME AGAIN FOR MORE]
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Lembro-me de ter nascido, ou então de ter mudado inteiramente tanto de alma como de pele, pelo menos uma meia dúzia de vezes ao longo da vida e nenhuma delas foi lá onde terei, pela primeira vez, dado conta da luz do mundo. De que havia uma matriz geográfica que essa é que me dizia de facto muito intimamente respeito pela via quem sabe de uma qualquer memória genética, dei conta aos doze anos - lembro-me sempre de cada vez que ainda por lá passo e se calhar é para isso que ando sempre a ver se passo por lá – a comer pão e com um ataque de soluços no meio do deserto de Moçâmedes, por alturas do Pico do Azevedo. E de que havia uma razão de Angola que colidia com a razão de Portugal, disso dei definitivamente conta já a trabalhar nas matas do Uíge quando, em março de 1961, eclodiu a sublevação nacionalista no norte de Angola. Sobrevivi então aí absolutamente à justa e a tempo de me refazer de tanta perplexidade e de tanto horror, tanto insurreicional como repressivo, quando a seguir, numa memorável noite em Luanda, houve quem me sussurrasse, em passeio pelas ruas da baixa, versos nacionalistas de Aires de Almeida Santos e de Viriato da Cruz que me revelaram uma alma de Angola que se me vinha oferecer sob medida e pela via do arrepio para eu ajustar à razão de Angola que a sublevação tinha acabado de me dar a reconhecer in vivo, e de que a partir daí passei a socorre-me para ver se conseguia conferir algum sentido à condição de orfão do império a que a vida, apercebi-me logo, me tinha destinado. Quando logo a seguir, também, a idade e o desamparo me colocaram com um papel na mão para apresentar-me no Huambo ao serviço da tropa colonial, e depois fui transferido para Luanda, já tinha conseguido que alguns mais-velhos da luta clandestina nacionalista me atribuíssem mínimas tarefas menores, como dactilografar, para posterior distribuição pelos musseques, poemas de revolta de autoria anónima e esclarecedora má qualidade. Mas depois foi uma data de gente presa e a tropa só não me entregou também à pide porque o comandante da secção de justiça do quartel a que eu pertencia era casado com uma filha de Moçâmedes e decidiu arriscar, e os informou que preso já eu estava, por razões disciplinares. Passei ainda uns tempos fardado de soldado português a fazer desenhos no quartel-general, mas depois fui requisitado, como técnico agrário, pelo instituto do café, e mandado para a Gabela e mais tarde para Calulo. Ligações políticas efectivas com a insurgência nacionalista, nunca mais encontrei maneira de as restabelecer... e também nada ajudava... nem a cor da pele que é a minha nem o cargo de engenheiro que ocupava... e o máximo que consegui foi ser dado como persona non grata pela administração do Libolo, junto com um padre basco e um médico português, e afastado compulsivamente dali. Pouco para currículo político.
SOBRE O AUTORO angolano Ruy Duarte de Carvalho (n. 1941) é antropólogo doutorado pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, Paris. Exerceu a actividade de Professor da Universidade de Luanda e foi Professor Convidado na Universidade de Coimbra (Portugal) e na Universidade de São Paulo (Brasil). Estudou cinema em Londres e realizou inúmeras horas de cinema directo filmado entre populações do sul de Angola.
A câmara, a escrita e a coisa dita...
de Ruy Duarte de Carvalho
ESTE É O TÍTULO DE FEVEREIRO DOS LIVROS COTOVIA• 464 PÁGINAS • CAPA DURA
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Jim Jarmusch, for many and different reasons, is one of my favorite guys, I mean, on the movie business. That is the same to say that he is the best of the gang. Life and cinema is quite the same, one resembles the other. It's quite the only religion where you can see God for real. Yeah, in front of you just talking with himself, and if you got the luck he can just be there by your side, telling some jokes. Well. Religion should be not more than a fun thing to do.
One of the best examples of Jarmusch masterpieces is Coffee and Cigarettes. The film is composed of a comic series of short vignettes shot in black and white built on one another to create a cumulative effect, as the characters discuss things as diverse as caffeine popsicles, Paris in the 1920s and the use of nicotine as an insecticide — all the while sitting around drinking coffee and smoking cigarettes. As the film delves into the normal pace of our world from an extraordinary angle, it attempts to demonstrate how absorbing the obsessions, joys, and addictions of life can be, if truly observed.
In this scene, from "Somewhere in California", musicians Iggy Pop and Tom Waits (played by themselves) smoke cigarettes to celebrate that they quit smoking, drink some coffee and have an awkward conversation. Is just the best thing you have to do right now. Follow this way.
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Here. Now. Fear.
Let me free now.
Here. Now.
Don't leave me fast.
Here. Oh please.
You won't let me live again.
This way.
[FOLLOW THE LINK ABOVE]
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Festival de Cinema Europeu / European Film Festival
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O grupo da União Europeia para a Cultura tem o prazer de apresentar o
14º Festival de Cinema Europeu de Macau e Hong Kong.
Contando com a participação de 13 países, este festival oferece o melhor do cinema contemporâneo, com vários filmes premiados. Contendo uma forte colecção de longas-metragens, do policial ao documentário passando pelo drama e desenhos animados, esta mostra revela-nos a riqueza da cultura Europeia, com todas as suas diferenças e semelhanças.
Sob a presidência portuguesa, com a organização a cargo do IPOR, e seguindo o sucesso dos anos anteriores, o festival de 2007 terá lugar no Consulado-Geral de Portugal em Macau, na Universidade de Macau e em diversas universidades de Hong Kong, tendo início no dia 9 de Outubro e prolongando-se até 30 de Novembro.
[O PROGRAMA + OS FILMES]
The European Union Working Group for Culture proudly presents the
14th Hong Kong and Macau European Film Festival.
From thirteen EU countries, the Festival features the best of contemporary cinema with several awarded movies. There is a strong collection of films - from romantic dramas or documentaries to cartoons – showing the richness of European culture with its differences and similarities.
Under the Portuguese presidency of the EU, organized by IPOR, and following the success of the previous years, the 2007 Festival will be held at Consulate General of Portugal in Macau, at the University of Macau and also in several universities campuses in Hong Kong , from October 9th to November 30th.
[THE PROGRAM + THE FILMS]
E aqui ao lado está o Blog de Fernando Meirelles, autor de Cidade de Deus e The Constant Gardener, sobre o seu último filme: Blindness (Ensaio Sobre a Cegueira) baseado no romance homónimo de José Saramago. Tem apenas 5 entradas até ao momento, mas é de todo importante seguir os relatos que são escritos durante a realização e a produção do filme, que irá ser estreado no próximo ano.
Para meu desespero, estava enganado. Ele está interessado sim, perguntou várias vezes quando ficaria pronto ou quando poderia assistir algo. Depois do nosso encontro, me mandou um e-mail dispondo-se a colaborar caso eu precisasse e dizendo-se totalmente confiante em relação ao nosso trabalho. Antes não estivesse tão confiante assim, o risco de uma grande decepção seria menor. Sei que nenhuma projeção desse filme será tão tensa quanto a que farei para apresentá-lo ao autor da história.
em DIÁRIO DE BLINDNESS por Fernando Meirelles
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Harpo Marx, (November 23, 1888 – September 28, 1964) was one of the Marx Brothers, a group of Vaudeville and Broadway theatre entertainers who later achieved fame as comedians in the Motion Picture industry. He was well known by his trademarks: he played the harp; he never talked during performances, although he often blew a horn or whistled to communicate with people; and he frequently used props.
In January of 1910, Harpo joined two of his brothers, Julius (later "Groucho") and Milton, to form "The Three Nightingales". Harpo was inspired to develop his "silent" routine after reading a review of one of their performances which had been largely ad-libbed. The theater critic wrote, "Adolph Marx performed beautiful pantomime which was ruined whenever he spoke."
Harpo got his stage name during a card game at the Orpheum Theatre in Galesburg, Illinois: the dealer (Art Fisher) called him "Harpo" because he played the harp. His other brothers were given names to match their personalities or hobbies; his brother Leonard became "Chicko" (Chico) because he was always chasing women ("chicks"), and his brother Milton became "Gummo" because he wore gum-soled shoes.
He taught himself to play the harp because he could not sing, or dance, and did not talk very well, so he needed something to do. Harpo learned how to hold it properly by going to a five-and-dime store where he found a picture of a girl playing a harp. No one in town knew how to play the harp, so Harpo tuned it as best he could, starting with one basic note and tuning it from there. Three years later he found out he had tuned it incorrectly, but he could not tune it properly because if he had, the strings would have broken each night. His way placed much less tension on the strings. Although he played this way for the rest of his life, he did try to learn how to play correctly, and he spent considerable money hiring the best teachers. They, however, spent their time listening to him, fascinated by the way he played. In the movies he is actually playing the harp with his own alternate tuning.
[SOURCE WIKIPEDIA]
School was all wrong. It didn't teach anybody how to exist from day to day, which was how the poor had to live. School prepared you for Life - that thing in the far-off future - but not for the World, the thing you had to face today, tonight, and when you woke up in the morning, with no idea of what the new day would bring.FOR THE END OF THIS POST BLOOM TV BRINGS YOU HARPO MAX PLAYING THE HARP. IT STARTS WITH "SEPTEMBER SONG" AND GOES BEAUTY FOOL THROUGH SOME OTHER TUNES. IT'S ALL HERE. ENJOY!
When I was a kid there really was no Future. Struggling through one twenty-four-hour span was rough enough without brooding about the next one. You could laugh about the Past, because you'd been lucky enough to survive it. But mainly there was only a Present to worry about.
Another complaint I had was that school taught you about holidays you could never afford to celebrate, like Thanksgiving and Christmas. It didn't teach you about the real holidays like St. Patrick's Day, when you could watch a parade for free, or Election Day, when you could make a giant bonfire in the middle of the street and the cops wouldn't stop you. School didn't teach you what to do when you were stopped by an enemy gang - when to run, when to stand in your ground. School didn't teach you how collect tennis balls, build a scooter, ride the El trains and trolleys, hitch onto delivery wagons,own a dog, go for a swim, get a chunk of ice or a piece of fruit - all without paying a cent.
School didn't teach you which hockshops would give you dough without asking where you got your merchandise, or how to shoot pool or bet on a poker hand or well to sell junk or how to find sleeping room in a bed with four other brothers.
School simply didn't teach you how to be poor and live day to day. This I had learn for myself, the best way I could. In the streets I was, according to present-day standards, a juvenile delinquent. But by the East Side standards of 1902, I was an honors student.
[EXCERPT FROM Harpo Speaks! • ALSO AVAILABLE IN The Book of Life A COMPENDIUM OF THE BEST AUTOBIOGRAPHICAL AND MEMOIR WRITING]
[This song was also performed by Bryan Ferry, who turned 61 yesterday, on his album "As Time Goes By" - SEARCH FOR IT]
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"Somos apenas um par de idiotas à volta do mundo"
2 comments Semeado por / Sowed by: Bloom * Creative Network at 18:44
Numa calma tarde de sábado ao debruçar-se sobre um mapa do mundo, Ewan McGregor - actor de cinema e fanático por motas - reparou que era possivel dar a volta ao mundo, atravessando o estreito de Bering e entrar no Alasca a partir da Rússia.
Assim, decidiu telefonar ao seu melhor amigo, Charley Boorman, também actor e entusiasta por motas, e convencê-lo a acompanhá-lo numa viagem inesquecível.
De Londres a Nova Iorque, Ewan e Charley, perseguiram as suas sombras nas estradas da Europa, da Ucrânia, do Cazaquistão, da Mongólia e da Rússia, atravessando o Pacífico até ao Alasca, e descendo pelo Canadá até aos Estados Unidos.
O resultado foi este fascinante livro de literatura de viagem de volta ao mundo, inteiramente documentado, com fotografias e diários escritos por dois amigos que juntos, contra todas as expectativas, realizaram o seu sonho. Um diário da viagem, realizada pelos actores à volta do mundo, em que nos é dada a conhecer um pouco mais das suas personalidades e do seu lado mais humano fora do plano de uma personagem de um filme. Pode dizer-se que por serem famosos arranjaram uma série de facilidades e patrocínios mas isso não lhes tira o mérito e os milhares de quilómetros em cima de um veículo de duas rodas, o que não é um feito que esteja ao alcance de todos. Para além de se tornar cansativo para o corpo é sobretudo, por vezes, bastante fastidioso para a mente. Mas pelo mundo fora há decerto imensas paisagens e aventuras para despertar toda imaginação que valem por tudo. Uma viagem que foi também vivida por uma produtora de televisão decidida a documentar a viagem se encarregou de pagar os custos de toda a aventura.
O livro para além das descrições das paisagens inóspitas, das diferentes pessoas e culturas que encontraram e das peripécias vividas diariamente, contém também os relatos de McGregor e Boorman, na primeira pessoa, das suas emoções a cada momento, dos conflitos e atritos gerados entre os dois, dos seus momentos de tristeza e depressão por estarem longe da família (apesar de nos tempos modernos levarem telefones Iridium, para estarem sempre contactáveis), do cansaço acumulado pelas grandes tiradas diárias e pelos momentos de descoberta pessoal pelo contacto com quem nada tem (os miúdos da UNICEF) e pela solidariedade de estranhos nas situações mais difíceis.
Um livro para ler como uma viagem e com cheiro a muita gasolina. Um vento de vez em quando surgirá também ao virar de algumas das páginas.
O Caminho mais Longo de Ewan McGregor e Charley Boorman
BERTRAND EDITORES • 2006
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PS 5
Depois de ter regressado a Portugal, e fundado a QUINECOR, voltei a encontrar o meu amigo Brum Morgado que entretanto também tinha desistido de Moçambique, tendo o seu Avenida sido nacionalizado. Por essa altura eu fizera boas relações de amizade com o Vitoriano Rosa que era Director da revista Plateia e através dele conheci uma produtora espanhola de Barcelona as PRODUCCIONES BALCÁZAR que estava interessado na produção de um filme de longa metragem passado em Portugal. O Brum Morgado associou-se ao projecto e partimos para uma co-produção entre a Quinecor e as Producciones Balcázar. O filme - A Destruição de Marta Hyman - contava uma história rocambolesca toda passada no Algarve, de um vigarista que se fazia passar por pintor e acabava por casar com a filha de um rico industrial português. Assim, toda a equipa de filmagem e artistas espanhóis e portugueses, foi viver para o Hotel Montechoro na Praia da Rocha que nos acolheu a todos graciosamente na condição de fazermos a promoção do Hotel no filme. Foi um encanto. O Algarve e a Praia da Rocha contribuíram para o filme com cenários de uma beleza indescritível. Demo-nos todos maravilhosamente, portugueses e espanhóis. E até eu, co-produtor do filme, desempenhei um pequeno papel de comandante da marinha numa cena logo no principio do filme em que um barco da Polícia Marítima do Algarve procurava o cadáver de Marta, supostamente assassinada pelo marido, tendo encontrado apenas restos da suas roupas o que no dizer do comandante não eram suficientes para sustentar uma acusação de crime.
Achei muita graça porque depois de ter desempenhado o meu papel o realizador espanhol virou-se para mim e disse: - Ombre...Tu és un actor mui natural...
Ora acontece que eu havia feito um contrato com as Producciones Balcázar segundo o qual as receitas do filme em Portugal seriam nossas, as receitas em Espanha seriam deles e as receitas no resto do mundo seriam divididas em partes iguais pelos dois. Estas foram as únicas receitas que tivemos com o filme porque os distribuidores em Portugal recusaram-se a exibi-lo porque era falado em espanhol, apesar de termos feito uma cópia com legendas em português.
Fui assistir à estreia do filme em Barcelona e foi um sucesso.
Também adorei Barcelona e estive muito perto de me transferir para aquela cidade com armas e bagagens. Não o fiz mas ainda hoje não estou absolutamente certo de ter tomado a melhor decisão.
O meu amigo Brum Morgado, depois desta experiência, virou-se para a construção civil com a certeza de que essa actividade seria muito mais compensadora. E sabendo como sabemos a pouca compreensão e conhecimento dos poderes responsáveis em Portugal relativamente ao que verdadeiramente é o Cinema, acho que ele fez muito bem.
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"Volver", o último filme de Pedro Almodóvar, foi alvo de uma grande receptividade internacional e arrecadou inúmeros galardões de prestígio. Contudo, esta reacção, muito excessiva, não esconde a modéstia do filme. Uma certa renovação temática surge como o seu principal mérito, desmentindo a sensação de profundo esgotamento criativo do título anterior: "Má Educação". Mas, mesmo que o melhor da sua obra pertença ao passado, Almodóvar mantém-se - comparável em certa medida ao génio de Luís Buñuel - como um dos mais importantes e influentes cineastas espanhóis. Este livro de entrevistas, que cobre toda a sua carreira, evoca a sua infância, a relação privilegiada com a mãe ou a ligação pessoal e profissional com Agustín, seu produtor e irmão. E centra-se nos seus filmes, crónicas impiedosas do desejo sexual: na influência do teatro de Tennesse Williams e de Cocteau, da comédia americana de Tashlin, Blake Edwards ou Billy Wilder, da Nouvelle Vague Francesa e do Neo-Realismo Italiano; do gosto pela moda («“Funny Face" de Stanley Donen é uma enciclopédia para mim»); da permanência do kitsh, da ironia e da crítica à religião católica; da eterna sedução pelo universo feminino; da descoberta de Antonio Banderas ou Rossy de Palma.
À pergunta: "Que conselhos daria hoje a alguém que queira tornar-se cineasta?", Pedro Almodóvar responde: "Em primeiro lugar, é preciso que seja simpático, porque tem que pedir favores e conseguir que vinte pessoas aceitem trabalhar gratuitamente para poder filmar uma primeira curta-metragem. Depois, tem que convencer os que vão pagar o negativo. Tem que ser simpático, optimista, e se for sexy será melhor ainda. Para realizar uma segunda curta-metragem tem que ser persistente, cínico e atrevido, e frequentar um ginásio, porque entretanto envelheceu. Tem que ser maquiavélico, porque da segunda vez tem que enganar a pessoa que da primeira vez seduziu."
Tudo começou com um pequeno diálogo... um trocar de perguntas e respostas sobre a vida do cineasta. Um diálogo que a Bloom traz até si, novamente pela mão da Editora 90 Graus.
Conversas com Pedro Almodovar, de Frédéric Strauss
Editora 90 Graus • ISBN: 972896403X • 2007
[FONTE DESTE TEXTO AQUI]
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PS 4
Não posso também deixar de recordar a minha aventura em Moçambique com o cinema Avenida.
Este cinema foi construído por um actor que passou por Moçambique numa digressão artística e que resolveu ficar. Era um cinema com pouco mais de duzentos lugares e ficava numa das principais avenidas da baixa de Lourenço Marques. Contudo nunca teve grande afluência de espectadores que rondavam em média os seis ou sete lugares por sessão.
Ora acontece que após o Vinte e Cinco de Abril e durante aquele período de transição em que o objectivo era correr com todos os portugueses de Moçambique, o cinema Avenida foi vendido a um cauteleiro que era um homem muito conhecido e que tinha ganho muito dinheiro a vender cautelas da Santa Casa da Misericórdia.
O cauteleiro, consciente das suas limitações, pediu ao meu amigos Brum Morgado que o ajudasse na exploração do Avenida. O Brum Morgado por sua vez veio pedir a minha ajuda e eu disse que colaborava numa condição: a de ele fazer tudo o que eu pedisse. Ele concordou e assim a primeira coisa que eu pedi foi que retirassem os dois painéis laterais que ladeavam o ecrã de projecção do cinema e que eram duas obras do conhecido pintor Garizo do Carmo. O Brum Morgado estranhou o meu pedido mas eu expliquei-lhe que as pessoas iam ao cinema para ver um filme e quando queriam ver pinturas de grandes artistas iam aos museus.
Assim os painéis foram retirados e eu alarguei o ecrã de projecção para toda a largura do cinema de parede a parede.
Em seguida aumentei a amperagem dos projectores por forma a obter uma projecção brilhante e nítida.
Depois instalei na entrada do cinema que tinha agregado um pequeno café, dois altifalantes de alta fidelidade que davam música ambiente com um som cheio de realismo.
Por fim no exterior, pintei um grande painel com uma imagem da Brigitte Bardot numa cena do filme que íamos estrear.
No dia da inauguração, uma bicha para comprar bilhetes dava a volta ao quarteirão.
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POST SCRIPT 3
Entre as diversas experiências que vivi no tempo em que, em Moçambique, tive a FILMLAB, a minha empresa produtora, foi a minha aproximação com a África do Sul, os laboratórios de Kilarney e as possibilidades infinitas de aprendizagem. Ao contrário do que se pensa no mundo exterior em geral, Joanesburgo era uma cidade extremamente desenvolvida, rica, moderna e muito avançada. Foi aí que aprendi os segredos da "publicidade subliminar" e onde adquiri vários livros sobre a matéria.
A publicidade subliminar é uma questão tão subtil e poderosa, que de uma forma geral é muito mal entendida e contudo regula muito do que se passa á nossa volta.
Apenas para exemplo, vou relatar uma das acções e seus resultados.
Durante muitos anos o GIN GORDON tentou implantar-se na América sem contudo nunca conseguir abrir esse mercado porque os americanos tinham a sua preferência pelo whisky.
Acontece que existem quatro agências de publicidade nos estados Unidos e duas no Canadá que se dedicam à publicidade subliminar e a certa altura o Gin Gordon recorreu-se dessas agências para que planeassem uma campanha capaz de alterar as circunstâncias e levassem os americanos a consumir Gin.
Feito o acordo com uma dessas agências, foi publicada na revista TIMES, uma das revistas de maior circulação nos estados Unidos, um anúncio de uma página inteira com uma simples fotografia de uma garrafa de Gin Gordon, com um rótulo colorido e no alto dessa página apenas a marca do Gin.
Os resultados foram tão bons que um mês depois a Times voltou a publicar o mesmo anúncio, o que não é nada barato.
O facto é que o gin foi introduzido na América.
Qual foi o segredo?
Para quem tivesse conhecimentos suficientes e soubesse dos princípios em que se baseia a publicidade subliminar, poderia analisar o anúncio que foi publicado na Times e descobriria que no rótulo a cores, embebida na imagem do rótulo que era parte bem visível do anúncio, estava uma outra imagem que representava um homem dominante abraçando e beijando uma mulher.
Teria de me estender extensivamente para explicar como nasceu a publicidade subliminar, como se desenvolveu e aperfeiçoou e como ainda hoje é extensivamente utilizada.
Basta dizer que a maior parte das grandes marcas a que damos a nossa preferência se serviram desse tipo de publicidade e até o actor Ronald Reagan chegou a Presidente dos Estados Unidos graças à sua inteligente utilização.
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