Homenagem à Catalunha *

Vertigen / Vertigem
«Aquell matí em vaig llevar, no recordo on ni tan sols el temps que fa,
I tot havia canviat.

Però jo no ho sabia, encara, i més m'hagués valgut no saber-ho mai.
El meu món era petit, però suficient, abans.
Deixà de ser-ho.
La meva vida, un cel particular,
nulla incertesa, dolça soledat;


' més tard, cau soterrat, previsibilitat maleïda, asfixiant aïllament.
Mai res no m'havia fet tanta falta.
Ni la sang que per les venes em corre no necessitava amb la mateixa urgència.
Mentre el dolor creixia, de sobte, aquell soroll estrepitós, insuportable.
Cridant, plorant, vaig córrer.

Era incapaç de sentir els meus crits, de segur esgarrifosos.
De sobte, l'abisme s'obrí sota els meus peus.
Morir, volia.
Recuperar el meu cau, la meva estimada soledat, els meus llimbs, la meva preuada illa.
I vaig caure.
Queia, sentint-me cada vegada més prop d'aquell horror, del meu propi dolor, del més terrorífic despertar dels meus sentits, tot just acabat de descobrir.

Ja no recordo quan va ser que vaig despertar aquell fatídic matí, aleshores salvador.
No recordo quan fa que estic caient, que caic, veient la fi més propera cada vegada però amb la incertesa de si mai arribarà.
Ara el dolor sembla no tenir límits.
El dolor i la por són tot el que sento.
Tinc por de caure per sempre.»


«Naquela manhã acordei, não me recordo onde nem tão pouco o tempo que fazia, e tudo tinha mudado.
Mas eu não sabia, ainda, e seria melhor se nunca o tivesse sabido.
O meu mundo era pequeno, mas suficiente, antes.
Deixou de sê-lo.
A minha vida, um céu particular, na incerteza, doce solidão;

Mais tarde, buraco soterrado, previsibilidade maldita, elemento asfixiante.
Nunca antes me havia feito tanta falta.
Nem o sangue que nas minhas veias corria necessitava de tamanha urgência.
Mas a dor crescia, de súbito, aquele terrível tumulto, insuportável.
Gritando, em lágrimas, fugi a correr.

Era incapaz de sentir os meus gritos, seguramente aterrorizados.
De repente, o abismo abriu-se sob os meus pés.
Morrer, queria.
Recuperar o meu buraco, a minha doce solidão, o meu limbo, a minha preciosa ilha.
E eu senti.
Caía, sentia-me cada vez mais perto daquele horror, da minha própria dor.
Do mais terrífico despertar dos meus sentidos, justamente tudo o que acabava de descobrir.
Já não recordo quando vai despertar aquela fatídica manhã, o ápice salvador
Não me lembro de quando estava a cair, quando caí, vendo o fim cada vez mais perto mas fiquei incerteza de saber quando finalmente viria.
Agora a dor parece não ter limites.
A dor e o medo são tudo o que sinto.
Tenho medo de cair para sempre.»
Recoil in «Liquid»
Music: Alan Wilder
Narration: Rosa M. Torras
Aditional Vocals: Diamanda Galás
[TRADUÇÃO DA CASA]

O vídeo que se segue tem origem incerta. Alan Wilder, o mentor dos Recoil, pertenceu, até 1995, aos Depeche Mode e as imagens são, talvez, uma mistura de outros vídeos desta banda. Aqui, são apenas o pretexto para ouvir o som que sobra das imagens, não importa realmente de onde vêm.
[SEGUIR ESTE LINK ou CARREGAR NA IMAGEM EM CIMA] • ON BLOOM TV • 2007

* para o Bernardo, por quem ouvi falar Catalão há pouco tempo. O Bernardo deixou Macau há dias. Fica também um abraço de todos nós, por termos ficado mais pobres.

2 Comments:

  1. bernardo said...
    Lindo!!

    tambem fiquei mais pobre ao partir assim de macau...agora ha um vazio ainda por preencher...

    mas se nunca tivesse ai vivido seria hoje ainda mais pobre...



    as imagens, o poema, a voz e a musicalidade do catalao traduzem bem a vertigem que conduzo...
    ate onde,ate quando, nao sei, ate sempre

    um grande abraco a Todos!!
    teresa said...
    Onde quer que estejas, para onde quer que vás, deixa-nos de vez em quando um olá, aqui nesta constância da internet, alcançável em qualquer parte, como num confluir de lugares!
    ;-)
    Um grande beijinho.

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