Livros como nós

A crítica fala em “regresso à ficção metafísica” e eu acredito que sim, mas nada disto me interessa, bem vistas as coisas. O que me interessa mesmo em Travels in the Scriptorium, o mais recente de Auster, é a possibilidade única de mergulhar nas palavras e de, sem saber como, me encontrar fechada no quarto onde a história se passa. E o facto de todas as personagens de Auster, de mundos com variáveis graus de ficção, serem invariavelmente como nós.
Em Travels in the Scriptorium, a narração é feita de fora. A história é contada a partir das gravações do quarto onde vive Mr. Blank, a quem roubaram a memória e, por isso também, a vida. Mr. Blank vai tentando perceber quem é, quem foi, porque está ali. Nós também e ao mesmo ritmo. Angustiante, por sinal. Os livros de Auster são assim: quando acontece o ritual do início da leitura, é difícil parar. E é também difícil sair de dentro das palavras. Hoje estou neste quarto enigmático, na companhia de Mr. Blank.

2 Comments:

  1. Zé Manel said...
    Eu vou entrar lá dentro mais logo.
    Boa viagem!
    isabel said...
    Entra, mas tem cuidado. Há etiquetas com nomes por todos os lados. Se conseguir sair lá de dentro e olhar em volta, venho cá contar como é o outro mundo que não este. Até já!

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