- Pergunto porque é que usam porco. Este povo não é consequente em nada, nem sequer no uso das palavras. Dizemos sempre suíno.Jorge Luis Borges disse-lhe:
- Basta o capricho de um jornalista e todo o país falará da guerra ao porco – assinalou Rey.
- Não acredites nisso – advertiu Dante. – A Crítica chama-lhe Caçada de corujas.
- A coruja parece-me melhor. É o símbolo da filosofia – declarou Arévalo.
- Mas confessem – disse Jimi, apontando para Arévalo e para Rey – que vocês os
dois preferem que vos chamem suínos.
in "Diário da Guerra aos Porcos", de Adolfo Bioy Casares
“Muda o título. É um romance perfeito mas vais ficar com um porco associado à tua obra para toda a vida.”
Desconhece-se a resposta de Adolfo Bioy Casares - se é que resposta houve - , mas certo é que o título manteve-se.
Um título para uma obra de extraordinária ironia, daquelas que se lê de uma assentada só, de um só fôlego. Entre uma esplanada e um avião. 234 páginas dadas a conhecer, em português, pela Cavalo de Ferro.
Bioy Casares imagina uma Buenos Aires em que os velhos – ou aqueles que parecem sê-lo – são perseguidos, torturados e mortos por grupos de jovens. Há uns que escapam, outros que nem por isso. Não é um livro nem moralista nem dramático, bem antes pelo contrário. É um modo de escrever quente e frio, nunca morno.
Também não é um livro de descrições nem de contextualizações. É um livro de uma vida, a de Vidal, cruzada com outras vidas. E Adolfo Bioy Casares tem a mestria de nos fazer imaginar rostos sem sequer os descrever, de deixar as conclusões à vontade do freguês. A minha, se a tenho, é de que a vida é só isso e é tanto. A vida.
Bookmarkers: In Bloom, Livros / Books, Português
1 Comment:
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- Anonymous said...
10 April, 2007 18:42Are you back in Macau? Call me!
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