Um Bestiário Poético

Nem sempre é fácil
olhar o animal
mesmo que ele te olhe
sem medo ou
ódio
fá-lo tão fixamente
que parece desdenhar
o seu subtil segredo
parece melhor sentir
a evidência do mundo
que de noite e dia
ruidosamente
perfura e corrói
o silêncio da alma

Jean Follain
(tradução de Jorge Sousa Braga)

Quantos animais (para além de nós) existirão à face da terra? Ninguém é capaz de responder a esta questão. Só sabemos que são inumeráveis como as estrelas do céu. Muitos de nós vivem como se eles não existissem. Contudo, somos companheiros de viagem. E simultaneamente o produto dessa viagem. A maioria deles partiu muito antes de nós. Só muito recentemente nos juntámos a eles. O nosso futuro e o deles são indissociáveis. A nossa história conjunta é uma história de fascínio e de repulsa, de extermínio e de amor. Os primeiros poemas sobre animais são provavelmente tão velhos como a própria poesia. Há um poema dos inuit que fala de um tempo em que as palavras eram mágicas e em que os homens se podiam transformar em animais e os animais em homens. Todos eles falavam a mesma linguagem. Com o passar dos milénios perdemos essas capacidades. Já não nos podemos transformar em animais (e vice-versa) e as palavras deixaram de ser mágicas. Passaram a ser apenas palavras e a magia uma palavra entre elas.” Jorge Sousa Braga, na introdução a este livro.
Animal Animal - Um Bestiário Poético • Assírio e Alvim • ISBN: 9723709198 • 2005

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